Yarmouth Fort

Yarmouth, England - United Kingdom

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O “Forte de Yarmouth”, também referido como “Castelo de Yarmouth”, localiza-se na ilha de Wight, condado (“county”) de Dorset, na costa sul da Inglaterra.

História

A cidade de Yarmouth na Ilha de Wight pode ter sido atacada pelos franceses em 1543. Se tal efetivamente ocorreu, terá contribuído para a fortificação do local.

Esta constituiu-se em um baluarte artilhado, um dos chamados “Device Forts” do Programa de Defesa de 1544, erguidos por Henrique VIII de Inglaterra (1509-1547) entre 1545 e 1547. A fortificação tinha como função proteger o porto de Yarmouth de um possível ataque francês.

Foi construído por George Mills, sob a direção do capitão da ilha, Richard Worsley, em terreno pertencente à Coroa, possivelmente no local de uma igreja destruída durante os eventos de 1543. Recorde-se que Henrique VIII havia extinto os mosteiros na Inglaterra alguns anos antes, e a pedra de Quarr Abbey possivelmente foi reutilizada na construção do baluarte. As obras estariam concluídas em 1547, quando mil libras foram pagas a Mills pelo seu trabalho e para dispensar os soldados que tinham estado de guarda no local durante a empreitada.

Foi primitivamente artilhado com 3 canhões e colubrinas e 12 armas de menor calibre, disparando de uma linha de ameias pelo lado do mar. A sua guarnição era constituída por um pequeno número de homens: um mestre-artilheiro, um porteiro e 17 soldados, sob o comando de Richard Udall, o primeiro capitão do castelo. Udall viveu no castelo, mas os soldados residiam na cidade.

Quando Maria I de Inglaterra, católica, subiu ao trono, registaram-se mudanças no governo da ilha de Wight e do forte. Worsley foi destituído a favor de um católico nomeado em 1553, e Udall foi executado em 1555 por seu envolvimento na conspiração promovida por João Dudley, 1.º duque de Northumberland, para depor a rainha.

Quando Isabel I de Inglaterra, protestante, subiu ao trono em 1558, celebrou-se a paz com a França e a atenção militar passou a focar-se na ameaça espanhola à Inglaterra. Isabel I reconduziu Worsley ao seu cargo e empreendeu uma extensa remodelação da fortificação. Worsley replenou metade da praça de armas para construir uma sólida plataforma para a artilharia, com capacidade para 8 peças de grosso calibre, com um campo de fogo ininterrupto sobre o mar, e possivelmente fez erguer a Casa do Artilheiro Mestre, no lado oposto da praça. Entretanto, uma inspeção realizada em 1586 mostrou que a fortificação se encontrava em más condições. Procederam-se a reparações no montante de 50 libras em 1587, que incluíram a construção de um baluarte de terra apiloada ao longo da fortificação, para compreender peças adicionais.

No ano seguinte (1588) diante da tentativa de invasão da “Invencível Armada”, novas reparações foram levadas a cabo na fortificação. Em 1599 a Coroa foi informada que o forte, o qual ainda era considerado uma importante defesa para o Solent, necessitando extensos reparos.

O forte de Yarmouth conservou a sua importância estratégica, tanto como fortificação, mas também como centro de transportes e depósito de mercadorias. As reparações recomendadas em 1599 tiveram lugar nos primeiros anos do século XVII e, em 1609, uma quantia adicional de 300 libras foi investida tanto na fortificação quanto no vizinho forte de Sandown, incluindo o acréscimo de dois contrafortes angulares ao longo das muralhas de frente para o mar.

Um estudo de 1623 pelo capitão da praça, John Burley, relatou que a guarnição era composta por apenas 4 artilheiros e o capitão, com os edifícios em um estado "ruinoso" e as defesas necessitando de reparação. Preocupações semelhantes foram expressas em 1625 e 1629. As sugestões de que uma bateria no formato de meia-lua deveria ser acrescentada às defesas não progrediram, mas em 1632 os parapeitos foram aumentados em altura, novos quarteis e uma vasta sala para armazém foram erguidos no castelo. Alguma da pedra empregada nestas obras foi reaproveitada do vizinho forte de Sandown, cujas muralhas, entretanto, haviam sido demolidas pelo mar. À semelhança deste forte de Yarmouth, também a pedra utilizada em Sandown teria sido extraída de antigos mosteiros na área.

