Castle of Arraiolos

Arraiolos, Évora - Portugal

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O chamado “Castelo de Arraiolos”, também referido como “Paço dos Alcaides”, na realidade uma cerca urbana, localiza-se na freguesia e concelho de Arraiolos, distrito de Évora, em Portugal.

Enquadra-se na campanha de fortificações da época de D. Dinis no Alto Alentejo e insere-se na rede territorial do ducado de Bragança, situando-se na proximidade de outros castelos da mesma casa, como os de Evoramonte e Vila Viçosa. Integra a rede de fortificações medievais erguidas no Alto Alentejo, em zonas relacionadas com a linha mais interior da proteção da fronteira terrestre e com o acesso a Lisboa, aproveitando os pontos de maior altitude, e formando uma linha defensiva com os castelos de Montemor-o-Novo e Estremoz. Do seu ponto mais alto, é possível avistar Évora, Monsaraz, Redondo, Evoramonte, Vimieiro, Estremoz, Alter do Chão, Cabeço de Vide, Fronteira, Avis, Pavia, Águias, Lavre e Montemor-o-Novo.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do cabeço rochoso conhecido como Monte de São Pedro, ao norte de Arraiolos, remonta a 2500 a.C., a um possível povoado do Neolítico e do Bronze, segundo indica o aparecimento de alguns instrumentos percutores e um machado de bronze encontrados na zona a sudeste da Igreja do Salvador, no ponto mais alto das muralhas, atualmente no espólio do Museu de Évora.

Achados arqueológicos ocasionais poderão apontar para o povoamento da zona onde se ergue a cerca medieval durante o período imediatamente pré-romano (1000 a.C.)

A povoação foi conquistada pelos alanos (414) e, posteriormente, pelos muçulmanos (716).

A cerca medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, Afonso II de Portugal (1211-1223) fez doação, a título perpétuo e hereditário, da “herdade de Arraiolos” ao então bispo da diocese de Évora, Soeiro (II) (1204-1229), com licença/obrigação de construção de um castelo para assegurar a sua defesa (7 de maio de 1217). Posteriormente registam-se contendas entre Afonso III de Portugal (1248-1279) e o então bispo de Évora, D. Martinho (I) Pires (1237-1266), devido à intenção régia de reaver a herdade de Arraiolos, tendo o segundo conseguido conservar a posse da mesma no bispado. A vila e o termo de Arraiolos retornaram em 1271 à posse régia, embora no fim da sua vida D. Afonso III tenha doado de novo a vila à Igreja, no contexto da sua tentativa de resolução do conflito que o opunha à Santa Sé.

Datará de 1290 uma possível carta de foral concedida por Dinis I de Portugal (1279-1325) a Arraiolos, documento que poderá estar confundido com uma carta de aforamento do reguengo do soberano termo de Arraiolos. Diante do adensamento do povoamento, uma nova determinação para o levantamento de uma defesa remonta a um contrato, firmado entre D. Dinis, o concelho da vila, o alcaide e os juízes de Arraiolos (26 de dezembro de 1305), que estipulava a obrigação de levantar, em torno da povoação, "(…) 207 braças de muro, de três braças de alto e uma braça de largo; e a fazer no dito muro dous portaes dárco com suas portas, e com dous cubellos quadrados em cada uma porta", com traça de João Simão, meirinho-mor. (ANTT, L.º 2 dos Direitos Reais, fl. 229)

As obras tiveram início no ano seguinte (1306), estando os trabalhos da cerca concluídos em 1310. O paço dos alcaides estava concluído em 1315 com um custo de 2.000 libras. Naquele ano existia já um paço ao qual terão sido adicionadas outras parcelas para sua ampliação, por via de uma aquisição feita pelo soberano de um terreno adjacente.

