Castle of Vila Viçosa

Vila Viçosa, Évora - Portugal

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O “Castelo de Vila Viçosa” localiza-se na freguesia de Nossa Senhora da Conceição e São Bartolomeu, concelho de Vila Viçosa, distrito de Évora, em Portugal.

Próximo à vertente nordeste da serra de Ossa, ergue-se em posição dominante sobre a vila, numa colina defendida naturalmente pela ribeira de Ficalho e pela ribeira do Carrascal, afluentes do rio Guadiana.

História

Antecedentes

Conforme o testemunho de lápides encontradas na região, a primitiva ocupação humana do seu local remontará à época da Romanização. Por ser vizinha à estrada romana que ligava Évora a Mérida, alguns autores acreditam que a sua elevação tenha recebido alguma pequena fortificação. Posteriormente terá sido ocupada pelos Muçulmanos.

Do castelo medieval ao Paço Renascentista

À época da Reconquista cristã, a região foi dominada a partir da conquista de Alcácer do Sal por Sancho II de Portugal (1223-1247) em 1217.

Afonso III de Portugal (1248-1279) criou o concelho em 22 de dezembro de 1258, embora a povoação só tenha recebido a primeira carta de foral do soberano a 5 de junho de 1270, tendo o seu nome alterado de “Vale Viçoso” para “Vila Viçosa”. Esse diploma era bastante semelhante aos de Monsaraz, Estremoz e Santarém, atribuindo grandes regalias a Vila Viçosa. Datará dessa época o início da construção do castelo.

Dinis I de Portugal (1279-1325) deu início à cerca da vila por volta de 1290, estando em progresso as obras do castelo. Em virtude do casamento de seu filho, o infante D. Afonso (futuro Afonso IV de Portugal) com a infanta D. Beatriz (ou Brites), filha de Fernando IV de Castela, o soberano doou os domínios de Vila Viçosa e mais 3.000 libras, como dote, à noiva. À época, sendo seu alcaide Soeiro Pires, acredita-se estivesse concluída a cerca da vila, rasgada por 3 portas, flanqueadas por cubelos: a do Sol (ou da Traição), a de Estremoz e a de Évora.

Fernando I de Portugal (1367-1383) doou o castelo e a respectiva alcaidaria a Gonçalo Pires de Azambuja (15 de março de 1370). Pouco mais tarde, doou Vila Viçosa a sua esposa, D. Leonor Teles de Meneses (1372), vindo a restituí-la à Coroa e compensando D. Leonor com a doação de Vila Real de Trás-os-Montes. Neste período, a exemplo do que fez em diversos castelos do reino, procedeu importantes melhoramentos na fortificação de Vila Viçosa, sendo comum afirmar-se que mandou abrir a nordeste a porta de Elvas, entre dois cubelos de planta quadrangular, construir um outro a norte e dois outros flanqueando os da porta de Estremoz. No entanto, esses cubelos quadrangulares são nitidamente anteriores aos ultra-semicirculares. Afirma-se ainda que D. Fernando mandou abrir a sudoeste da cerca a Porta da Torre que, de acordo com Túlio Espanca, foi executada por um pedreiro de nome Machado.

No contexto da 3.ª Guerra Fernandina (1381-1382), iniciando-se o conflito a 7 de junho de 1381, Vila Viçosa tornou-se o quartel-general das operações. A 8 junho de 1381 fez-se mercê do castelo a Vasco Porcalho, Comendador-mor de Avis.

No contexto da Crise de Sucessão de 1383-1385, o castelo, ainda que nas mãos de um partidário de D. Leonor Teles, tomou o partido do Mestre de Avis (outubro de 1383) e, em dezembro, quando da sua aclamação em Lisboa como "Defensor e Regedor do Reino”, encontrava-se na posse de Garcia Pires de Campo, cavaleiro da Ordem de Avis. A 22 de abril de 1384, o Mestre de Avis voltou a doar a tenência do castelo, rendas e direitos da vila para sustento dos que serviam na guerra, a Vasco Porcalho. Entretanto, Álvaro Gonçalves e Pedro Rodrigues, alcaide-mor do Castelo do Alandroal, desconfiaram que Porcalho se tivesse passado para o lado de Castela, levando a que Porcalho abandonasse a praça. O Mestre de Avis devolveu-lhe o governo da praça, de que tomou posse, exceto da torre de menagem, que ficou na posse de Álvaro Gonçalves. Porcalho acabou, no entanto, por tomar efetivamente o partido de Castela. Ainda em 1384, quando Nuno Álvares Pereira tentou tomar posse do castelo, os homens de Porcalho, ao atirarem pedras pelo matacão da ponte entre a cerca e a torre albarrã, mataram Fernão Pereira, seu irmão, e o seu escudeiro, Vicente Esteves. Após a vitória portuguesa na batalha de Aljubarrota (1385), Porcalho abandonou o castelo e o país, evadindo-se para Cáceres.

Os domínios de Vila Viçosa integraram a vasta doação feita por João I de Portugal (1385-1433) ao Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira, em recompensa pelos serviços prestados. Entre 1385 e 1390, ano da morte de D. João de Castela, o Condestável dedicou-se a realizar incursões contra a fronteira de Castela, com o objetivo de manter a pressão militar e dissuadir o país vizinho de novos ataques. Nesse contexto, em 7 de julho de 1389 Gonçalo Vasques de Azevedo, fronteiro-mor de Entre o Tejo e Guadiana, reuniu em Vila Viçosa todos os capitães, alcaides e fronteiros menores da província, devido à iminência de invasão pelos castelhanos.

