Torre de Coelheiros

Évora, Évora - Portugal

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A “Torre de Coelheiros”, também referida como “Paço dos Cogominhos”, localiza-se na freguesia de Torre de Coelheiros, concelho e distrito de Évora, em Portugal.

Enquadra-se no grupo de construções senhoriais que constituíam símbolo de apropriação do território (“domus fortis”), conjugando a função residencial temporária ou permanente com características formais associadas à arquitetura militar (torre), cuja edificação estava sujeita a autorização régia a partir dos reinados de Afonso III (1248-1279) e Dinis I de Portugal (1279-1325).

Histórico

De acordo com BARATA (1904) o morgadio da Quinta da Fonte de Coelheiros foi instituído por Fernão Gil Cogominho e sua esposa, Maria Annes (22 de janeiro de 1395). Em nossos dias, ESPANCA (1966) esclarece que o morgadio foi constituído em 1357, conforme diploma concedido a D. Maria Anes e Fernão Gonçalves Cogominho, cavaleiro fidalgo e meirinho-mor de Afonso IV de Portugal (1325-1357).

João I de Portugal (1385-1433) doou o morgadio a Rodrigues Álvares Pimentel, filho natural de Álvaro Gonçalves Pimentel, cavaleiro da Ordem de Avis (1387).

BARATA (1904) dá o ano de 1395 como provável data da construção da torre.

Nuno Fernandes Cogominho era senhor do morgadio de Torre de Coelheiros em 1554.

O terramoto de 1 de novembro de 1755 causou poucos danos à antiga torre. As “Memórias Paroquiais” (1758) entretanto, fornecem alguma informação acerca da torre e seus senhores:

(…) Sendo que a Torre dos Coelheyros excede monto em antiguidade a todas estas memórias, pois não se lhe sabendo princípio se sabe que era senhor della Pedralvez Cogominho // que se achou com Giraldo Pestana o Sem Pavor na tomada de Évora, e levou a coimbra as chaves das sinco Portas daquela praça a El Rey Dom Affonço Henriquez que lhas deu por armas; e por seu respeito e interseção perdoou a Giraldo, e seus companheyros, como escreveo Brito na Cheronica de Cister primeira parte, livro primeiro cap. treze folhas trezentas, e dezasete; Villas Boas na Nobliarchia Portugueza e outros muntos. O mesmo historiador na segunda parte da Monarchia Lusitana folhas cento e sinco, insine citando e seguindo ao Mestre Andre de Rezende sóbe de ponto esta antiguidade nestas formais palavras.

Entre os primeyros, que forão reconhecidos por christãos e dadas em memorial ao tirano foy o gloriozo Santo Vicente, mancebo nobre, natural daquela cidade, e sem ter André de Rezende, que durão hoje seus descendentez com o sobrenome de Cogominhos, os quais viverão naquela cidade em tempo dos mouros sempre respeitados, e havidos por gente nobre, e antiga, e sendo asim não prova pouca nobreza, quem mostra ter ascendentes illustres a mil, e trezentos annos.

Hé esta Torre entre as quais estão no campo fora das cidades, ou praças de armas a mais forte, e mayor desta Província. Está cituada em hum alto della se descobrem vários lugares de Portugal como são Monçaráz, Trena, Landroál, Portel, Évora cidade, Évora Monte, Monte de Trigo, toda a Serra de Ossa pella parte de Sul, parte da Serra Morena em Hespanha. Por sima hé toda cercada de ameyas, e com huma atalaya pella parte de fora. Comprehende em sy várias cazas em três andares, ou pavimentos. Diogo Xavier // (Diogo Xavier) de Mello Cogominho a tem aumentado e em nobrecido notavelmente, acrescentandolhe hum quarto, que corre para a parte do Nortte e remata no um com outra torre de igual altura que antigamente com tal fortaleza pellas muntas linhas de ferro com que a forteficou, que não sentio ruina com cideravel no terremoto do primeiro de Novembro de mil e sette centos e cincoenta e sinco. Actualmente se acha ajuntando os matriais, quebrando pedras, fazendo fornos de cal e ladrilho para entrar este anno a fazer para a parte do Sul outro quarto. Com respondente a este ficando no meyo huma nobilissima escada de pedra mármore em dois lanços, a que com responde hum patio de cecenta paços em quadra, temdo já em canado a agoa de huma copioza fonte por hum aquedutto subterranio para dois tanques, e deste pasava para, hum lago com huma cascata, em que finaliza a quinta pavoada de muntaz frutas, com huma rua, que vay parar no meyo do lago, em que cabem dois coches à vontade, e tem sette centos paços de comprido.
” (Memória Paroquial de Torre de Coelheiros, Évora, 19 de junho de 1758. ANTT, “Memórias Paroquiais”, vol. 37, n.º 74, pp. 653-658)

No século XX, por falta de conservação, partes da edificação ruíram (1920).