Ao subir ao trono em 1367, Fernando I de Portugal (1367-1383) renovou o senhorio da vila de Arraiolos a Rodrigo Afonso de Sousa, filho de D. Afonso Dinis, por sua vez filho ilegítimo de Afonso III de Portugal (1248-1279) e a quem esta concessão tinha sido entregue primeiramente por Pedro I de Portugal (1357-1367). Mais tarde, em 1371, o soberano concedeu carta de privilégios, tal como perdão de dívidas e dispensa de obrigação de conceder aposentadoria, a quem habitasse a área intramuros de Arraiolos: esta iniciativa régia foi depois confirmada por João II (1481-1495), Manuel I (1495-1521) e João III de Portugal (1521-1557). Em 1377, devido à morte de D. Rodrigo Afonso de Sousa sem herdeiros, deu-se a concessão do senhorio da vila a D. Álvaro Pires de Castro, irmão de Inês de Castro, conde de Viana e 1.º condestável do reino, que ficou com o título de 1.º conde de Arraiolos.

O soberano esteve em Arraiolos em 30 de dezembro de 1379. Na ocasião recebeu várias queixas dos habitantes acerca de vexações por parte do governador da vila, sobretudo ao nível da aposentadoria, o que o levou a redigir a Carta de Composição entre os habitantes e D. Álvaro Pires de Castro, documento de compromisso a favor da população que o alcaide assinou.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385 o senhorio da vila foi confiscado pelo Mestre de Avis, futuro João I de Portugal, ao conde D. Álvaro Pires de Castro sob acusação de um possível apoio que prestara a Castela (3 de maio de 1384), vindo a ser doado a Fernão de Álvares Pereira, irmão de Nuno Álvares Pereira, em recompensa por serviços prestados (30 de agosto de 1384). A doação, entretanto, foi efêmera uma vez que Fernão veio a perecer pouco depois, em Vila Viçosa, às mãos dos castelhanos. Ainda nesse ano (1384) a vila foi ocupada por tropas castelhanas, sob o comando de Pero Roiz Sarmiento, vindo a ser incendiada pelos castelhanos em 1386, após a tomada de Évora.

Posteriormente a vila e os seus domínios foram doados ao condestável D. Nuno Álvares Pereira (1387), agraciado com o título de 2.º conde de Arraiolos. Entre 1385 e 1390, daqui partiram diversas expedições militares do condestável contra Castela, tendo mesmo este chegado a habitar a vila, sobretudo entre 1415 e 1423, época em que se retirou para o Convento do Carmo, em Lisboa. Antes disso, porém, em 1422 o condestável fez doação do condado ao seu neto D. Fernando, futuro 2.º duque de Bragança, juntamente com outras terras que lhe pertenciam. Nesse ano (1422) o “Rol dos Besteiros do Conto” dava conta de que a Arraiolos cabia 15 besteiros.

Afonso V de Portugal (1438-1481) passou por Arraiolos (21 de janeiro de 1451).

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495), por volta de 1480 teve lugar uma intervenção de reestruturação arquitetónica do Paço, assim como obras de consolidação da torre de menagem, como comprova o brasão de armas do soberano numa pedra de mármore na mesma torre. Nesse período (7 de junho de 1483) o soberano nomeou para o cargo de alcaide-mor Pero Zuzarte (ou Jusarte), fidalgo ao serviço de Fernando II, duque de Bragança, após a execução deste último, acusado de oposição à política centralista do soberano. Com este gesto, o soberano recompensava a denúncia feita pelo fidalgo, que avisou a Corte de propósitos infiéis por parte do duque, seu amo. Mais tarde, o filho do fidaldo, Garcia Zuzarte de Melo, terá herdado os mesmos domínios. Ao final desse reinado os fidalgos de Évora da família Mendes de Vasconcelos, acometeram a defesa da vila, vindo a assassinar o cavaleiro Diogo Gil Magro na ocasião (1492).

Ao ascender ao trono, Manuel I de Portugal (1495-1521) confirmou a posse do condado de Arraiolos a D. Jaime I, 4.º duque de Bragança (16 de agosto de 1496), no contexto da reintegração na Casa de Bragança dos seus antigos bens. O soberano passou pela vila em 22 de outubro de 1499, vindo a outorgar-lhe o Foral Novo em 29 de março de 1511.