A guerra com Castela terminou em 1400, vindo um tratado de aliança e de paz a ser celebrado com aquele reino a 31 de outubro de 1411, por cujos termos Castela reconhecia, sem quaisquer reservas, D. João I como rei de Portugal.

Os domínios do Condestável passariam por doação do mesmo ao seu neto, D. Fernando I, conde de Arraiolos (4 de abril de 1422), posteriormente elevado a marquês de Vila Viçosa. Em dezembro de 1461 - por morte de seu pai no Castelo de Chaves -, D. Fernando herdou o título de 2.º duque de Bragança. Estando habituado às planícies alentejanas, não quis instalar-se no Paço de Guimarães, passando a residir na alcáçova do Castelo de Vila Viçosa, elevando a vila à categoria de sede do ducado de Bragança.

O seu filho, D. Fernando II, 3.º duque de Bragança, recebeu a doação de Vila Viçosa em 1476, sendo lavrada, no Paço do Castelo, uma escritura de doação a favor do mesmo (22 de março de 1478). O duque, acusado de traição por João II de Portugal (1481-1495), foi degolado em Évora (1483), tendo a família se refugiado em Castela, e os seus bens, em que se incluía o Castelo de Vila Viçosa, revertido para o património da Coroa.

Manuel I de Portugal (1495-1521) faz doação de Vila Viçosa a D. Jaime I, 4.º duque de Bragança (1483-1532) a 21 de junho de 1496, vindo a declarar nulos os efeitos do processo criminal do falecido duque D. Fernando II (1500). D. Jaime, entretanto, não quis residir no Paço do Castelo, ligado à trágica memória do pai e, estando tratado o seu casamento com D. Leonor de Guzmán, filha do duque de Medina-Sidonia, fez construir, a partir de 1501, o atual Paço Ducal e terreiro, no sítio do Reguengo, onde passou a residir desde o seu matrimónio, no ano seguinte. As dependências do castelo passaram então a ser utilizadas como arquivo e depósito de valores.

Vila Viçosa recebeu o “Foral Novo” de D. Manuel I em 1512. Entre 1515 e 1520 terá tido lugar a construção de um forte no exterior da vila, no outeiro de São Bento.

Ainda por iniciativa de D. Jaime I, teve lugar uma campanha de modernização do antigo castelo, adaptando-o à artilharia, cujos detalhes continuam por averiguar e datar. De acordo com Túlio Espanca, D. Jaime teria iniciado os trabalhos por volta de 1520, o que exigira a demolição de casas no interior da muralha medieval e parte do castelo e da cerca velha, entre as Portas de Évora e as do Sol, e atribui o traçado aos arquitetos Diogo e/ou Francisco Arruda, que haviam trabalhado no Norte de África, nomeadamente em Azamor. De acordo com o padre Joaquim Espanca, D. Jaime teria mandado reformá-lo depois de regressar da conquista de Azamor (1513), mudando-lhe a porta principal de sudeste para nordeste, formando-lhe de novo as torres nos ângulos noroeste e sueste e D. Teodósio I, 5.º duque de Bragança, teria ainda introduzido melhorias, criando a Sala das Armas.

No castelo, procedeu-se ao reforço das canhoneiras. Quando da visita de João III de Portugal (1521-1557) ao casamento do Infante D. Duarte com D. Isabel de Bragança, filha de D. Jaime, em maio de 1537, o castelo já estava artilhado.

Desse modo, o antigo castelo foi transformado numa fortificação de gosto e influência italianos, semelhante ao cenográfico Paço-castelo de Évora Monte, tendo as obras se prolongado até 1537, transformando a torre de menagem gótica numa estrutura singular, de planta quadrangular, reforçada nos ângulos por torres cilíndricas.

D. Jaime mandou ainda construir uma nova cerca, envolvendo a antiga e incorporando o Paço Novo e os principais mosteiros da vila. À data da sua morte, em 1532, a construção da cerca estava atrasada, vindo a ser concluída, posteriormente, por D. Teodósio I.

No contexto da Crise de Sucessão de 1580, registou-se a rendição do castelo, por meio de suborno, ao general D. Sancho de Ávila (21 de junho de 1580).

Da Dinastia Filipina ao final do século XVII

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) Vila Viçosa era sede da maior corte ducal da península Ibérica.

Data do primeiro terço do século XVII a provável construção da capela de Nossa Senhora dos Remédios, sob a ponte da torre albarrã, graças ao patrocínio do duque D. Teodósio II, 7.º duque de Bragança (1583-1630), da casa do sacristão ou tesoureiro da mesma e do Arco dos Remédios entre a capela e a cadeia. A capela destinava-se a ministrar a missa aos detidos na cadeia, integrada nos antigos Paços do Concelho. Por volta de 1618 foram levantados o campanário do sino do concelho e o da capela de Nossa Senhora dos Remédios sobre a torre albarrã.

