Castle of Castelo Mendo

Almeida, Guarda - Portugal

O “Castelo de Castelo Mendo” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Castelo Mendo, Ade, Monteperobolso e Mesquitela, concelho de Almeida, distrito da Guarda, em Portugal.

Castelo do Ribacôa, integra o conjunto bem preservado da vila medieval.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação humana deste sítio remonte a um castro pré-histórico, posteriormente romanizado, hipótese que, entretanto, carece de confirmação arqueológica.

O castelo medieval

A povoação de Castelo Mendo encontra-se documentada desde 1202. Luís Gonzaga de Lancastre e Távora, marquês de Abrantes, inventariou um selo deste burgo num documento datado de junho de 1202 que se reporta a bens que o Mosteiro de São Vicente de Fora possuía no termo de Castelo Mendo. O selo do concelho apresenta, ao centro, um castelo com três torres (a central flanqueada por dois escudetes carregados com besantes), e na orla, a legenda “SIG(illum) CONCILLI/ /CASTRO MENENDI”. Desse modo, para além de constituir o mais antigo testemunho documental para Castelo Mendo, este diploma assegura-nos ainda que o poder concelhio se encontrava plenamente organizado à época, a ponto de já possuir selo.

Até à assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), a linha da raia entre o Reino de Portugal e o de Leão e Castela passava pelo vale do rio Côa. Situada em frente a Castelo Bom, que até ao Tratado permaneceu na posse leonesa, a povoação de Castelo Mendo constituía-se em guardiã de um dos pontos de passagem do rio - o “Porto de São Miguel”, um vau de raízes ancestrais que constituía um dos tradicionais pontos de comunicação entre os dois reinos. Castelo Mendo revestia-se, por essa razão, de grande importância estratégica, que se articulava com outros pontos fortificados na região - como Pinhel, Vila do Touro e Sortelha – constituindo a primeira linha de defesa do reino.

Castelo Mendo recebeu carta de foral outorgada por Sancho II de Portugal (1223-1247), passada em Vila do Touro em 15 de março de 1229. Por este diploma temos conhecimento de que a muralha superior da povoação é de construção anterior a esse ano, estando referidos o castelo e o seu alcaide à época, "Meenedus Menendi" (Mendo Mendes), que foi que foi o último a assiná-lo. Acredita-se assim que a fortificação da povoação remonte ao reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), coincidindo, desse modo, com as primeiras referências documentais conhecidas para o povoado. Essa iniciativa régia poderia, assim, ser enquadrada no contexto da disputa fronteiriça vivida pelos dois reinos ao final do século XII, e que esteve na origem de outras obras de fortificação em ambos os lados da fronteira.

No foral de Castelo Mendo de 1229, o Porto de São Miguel é designado como "Portum Mauriscum". A sua importância viria a ser consagrada, já após a assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), pela construção de uma ponte de pedra, num processo semelhante ao que ocorreu no vau de Rapoula do Côa, onde a construção da ponte de pedra determinou a decadência e abandono da vizinha povoação de Caria Atalaia, na margem leste do Côa.

Este documento reveste-se de interesse também porque estipula a primeira feira oficial no reino, a ser realizada por oito dias, três vezes por ano: na Páscoa, no São João e no São Miguel. Como curiosidade, numa parede do tribunal encontra-se uma gárgula a que, em Castelo Mendo, se chama “o Mendo”. A menda encontra-se em parede fronteira ao citado edifício do Tribunal e a Porta de D. ostenta na sua base o símbolo heráldico de D. Sancho II.

Dinis I de Portugal (1279-1325) confirmou o foral à vila (16 de dezembro de 1281), e dois dias após ali instituiu uma Feira Franca, a ser realizada na Devessa. A posse definitiva do território de Ribacôa, disputado ao reino de Leão e Castela por D. Dinis I, foi assegurada pelo Tratado de Alcanizes (12 de setembro de 1297). A partir de então, o soberano procurou consolidar-lhe as fronteiras, fazendo reedificar os castelos de Alfaiates, de Almeida, de Castelo Bom, de Castelo Melhor, de Castelo Mendo, de Castelo Rodrigo, de Castelo de Pinhel, do Castelo do Sabugal e de Vilar Maior. Datam desse período a construção da segunda cintura muralhada, assim como da torre de menagem, conferindo à vila o seu aspeto atual.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383) tiveram lugar eventuais reparações do castelo e o alargamento da segunda cintura muralhada. A partir de então a povoação terão começado a entrar em declínio de tal modo que, visando atrair povoadores, no início de seu reinado, João I de Portugal (1385-1433), institui um couto de homiziados na vila (1387).

No século XV Afonso V de Portugal (1438-1477) manifestou o desejo de reconstruir as muralhas, o que não se terá materializado, dado e estado de ruína que podemos observar na representação da vila e seu castelo no reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), nos desenhos de Duarte de Armas (“Livro das Fortalezas”, c. 1509). Neles podemos observar que o recinto fortificado já tinha muitas partes em completa ruína, bem como algumas torres. A cerca da vila aparece guarnecida com uma barbacã, também em mau estado de conservação. Esta era desprovida de torres e guarnecia somente o troço norte da muralha da vila. A cerca urbana era rasgada por três portas: norte, leste e oeste. A porta principal da cerca era guarnecida por duas torres gémeas, que chegaram aos nossos dias. Este tipo de torres, que se generalizou na Baixa Idade Média, permitia o tiro mergulhante sobre a entrada, protegendo aquele ponto crítico do sistema defensivo.

O soberano outorgou o "Foral Novo" à vila em 1510.

