Castle of Monterrei

Monterrei, Ourense - Spain

O "Castelo de Monterrei" localiza-se na paróquia de Santa Maria, concelho de Monterrei, província de Ourense, Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha.

Ergue-se no alto de uma colina que domina o vale do rio Tâmega, na confluência dos caminhos de Puebla de Sanabria e Ourense.

História

Esta fortificação esteve em poder de algumas das mais poderosas famílias da Galiza: os Ulloa, os Zúñiga, os Viedma, os Fonseca, os Acevedo e finalmente a Casa de Alba.

No início do século X o seu sítio pertenceu ao conde D. Gutiérrez Menéndez, pai de São Rosendo, datando a primeira notícia documental sobre o castelo do ano de 950.

O conde de Portucale, D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185) terá reedificado o castelo, vindo o mesmo a passar para os domínios do Reino de Leão e Castela com a assinatura do Tratado de Tui (1137), renunciando o primeiro a suas pretensões em território da Galiza.

A comarca fazia parte do senhorio do Mosteiro de Celanova, cujos abades consideravam o Castelo de Monterrei como uma ameaça para a sua autoridade. Isto fez com que procurassem a proteção da Coroa, chegando a obter, em 1213, de Afonso X de Leão e Castela (1252-1284) o privilégio que ordenava a demolição das defesas do castelo.

No contexto da guerra civil em que, durante 15 anos, se defrontaram Pedro I de Castela, o Cruel (1350-1369), herdeiro legítimo do trono, e Henrique de Trastâmara - futuro Henrique II de Castela (1369-1379) -, o castelo serviu de refúgio ao primeiro (1366).

João I de Castela outorgou o senhorio do castelo a Diego López de Zúñiga. O seu filho ostentou o título de visconde de Monterrei, não sendo até à nomeação dos Reis Católicos que lhe concederam o título de 1.º conde de Monterrei a Sancho Sánchez de Ulloa e Monterroso, que herdara o património em 1461 após recorrer aos tribunais durante quase vinte anos com Francisco de Zúñiga.

Neste castelo teve lugar a entrevista de Filipe I de Castela com o cardeal Cisneros (1506).

Na Idade Moderna as suas defesas foram modernizadas, com a construção de dois recintos abaluartados auxiliares que fechavam e defendiam o convento dos franciscanos e o dos jesuítas, sob a direção dos engenheiros militares Juan de Villaroel e Carlos de Grunemberg.

Aqui foi impresso o "Missale Auriense", primeiro incunábulo galego, a 3 de fevereiro de 1494. A vida cultural desta pequena corte nobiliária teve a sua importância, chegando a dar docência em gramática, artes e teologia.

Encontra-se classificado como “Bien de Interés Cultural” (BIC) desde 3 de junho de 1931, sob o n.º RI-51-0000781 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.

No interior do Paço dos Condes o Museu da Acrópole estrutura-se em sete salas com os seguintes conteúdos:

- A comarca e os seus monumentos.

- Caminhos Jacobeus na Galiza.

- Restos epigráficos de Monterrei.

- Elementos da Semana Santa e livros da paróquia junto com o Missal Auriense.

- Coleção de esculturas dos séculos XVII e XVIII.

- Coleção de esculturas dos séculos XVII e XVIII.

- Coleção de calcografias da “Via Crucis”.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico e renascentista.

A povoação é considerada por muitos autores como a maior acrópole da Galiza, tendo sido, durante toda a Idade Média, um enclave estratégico para a defesa da fronteira com Portugal.

Os elementos mais antigos que se conservam datam do reinado de Afonso IX, correspondendo a maior parte dos demais ao período de Sancho Sánchez de Ulloa, 1.º conde de Monterrei.

O conjunto estrutura-se em três recintos murados erguidos sobre uma elevação alongada.

No primeiro recinto situa-se o atual Parador Nacional e, próximo a este, conserva-se um cruzeiro do século XVII.

O segundo recinto é acedido por um portão, ladeado por dois corpos de guarda com frestas. As suas muralhas são reforçadas por diversos baluartes.

O terceiro recinto é acedido por um portão com arco apontado, formado por grandes aduelas, constituindo-se na porta melhor conservada do conjunto. É encimado pela pedra de armas dos Monterrei, formada por quatro quartéis com as armas dos Acevedo, os Ulloa, os Viedma e os Zúñiga, e, sobre eles, o escudo dos Fonseca.

No conjunto destaca-se ainda o Hospital de Peregrinos, fundado por Gaspar de Zúñiga em 1429, dedicada à Santíssima Trindade. A instituição tem a sua origem num primitivo albergue, erguido em 1327, dependente do Mosteiro de Montederramo. Constitui-se num pequeno edifício de dois pavimentos, que foi objeto de recentes obras de restauração. A sua portada é em arco ogival afunilado, com quatro arquivoltas e, a chave do arco, adorna-se com um anjo de cabeça baixa. Conserva esculpido no tímpano um tetramorfo e nas laterais as figuras da Anunciação sob dosséis ogivais.