Em 1640, um grupo de conspiradores convenceu João II, duque de Bragança, a aceitar o trono de Portugal, tornando-se, a 1 de dezembro de 1640, João IV de Portugal (1640-1656), dando início à Dinastia de Bragança. A partir dessa data Vila Viçosa perdeu importância e tornou-se residência real de férias. A maioria dos objetos de luxo, da armaria e tapeçaria que se guardavam no castelo foi transferida para o Paço da Ribeira, em Lisboa, permanecendo em Vila Viçosa um almoxarife que velava pela sala das armas e armazém dos duques.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) também esta praça alentejana será objeto de modernização. Logo em 19 de abril de 1641 foi estabelecido um imposto de um real sobre a água municipal, receita a aplicar para a abertura de trincheiras e construção de parapeitos nos pontos fracos da vila, e em torno do castelo velho e novo. Pouco depois, a 19 de agosto do mesmo ano, a pedido do capitão-mor Jerónimo Correia, mandou-se pôr fechos nas portas das trincheiras, reparar as ruínas dos muros da vila, derrubar o açougue e as outras casas junto à cerca antiga na distância de 30 pés, desfazer as paredes dos forrageais do chão da Ordem de Avis até aos Pelames, terraplanar as estradas e consertar o postigo da Porta do Sol. Essas medidas foram complementadas pela decisão, a 25 de setembro de se fazer estacadas nas bocas das ruas e tapar as portas dos quintais nos extremos da vila.

No ano seguinte (1642), o general de artilharia Rui Correia Lucas, acompanhado pelos engenheiros militares Joannes Cieremans (Cosmander) e Jean Gillot, vistoriaram as fortificações da raia para determinar as obras mais urgentes a fazer. A Câmara Municipal incumbiu Domingos do Rego de mandar tapar as portas que davam para o campo, a Luís de Matos de derrubar as casas junto ao muro do castelo e reformar o mesmo, a António Mendes Gastão de refazer as trincheiras e paredes caídas e a João Rodrigues da Costa de mandar fazer as estacadas de madeira para as bocas das ruas. A 5 de março, procedeu-se o acrescento do real de água voluntário, impondo-se também dois réis no arrátel de peixe vendido a miúdo para se adiantarem as obras de fortificação. Ainda nesse ano, a 25 de setembro, a Câmara deliberou eleger 2 superintendentes para impulsionarem as obras de fortificação e 1 escrivão para escriturar as respectivas despesas. O número de superintendentes para as obras das trincheiras seria reduzido para apenas um no ano seguinte (1643), a 14 de fevereiro. A 24 de outubro desse mesmo ano, D. João IV, em visita a Vila Viçosa, determinou o aceleramento das obras, encarregando da direção das cortinas e meias-luas a D. António Ortiz e a Cieremans (Cosmander). Nesse mesmo ano (1643), as obras da Capela do Santíssimo e da sacristia geral da Igreja Matriz estiveram embargadas, uma vez que tal ampliação interceptava uma rua que partia do postigo da Porta do Sol.

As obras de modernização e reforço da defesa prosseguem em 1644. Em fevereiro erguem-se as fortificações da Carreira das Nogueiras (no valor de 10$000 réis). A 10 de setembro vota-se tirar 80$000 réis dos vinténs do depósito para pagar as guaritas e outras despesas urgentes nas fortificações, onde as tropas deviam passar o Inverno e, a 16 do mesmo mês e ano o procurador do concelho, João Rodrigues da Costa, requereu ao capitão-mor que mandasse demolir todas as casas encostadas à cerca, desde a torre do relógio de “homenagem” ou do sino, até ao sino da Câmara ou de Correr, assim como as do açougue do peixe até ao pequeno terreiro. A 30 de setembro de 1644 foram eleitos 2 meirinhos para alojarem os mais de 2.000 homens que vinham para a praça de guerra.

Um ano mais tarde, a 12 de setembro de 1645, Lourenço Alves Torres passou a superintendente das obras de fortificação de Vila Viçosa.

Dois anos mais tarde, a 3 de agosto de 1647, o Governador das Armas da Província e exército de Alentejo, Martim Afonso de Melo, conde de São Lourenço, mandou gastar 50$000 réis do real de água voluntário nas fortificações da vila. Logo depois, a 7 do mesmo mês e ano, Mateus Serradas foi eleito superintendente das fortificações da vila, em substituição a Vicente de Matos; decidiu-se ainda que o jornal dos pedreiros fosse $160 réis.

No ano seguinte (1648) Vicente de Matos foi novamente escolhido para superintendente das obras (fevereiro), época em que já estava fechado o postigo da Porta do Sol.

Data de 13 de julho de 1658 o termo de entrega de 50$000 reis, do primeiro real de água pago pelo povo para consertar as portas das trincheiras.

Por volta de 1661 Nicolau de Langres faz um estudo da fortificação de Vila Viçosa. No ano seguinte (1662), a vila passou a passou a fronteira militar com a Espanha, levando o Governador das Armas, D. António Luís de Meneses, 1.º marquês de Marialva, a mandar adiantar as obras exteriores da vila, projetadas pelo general conde de Schömberg, que lhe ampliou o polígono exterior da estrela abaluartada; pouco depois, D. Rodrigo de Castro, conde de Mesquitela, substituiu o marquês de Marialva e dirigiu ofício ao Conselho de Guerra, censurando a má delineação das obras.