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) Filipe IV de Espanha (1621-1665) nomeou D. Jerónimo de Noronha como 1.º conde de Castelo Mendo.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) registou-se uma campanha pontual de renovação das estruturas defensivas, da qual subsiste o baluarte situado junto à Porta Falsa do castelo.

As “Memórias Paroquiais” de 1758 referem a existência de muros fortes e de oito torres arruinadas, na sequência do terramoto de 1755.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), quando da Terceira Invasão Francesa (1810-1811), uma guarnição de 19 homens na vila resistiu às tropas napoleónicas sob o comando do marechal André Masséna.

Abandonado, e em progressivo estado de ruína,  em virtude do decreto que proibiu os enterramentos dentro do recinto das igrejas em Portugal (1846), a praça de armas do castelo passou a ser utilizada como cemitério municipal.

Castelo Mendo deixou de ser sede de Concelho em 1855, passando a integrar o Concelho do Sabugal. Em 1870 foi transferida para o Concelho de Almeida.

O imóvel foi afeto à Câmara Municipal de Almeida, por Auto de Cessão datado de 20 de outubro de 1942.

O “Castelo de Castelo Mendo / Castelo e cerca urbana de Castelo Mendo” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443 publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946.

De 1949 a 1951 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), procedeu a intervenções de consolidação e restauro, que se repetiram em 1974, e em 1983-1985, recriando-se numerosas partes em falta, como troços de muro, portas e torres, ao mesmo tempo que se remexeram terrenos e se criaram falsas linhas de nível, procedimentos que descaracterizaram a organização original do conjunto.

Em 1979 teve lugar a elaboração de estudo de recuperação urbana e arquitetónica.

Por iniciativa da Câmara Municipal de Almeida, a partir de 1998 Castelo Mendo passou a ser objeto de ações integradas no "Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal", e que visaram a recuperação dessa aldeia medieval. Desse modo, todas as fachadas e telhados das habitações da aldeia foram recuperados numa ação conjugada da autarquia e dos proprietários dos edifícios.

A Junta de Freguesia de Castelo Mendo procedeu em 1999 à recuperação e requalificação do edifício do antigo Tribunal e Cadeia, como espaço museológico, exibindo aos visitantes peças do período romano.

Características

Exemplar de arquitetura militar, românica e gótica, de enquadramento urbano e rural, num cabeço situado na cota de cerca de 762 metros de altitude, sobranceiro ao ribeiro de Cadelos (a c. 200 metros) e ao rio Côa (a c. 1 quilómetro). Integra dois núcleos urbanos muralhados, destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada. É rodeado por vertentes escarpadas com numerosos afloramentos rochosos e sem edificações, à excepção da zona adjacente ao caminho de acesso à Porta da Vila.

O conjunto é composto por duas cinturas muralhadas de traçado ovalado e irregular, apenas com alguns panos parcialmente ruídos e integrando diversas construções adossadas ao lado interno.

O primeiro recinto muralhado apresenta traçado ovalado e integra no ângulo leste o castelo ou cidadela, com traçado de tendência triangular, e cujo acesso é feito através da Porta do Castelinho, virada a oeste e em arco pleno, coberta com abóbada de berço. No lado oposto abre-se a Porta Falsa, da qual apenas subsiste o pé-direito. No ângulo sudoeste, adossada ao exterior da muralha, conserva-se parte da torre de menagem, de planta retangular. No seu alinhamento, mas já no lado interno, observa-se a cisterna, de planta quadrada e com cobertura plana. Junto à Porta Falsa, no lado exterior, descobrem-se as fundações de um baluarte em alvenaria, que protegia o flanco orientado para o rio. No interior, abre-se a cisterna, de planta quadrangular, e erguem-se a Igreja de Santa Maria do Castelo e a antiga Casa da Câmara. Aqui também se observa uma pedra tumular pertencente a Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, Fidalgo da Casa Real e Tenente-Coronel, assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840, conforme nela inscrito.

A comunicação entre o primeiro e o segundo núcleos urbanos muralhados faz-se através da Porta do Castelo, que conserva somente o pé-direito e o arranque do arco no lado oeste.

A segunda cintura muralhada apresenta um traçado irregular, abraçando quase metade do primeiro recinto. Integra quatro portas. No eixo da referida Porta do Castelo, e virada a norte, abre-se a Porta da Vila em arco quebrado e coberta com abóbada de berço quebrado, sendo flanqueada por duas torres de planta quadrada e por dois berrões, decapitados. A Porta da Guarda ou da Guarita encontra-se virada a oeste, mostrando arco quebrado e abóbada de berço quebrado. É ladeada por uma torre e conserva numerosas siglas, bem como os gonzos em cantaria. No lado oposto da muralha rasga-se a Porta do Sol, em arco de volta inteira e coberta com abóbada de berço. Apresenta também pedras sigladas e é flanqueada por uma torre muito arruinada. No lado oeste regista-se ainda uma outra porta, igualmente denominada Porta Falsa, em arco pleno e hoje entaipada. Além das torres que protegem as portas deste segundo recinto muralhado, contam-se mais quatro torres, também de planta quadrada e desprovidas de vãos: uma no lado oeste, entre a Porta da Vila e a Porta da Guarda; uma segunda no mesmo pano muralhado, entre a Porta da Guarda e a denominada Porta Falsa, constituindo o prolongamento de uma casa; a terceira torre no ângulo noroeste do recinto, já muito perto da mencionada Porta Falsa; e, uma quarta torre situada entre a Porta da Vila e a Porta do Sol. Aqui se erguem a Igreja de São Pedro e a Igreja de São Vicente.

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    O “Castelo de Castelo Mendo / Castelo e cerca urbana de Castelo Mendo” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443 publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946.





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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Almeida



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