Fortress of Nuestra Señora del Castro

Vigo, Pontevedra - Spain

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A “Fortaleza de Nossa Senhora do Castro” (em castelhano “Castillo de Nuestra Señora del Castro”) localiza-se na cidade e município de Vigo, província de Pontevedra, Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha.

Integrava o sistema defensivo da povoação, junto com as muralhas (hoje desaparecidas) da vila e o Fortim de San Sebastián, de onde se dominava a entrada da ria.

História

Antecedentes

A fortificação situa-se no alto do Monte del Castro, topónimo que recorda a primitiva ocupação humana do local – um castro pré-histórico dos Celtas, posteriormente romanizado.

De acordo com o arquiteto e investigador Jaime Garrido Rodríguez (“El Origen de Vigo. El monte del Castro y su castillo”), essa povoação castreja ocupava cerca de 18 ha, com uma população estimada em 3.500 habitantes à época romana, constituindo-se no maior castro da Galiza, juntamente com o castro do Monte Santa Tecla, em La Guardia, também na província de Pontevedra.

Acerca da construção da atual fortificação, o historiador viguense José de Santiago y Gómez na sua “Historia de Vigo y su comarca” registou:

Existía en la cumbre del monte la ermita de Nuestra Señora del Castro, y las ruinas del antiguo castillo que durante la Edad Media atalayaba la ría y la comarca, y de que no existían más que unos restos; por lo que en el reinado de Felipe IV se reconstruyó por entero el antiguo castillo, conservando dentro de su recinto la ermita, y sufrió varios aumentos en los reinados sucesivos para que este nuevo medio de defensa fuese lo más formidable en su tiempo.

Acerca do primitivo castelo no alto do monte – o Castelo del Penso -, Rodríguez refere que: “(…) fue propiedad de la Mitra Compostelana” e que acabou sendo “derruido en su totalidad a finales del siglo XV”.

A fortaleza seiscentista

Os projetos para a fortificação de Vigo remontam ao século XVI, tendo em vista os frequentes ataques à vila, nomeadamente por corsários ingleses no contexto da Guerra Anglo-Espanhola (1585-1604).

Entretanto apenas no contexto da Guerra da Restauração da Independência de Portugal (1640-1668), é que Filipe IV de Espanha (1621-1665) expediu ordens para construção de uma fortaleza no Morro del Castro, com a finalidade de defesa da vila de um possível ataque - terrestre ou marítimo -, de qualquer das potências envolvidas no conflito. A vila de Vigo teria, à época, apenas cerca de 500 habitantes, a maior parte dos quais – mais de 200 – eram homens do mar, e a comarca contava menos de 700 vizinhos.

A fortaleza do Castro foi projetada pelo então Capitão-General da Galiza, o italiano Vicente Gonzaga Doria, e o custo das obras repartido entre os cofres da Coroa e os da vila. As obras, iniciadas em 1656, foram dirigidas pelo capitão Juan de Villarroel y Prado, (Padre Gándara, “Armas y triunfos de Galicia”.) tendo se desenvolvido ao mesmo tempo que as do vizinho Fortim de San Sebastián, erguido com a mesma finalidade.

Em 1665 o primeiro recinto – na cota mais elevada do monte - estava concluído. Naquele mesmo ano, decorridos 25 anos do conflito, um exército português de 12.000 infantes e 2.500 cavaleiros, invadiu o sul da Galiza, desembarcando em Goián a 28 de outubro. Após conquistar La Guardia e contornar Baiona e Tui - praças melhor defendidas -, as forças portuguesas alcançaram Bouzas com a intenção de sitiar Vigo. O então Capitão General da Galiza, Luis de Poderico, reuniu um exército formado por 5.000 infantes e 800 cavaleiros enquanto Vigo se preparava para fazer frente aos invasores, dispondo a Fortaleza do Castro de uma guarnição de apenas 200 homens sob o comando do Mestre de Campo Diego Arias Taboada – governador da praça -, que deu ordens para erguer uma paliçada, para reforço da defesa.

Ainda neste ano (1665), os engenheiros militares coronéis Carlos e Fernando Grunemberg estiveram a trabalhar nas fortificações de Vigo, nomeadamente na do Castro, tendo, no ano seguinte (1666), Fernando e o Mestre de Campo Diego Arias Taboada elaborado um detalhado plano de fortificação e união da Fortaleza do Castro e do Fortim de San Sebastián.