Entre 1663 e 1665 tiveram lugar trabalhos complementares para reforço da defesa das portas e torres da cerca, redentes em meia-lua para os entrincheiramentos, melhoria das escarpas e contraescarpas, estradas cobertas, assim como a demolição do Forte de São Bento, no outeiro de mesmo nome, por determinação do general Friedrich Hermann, conde de Schömberg, por ser julgado nocivo à defesa da praça, caso o inimigo o tomasse. As obras de ampliação do castelo prosseguiram com a construção de uma segunda estrela abaluartada.

A 9 de junho de 1665 iniciou-se o assédio espanhol, sob o comando de Luis de Benavides Carrillo, 3.º marquês de Caracena. Diante do fogo da artilharia espanhola, a 15 de junho registou-se a abertura de uma brecha no ângulo oeste da cerca, junto ao poço do Concelho, assim como a demolição da torre do relógio e do arco dos Remédios, a derrocada de uma das torres da Porta de Évora, tendo sido atingido o sino do campanário da Câmara. As forças espanholas penetraram na vila, barricando-se na Igreja Matriz, mas acabariam sendo derrotadas pelas forças portuguesas sob o comando do marquês de Marialva na batalha de Montes Claros (17 de junho de 1665).

Diante dos danos sofridos em Vila Viçosa, foi necessário proceder-se a obras de reparação que se estenderam pelo último terço do século, até ao início do século XVIII.

A 26 de abril de 1666 reuniram-se a Câmara e os nobres da vila para resolver a perda do relógio da torre. Para conseguir reconstruir o relógio, acordou-se pedir autorização ao soberano para a Câmara vender um recanto da coutada do Pinhal e outro junto à tapada de Estêvão Mendes em Vale da Rabaça. No mesmo ano foi feito um ajuste com Francisco Pinheiro para a fundição dos sinos do concelho (o do relógio e o de correr), que juntos deviam pesar 120 arrobas, obrigando-se a Câmara a dar o bronze dos sinos e mais 12 arrobas para as quebras, e 100$000 reis. Para assegurar o bronze necessário, a 29 de dezembro de 1666 a Câmara mandou revolver os entulhos da torre do relógio, para extrair mais bocados do sino velho.

No ano seguinte (1667) procedeu-se a reconstrução do campanário do concelho sobre a torre albarrã, e por documento de 2 de janeiro de 1668 temos conhecimento de que o serralheiro Salvador Gomes fez o engenho do relógio, que passou a chamar-se de Caracena, por 80$000 reis, e Francisco Pinheiro fundiu o sino da Câmara ou de correr.

A assinatura do Tratado de Lisboa (13 de fevereiro de 1668) colocou fim ao conflito. No mesmo ano, uma postura municipal datada de 16 de maio, passou a punir, com pena de 6$000 reis, a quem arrancasse as estacas da estacada ou retirasse pedra das fortificações.

Quando da viagem do futuro Cosme III de Medici a Portugal, o castelo foi registado em desenho pelo seu camareiro, Pier Maria Baldi (1669). Nesse mesmo ano, em abril, registaram-se dissensões entre a Câmara e o então Governador da praça, António Tavares de Pina, por causa do levantamento das estacas estragadas pelo temporal e que serviam de empecilho ao povo. A Câmara havia combinado com o Governador repartir as estacas pelos moradores da vila, que ficavam obrigados, juntamente com os seus herdeiros, a apresentá-las caso voltassem a ser necessárias, mas depois o Governador mandou vendê-las a $350 réis a carretada. Ainda nesse ano, a 6 de novembro concedeu-se licença a Manuel do Freixo para tirar da “barbacã” do terreiro de D. João um pouco de pedra solta para tapar o seu quintal que ficava junto à mesma, com a condição de a repor sendo precisa.

Entre 1670 e 1671, por carta régia, foi restabelecido o real da água para se empregar o seu rendimento na reparação da fortificação.

Data de 27 de janeiro de 1673 o termo de entrega do relógio da torre a Gabriel Simões, aferidor do concelho, o qual também foi encarregue do badalo do sino antigo do mesmo relógio. Posteriormente, a 31 de março de 1677, teve lugar a arrematação da obra do conserto do relógio por Salvador Gomes, por 2$000 reis A 17 de abril do mesmo ano (1677) obrigou-se Fiel Gabriel Simões, relojoeiro, a consertar o relógio por sua conta durante 6 anos, dando-lhe a Câmara só as cordas e o ordenado.

