Praça-forte de Estremoz

Estremoz, Évora - Portugal

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A “Praça-forte de Estremoz”, também referida como “Sistema Fortificado de Estremoz”, em que se compreende o “Castelo de Estremoz”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Estremoz (Santa Maria e Santo André), concelho de Estremoz, distrito de Évora, em Portugal.

Teve princípio com um castelo erguido em posição dominante sobre uma colina ao norte da serra de Ossa, com a função de defesa deste trecho da raia alentejana. A partir do século XVII, a par de Elvas, passou a constituir-se em uma das mais importantes praças-fortes da região, tendo os seus destacamentos contribuído decisivamente para as vitórias portuguesas nas batalhas das Linhas de Elvas (1659), do Ameixial (1663) e de Montes Claros (1665). Foi ainda quartel de um dos destacamentos militares com mais decisiva ação no Brasil colonial, o Regimento de Estremoz.

História

Antecedentes

Desconhece-se a primitiva ocupação humana do local, embora, à época da Romanização, a povoação tenha adquirido importância, vindo posteriormente a ser ocupada pelos muçulmanos, que a terão fortificado.

O castelo medieval

Quando da Reconquista cristã da região, terá sido conquistada na mesma época e pelas mesmas forças com que Geraldo Sem Pavor se assenhoreou da vizinha Évora (1165). Perdida a sua posse pouco depois, Estremoz só foi incorporada definitivamente aos domínios portugueses em meados do século XIII, sob o reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248), que principia a edificação do castelo.

Os trabalhos prosseguiram no reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279) que, visando incrementar o povoamento e defesa, outorgou foral à vila em 1258. Datará deste momento, por volta de 1260, o início da construção da torre de menagem, cerca da vila e das Torres das Couraças.

Ao tempo de Dinis I de Portugal (1279-1325) concluíram-se as muralhas do castelo. O conjunto defensivo já estava definido, constituindo-se um dos projetos mais importantes de seu tempo, na região: a cerca da vila era amparada por 22 torres e a população intramuros podia ser abastecida por cerca de 20 cisternas. A importância de Estremoz na primeira metade do século XIV é inquestionável, datando desse período um importante conjunto patrimonial que tem o castelo como denominador comum, mas que se estende a outras obras, como o “Paço da Audiência” ou seções consideráveis do “Paço Real”, onde veio a falecer a Rainha Santa Isabel (4 de julho de 1336). Na posse da rainha, Estremoz transformou-se num dos principais centros políticos do reino, sendo palco privilegiado da política régia durante todo o final da primeira dinastia. Como exemplo ela evitou, aqui em Estremoz, um iminente embate entre o seu filho Afonso IV de Portugal (1325-1357) e o seu neto, Afonso XI de Castela (1312-1350).

A torre de menagem estava concluída sob o reinado de Fernando de Portugal (1367-1383), por volta de 1370.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, o alcaide-mor Joane (João) Mendes de Vasconcelos, tomou partido por Beatriz de Portugal. Foi intimado pela população a abandonar o castelo, que o entregou ao escudeiro Martim Pires em nome do Mestre de Avis. Em 1384, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira aqui instalou o seu quartel-general, de onde as forças portuguesas sob seu comando partiriam para dar combate, e vencer, o exército castelhano na batalha dos Atoleiros.

No reinado de João I de Portugal (1385-1433) tiveram lugar em Estremoz as Cortes de 1416.

Foi aqui no castelo que se deu o encontro entre Duarte I de Portugal (1433-1438) e Dom Frey Gomez, delegado papal que trouxe a Bula da Cruzada solicitada pelo conde de Ourém ao Concílio de Ferrara (1436).

A vila recebeu de Manuel I de Portugal (1495-1521) o “Foral Novo” (1512). Ainda no século XVI foi totalmente reconstruída a Igreja de Santa Maria e a Casa da Audiência dionisíaca. O sistema defensivo foi modernizado pela construção de baluartes, sendo demolida a estrada coberta das couraças devido à construção do baluarte de Santo Agostinho.

Quando da crise de sucessão de 1580, o castelo e o seu alcaide-mor, almirante D. João de Azevedo, permaneceram fiéis a D. António, prior do Crato. Entretanto, as tropas espanholas sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, 3.º duque de Alba de Tormes invadiram Portugal, vindo a colocar cerco a Estremoz, única praça alentejana a oferecer resistência. Diante da desproporção de forças e das pesadas consequências que poderiam advir para a povoação e sua população, o alcaide-mor capitulou, sendo mantido detido no Castelo de Vila Viçosa.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) encarregou uma comissão composta pelos engenheiros militares Joannes Cieremans (Cosmander), Rui Correia Lucas e Jean Gillot, encarregada de inspecionar as praças de guerra alentejanas, nelas promovendo as obras necessárias (1642).