Acrescentou-se a partir de então à fortaleza um segundo recinto em torno do primeiro, também de traçado orgânico, em terra apiloada, que estava concluído em 1667. A sua construção visava suprir a ausência de um fosso exterior à muralha do primeiro recinto, mas a sua pouca altura convertia-o mais em uma falsa braga ou barbacã, que embora dificultasse o acesso à fortaleza por parte do inimigo, ainda a deixava exposta ao fogo da artilharia eventualmente disposta no exterior do segundo recinto.

Em 1670 os trabalhos nas muralhas do primeiro e do segundo recintos podem ser apreciadas numa planta de autoria do conde de Haumanes, para um projeto que realizou para a união da Fortaleza do Castro com o Fortim de San Sebastián, naquele ano.

O século XVIII

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) a 23 de outubro de 1702 a fortaleza foi testemunha da Batalha Naval de Rande (Batalha de Vigo), na qual uma armada anglo-neerlandesa de 180 navios e 14.000 homens, sob o comando de Sir Jorge Rook e do Almirante Allemond, atacou e apresou uma armada franco-espanhola de tesouro refugiada na enseada de Ulló, junto a Vilaboa, no lado norte da ria de Vigo. Os combates não se limitaram às embarcações, uma vez que Redondela e a sua comarca também foram atacadas e saqueadas pela força de terra anglo-neerlandesa. Vigo não foi atacada devido às suas defesas, que levaram a que os atacantes evitassem o lado sul da ria.

Diante desse episódio, e considerando que Vigo necessitava de defesas mais sólidas, em 1704 deu-se início à construção de um terceiro recinto na Fortaleza do Castro, envolvendo os dois primeiros.

Em uma planta depositada no Archivo Histórico Nacional de Espanha (“Planta del Castillo de Vigo que se llama el Castro, como ha de estar, en estando acabado”) de autoria de Eugenio Antonio Doffus Velez D’Avila, datada de 3 de dezembro de 1705, pode-se apreciar a fortificação completa, composta por três recintos e um caminho coberto que conduzia ao Reduto de San Felipe – uma obra de planta pentagonal rodeada por uma paliçada situada onde hoje se ergue um parque infantil na entrada para “O Castro” pelo lado leste.

Em 10 de outubro de 1719, entre as 10h00 e as 11h00, Vigo foi atacada por uma força britânica de mais de 40 navios, sob o comando do Marechal de Campo Richard Temple, que desembarcou 11 batalhões num total de cerca de 5.000 homens, na praia de Samil. Assim que as tropas desembarcaram, encontraram os primeiros focos de resistência, na figura de civis armados, registando-se tiroteios. Diante da perspectiva de um duplo ataque, naval e terrestre, a guarnição de Vigo retirou para a Fortaleza do Castro, sob o comando do então governador da praça, coronel Fadrique González de Soto, com 10 companhias de infantaria com algo menos de 400 homens, e as milícias constituídas por 400 civis armados, com os seus oficiais.

As tropas britânicas saquearam e incendiaram Bouzas e os seus arredores, instalando quartel general em Navia. A 12 de outubro instalaram-se em Santa Eulalia de Alcabre e, a partir dali, ainda pela manhã, enviaram um coronel com dois soldados e um tambor sob uma bandeira branca, a parlamentar com os habitantes de Vigo, instando-os a renderem-se. Com a guarnição fechada na Fortaleza do Castro, a vila capitulou, tendo o juiz entregue as chaves de Vigo aos britânicos como sinal de rendição, tal como havia sido autorizado pelo conselho de guerra realizado pelos chefes e oficiais da guarnição ao não poderem defender toda a vila. O brigadeiro britânico Homewood entrou em Vigo com dois regimentos de fuzileiros navais, tomando posse da vila e do Fortim de São Sebastião, tendo os britânicos iniciado no Berbés o desembarque de material bélico para o assédio e assalto à Fortaleza do Castro.

A 13 de outubro os britânicos dispuseram 34 morteiros de diversos calibres atrás do Fortim de San Sebastián e, ao anoitecer, deram início ao bombardeio, que se estendeu até à primeira hora da madrugada, fazendo 6 feridos entre a guarnição do Castro. Ao amanhecer do dia 14 os ingleses reiniciaram o bombardeio, cessando-o às 13h00 e fazendo mais 8 feridos na fortaleza. No interior do recinto amuralhado os sitiados não dispunham de muitos sítios onde se pudessem abrigar dos disparos. Uma informação coeva, citada por Xosé María Álvarez Blázquez em “La ciudad y los días” dá conta de que:

(…) en el Castillo no hay cuarteles para defensa de las bombas, ni más cubierto que una capilla de Nuestra Señora, casas del Ermitaño y adonde se recogía el castillano y dos cuarteles viejos, almacén de pólvora a prueba de bomba, una cisterna y unas minas en donde estaba recogida pólvora y en donde se recogían los heridos y así los soldados como oficiales no tenían más cubierto que tiendas de campaña.

