Tower of Sande

Cartelle, Ourense - Spain

A “Torre de Sande”, também referida como “Fortaleza de Sande”, localiza-se na paróquia de São Salvador de Sande, concelho Cartelle, província de Ourense, Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha.

Situa-se no alto de um cume rochoso, em posição dominante sobre o vale de Sande, entre o rio Minho e o rio Arnoia. Uma cantiga tradicional da região refere: “Castelo de Sande / pernas de avión / cuantas terras vexo / todas miñas son”.

História

A primeira referência documental à primitiva fortificação data de 1141, quando Afonso VII de Leão e Castela (1126-1157) e sua esposa, a rainha Berengária de Barcelona, doaram a torre existente no local aos abades do Mosteiro de San Salvador de Celanova (que passaram a possuir desde então o título de marqueses da Torre de Sande):

(...) illud castellum de Sandi cum omni sua hereditate et sua voce et caritello quem habet inter Minium et Arnoium fluuis, qui ex utraque parte illus castelli discurrunt.

Os conflitos entre os abades e os descendentes dos Sande tiveram o seu momento de maior virulência quando, numa das lutas, Nuno de Sande matou o abade de Celanova. Como punição, o soberano ordenou que o castelo e a fazenda da família dos Sande passassem a fazer parte do património do mosteiro.

O castelo também foi palco das lutas entre Fernando II de Leão (1157-1188) e Afonso I de Portugal (1143-1185), tendo o último se apoderado da fortificação em 1165. Os galegos sitiaram as forças portuguesas e, segundo a tradição, com o auxílio de São Rosendo, recuperaram a praça.

Em 1218 o senhorio e o seu castelo voltaram para as mãos da Coroa. Nesta data o casteleiro real dos castelos de Sande e Santa Cruz foi demandado pelo mosteiro de Celanova ante Afonso IX de Leão (1188-1230). Na sua sentença o monarca proibiu o casteleiro de entrar nos coutos do mosteiro próximos ao castelo:

(...) quod maiordomus de regalengo non debet ponerse caritellum nec incautare aliquem in Montibus nisi Anfeoz.

Fontes documentais dão conta de que, no século XIV, era senhor da Torre, e das terras das atuais paróquias de Lovios, Gendive e Milmada, Payo Rodríguez de Arauyo [Araujo] que serviu a João I de Castela (1379-1390). Em 1380 a terra de Sande, junto ao couto de Arnoia, esteve usurpada por D. Alvar Rodríguez de Limia:

(...) que tenendes en encomienda contra su boluntad toda tierra de Sande, que es del dicho monesterio del qual dicho tierra dixo que levades pan et vino et serviçios et todos los otros derechos que pertenecen al dicho monesterio.

Em 1430, João II de Castela (1406-1454) ordenou restituir o castelo de Sande ao mosteiro de Celanova, apesar de que tinha sido o próprio soberano quem lhe nomeara o alcaide. (Coleção Diplomática do Mosteiro de Celanova, n.º 285)

No contexto da Revolta Irmandinha (1467-1469) fontes documentais dão conta de que os camponeses de Sande mandaram procuradores e cartas com demandas à Junta de Medina, pelos abusos cometidos a partir da fortificação.

A torre encontra-se classificada como “Bien de Interés Cultural” (BIC) desde 17 de novembro de 1994, sob o n.º RI-51-0008946 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.

Características

Exemplar de arquitetura militar, românica e gótica, de enquadramento isolado, no cume de um afloramento rochoso de forma alongada e estreita (cerca de 55 metros de comprimento por não mais de 7 metros de largura), no sentido norte-sul, na cota de 506 metros acima do nível do mar. Torre roqueira, é naturalmente defendida por todos os lados, sendo acedida apenas pelo lado oeste.

Do primitivo castelo apenas subsiste a torre de menagem, erguida em cantaria de granito bem aparelhada, sobre a rocha-mãe, podendo ser observadas diversas marcas de canteiro. A torre apresenta planta retangular com 6,4 metros por 5,8 metros, erguendo-se a 13 metros de altura. Trata- se de uma construção em estilo gótico tardio, do século XIV, o que se deduz pelo seu almofado pelo arco de volta perfeita sobre a porta, rasgada na altura do primeiro andar, a cerca de 3,5 metros do solo, e orientada a leste. Na parte superior conserva a pedra de armas da linhagem dos Sande. Sob esta porta conservam-se duas mísulas. A torre era coroada por um balcão ameado, do qual se conservam algumas mísulas. Internamente é dividida em três pavimentos, um deles com cobertura abobadada.

Bibliografia

BOGA MOSCOSO, Ramón. Guía dos castelos medievais de Galicia. [S.l.]: Edicións Xerais de Galicia, S.A, 2003. (Col. Guías Temáticas Xerais) ISBN 84-9782-035-5. pp. 217-218.

MARTÍNEZ RISCO DAVIÑA, Luis. Terras de Celanova. [S.l.]: Editorial Everest, S.A., 1993. ISBN 84-241-9801-8. pp. 40-44.

PÉREZ RODRÍGUEZ, F.J.; VAQUERO DÍAZ, Beatriz; DURANY CASTRILLO, Mercedes. "A Terra de Celanova na Idade Media". In MINIUS n.º X, 2002. [S.l.]: Servicio de Publicacións, Universidade de Vigo. ISSN 1131-5989. pp. 143-158.



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Contribution

Updated at 23/01/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Semiconserved Ruins

  • National Protection
    A torre encontra-se classificada como “Bien de Interés Cultural” (BIC) desde 17 de novembro de 1994, sob o n.º RI-51-0008946 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Ourense
    City: Cartelle



  • Lat: 42 -15' 17''N | Lon: 8 5' 30''W







  • Irmandiño Revolt



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