No reinado de João III de Portugal (1521-1557), em 1523 já existia um relógio numa das torres da muralha, embora o mesmo possa datar de anos anteriores, datando possivelmente do século XVI o acrescentamento do coruchéu cónico na torre do relógio. O soberano reconheceu o título de conde de Arraiolos a D. Teodósio I de Bragança (1542) e revogou os privilégios aos moradores da cerca (1544), que perdia a sua função defensiva diante do crescimento dos arrabaldes. O despovoamento da área intramuros deveu-se à sua reduzida área e à melhor harmonização do arrabalde com a atividade agrícola e o transporte inter-regional.

De acordo com o “Livro de Lançamento das Sisas” (1573) dos 405 fogos sobre os quais recaíram os privilégios cedidos inicialmente por D. Fernando I, apenas 17 se encontravam à época na zona intramuros.

D. Teodósio II, 7.º duque de Bragança, fez uma estadia na vila (1579).

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) a área intramuros ainda era habitada, sendo 1599 o último ano em que as portas da cerca se fecharam regularmente, todas as noites, reguladas pelo toque de um sino. Nessa época um grande número de novas moradias já se espalhava pelas encostas vizinhas.

No início do século XVII a cerca já se não encontrava guarnecida, e as suas pedras estavam a ser reaproveitadas pela população. Desse modo, a vereação camarária aprovou em 1613 a proibição de arrancar materiais de construção da mesma e do antigo casario, com sansões que variavam do pagamento de 500 réis à pena de 10 dias de prisão. Mais tarde, em 10 de abril de 1616 aprovou-se a proibição de manter bois e bestas dentro do recinto intramuros durante a noite, sob pena de sanção, uma vez que o pátio do paço dos alcaides estava a ser utilizado como curral.

À época da eclosão da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), Pedro de Sousa de Brito foi nomeado como alcaide-mor, tendo a fortificação da vila recebido alguns privilégios militares. Naquele momento (1640) aqui foi detida Francisca de Vilhena, marquesa de Montalvão, por ter tido conhecimento da fuga dos seus filhos, D. Pedro e D. Jerónimo de Mascarenhas, para a Espanha, enquanto o seu esposo, Jorge de Mascarenhas, 1.º conde de Castelo Novo e 1.º marquês de Montalvão, se encontrava naquela colónia no cargo de 1.º vice-rei do Brasil.

Logo a 6 de janeiro de 1641 registou-se o pedido dos procuradores de Arraiolos ao novo soberano para reparação das muralhas da vila e da sua barbacã, para tornar o espaço habitável e dotá-lo de equipamento bélico. Em seguida, a 11 de maio do mesmo ano, a guarda da fortificação foi confiada a Custódio de Vilalobos de Almeida, capitão de Ordenanças. Mais tarde, em sessão camarária, foi pedida a transferência do mestre-de-campo Trigueiros, de origem castelhana, encarcerado no castelo, para a cadeia da vila, por aí encontrar maior segurança (20 de dezembro de 1642). Um ano mais tarde, também em sessão da Câmara, decidiu-se fazer novas portas para a cerca e outras obras, visando reforçar a sua defesa (30 de dezembro de 1643).

Uma informação de 1655, entretanto, dá conta de que a praça se encontrava em mau estado: a cerca encontrava-se em ruína parcial, a barbacã estava derrocada, a torre de menagem muito danificada, o Paço dos Alcaides inabitável, sendo a Igreja do Salvador o único edifício situado intramuros.

Posteriormente, a 13 de maio de 1663, as vilas de Arraiolos e Vimieiro prestaram obediência a D. Juan de Austria, no sítio da Venda do Duque, que se preparava para conquistar Évora. No ano seguinte, Afonso VI de Portugal (1656-1683) concedeu autorização para o restauro e melhoramento da cerca (23 de agosto de 1664), a ser pago pelo tributo do real de água. Entretanto, os recursos assim obtidos vieram a ser aplicados nas fortificações de Évora, e as obras em Arraiolos ficaram por fazer.

A fortificação e a sua área residencial foram abandonadas em 1689 até à atualidade. Ainda no século XVII a vila foi integrada na comarca de Vila Viçosa.