Ao amanhecer do dia 15 os britânicos reiniciaram o bombardeio, que cessou às 12h00. Ao anoitecer, iniciaram um bombardeio naval que atingiu com 50 tiros a fortaleza, causando o pânico entre os defensores. A sequência repetiu-se no dia seguinte (16) mas com uma combinação de bombardeios terrestre e naval ao anoitecer, causando muitos mortos e ferindo o governador Fadrique González no braço esquerdo. Todas as tendas que os defensores dispunham “salieron en pedazos”, segundo a mesma fonte coeva.

A 17, a situação dos sitiados era quase insustentável e, após o bombardeio matinal, um coronel britânico intimou os defensores à rendição. Na ausência do governador, evacuado para Porriño para atendimento médico, o coronel Fadrique Soto respondeu que não podiam entregar a praça porque tinham “mucha guarnición, oficiales de gran honra, mucha pólvora, baja y que comer”. Efetivamente os armazéns subterrâneos da fortaleza estavam repletos de apetrechos militares que haviam ficado em Vigo após o fracasso da expedição espanhola à Escócia alguns meses antes, porém os sitiados acumulavam seis noites sem comer nem descansar, e apenas se mantinham de pé. A resposta britânica não se fez esperar, na forma de um bombardeio contínuo até ao anoitecer, que fez cair mais de 600 projéteis sobre a fortificação.

O bombardeamento prosseguiu durante o dia 18 de outubro, até que, a 19, após uma semana sem descanso, sem alimento, tendo suportado o duríssimo castigo do fogo inimigo, os sitiantes capitularam com honras militares. Os combates foram suspensos por dois dias e, a 21 de outubro, com os britânicos em formação, a guarnição da Fortaleza do Castro saiu, também em formação, a caminho de Redondela: haviam suportado mais de 3.500 disparos de morteiro. Quando finalmente os britânicos adentraram a fortificação e constataram o seu estado, puderam reconhecer o valor demonstrado pelos defensores.

As forças britânicas demoraram-se em Vigo até 7 de novembro. Nos armazéns subterrâneos da fortaleza apreenderam 6.000 mosquetes, grande quantidade de pólvora, além de diversas peças de artilharia.

Severamente danificada pela artilharia britânica, a fortaleza sofreu os reparos necessários, vindo a construir-se, em 1724, um quartel de Infantaria com capacidade para 250 homens, instalação que foi utilizada até ao século XX.

Do século XIX aos nossos dias

No contexto da Guerra Peninsular, referida na historiografia de Espanha como "Guerra de Independência Espanhola" (1808-1814), o início do conflito (2 de maio de 1808) foi saudado pela Companhia de Artilharia da Fortaleza do Castro com salvas das peças que acompanharam o repique dos sinos da Colegiada e dos conventos da vila.

No ano seguinte (1809) Vigo foi cercada por tropas francesas a 31 de janeiro, vindo a capitular, tendo a 4.ª Divisão francesa ocupado a Fortaleza do Castro e o Fortim de San Sebastián. A referida Divisão partiu a 16 de fevereiro, deixando em Vigo uma guarnição de 1.500 artilheiros e dragões com suas bagagens, 40 peças de artilharia e abundante munição, segundo narra o general José María Sánchez de Toca na obra “Batallas desiguales”. Após duas semanas estas forças francesas estavam sitiadas pelos civis que pegaram em armas e, diante do assalto destes, capitularam a 27 de fevereiro diante de um sargento da Marinha, Pablo Morillo, promovido a coronel em combate. Quando uma coluna francesa chegou para socorrer os sitiados, Vigo, já em mãos espanholas, recebeu-os a tiros de canhão, de tal modo que, dos 470 franceses que a formavam apenas 50 retornaram às suas fileiras e, desses, apenas 14 ilesos. A vila, desde então, passou a ostentar o título de “Fiel, Leal y Valerosa”.

Embora os episódios da invasão francesa e da reconquista de Vigo tenham sido as derradeiras ações bélicas da fortaleza, ao final do século, no contexto da Guerra Hispano-Americana (1898) a cidade entrou uma vez mais em alerta, diante da possibilidade de uma invasão estadunidense. À época, porém, nem a Fortaleza do Castro, nem o Fortim de San Sebastián, e nem as antigas muralhas da cidade estavam já em condições de defesa, obsoletas diante da evolução então registada pelos meios bélicos.