Os trabalhos iniciaram-se em 1645 com o reforço da cerca da vila por 4 baluartes, 2 meio-baluartes e um revelim, com projeto e orientação de Cieremans.

Durante o cerco a Elvas de 1658, e que culminaria com a Batalha das Linhas de Elvas no ano seguinte (1659), foi de Estremoz que partiu o grosso das forças portuguesas de socorro. Nesse contexto, e em voto de ação de graças pelas vitórias portuguesas sobre as forças espanholas no Alentejo, a Rainha Regente D. Luísa de Gusmão, mãe de Afonso VI de Portugal (1656-1683), fez transformar em Capela os aposentos em que a Rainha Santa Isabel havia falecido (1659).

Após 1662 Nicolau de Langres, auxiliado por Pierre de Saint-Colombe, foi nomeado o engenheiro militar encarregue da fortificação de Estremoz (1662-1670),

Ainda durante o século XVII as torres e a Porta da Couraça foram anexas ao Convento de Agostinianos, e o adro nivelado. Ao final do século registou-se a destruição do Paço por violenta explosão do paiol de pólvora ali instalado (17 de agosto de 1698).

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), André de Melo e Castro, 4.º conde das Galveias, reuniu em Estremoz um exército de 15 mil infantes, 5 mil cavalos, 20 peças de artilharia e 6 morteiros (1705).

João V de Portugal (1706-1750) tomou a Capela de Santa Isabel sob a sua proteção (1715), que viria a receber painéis de azulejo com episódios da vida da Rainha Santa (1730-1740).

O soberano fez reconstruir o arruinado “Paço Real” a partir de 1736, cujo espaço passou a abrigar os “Armazéns de Guerra”, com projeto de António Carlos Andreis. Entre 1738 e 1742, no novo e imponente edifício em estilo barroco, o soberano fez instalar a “Sala de Armas”, um dos mais famosos museus de armaria no continente europeu à época. Datará ainda do século XVIII a chamada “Porta de Évora”.

Christian August von Waldeck, Príncipe de Waldeck e Pyrmont, militar experimentado contratado pela Coroa portuguesa em 1797 com o posto de marechal, apresentou Estremoz como Armazém do Corpo do Exército do Alentejo (1798).

No contexto da Guerra das Laranjas (1801), o comandante do Exército de Entre-Douro e Guadiana, general John Forbes of Skellater estabeleu em Estremoz o quartel-general das suas tropas. Entretanto, a 18 de maio, Forbes queixou-se ao 2.º duque de Lafões que a Praça-forte de Estremoz se encontrava desguarnecida, pelo que transferiu o seu quartel-general para Portalegre.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) foi momentâneamente ocupada por tropas francesas sob o comando do general François Étienne de Kellermann, 2.º duque de Valmy, que a abandonaram em 12 de julho de 1808.

Mais tarde, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), forças miguelistas assassinaram 39 liberais que se encontravam aqui detidos nos calabouços (27 de julho de 1833).

A paz e a evolução urbana cobraram o seu tributo às defesas de Elvas, tanto às da Idade Média quanto às da Restauração. Como exemplo, para a implantação da estação ferroviária no centro da vila foi demolido um grande troço da muralha norte. Em 17 de Agosto de 1898, uma violenta explosão em um dos paióis de pólvora, causou severos danos à estrutura dos Armazéns de Guerra (antigo Paço Real) e do castelo medieval.

A classificação do conjunto evoluiu ao longo do século XX, a partir do Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho, que classificou o “Castelo de Estremoz”. Posteriormente, o Decreto n.º 9.842, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 137, de 20 de junho de 1924, classificou as “Muralhas e baluartes do Castelo, Torre das Couraças, Portas e Baluartes da 2.ª Linha de Fortificações”. Por último, a Lei n.º 1.766, publicada no Diário do Governo, I Série, n.º 78, de 11 de abril de 1925 classificou as “Muralhas da 1.ª Linha de fortificações e Portas de Santo António, de Santa Catarina, dos Currais e de Évora”. A “ZEP” do Castelo encontra-se definida por Portaria de 27 de janeiro de 1972, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 52, de 2 de março (sem restrições).

A Lei n.º 1.766, publicada no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 78, de 11 de abril de 1925, concedeu à autarquia, a título gratuito "(…) a parte restante dos prédios militares n.º 1 e 6 constituídos pelos fossos das fortificações e terrenos interiores desde as Portas de Santa Catarina até os terreiros da Câmara Municipal de Estremoz, no prolongamento da Av. Miguel Bombarda, para a continuação da avenida da estação do caminho de ferro, abertura de ruas, sua comunicação com a Vila e edificação de um bairro que se denominará Bairro 9 de Abril, em homenagem aos combatentes da Grande Guerra", e ainda "o prédio militar n.º 32, forte de S. José, e prédios militares n.º 11 e 17, Carragocho, baluarte da Mancebia e anexos, que a Câmara destina para abertura de ruas, campo de férias e mercado e alargamento da vila".