O terremoto de 1 de novembro de 1755 aumentou a ruína do conjunto, colocando a torre de menagem na iminência de desabamento.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) o pátio do paço serviu de cemitério para as vítimas de “cholera morbus” na região (1833), embora por pouco tempo, dado que diante da extinção das Ordens Religiosas Masculinas no país (1834), o mesmo foi transferido para o claustro do Convento de São Francisco. Ao final do conflito, em 26 de maio de 1834 registou-se a passagem do duque da Terceira para aclamação de Maria II de Portugal (1826-1828; 1834-1853). No dia seguinte (27 de maio), chegou a Arraiolos o segundo exército do conde de Saldanha que aqui permaneceu quatro dias, a aguardar as negociações entre D. Miguel e D. Pedro (Convenção de Évora-Monte, 26 de maio de 1834).

Carlos I de Portugal (1889-1908) visitou Arraiolos em 9 de junho de 1905.

O “Castelo e cerca urbana de Arraiolos” encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136, de 23 de junho.

Entre 1934 e 1935 alguns habitantes da região utilizavam pedras da cerca para construir as suas moradias. Nesse momento a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a obras de consolidação e limpeza a nível do assentamento de cunhais em cantaria para a torre de menagem, reconstrução do pano de muralha e demolição de algumas áreas arruinadas. Novas campanhas de intervenção sucederam-se entre 1941 e 1945. Desse modo, em 1942 foram feitos achados arqueológicos no decorrer do arranque de pedra ou de obras de restauro na área intramuros, tais como pote de cerâmica, escada, depósito subterrâneo de 6 metros de lado na torre de menagem com espingardas, balas de chumbo, objetos de cerâmica e azulejos, e um depósito de pedra com a configuração de um túnel com 6 metros de fundo e 4 metros de diâmetro.

Em 1955 os herdeiros a quem pertenceria o imóvel eram António Joaquim Serrinha e Jacinto António Pontes. Nesse ano formalizou-se uma proposta por parte do Governo Civil Distrital de Évora ao Ministério das Obras Públicas para adaptação do recinto a pousada turística.

Em 1959 a DGEMN entaipou uma cisterna, tendo procedido a novas intervenções nos anos de 1960-1961 e 1963 (obras de restauro da torre de menagem a nível da reconstrução de uma escada em caracol, da construção da muralha em vários troços e da reconstrução de silhares em cunhais em granito, e da consolidação de troços de muralha com construção de elevações em alvenaria hidráulica e reconstrução de merlões). Nesse período, trabalhadores da RTP encontraram artefactos arqueológicos no decorrer de escavações para instalação de uma antena junto à Igreja do Salvador (1962).

Em 1972 a DGEMN instalou a iluminação da cera e, em 1984 deu prosseguimento às obras de restauro da mesma, com o refechamento de uma fenda existente num pano de muralha (de 11 de abril a 5 de junho).

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho.

A Câmara Municipal de Arraiolos aprovou o projeto “Envolvente do Castelo de Arraiolos: Arranjo Paisagístico”, com o objetivo de colocar vias pedonais de circulação na zona próxima das muralhas, valorização da zona da entrada, remodelação do miradouro da EN370, retificação dos caminhos rodoviários, colocação de material de apoio e criação de parques de estacionamento (1995).

A Câmara Municipal publicou anúncio de Concurso Público de “Ideias para a Requalificação do Castelo de Arraiolos” no Diário da República n.º 133 de 11 de junho de 2008. O projeto do arquiteto Nuno Miguel Pedrosa foi eleito vencedor do concurso público, mas não chegou a ser realizado. No ano seguinte (2009) estavam previstas obras de requalificação no recinto muralhado, com projeto de instalação de cafetaria, instalações sanitárias de apoio e de uma estrutura de suporte a eventos culturais com capacidade para 400 lugares. No exterior do recinto, previa-se a requalificação e/ou criação de percursos de acesso à Igreja do Salvador e do caminho de ronda, e a definição de um recinto para 10 a 15 ovelhas com uma área de pastagem e com outra área para demonstração da tosquia da lã, atividade típica da região.