O castelo está situado no último recinto. O seu portão de armas situa-se na Praça de Monterrei, rematado por arco de volta perfeita e encimado pelas armas dos condes. É ladeado por duas torres cilíndricas, parcialmente conservadas, rasgadas por seteiras. Por este portão acede-se à praça de armas, no qual se abre um poço e um túnel que servia de cisterna, apesar de que a lenda refira que comunicava o pátio com a Atalaia. Durante as obras de restauração empreendidas nos últimos anos, a entrada para o túnel foi fechada. Conserva-se o poço de 14 metros de profundidade. No lado oeste da muralha conservam-se uns fornos grandes, de pedra.

O castelo é dominado pela torre de menagem, construção do século XV também referida como Torre de Dom Sancho, erguida pelo conde na época dos Reis Católicos. Apresenta planta quadrada erguida em cantaria de granito de boa lavra, perfeitamente enquadrada, elevando-se a 22 metros de altura. As suas cantarias conservam grande quantidade de marcas de canteiros.

Sobre a sua porta de acesso, rasgada à altura do primeiro pavimento, e a que se acede por meio de uma ponte levadiça, pode-se contemplar as armas dos Ulloa e dos Zúñiga, ladeadas por grifos e a seguinte inscrição no lintel:

(...) Esta / Torre mandaron faser Don Sa[n]cho de Ulloa / e Dona Teresa De Zúñiga su muger conde / e condesa de Mo(n)terrey. acabose an(n)o de / mil e CCCC e LXXX e II an(n)os

A torre conserva-se em bom estado tendo sofrido poucas alterações na Idade Moderna, como por exemplo a abertura de orifícios que permitissem a disposição da artilharia.

No interior uma ampla escada permite o acesso aos diferentes andares nos quais se podem ver frestas, uma chaminé, assim como vitrais com palratórios. No último piso uma estreita escada de pedra serve de acesso ao terraço.

O terraço é aberto e rematado com uma barbacã composta por oito cubos redondos nos seus extremos e na metade dos lados apêndices semicirculares.

O Paço dos Condes, erguido entre os séculos XV a XVII em estilo renascentista, foi restaurado em nossos dias, e conserva em bom estado as galerias e os seus pátios.

Situa-se no lado direito do pátio de armas e forma um conjunto harmônico com a torre conhecida como Torre das Damas, do século XIV ou finais do século XIII, sendo o elemento mais antigo do conjunto. É possível que esta tenha sido a primitiva torre de menagem, e apresenta dimensões mais reduzidas que as da atual.

O palácio abre-se para o pátio dividido em dois andares, o inferior com uma arcada de arcos rebaixados com os penachos (enxutas) decorados com os escudos das diferentes linhagens que possuíram a praça-forte. O andar superior apresenta o mesmo número de colunas e, sobre estas, foi apoiada diretamente a cobertura.

Na fachada sul apresenta o mesmo esquema construtivo, mas com um andar a mais, devido às diferenças da cota do terreno. No andar inferior os arcos são ligeiramente apontados. A fachada oeste integra-se na muralha defensiva.

Outro elemento de interesse no conjunto é a Igreja de Santa Maria Gracia, templo erguido na primeira metade do século XIV ou finais do século XIII em estilo românico. Insere-se no complexo por meio do muro lateral sul da nave, esta com coberta de madeira e a abside retangular coberta com abóbada de cruzaria. A abside não se encontra alinhada com a nave pela irregularidade do terreno sobre o qual se assenta. A sua fachada é de feitura mais moderna. A torre campanário, erguida entre 1660 e 1661 de acordo com uma inscrição conservada na sua base, situa-se no vértice noroeste.

A porta lateral da fachada norte apresenta um arco e arquivoltas apontadas em jambas sobre colunas, um exemplo da transição do românico ao gótico. No interior conservam-se arcos sepulcrais, a Capela dos Condes aberta no muro sul e na qual se conservam pinturas de finais do século XIV e um belo retábulo gótico.

No século XVII, durante as obras de ampliação das defesas, a abside foi reforçada por meio de fortes esteios.

No extremo oeste do conjunto encontram-se as ruínas de uma construção quadrangular erguida no século XVII com o objeto de defender a acrópole por este flanco. Conserva parte dos muros altos e algumas guaritas.

Próxima a esta se encontra uma fonte.

Bibliografia

BOGA MOSCOSO, Ramón. Guía dos castelos medievais de Galicia. [S.l.]: Edicións Xerais de Galicia, S.A, 2003. (Col. Guías Temáticas Xerais) ISBN 84-9782-035-5. pp. 209-211.



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Contribution

Updated at 23/01/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como “Bien de Interés Cultural” (BIC) desde 3 de junho de 1931, sob o n.º RI-51-0000781 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.



  • +34 988 029 230


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Ourense
    City: Monterrei

    Castillo de Monterrei s/n.º
    32618 Monterrei, Província de Ourense, Espanha


  • Lat: 41 -57' 12''N | Lon: 7 26' 58''W










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