Em 1934 o governo espanhol cedeu ao Ayuntamiento de Vigo (Câmara Municipal) os terrenos do Monte del Castro, com exceção da fortaleza, que continuou sendo uma posição militar durante mais três décadas.

Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), e até 1942, as muralhas da fortificação foram palco do fuzilamento de 136 pessoas ligadas à ideologia republicana. No local, desde 2010 um monólito recorda essas vítimas.

A fortaleza continuou em funções até 28 de março de 1964, quando o Exército espanhol cedeu o imóvel ao Ayuntamiento de Vigo.

Em 1966 o então alcaide, Rafael Portanet, ordenou a demolição da Capela de Nossa Senhora do Castro (cuja imagem da Virgem atualmente se encontra na Paróquia de São Tomé de Freixeiro), da Casa do Governador (junto à Capela e que, com o tempo, acabou sendo usada como armazém para a artilharia) e dos quarteis que existiam no interior do primeiro recinto. Em seu lugar, Portanet construir um tanque de água e jardins. Ainda durante o mandato de Portanet iniciou-se o plantio de árvores (abetos) para ocultar as muralhas da fortaleza, de tal modo que, hoje, não é possível observá-las de nenhum ponto da cidade.

O Ayuntamiento permitiu ainda a construção de edificações sem licença nas muralhas inferiores, que inclusive impediam a visão das superiores. Desse modo, em 1975 foi erguido o edifício Montemar, em violação à legislação então em vigor. Além disso foi outorgada ao empresário Alejandro Fernández Figueroa, uma concessão privada que lhe permitiu explorar o edifício como restaurante “El Castillo” durante três décadas, inclusive erguendo anexos também sem licença para tal, que afetaram diversos elementos protegidos.

A fortaleza encontra-se sob a proteção da declaração genérica do Decreto de 22 de abril de 1949, e da Lei n.º 16/1985 sobre o Património Histórico Espanhol. Encontra-se catalogada desde 1968 no Inventário do Património Cultural Europeu como “Monumento de Arquitetura Militar”.

A Lei n.º 8/1995 do Património Cultural da Galiza obrigou a demolir todo o tipo de acrescentos efetuados sobre monumentos históricos, o que condenou o restaurante “El Castillo”, cuja concessão, que se estendia até 2005, não foi renovada pelo Ayuntamiento, ficando o edifício abandonado no ano seguinte, vindo a ser demolido em 2013.

O monumento encontra-se aberto à visitação pública destacando-se os seus belos jardins, fontes e esculturas, além das vistas panorâmicas da cidade e da ria de Vigo.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento urbano, na cota de 147 metros acima do nível do mar.

O conjunto foi concebido como uma fortificação de planta poligonal estrelada irregular com três recintos defensivos, de que se conservam o primeiro, parte do segundo e vestígios do terceiro.

O primeiro recinto, na cota mais elevada do monte, primitivamente dispunha de uma porta apenas, rasgada no lado norte, equipada com uma grade levadiça de que apenas se conservam os sulcos por onde deslizava, além dos orifícios onde as portas de madeira se encaixavam. Esta entrada estava protegida por um tambor onde se dispunham várias troneiras.

Em um dos lados deste tambor foi erguido, no século XIX, um paiol, aproveitando-se as antigas troneiras do tambor como orifícios de ventilação do novo edifício. Atualmente a entrada do paiol encontra-se entaipada.

Diante do paiol existe outro edifício, primitivamente utilizado como armazém e que atualmente abriga um repetidor de comunicações da força policial de Vigo.

Este primeiro recinto conta com cinco baluartes. No vértice do Baluarte do Diamante, orientado a norte, é que era içada a bandeira real. Conserva cinco canhoneiras e a guarita em seu vértice é a mais antiga das que se conservam na fortaleza. Diante deste baluarte é que foi construído o restaurante “El Castillo”.

Seguindo no sentido horário, dispõe-se o Baluarte del Couto, que também conserva as suas canhoneiras. Na face sul deste rasgam-se dois orifícios quadrados. De acordo com a citada obra de Jaime Garrido eles serviriam como orifícios de ventilação para as galerias subterrâneas da fortaleza.

Na extremidade sudeste encontra-se o Baluarte de San Amaro, que conserva quatro canhoneiras e uma guarita, acrescentada em época posterior à construção da fortaleza, hoje fechada por uma porta metálica.

No extremo sudoeste ergue-se o Baluarte del Regueiro. As suas canhoneiras perderam-se quando foram para aqui translados os obuses da antiga Bateria da Laje, que defendera o porto de Vigo durante o século XIX. Para instalá-los foram abertos poços de planta circular, abertos em sua parte posterior. Em nossos dias esses poços servem como vasos para árvores.