De acordo com CADORNEGA, por volta de 1683 a cerca da vila velha era rasgada por 5 portas: a da torre, junto à qual existia a capela com abóbada de Nossa Senhora dos Remédios; a do sino de correr; a porta do sol, que dava para o convento de Nossa Senhora da Esperança;  a do postigo; e a do curral. No seu interior ficava o castelo, semelhante ao de Milão, com cava ou fosso e barbacã com uma porta; a porta do castelo, acedida por ponte fixa, era chapeada a ferro, seguida de uma outra porta, existindo entre ambas um "forte rastilho" por entre a muralha, seguindo depois uma terceira porta; havia ainda um postigo à direita, tendo vão superior por onde se deitavam "artifícios de fogo"; à ilharga havia uma grande boca-de-fogo; aí havia um vão grande com janelas e troneiras; seguia-se uma outra porta que acedia ao pátio do castelo; na ala direita deste dispunham-se, nos baixos, os armazéns de vinho e azeite e nos altos a morada de quem assistia no castelo, com mulher e família, pessoa nobre e cavaleiro da Ordem de Cristo, possuindo no interior muitas "cabras da Índia" servindo de tapetes e panos lavrados para o serviço no paço; a ala fronteira à porta do pátio servia, no piso térreo, de guarda a grande quantidade de "pelotaria dos calibres de artelharia", munições de mosquete, arcabuzes e pistolas e, no piso superior, às tapeçarias e ricas armações do palácio, em veludos e damascos, com franjas de seda e ouro de diversas cores, cadeiras do mesmo material e muitos outros paramentos e ornatos, que iam para o paço em carroças. As salas dispostas na ala esquerda serviam de celeiros e no piso térreo havia muitas talhas com vinho e azeite. A ala que fechava a quadra tinha nas salas do piso térreo armazéns com picaria sobre postes pequenos e vigas; as salas do segundo piso tinham armações com todo tipo de armas de fogo, espadas e "traçadas"; tinha 2 carreiras de colunas ou postes cobertos de armas brancas, peitos e espaldas, morrões e capacetes, manoplas e saias de malha, e entre as colunas um cavaleiro armado sobre madeira, com rodas. Seis armeiros cuidavam continuamente destas armas sob a orientação do Marquês Brás Soares de Sousa. Todos os armazéns tinham janelas gradeadas viradas à quadra. No pátio havia muitas peças de artilharia e um vão abobadado com escada por onde se subia ao alto do castelo, onde havia 4 salas e quartéis de soldados. Numa estava a pólvora e noutra a mesma era fabricada. Por cima de tudo corriam as plataformas e ameias da artilharia com os seus "4 cubelos". O fosso tinha nos 4 cantos umas lapas que entravam no castelo e que ligavam à cisterna, cujo sistema permitia esvaziar toda a cisterna no fosso. (CADORNEGA, António de Oliveira. “Descrição de Vila Viçosa”.)

O século XVIII

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), entre 1710 e 1711 a guarnição do castelo, sob o comando de Jerónimo Rogado de Carvalhal, travou algumas escaramuças com os espanhóis. A paz foi celebrada com a Espanha a 18 de agosto de 1715.

Posteriormente, a 18 de maio de 1703, a Câmara decidiu mudar o relógio do concelho para uma das torres do Colégio, nele se devendo por uma inscrição que declarasse ser da Câmara. Em 27 de janeiro de 1712 Manuel Correia responsabilizava-se a dar 60$000 réis para a obra de reconstrução da torre do relógio e o que fosse necessário para o pleno conserto do relógio.

Durante os festejos de Nossa Senhora da Conceição em 1735 partiu-se o sino do Campanário da Câmara. Foi refundido no mesmo ano pelos fundidores António de Solano Rivas (espanhol) e Pedro de Azevedo Marques. Datará desse momento a provável transferência do sino das Portas de Évora para o campanário da Torre da Porta de Nossa Senhora dos Remédios.

Em 1755 os engenheiros militares Miguel Luís Jacob e Luís Afonso Cabral Godinho foram encarregados de inspecionar e levantar as plantas de várias fortalezas fronteiriças do Alentejo, incluindo a de Vila Viçosa. No ano seguinte (1756) procedeu-se à construção do paiol na face oeste do castelo, junto à rampa que ligava ao adarve, pelo engenheiro Luís Afonso Cabral Godinho, segundo os métodos preconizados pelo engenheiro hispano-francês Bernard Forest de Bélidor (1698-1761).

A Relação do Estado dos Instrumentos Militares, datada de 6 Agosto de 1762, indicava que a estacada à roda do castelo encontrava-se totalmente arruinada, permitindo a entrada de quem quisesse; que no muro antigo da porta dos Remédios, muitas das escadas e caminho de ronda estavam incapazes e o parapeito estava em parte derrubado; que a trincheira à volta da vila estava derrubada pelo temporal e pelos moradores que a usavam para saírem para fora, havendo necessidade de consertá-la para não devassar a vila; que as grades que serviam em vários buracos por onde entrava a água não apareciam e eram muito necessárias; e que as quatro portas da vila precisavam de poucos consertos e estavam capazes de servir.

Em 1777 a Casa de Bragança mandou demolir o troço da cerca nova no rossio de São Paulo, para aproveitar os materiais na ampliação do Paço Ducal.

Ainda no século XVIII procedeu-se a substituição da ponte levadiça da porta principal por uma de alvenaria, sobre abóbada.

O século XIX

No contexto da chamada Guerra das Laranjas, em maio de 1801 uma brigada espanhola invadiu e saqueou o castelo. No mesmo ano, o Ministério da Guerra considerou a cidadela como praça desmobilizável, determinando-se a recolha da sua artilharia a Campo Maior.

No ano seguinte (1802) o Príncipe Regente D. João determinou o início do restauro dos quartéis altos para aquartelamento do Regimento de Infantaria de Olivença (posteriormente Regimento de Infantaria n.º 15), tendo a população contribuído com vários contos de reis. Em 1803 o Governo decidiu que o 2.º Regimento de Infantaria de Olivença fosse para Vila Viçosa.

De janeiro a abril de 1806 registou-se a mudança temporária do quartel-general do governo militar da Província, com sede em Elvas, para prestar honras militares à corte de Maria I de Portugal (1777-1816) que durante este período se instalou na vila. Na ocasião, por ordem do Príncipe Regente, foram trazidos para a vila 3 canhões, dois de bronze e um de ferro, dos calibres 8 e 24, para dar salvas em momentos solenes. No mesmo ano teve lugar a demolição da porta de Santa Luzia da cerca nova e a sua substituição por uma entrada com paredes laterais coroadas por pináculos piramidais de mármore.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) o castelo foi saqueado (1808). Findo o conflito aqui foi aquartelado o Regimento de Cavalaria de Moura, posteriormente Regimento de Cavalaria n.º 2 (1815).