O imóvel foi afeto à DRC Alentejo pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 163 de 24 de agosto.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico, de traçado circular, de enquadramento urbano, implantado no cimo de um monte em forma troncocónica quase regular de constituição granítica, a 387 metros acima do nível do mar, e a sudoeste da ribeira do Divor.

Apesar da licença para construir um castelo, explícita na doação de D. Afonso II, não se encontram vestígios arqueológicos de qualquer estrutura defensiva desta época.

A cerca constitui um recinto muralhado de planta quase totalmente circular com a zona sudoeste ligeiramente mais reta, acompanhando a irregularidade do terreno. Ao contrário do que é comum na fortificação gótica alentejana, a cerca de Arraiolos apresenta torreões de seção quadrada e não semicircular. Na zona oeste rasga-se a Porta de Santarém, orientada na direção da mesma cidade, flanqueada por dois cubelos de planta quadrada e constituída por vão em arco quebrado no lado exterior e arco abatido no lado interior. É composta por muralha em alvenaria, coroada por ameias quadrangulares largas no topo. Dois lances de escada adossados ao muro dão acesso ao adarve, que circunda toda a muralha, ascendendo no sentido sul-norte. Ao longo de todo o perímetro de muralha, podem encontrar-se seteiras, quer no muro, quer nas próprias ameias. Para além da Porta de Santarém, a muralha encontra-se interrompida na secção sudeste, junto à Torre de Menagem, onde se rasgaria anteriormente a Porta da Vila. Na mesma zona, um pouco mais na orientação leste, situa-se a Torre do Relógio, de planta quadrada, inserida no muro pela face oeste. Encontra-se rebocada e caiada de branco, contrastando com a alvenaria de pedra à vista, e é rematada por um coruchéu cónico rodeado por quatro pináculos, também cónicos, de menores dimensões e pintados de azul claro. No registo superior desta torre, encontram-se quatro olhais com ombreiras chanfradas também pintadas a azul claro. Na face voltada para extramuros, encontra-se um relógio circular com friso pintado da mesma cor e fundo negro, do qual parte uma antena. Ainda na mesma face, na zona da base, existe uma porta de alumínio verde. A torre tem também acesso a partir do recinto interior, através de escadaria de cinco degraus, que parte do adarve, ligando à face norte da torre.

No seu interior apenas se conserva um edifício - a Igreja do Salvador -, que serviu como matriz da vila até ao século XVII, orientada no sentido sudoeste-nordeste, apresentando planta em forma de cruz latina, construída na mesma época da cerca, e reconstruída no século XVI.

O Castelo / Paço dos Alcaides encontra-se inserido no paramento sul da cerca, ligado ao resto da muralha através do adarve. Apresenta planta quadrangular, com saliência no muro de um dos lados, integrando torre de menagem de planta quadrada e duas torres semicirculares, elementos esses muito arruinados. O paço é composto por três áreas distintas: corpo da guarda, o pátio de armas e a habitação palaciana dos alcaides. O corpo da guarda encontra-se a norte do paço, e apresenta planta retangular e acesso por vão em arco quebrado na da fachada leste, ao lado do qual se encontra uma abertura arruinada indefinida. Apresenta, ao nível superior, cinco orifícios quadrados, três dos quais se encontram a um nível superior, onde poderão ter sido utilizados para armas de fogo. Na face sul tem um outro vão em arco quebrado de acesso direto ao pátio de armas. O pátio de armas é constituído por um recinto amplo, adjacente à zona habitacional palaciana na zona sul, possuindo adarve em todo o perímetro. No cunhal noroeste apresenta uma torre semicircular com entrada através de um vão aberto no muro oeste do pátio, da qual restam dois registos, sendo o primeiro abobadado e o segundo ameado, e ostentando uma seteira cruzetada e canhoneiras orientadas para o recinto intramuros. Apresenta vestígios de compartimentação ao nível do muro e do solo, quer na zona norte, quer na sudoeste. No cunhal nordeste encontram-se vestígios de uma torre de planta circular arruinada, permanecendo apenas uma concavidade com vestígios de abobadamento em tijolo. A zona sudoeste do pátio mostra uma saliência no muro oeste e vestígios de compartimentação no seguimento da mesma. Esta área apresenta, numa das ameias do paramento sul, uma inscrição medieval (conjetural, de vez que não existem dados suficientes para considera-la autêntica) com vestígios de ter sido deslocada:

Era de Mil e III e XXIII anos / XXIIII dias d aabryl forom fectas / estas XII ameas E castelonas / G Fernandez pedreyro d'evora. Vasco Pirez o Escriveo

Na zona sul, junto à zona habitacional, pode ver-se uma plataforma em cimento com degraus no mesmo material. A zona habitacional palaciana encontra-se em estado geral de ruína, apresentando vestígios de dependências. Encontram-se, nesta zona, três compartimentos: um na zona oeste, apenas com vestígios da parede sul e com duas ligações: uma ao pátio de armas, através de vão retangular no exterior e em arco abatido no interior inserido na parede norte; e outra com acesso à dependência a leste, semelhante ao vão anterior. Este segundo compartimento possui planta em "L" e apresenta vestígios de dois registos. Na parede oeste apresenta, ao nível do piso térreo, uma canhoneira, uma seteira cruzetada e um vão de porta em arco abatido ladeado por um vestígio de embasamento de portal em tijolo; ao nível do segundo piso, encontra-se um outro vão de janela em arco abatido; no topo, na parte exterior da parede oeste apresenta um anterior encaixe de sobrado. A parede norte desta dependência é constituída por um troço de muralha do castelo, tendo na área leste um embasamento elevado de função incompreensível que vai até ao nível do primeiro piso e do adarve da seção de muralha que aqui passa. Na parede norte, ao nível do primeiro piso e à esquerda do bloco maciço, encontra-se um vão de acesso ao pátio de armas com moldura de tijolo. A leste, encontra-se uma torre semicircular ameada, orientada na mesma direção, com seteiras longas distribuídas pela sua superfície; tem a zona plana do semicírculo na face oeste, onde apresenta duas reentrâncias verticais que deverão constituir vestígios de encaixes de paredes. A parede sul encontra-se em avançado estado de ruína, apresentando apenas uma seteira a nível do piso térreo e vestígios de uma ameia no topo. Da parede leste existem vestígios perto do embasamento elevado. Ao lado da torre de menagem, onde hoje se encontra a fenda na muralha, é possível que tenha existido uma barbacã. A leste da zona de habitação encontra-se a torre de menagem, de planta quadrada e desenvolvida em quatro registos, encontrando-se implantada na área sudeste do Paço dos Alcaides, embutida no paramento de muralha sul e no muro leste do pátio de armas. A área que antecede verticalmente o primeiro piso aparenta ser maciça. A fachada norte apresenta, no primeiro registo, uma porta ao nível do adarve do muro do pátio de armas e com ligação ao mesmo. Na fachada oeste encontra-se uma mísula granítica a nível do primeiro piso, um vão de porta quadrangular com moldura em tijolo e vestígios de um arco em tijolo imediatamente abaixo da porta no segundo piso, e, no terceiro piso, uma mísula e duas seteiras. Na fachada sul pode ver-se um vão de janela retangular com moldura de granito ao nível do terceiro registo. A fachada leste não apresenta qualquer rasgamento e a zona entre a torre de menagem e o paço habitacional apresenta uma seção de muro arruinada.

Uma tradição local afirma que existe uma passagem subterrânea secreta que liga o castelo ao Convento de Nossa Senhora da Assunção (Convento dos Loios).



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Contribution

Updated at 22/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Renata Valentini) (13).


  • Castle of Arraiolos

  • Paço dos Alcaides, Cerca Urbana de Arraiolos

  • Fence

  • 1306 (AC)

  • 1310 (AC)


  • Denis of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O “Castelo e cerca urbana de Arraiolos” encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136, de 23 de junho.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Arraiolos

    Colina do Castelo
    Arraiolos, Portugal


  • Lat: 38 -44' 28''N | Lon: 7 59' 17''W










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