No Noroeste, no Saliente de Coya, ocorreu o mesmo processo, perdendo-se as canhoneiras quando da instalação dos obuses oriundos da Bateria da Laje. Ao lado deles ergue-se a antiga guarita que vigiava o acesso pela porta norte. Neste saliente encontra-se hoje um miradouro com vista panorâmica sobre o porto e a ria de Vigo. No seu gradil, os casais enamorados prendem cadeados como promessas de amor, à semelhança do que é feito na Ponte das Artes, em Paris.

No interior deste primeiro recinto existiram ainda até ao século XX edifícios de quarteis que ocupavam a área mais próxima à porta sul. Esta porta, construída no século XIX para permitir a passagem dos obuses da Bateria da Laje, é encimada pelo brasão de armas de Vigo, decorada por ameias erguidas certamente na década de 1960, na gestão do alcaide Rafael Portanet.

No primeiro recinto abrem-se galerias subterrâneas acedidas a partir de uma pequena praça que se abre diante da porta norte, por uma porta hoje entaipada e adornada com uma planta. Estima-se que essas galerias se estendam por 64,5 metros com diversos corredores, erguidas em cantaria de pedra, com arcos abobadados e fecho. Por esta entrada acede-se ainda a uma outra galeria, de traçado sinuoso, que comunicava com o Fortim de San Sebastián. Hoje encontra-se interrompida por troços de betão pertencentes às fundações de edifícios dos nossos dias. Esta galeria poderá ter servido como comunicação subterrânea entre ambas as fortificações ou simplesmente para o abastecimento de água a partir da fortaleza do Castro, até à Bateria da Laje. No Monte do Castro existem ainda galerias subterrâneas da época romana.

O segundo recinto, primitivamente erguido em terra apiloada, foi posteriormente reedificada em pedra, chegou a dispor de 5 baluartes e 2 salientes. Os baluartes correspondem praticamente com os do primeiro recinto. O mais bem conservado encontra-se junto à entrada sul deste recinto: a Bateria do Couto. Este recinto era acedido por três portas. Da porta norte do primeiro recinto descia um caminho paralelo à muralha e que se ramificava em três. Um caminho seguia até ao Fortim de San Sebastián, parcialmente demolido para construir o atual edifício do Ayuntamiento de Vigo. O segundo caminho descia até à porta principal do segundo recinto, que conduzia ao Reduto de San Felipe. Atualmente esta porta é flanqueada externamente por dois canhões.

Finalmente, o segundo recinto podia ser acedido por uma poterna ou porta secundária, orientada a leste, próxima à porta principal e que em meados do século XIX chegou a estar encerrada devido ao seu mau estado. Esta poterna conduz hoje ao tanque dos patos, uma das atrações mais populares, em nossos dias, do monumento.

Neste recinto ergue-se em nossos dias um edifício civil, erguido certamente após a desmilitarização da fortaleza, a antiga antena e edifício da emissora “La Voz de Vigo”, propriedade da “Red de Emisoras del Movimiento”, e que mais tarde converteu-se em “Radio Nacional de España”.

O terceiro recinto, em cota inferior aos demais, foi demolido quase na totalidade para a abertura do Paseo de Rosalía de Castro, que hoje envolve o segundo recinto. Possuía um traçado muito irregular, e dele saía um caminho coberto com 142 metros de extensão, hoje desaparecido, que comunicava com o Reduto ou Forte de San Felipe, também hoje desaparecido. Este reduto apresentava planta pentagonal, em cantaria de pedra, envolvido por uma paliçada. No local do desaparecido reduto encontra-se atualmente o Parque Infantil Charlie Rivel.

De acordo com um informe de 1737 este reduto foi iniciado, mas não chegou a ser concluído, pelo que se pode supor que existiu a intenção de construir uma posição de maiores dimensões em seu lugar. Dispunha de cinco canhoneiras e, em meados do século XIX já havia sido abandonado.



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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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  • Fortress

  • 1656 (AC)

  • 1667 (AC)


  • Philip IV of Spain

  • Spain


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    A fortaleza encontra-se sob a proteção da declaração genérica do Decreto de 22 de abril de 1949, da Lei n.º 16/1985 sobre o Património Histórico Espanhol, e da Lei n.º 8/1995 sobre o Património Cultural da Galiza. Encontra-se catalogada desde 1968 no Inventário do Património Cultural Europeu como “Monumento de Arquitetura Militar”.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Pontevedra
    City: Vigo



  • Lat: 42 -14' 11''N | Lon: 8 43' 35''W










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