Uma informação datada de 17 de fevereiro de 1816, deu conta de que no dia 10 de fevereiro daquele ano a cortina "do mais alto" para o fosso, do lado do Convento da Esperança, "se agaxou no cumprimento de 30 varas e em altura de 17 varas", não se podendo perceber maiores danos devido ao entulho.

De 1821 a 1827 a Casa de Bragança empreendeu obras e consertos no castelo.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), o castelo recebeu um grupo de presos políticos liberais (21 de fevereiro de 1829). Posteriormente uma informação de 1831 deu conta de que era necessário consertar as torres que flanqueavam a cidadela, o seu lajeado achava-se muito arruinado e as águas repassavam as abóbadas. No ano seguinte (1832), por receio de um ataque de José das Vacas contra os liberais ali detidos, o governador do castelo ordenou a demolição da ponte de alvenaria de acesso à Porta de Armas e a construção de outra, de madeira. Esses prisioneiros foram transferidos para a Praça-forte de Estremoz por questões de segurança e ali viriam a ser chacinados (27 de julho de 1833).

Em 1834, a fortificação passou a aquartelar o destacamento de Cavalaria n.º 4 e o de Lanceiros I; em 1836 instalou-se o Batalhão de Infantaria n.º 3.

A Memória Descritiva com planta e alçado da ponte de alvenaria de acesso ao castelo artilheiro que se precisava renovar, sobre o fosso, com um arco de 23 palmos, assinada pelo capitão Engenheiro de Elvas José Maria da Silva Carvalho, datada de 25 de outubro de 1843, informa que no local da antiga ponte, existia no fosso um aterro com a altura de 2 palmos, proveniente da demolição da mesma, o qual era preciso então remover e aproveitar para a nova construção.

De acordo com o padre Joaquim Espanca, por volta de 1845, a cerca velha tinha apenas 3 portas: a de Estremoz, a noroeste, a do Sol, Olivença ou Traição, a leste, e a de Évora a sudoeste; o parapeito antigo subsistia em muitos pontos, noutros estava refeito ao moderno e noutros estava raso ou quase ao adarve; não existia nenhuma ameia nem uma das torres da porta de Évora. Na cerca nova, de alvenaria, com 5m de altura e 1m de espessura e guaritas nos cunhais, abriram-se 4 novas portas: a do Nó, a de Santa Luzia, a de São Sebastião e a da Esperança, a primeira deslocada e as outras já desaparecidas. Tinha então o seguinte traçado: a noroeste, em frente de Borba, ficava a Porta do Nó, talvez então chamada de Santo Agostinho; a muralha seguia para nordeste, abrangendo a cerca dos Gracianos e os quintais de várias casas, até ao extremo da rua Carreira das Nogueiras "onde se tolerava um boqueirão em tempo de paz chamado Boqueirão do Corregedor para comunicação com as hortas do ribeiro do Beiçudo e o rossio do Outeiro do Bicalho”, onde ficava a porta de São Francisco. Depois, ligava-se à cerca antiga e à estrela, voltando a aparecer a leste, onde ficava a Porta da Esperança, de arco bastante elevado, sem cantarias, encimada por pequena abóbada, formando uma varanda, com face frontal decorada por duas grosseiras pirâmides de alvenaria laterais. Esta porta dava saída para as hortas do ribeiro do Rossio de São Paulo, Outeiro do Ficalho, Elvas, etc. A muralha prosseguia então para sul, por entre os quintais do Convento da Esperança e horta da mesma, e depois ao longo dos quintais do baixo Rossio, onde em 1849 existiam muitos lanços da muralha. A sul da aldeia, ficava a Porta de São Sebastião, seguindo a muralha para oeste; depois entrava na cerca do Convento de São Paulo e, na esquina do convento, onde começava a estrada moderna para o Alandroal, separava-se o Rossio do Carrascal, estendendo-se o muro para noroeste, em direcção à rua de Fora, depois a um lagar de azeite e continuava pelos quintais da "faceira do poente da R. de Frei Manuel". A muralha atravessava depois o Colégio dos Jesuítas, junto ao qual ficava a Porta de Santa Luzia, semelhante à da Esperança, cuja casa da guarda foi absorvida na construção do Colégio. Os muros continuavam atravessando o casario e os quintais a oeste da rua de Santa Luzia até à rua das Cortes, onde em tempo de paz estava aberto o boqueirão, conhecido como Boqueirão de Luís Jorge. Dali prosseguia pela horta do Convento das Chagas, Reguengo, Palácio Real e Ilha, até se ligar à Porta do Nó. (ESPANCA, Joaquim. “Memórias de Vila Viçosa”)

De 1848 a 1875 a fortificação aquartelou o Regimento de Cavalaria n.º 3.

Em meados do século XIX registou-se o desmoronamento parcial do ângulo meridional e da fachada oeste, tendo sido procedido pelo Ministério da Guerra o restauro do ângulo meridional e de parte da fachada oeste do paço acastelado.