Quando da eclosão da Guerra Civil Inglesa (1642-1651), que opôs os partidários de Carlos I de Inglaterra e os do Parlamento, o capitão Barnaby Burley, um monarquista ferrenho, com uma pequena guarnição manteve a fortificação leal a Carlos I. Cercado pelas forças do Parlamento, Burley negociou os termos de rendição, entre os quais poderia permanecer no castelo sob proteção armada, e o castelo permaneceu sob o controlo do Parlamento durante o resto do conflito. No início do Interregno (1649-1660) foi decidido aumentar-lhe o tamanho da guarnição, de 30 para 70 soldados, devido a preocupações acerca de um possível ataque monarquista a partir da ilha de Jersey. A maioria dos soldados da guarnição vivia fora do castelo. O custo anual desta força era de cerca de 78 libras e, em 1655 a guarnição foi diminuída para reduzir custos.

Quando Carlos II de Inglaterra (1660-1685) retornou ao trono (Restauração, 1660), desmobilizou a maior parte dos efetivos do exército e, no ano seguinte, foram dados 4 dias à guarnição de Yarmouth para deixar o castelo. O soberano anunciou que a artilharia do forte seria enviada para Cowes, a menos que a cidade de Yarmouth concordasse em assumir a responsabilidade financeira pela manutenção e operação da fortificação. A cidade recusou-se a fazê-lo, e Carlos I renovou a proposta em 1666. Desta vez Yarmouth parece ter aceitado a proposta, nomeando 4 soldados para guarnição, embora não tenha nomeado um oficial para comandá-los, nem tenha, aparentemente, feito quaisquer reparações à fortificação, agora em ruínas.

A Coroa voltou a tomar posse do castelo em 1670, e Robert Holmes, o novo capitão da ilha de Wight, trouxe algumas peças de artilharia de Cowes de volta para o forte. A estrutura foi refortificada, uma nova bateria foi disposta no cais adjacente, e as antigas obras de terra apiloada foram demolidas e o fosso foi aterrado. Holmes construiu uma mansão para si própria ao lado do forte, onde, em três ocasiões, ele hospedou o monarca.

Em 1688 Jaime II de Inglaterra enfrentou uma revolta generalizada e uma potencial invasão do país por Guilherme de Orange. Holmes foi um dos apoiantes de Jaime II, mas embora pretendesse manter a fortificação em nome do monarca, a população local e a guarnição do forte tomaram o partido de Guilherme de Orange, impedindo-o de alinhar abertamente com o soberano.

No início do século XVIII a mansão de Holmes foi reconstruída, adquirindo a sua aparência atual. O forte continuou em operação: registros de 1718 e de 1760 mostram-no artilhado com 8 peças de 6 libras (2,7 kg) e 5 de 9 libras (4,1 kg), dispostas respectivamente na fortificação e na plataforma do cais, guarnecido possivelmente por um capitão e seis artilheiros, com o apoio da milícia local. Entretanto, durante esse século o porto de Yarmouth já conhecia um processo de assoreamento, vítima do desenvolvimento industrial, o que desvalorizara as taxas portuárias, e a traça do forte tornara-se desatualizada.

Em 1813, no contexto das Guerras Napoleónicas, foram empreendidos trabalhos para atualizar o desenho do parapeito. Posteriormente, a Guerra da Crimeia (1853-1856) renovou os receios de uma invasão e, em 1855, a costa sul da Inglaterra voltou a ser fortificada. Naquele ano, o forte de Yarmouth sofreu extensos reparos: 4 canhões navais e trilhos transversais foram instalados na plataforma do forte, e uma unidade regular de tropas do Condado foi destacada para guarnição do forte. Em 1881 foi formulada uma proposta para modernização integral da fortificação, mas foi rejeitada e, em 1885, foi desartilhada e desguarnecida.

A Guarda Costeira começou a usar as dependências do antigo forte como estação de sinalização em 1898.