A intervenção do poder público fez-se sentir por campanha de obras consolidação e reedificação do castelo em 1939, sob a responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), integrada no Plano de Restauro dos Monumentos Nacionais empreendido pelo Estado Novo no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640). Novos trabalhos tiveram lugar em 1944 e em 1961.

O monumento encontra-se afeto à Câmara Municipal de Estremoz, por auto de cessão datado de 6 de agosto de 1949 (castelo, muralhas ducentistas e baluartes, 1.ª e 2.ª linha de fortificações). As portas e torres encontram-se sem afetação.

Uma grande intervenção, entretanto, teve lugar a partir de 1967, visando requalificar o espaço dos Armazéns de Guerra (antigo Paço Real), às funções de pousada, com projeto do Arquiteto Rui Ângelo do Couto. As obras de adaptação procuraram respeitar o traçado do Paço Joanino valorizado pelo mobiliário português dos séculos XVII e XVIII. A Pousada foi inaugurada em 26 de setembro de 1970, com capacidade para 23 quartos.

Em 1980-1981 tiveram lugar obras de recuperação de vários troços de muralha, a que se seguiram intervenções em 1995, 1997, 1999, 2001 e 2004.

Atualmente, o monumento atende à função turística (Pousada da Rainha Santa Isabel), cultural (Galeria de Desenho da Câmara Municipal de Estremoz, na antiga Sala de Audiências de D. Dinis) e religiosa (Capela de Santa Isabel).

Em 2014, o Castelo de Estremoz foi integrado no projeto do Ministério da Defesa Nacional, criado com o apoio do Turismo de Portugal, denominado Turismo Militar.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótica e barroca, de enquadramento urbano, destacado sobre uma escarpa pedregosa que se ergue abruptamente na planície sobre onde se ergue a oeste a cadeia montanhosa da serra d'Ossa.

O castelo é característico da arquitetura militar regional dos séculos XIII e XIV, cuja fonte de inspiração se pode considerar o Castelo de Portel. Pertencem a este universo os castelos de Terena, Alandroal, Évora Monte, Vila Viçosa, Monsaraz, Mourão e outros. Foi ainda este critério que influenciou, no essencial, a edificação da monumental cerca medieval de Évora, já nos fins do século XIV. As Torres e Porta da Couraça faziam parte da estrutura defensiva medieval do antigo burgo, características da arquitetura militar regional; a Couraça de Estremoz distingue-se da cerca em que está embebida pela sua majestade e aspeto arcaico.

As muralhas da 1.ª linha de fortificação desenvolvem-se em linha de nível de cota estável, também se constituindo como exemplo de estrutura defensiva característica da arquitetura militar regional durante os séculos XIII e XIV, com protótipos em Borba, Redondo, Veiros, Arraiolos e outros.

As portas e baluartes da 2.ª linha de fortificações seguem o tipo Vauban, em composições barrocas de emolduramento dos vãos de acesso, similares a outros exemplares existentes em todo o país, nomeadamente em Elvas e em Évora. Definem os limites urbanos da cidade, pelas bandas norte, oeste e sul. Torres e Porta da Couraça alcantiladas na encosta escarpada da colina do Castelo, embebidas na cerca ducentista, destacando-se dela pelas suas dimensões; ficam anexas ao antigo Convento Agostiniano de Nossa Senhora da Consolação, único acesso. Restantes Portas na cota estável da 1.ª plataforma de descanso da escarpa de Estremoz, inscrita na 2.ª linha de muralhas.



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Contribution

Updated at 30/07/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jéssica Pedrini) (3), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Praça-forte de Estremoz

  • Sistema Fortificado de Estremoz, Castelo de Estremoz

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    O Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho, que classificou o “Castelo de Estremoz”. Posteriormente, o Decreto n.º 9.842, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 137, de 20 de junho de 1924, classificou as “Muralhas e baluartes do Castelo, Torre das Couraças, Portas e Baluartes da 2.ª Linha de Fortificações”. Por último, a Lei n.º 1.766, publicada no Diário do Governo, I Série, n.º 78, de 11 de abril de 1925 classificou as “Muralhas da 1.ª Linha de fortificações e Portas de Santo António, de Santa Catarina, dos Currais e de Évora”. A “ZEP” do Castelo encontra-se definida por Portaria de 27 de janeiro de 1972, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 52, de 2 de março (sem restrições).





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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Estremoz



  • Lat: 38 -51' 30''N | Lon: 7 35' 33''W










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