O castelo retornou às mãos da Casa de Bragança em 1852, e data de 1855 um ofício do administrador-geral da Casa de Bragança responsabilizando os seus empregados na vila por uma tentativa de roubo do castelo; o mesmo passou a ser policiado e conservado por um guarda; nesse mesmo ano o administrador-geral concedeu licença para ali se instalar, como caserneiro, o alvaneu António Maria Frausto, cujos descendentes ali viveram muitos anos.

Noutra informação, datada de 7 de junho de 1856, o engenheiro militar Frederico Perry Vidal informou o administrador-geral que algumas guaritas estavam caídas, duas obras avançadas tinham sido demolidas pela Câmara, e que os fossos, parte da esplanada e os intervalos da fortificação estavam cultivados, propondo um plano para salvar o castelo da ruína.

A casa da guarda da Porta de São Sebastião da cerca nova, aquando da inauguração da estrada municipal de São Romão foi demolida (1868).

Em 1882 têm lugar grandes obras de recuperação nos telhados dos quartéis, a expensas do Estado, e para benefício do Batalhão de Caçadores n.º 5.

Posteriormente, em 1885 procedeu-se a substituição da ponte de acesso à Porta de Armas por outra, de alvenaria. No ano seguinte (1886) a construção do cemitério junto à Igreja Matriz sacrificou a Porta de Elvas ou do Postigo.

No último terço do século XIX teve lugar a construção do resto do terceiro piso à volta do pátio do castelo, para aquartelamento das unidades militares que ocupavam a cidadela, enquanto Pedro V de Portugal (1853-1861), Luís I de Portugal (1861-1889) e Carlos I de Portugal (1889-1908) permaneciam na vila.

Ainda no século XIX procedeu-se a abertura do postigo a nordeste do castelo, para serventia da cozinha.

Do século XX aos nossos dias

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 249, de 25 de outubro de 1960. A ZEP Conjunta foi definida pela Portaria n.º 527/2011, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 88, de 6 de maio de 2011.

Propriedade da Fundação da Casa de Bragança, o castelo sofreu intervenções de consolidação e restauro a partir da década de 1930 por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e da própria Fundação.

Em 1933 as três dependências que outrora eram cedidas para casernas do destacamento de Infantaria estavam desocupadas; a Comissão de Iniciativa e Turismo de Vila Viçosa solicitou à DGEMN autorização para demolir a pequena torre sineira de alvenaria e cúpula piramidal, na capela de Nossa Senhora dos Remédios, e preencher um buraco aberto na muralha do castelo.

Mais tarde, em 1940 procedeu-se ao apeamento da ponte de alvenaria de acesso à Porta de Armas.

Em 1942 o Ministro das Obras Públicas determina à Câmara Municipal que exproprie um terreno com oliveiras junto às muralhas, a fim de o desafrontar e servir de logradouro público. Em 1943 foram adquiridas duas parcelas de terreno e procedeu-se à demolição e regularização de casebres, e construção de muros para formação de zona de proteção do castelo. Considerava-se ainda conveniente a aquisição de outros terrenos entre a nova avenida em construção, cerca e castelo, para servirem de alameda pública, cujo projeto era assinado pelo Engenheiro Duarte Pacheco.

Em 1946 Abel Viana, professor e inspetor do Ensino Básico e colaborador do Museu Regional de Beja, escreveu ao Presidente do Conselho Administrativo da Fundação da Casa de Bragança, solicitando colaboração para a salvaguarda dos materiais recolhidos. Desse modo, na década de 1950 a Fundação criou, no piso térreo, um Museu, fazendo parte do conjunto museológico designado Museu-Biblioteca da Casa de Bragança em Vila Viçosa. As primeiras peças que deram entrada no seu espólio foram entregues por António Dias de Deus, recolhidas nas primeiras explorações científicas efetuadas na região de Elvas. Ainda na mesma década, procedeu-se à adaptação da sala do andar nobre do corpo oeste do castelo a sala de recepções de convidados da Fundação da Casa de Bragança.

Uma carta da DGEMN datada de 28 de janeiro de 1953 confirmava que o paço acastelado tinha possibilidade de ser adaptado a pousada, conforme havia sido inquirido pelo Senhor Ministro José Frederico Ulrich. Na sequência, um despacho do Ministro determinou a elaboração de um anteprojeto esquemático (16 de fevereiro de 1953). Um novo despacho do Ministro (25 de novembro) informou ficar sem efeito o despacho anterior, até contraordem.

Na década de 1960 teve lugar a reinstalação do conjunto museológico no piso térreo. Na ocasião foi ainda renovado e museograficamente adaptado aos espaços monumentais em que se insere.

A população, em 1977, entregou na Câmara Municipal um abaixo-assinado solicitando a reabertura da entrada do castelo junto à torre albarrã, através de um "arco" que ali existia antes das obras de restauro, e que fora entaipada por ser estreita e seguida de degraus, impossibilitando o acesso de veículos. Em resposta, a DGEMN considerou que não se deveria reconstruir a porta, uma vez que já na época das obras de restauro os responsáveis entenderam que deveria ser tapada por prejudicar o conjunto e ainda porque havia uma outra porta com acesso automóvel a oeste.

O Museu do castelo foi reaberto em 1 de maio de 1999.

Atualmente encontram-se instalados no conjunto o Museu da Caça, onde se encontra a coleção privada de Manuel Lopo Caroça de Carvalho, e o Museu de Arqueologia da Fundação.