Já em avançado estado de degradação o imóvel foi doado pelo seu então proprietário, João António Lagartixo, à Câmara Municipal de Évora, mediante a condição de que, devidamente restaurada sob planos a aprovar pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), seria destinado a escola primária, Junta de Freguesia e Casa do Povo (14 de fevereiro de 1957).

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Naquele mesmo ano (1957) a DGEMN deu início a intervenção de consolidação e restauro do imóvel: à data faltavam metade do cunhal sudoeste e parte dos respetivos paramentos na torre, metade do corpo solarengo de oeste, e todas as coberturas. Seguiram-se-lhe obras de restauro a nível da muralha e reconstrução de silhares em cunhais (1959) e de restauro do pavimento térreo da torre, da cobertura interior e do arco de cantaria que divide o piso térreo e da parede do piso nobre (1960).

A Câmara Municipal de Évora manifestou intenção de instalar um museu na torre e uma escola no corpo adossado a oeste, sendo este último projeto realizado (1960). Posteriormente, manifestou o propósito de adaptação do corpo adossado a oeste da torre a sede da Junta de Freguesia de Torre de Coelheiros, projeto que veio a ser realizado (1966), e o propósito de construção de um depósito de água no interior da torre, que não foi aprovado pela DGEMN devido à adulteração que causaria (1976).

A DGEMN procedeu a obras de reparação do telhado da torre e assentamento de acabamentos nas janelas (1978).

Em nossos dias o imóvel encontra-se em boas condições de conservação.

Características

Exemplar de arquitetura militar e civil, gótico e barroco, de enquadramento urbano, implantado no topo de uma pequena colina, na cota de 262 metros acima do nível do mar. A torre situa-se na extremidade norte da povoação, bem visível, inserida em recinto murado com pequeno jardim na área sudeste. Nas imediações, encontra-se a capela da família Cogominho, paroquial da freguesia, em ruína.

A torre, de embasamento saliente, apresenta planta quadrada, com 10,90 metros na sua face oeste, elevando-se a cerca de 15 metros de altura, com quatro registos, encimada por merlões piramidais com seteiras. A fachada oes-noroeste apresenta vão de porta no segundo piso e de janela no terceiro, ambos alinhados e em arco quebrado; a su-sudoeste, com vão de janela de lintel reto biselado no terceiro piso e duas frestas; a nor-nordeste vão de janela em arco quebrado de moldura no terceiro piso e com fresta quadrada com gárgula no topo; e a es-sudeste é coberta quase totalmente pelo volume horizontal adossado, exceto na zona mais alta, onde apresenta balcão com cachorros ornamentados e mata-cães.

O edifício horizontal adossado apresenta orientação sul-sudoeste – nor-nordeste, dividindo-se internamente em dois pisos. Na fachada es-sudeste apresenta ao centro escadaria exterior dupla de acesso ao segundo piso, e duas fileiras horizontais de janelas com vão em arco abatido de moldura granítica, com porta da mesma forma na extremidade sul do piso térreo. O vão da escadaria, com cobertura em abóbada de berço abatida, dá acesso a uma área vestibular com três portas de acesso com vãos: um em arco quebrado e dois em arco abatido. A fachada oes-noroeste é interrompida pelo edifício da torre, com uma fileira de janelas em arco semelhante à fachada oposta no primeiro piso e com uma fileira de janelas jacentes no piso térreo. O remate é em telhado de quatro águas com chaminé cilíndrica rematada por cúpula no lado su-sudoeste. No lado sudeste, junto ao jardim, encontra-se o portão de entrada no recinto flanqueado por dois pilares de seção quadrada com aparelho pseudo-rusticado e ladeados por aletas.



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Contribution

Updated at 02/04/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Torre de Coelheiros

  • Paço dos Cogominhos

  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Municipal Public Organ

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Évora

    Outeiro de Torre de Coelheiros
    Torre de Coelheiros, Portugal


  • Lat: 38 -25' 16''N | Lon: 7 50' 11''W










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