Castle of Proença-a-Velha

Idanha-a-Nova, Castelo Branco - Portugal

O “Castelo de Proença-a-Velha” localizava-se na freguesia de Proença-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em Portugal.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história, acreditando-se que aqui habitassem Lusitanos à época da Romanização, como se depreende dos nomes não-latinos constantes de uma ara, datada do século I, encontrada na localidade, e dedicada a uma divindade local denominada "Revelanganitaecus". A proximidade da antiga cidade de “Egitânia” (atual Idanha-a-Velha) certamente terá influenciado a vida destes povos.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, à época da formação da nacionalidade, Afonso I de Portugal (1143-1185) doou à Ordem do Templo os domínios de Idanha e Monsanto, em que Proença-a-Velha se inscreve -, com o encargo de os repovoar e defender:

"Afonso, notável rei dos Portugueses [‘Portugalensis Rex’], filho de Henrique e da Rainha D. Teresa e neto do grande e ilustríssimo Imperador de Espanha, por nós ao mestre Galdino [Gualdim] e a todos os Irmãos da Ordem dos Templários que estão no meu reino, faço uma vasta e fortíssima doação da região da Idanha [-a-Velha] e de Monsanto com os limites: Seguindo o curso da água do rio Erges e entre o meu reino e o de 'Legiones' até entrar no [rio] Tejo e da outra parte seguindo o curso da água do [rio] Zêzere que igualmente entra no Tejo (...)." (Carta de Doação de Idanha-a-Velha e Monsanto, 30 de novembro de 1165)

Sob o reinado de Afonso II de Portugal (1211-1223) o Mestre da Ordem, D. Pedro Alvites, com o beneplácito do soberano, outorgou foral a Proença-a-Velha para a restaurar e repovoar: "Ego fraire domnus Petrus Aluitiz per grasia dei magister de caualaria de templo (…) uolumus restaurare atque populare uilla de prohencia." (abril de 1218).

No reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325) diante da extinção da Ordem, os bens da mesma ficaram “reservados” por determinação do soberano, transitando para a Coroa entre 1309 e 1310. Esses mesmos bens passariam para a recém-criada Ordem de Cristo em 26 de novembro de 1319.

À época de Manuel I de Portugal (1495-1521) o Tombo da Comenda da Ordem de Cristo (1505) fornece-nos a descrição, com algum detalhe, do castelo da vila de Proença à época:

"Tem a dita Vila de Proença um castelo cercado de uma cava e duas cercas, a saber, uma barbacã de pedra e barro derribada por partes e um muro largo e forte de canto lavrado armado em redor de alvenaria de pedra e barro. O portal da entrada da dita barbacã está agora derribado e à entrada da cerca está logo um portal de pedraria forte e sobre ele as armas d’el-rei e a cruz da Ordem esculpidas em pedra e tem boas portas fechadas.

Junto com este portal, que é da parte da vila contra o poente, está um cubelo pequeno mais alto que o muro, ameiado e bem corrigido e está contra o norte. E da outra parte do portal contra o sul, pegado ao dito muro, por mandado d'el-rei nosso senhor se faz agora uma torre de menagem, e já tem feito grande parte dos alicerces de cantaria mui bem lavrada.
"

A mesma fonte refere que a igreja, tal como a Misericórdia, ficava no exterior das muralhas: "Fora desta cerca contra o norte está uma igreja (…)."

O soberano outorgou o “Foral Novo” à vila a 1 de junho de 1510.

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

Em 1580 era Comendador D. Francisco de Menezes, “o Mouco”. À época da Restauração da Independência (1640), o seu neto, D. Francisco de Menezes, manteve partido por Filipe IV de Espanha (1621-1665), vendo-se assim forçado a evadir-se para a Espanha, passando a Comenda para as mãos de João IV de Portugal (1640-1656).

O regente D. Pedro, duque de Beja (1667–1683), futuro Pedro II de Portugal (1683-1706), em 1675 outorgou a comenda a D. Lourenço de Almada, 7.º senhor de Pombalinho, neto do comendador que havia se evadido para Castela por parte de sua filha D. Luísa de Menezes, que havia ficado em Portugal com sua mãe. A comenda manteve-se nas mãos desta família até à extinção dos senhorios e os privilégios das comendas em 1826.

O padre António Carvalho da Costa, na sua “Corografia Portugueza e descripçam topográfica do famoso reyno de Portugal” (1708), descreveu a povoação:

A Villa de Proença-a-Velha fica seis legoas de Castello-Branco para o Nordeste, & está fundada em huma planície, que banha o rio Torto pela parte do Norte, aonde tem sua ponte, & a fertiliza de todos os frutos. Tem 180 visinhos com huma Igreja Paroquial, Vigayraria da Ordem de Christo, que apresenta a Mesa da Consciência, Casa de Misericórdia, & cinco Ermidas: deo-lhe o foral o Mestre do Templo com os seus Frades, & he seu Alcayde mor, & Comendador D. Lourenço de Almada. O seu termo tê os lugares seguintes.

S. Miguel Dacha, Vigayraria da Ordem de Christo, que apresenta a Mesa da Consciência, tem 220. visinhos, & quatro Ermidas, & hum Juiz ordinário no cível.

S. Margarida, Vigayraria da mesma Ordem, & apresentação, tem 100. visinhos, & para o poente lhe fica a ribeira de Ceife, meya légoa distante: he fértil de paõ, azeite, & gados.


Sobre as defesas de Proença-a-Velha, as "Memórias Paroquiais” (1758) referem:

"É esta terra entrincheirada de paredes de pedra de que se faz a cantaria e tem um castelo em uma ponta da vila, a nascente, todo de pedra de cantaria, mas está muito demolido e um palácio dentro também demolido que dizem fora dos templários."

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) os restos do antigo castelo terão sido arrasados pelas tropas napoleónicas.

Pouco mais tarde o concelho foi extinto e integrado no de Idanha-a-Nova (1835).

Do antigo castelo restam em nossos dias apenas vestígios das muralhas e referências na toponímia local, nomeadamente a Rua do Castelo, a Rua Detrás do Castelo (ou Travessa do Castelo), o Chão do Castelo e ainda a Rua do Baluarte. Esses restos não se encontram classificados ou protegidos pelo poder público.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico, de pequenas dimensões, que corresponderia ao espaço hoje ocupado pelo denominado “Chão do Castelo”. Era rodeado por muralhas de cantaria de pedra, antecedidas por um fosso. A oeste, rasgava-se o portão de armas, defendido por um cubelo. No início do século XVI estava a ser erguida uma torre de menagem, do lado oposto ao portão de armas. No interior desta pequena cerca ficavam apenas os aposentos do comendador. A segunda cerca (barbacã) era de pedra argamassada com barro, danificada nalguns pontos e deveria envolver o antigo casco urbano, vindo até à hoje denominada rua do Baluarte.



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Contribution

Updated at 27/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Castelo Branco
    City: Idanha-a-Nova



  • Lat: 40 -2' 28''N | Lon: 7 14' 18''W







  • Castelo Templário



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