Em 1901, o Departamento de Guerra ("War Department") passou o forte para os Comissários de Bosques e Florestas ("Commissioners of Woods and Forests") e, em 1912, partes do forte foram arrendadas ao Pier Hotel, que incorporou a antiga mansão de Robert Holmes. O Pier Hotel eventualmente tornou-se o George Hotel, e ainda ocupa parte do fosso do antigo forte. O Escritório de Obras ("Office of Works") assumiu o controle do forte, executando um programa de reformas em 1913.

No contexto das Primeira (1914-1918) e Segunda Guerra Mundiais (1939-1945) voltou a ser reartilhado e reguarnecido, perdendo a função militar na década de 1950.

O monumento encontra-se protegido pela lei britânica como “listed building” no Grau I, e como “scheduled monument”.

Em nossos dias é administrado pelo “English Heritage”, utilizado como atração turística.

No século XX uma embarcação recebeu o seu nome: "SS Yarmouth Castle", embora a sua história esteja ligada ao porto de Yarmouth, em Nova Scotia, no Canadá.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo.

Apresentava planta no formato de um quadrado, com cerca de 30 metros de lado. As muralhas foram erguidas com silhares de pedra, com alguma alvenaria de tijolos no lado sul. Eram rasgadas por um pequeno número de canhoneiras, inclusive nas "orelhas" do baluarte. Os lados norte e oeste estão voltados para o mar, protegidos por contrafortes no vértice. Os lados sul e leste eram defendidos por um amplo fosso com 10 metros de largura, hoje aterrado. O baluarte seiscentista, que primitivamente se situava na área a oeste da Pier Street e a norte da Quay Street, assim como a bateria do cais, também foram destruídas.

Na sua primitiva feição a fortificação continha uma sequência de edifícios dispostos em torno de uma praça de armas, mas pouco tempo mais tarde a metade sul da mesma foi preenchida para confecionar uma sólida plataforma capaz de suportar peças de grosso calibre. No século XVII foi elevada até à sua altura atual. O parapeito encontra-se hoje coberto por turfa, com cantos arredondados no século XIX. A plataforma ainda conserva os trilhos sobre os quais teriam trabalhado os quatro canhões navais instalados em 1855. Uma pequena dependência, construída sobre a plataforma no topo das escadas, foi, desde então, demolida.

O baluarte em forma de ponta de seta outrora existente neste forte refletia as novas ideias sobre fortificações que se difundiam na Itália no século XVI. Anteriormente às fortificações de Henrique VIII, utilizava-se o antigo estilo europeu de baluartes de planta semicircular para eliminar quaisquer pontos fracos na estrutura, mas este desenho em forma de ponta de seta permitia aos defensores oferecer apoio de fogo muito mais eficaz contra uma força de ataque. Yarmouth foi das primeiras fortificações na Europa, e a primeira na Inglaterra, a adotar este desenho italianizante.

As edificações de serviço (quartéis, paióis, armazéns) estão dispostas no lado sul do forte. No pavimento inferior a entrada comunica com a praça de armas, ligada a quatro salas abobadadas no canto sudoeste que, no século XVII eram utilizadas como quarteis para a guarnição. Duas dessas câmaras foram convertidos em paióis e as molduras de um deles ainda permanece no lugar. No vértice sudeste é casa do mestre-artilheiro, composta por uma sala, hall e cozinha no piso térreo e uma câmara e um sótão nos pavimentos superiores. A sala e o hall originalmente eram separados por uma tela; a câmara também poderia ter sido originalmente subdividida. No primeiro andar abre-se uma pequena câmara, apoiada em arcos acima do pátio, que foi usada como um alojamento. No segundo pavimento, o chamado “Quarto Longo” corre em cima das câmaras abobadadas, o seu telhado maciço, original, ainda está intacto.



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Contribution

Updated at 13/06/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Yarmouth Fort

  • Yarmouth Castle

  • Fort

  • 1545 (AC)

  • 1547 (AC)



  • United Kingdom


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se protegido pela lei britânica como “listed building” no Grau I, e como “scheduled monument”.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : United Kingdom
    State/Province: England
    City: Yarmouth



  • Lat: 50 -43' 37''N | Lon: 1 30' 1''W







  • Device Fort



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