Dentro do recinto amuralhado encontra-se a Igreja Matriz, santuário que alberga a imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Da primitiva fortificação resta ainda grande parte da cerca, rasgada por três portas defendidas harmonicamente por pares de torres cilíndricas, como foi usual no período gótico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, nos estilos gótico, quinhentista e seiscentista, de enquadramento urbano, isolado, coroando uma colina de c. de 400 m de altitude, sobranceiro à atual vila.

A fortificação é composta por três núcleos sobrepostos, de épocas diferentes:

− a cerca da vila gótica, de planta retangular sensivelmente irregular com o topo sudeste curvo, interrompido por castelo artilheiro quinhentista, de nítida influência italiana, de planta quadrada irregular com torres cilíndricas em ângulos opostos e pátio central retangular, envolvido por fosso e por uma fortificação de traçado tenalhado, reforçada parcialmente por uma cintura igualmente de traçado tenalhado. A cerca é rematada em parapeito ameado, de ameias de corpo estreito, quadrangulares, e abertas simples, rasgado regularmente por frestas retangulares, interiormente circundada por adarve, acedido por escadas estruturadas na espessura da muralha. É rasgada por cinco portas em arco quebrado, com aduelas de cantaria, assente em impostas salientes, três delas flanqueadas por cubelos ultra-semicirculares e uma, entaipada, por cubelos quadrangulares, mais altos que a muralha, a qual é ainda reforçada nos ângulos por maior espessura e altura, criando zonas torreadas; a quinta porta rasga-se junto a uma torre albarrã, de planta quadrangular, interligada à muralha por passadiço elevado, com parapeito ameado, acedida por portal de arco quebrado e interiormente coberta por abóbada.

− o castelo artilheiro tem as fachadas parcialmente rebocadas, com sapata, terminadas em parapeito de remate convexo com merlões, rasgadas perpendicularmente por pequenos vãos quadrangulares de tiro mergulhante, e canhoneiras. As torres cilíndricas são rasgadas por canhoneiras, gradeadas, em duas ou três ordens de tiro e as fachadas por vários vãos, alguns moldurados. Na fachada principal rasga-se portal em arco de volta perfeita, com aduelas dispostas em cunha e de aparelho rusticado, e postigo em arco de volta perfeita, de aduelas largas assentes nos pés direitos, ambos com porta de madeira chapeada e pregueada a ferro, inseridos em alfiz insculpido, encimados por sulcos verticais para recolher a vara de suporte das pontes levadiças, atualmente existente apenas no postigo, entrecortados por moldura convexa horizontal. Na fachada lateral esquerda abre-se um outro portal semelhante e, na posterior, um postigo mais simples. Interiormente, a muralha é rasgada em todo o seu perímetro por galeria abobadada a partir do vestíbulo, e as salas dos dois primeiros pisos são intercomunicantes, através de vãos de diferentes modinaturas, com molduras de cantaria, apresentando pavimento cerâmico ou em xisto e cobertas por abóbadas, algumas cerâmicas, de diferentes perfis. À volta do pátio central; as fachadas têm três pisos, rasgados regularmente por vãos rectilíneos, com molduras de mármore, os do andar nobre de peitoril, encimadas por cornija, e alguns arcos; no centro existe cisterna de duas naves e poço. De acordo com Túlio Espanca, a cisterna possui capacidade para armazenar 80 m3 de água, podendo ser abastecida em caso de necessidade pelo poço, com 16 metros de profundidade, ainda existente no princípio da rampa do paiol. Em seu interior foi erguida a igreja matriz, sede da primeira paróquia da vila, e que hoje é o Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, proclamada padroeira de Portugal em 1646.

− castelo é envolvido por fortificação de planta em estrela irregular, composto de sete tenalhas, desiguais, e com pequena cortina de interligação na fachada noroeste, de que subsiste cerca de dois terços. O reparo apresenta a escarpa exterior em talude, com cunhais de aparelho demarcado, na maioria sem vestígios do parapeito, conservando duas tenalhas guarita circular, em alvenaria de tijolo rebocada e coberta por cupulim, com a escarpa interior completamente coberta de vegetação, tendo ainda no flanco norte porta, em tijolo, de arco abatido, e túnel em abóbada cerâmica de berço abatido de acesso à fachada principal do castelo artilheiro. Uma segunda cortina de traçado tenalhado existe de sul até à cerca da vila, composta por três tenalhas interligadas, muito arruinadas.

De acordo com Túlio Espanca, na verga da porta da primeira dependência da ala leste do castelo artilheiro existia a inscrição: “ORTA. EST. VERITAS. DE. TERRA” e, na porta do paiol de pólvora a oeste, "SANCTUS DEUS + SANCTOS FORTIS + SANCTUS IMMORTALIS + MISERERE NOBIS +". Além destas, num silhar da ombreira da porta oeste são visíveis vestígios de linhas auxiliares com a leitura “A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES DE 1940”.



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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Vila Viçosa


  • Castle




  • Afonso III of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 249, de 25 de outubro de 1960. A ZEP Conjunta foi definida pela Portaria n.º 527/2011, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 88, de 6 de maio de 2011.





  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Vila Viçosa



  • Lat: 38 -47' 13''N | Lon: 7 24' 55''W







  • Castelo da Fundação da Casa de Bragança



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