Montségur Castle

Montségur, Ariège - France

O “Castelo de Montségur” (em francês, “Château de Montségur“) localiza-se na comuna de Montségur, departamento do Ariège, na região de Midi-Pyrénées, no sudoeste da França.

Situa-se no cume da montanha (denominado em francês como "pog"), na cota de 1207 metros acima do nível do mar, em posição dominante sobre a vila. Em nossos dias é considerado um “castelo cátaro”.

O atual castelo, com efeito, implanta-se no local da antiga aldeia fortificada que, no contexto que conduziu à Cruzada Albigense (1209-1229), um local de resistência dos cátaros. As cotas arquiteturais demonstram que o atual castelo foi construído com base no emprego da antiga vara inglesa, medida que apenas foi introduzida posteriormente, o que indica que foi parcialmente reconstruído pela família do novo senhor destes domínios, o Marechal da Fé Guido II de Lévis, após a sujeição dos cátaros (16 de março de 1244), quando foi arrasado.

História

O sítio do atual castelo conheceu três grandes épocas construtivas.

Remonta a uma primitiva estrutura castrense no cume da montanha, denominada pelos arqueólogos como “Montségur I”, acerca da qual muito pouco se conhece, a não ser que já se encontrava em ruínas por volta de 1204, data em que foi fortificada sob a direção de Raymond de Péreille (“Montségur II”), senhor de Montségur.

Esse dispositivo defensivo era diferente daquele que observamos atualmente (“Montségur III”). Compreendia a residência fortificada do senhor dos domínios - o castelo (reconstruído, sem dúvida, pela casa de Lévis quando obteve a sua atual conformação) -, e a povoação cátara, envolvidos por uma cintura muralhada. Do lado da atual via de acesso, sobressaem três muros de defesa, onde o primeiro se situa ao nível do local onde hoje se adquirem as entradas para as visitas ao castelo. Em uma outra face do "pog", a cerca de oitocentos metros de distância, sobre a rocha de "La Tour”, ergue-se uma torre de vigia, dominando uma falésia de oitenta metros de altura. O acesso ao recinto sob esta torre é defendido por uma barbacã. No interior do recinto erguia-se uma povoação, da qual nada mais resta do que alguns terraços a Noroeste do atual castelo. Sobre estes últimos, encontram-se as fundações de muitas habitações, de escadas para comunicação entre os terraços, além de uma cisterna e de um silo.

No contexto da Cruzada Albigense (1209-1229) Montségur abrigava uma importante comunidade cátara. Após a derrota na batalha de Muret (13 de setembro de 1213), o bispo cátaro de Tolosa (Toulouse), Guilhabert de Castres, refugiou-se no castelo. O papel de Montségur como um refúgio de heréticos foi denunciado pelo Quarto Concílio de Latrão (1215), e reafirmado pelo Tratado de Meaux-Paris (1229). A partir de 1232 este papel fortaleceu-se. Paralelamente, o castelo acolheu igualmente os faiditas, que haviam perdido as suas terras pelo Tratado de 1229. Entre estes últimos destacaram-se os nomes de Pierre-Roger de Mirepoix, primo de Raymond de Péreille, que veio a ser comandante militar de Montségur. Os "faydit" ou "faiditas" eram senhores e cavaleiros do Languedoc que, acusados ou de heresia ou de acobertar a heresia, haviam sido privados de seus feudos, doados como recompensa aos participantes da Cruzada Albigense. Muitos deles opuseram forte resistência à ocupação da região pelas tropas do soberano francês.

O cerco a Montségur

Na primeira metade do século XIII, a fortificação de Montségur sofreu nada menos do que quatro assédios, dos quais apenas um logrou sucesso:

- 1212 - Guy de Montfort, irmão de Simón IV de Montfort tentou um primeiro assalto, sem sucesso;

- 1213 - Simón IV de Montfort repetiu a tentativa, também sem sucesso;

- Julho de 1241 - Raymond VII de Toulouse, sob as ordens de Luís IX de França iniciou um assédio que levantou sem mesmo tentar um assalto;

- 1243 – 1244 - Hugues des Arcis, senescal de Carcassonne, conduziu o último assédio, que culminou com a queda do reduto.

O quarto e último assédio foi desencadeado pelo massacre de alguns inquisidores em Avignonet (1242) por um grupo de cerca de 60 homens procedentes da guarnição de Montségur, encabeçados por Pierre-Roger de Mirepoix. O senescal de Carcassonne e o arcebispo de Narbona (Pierre Amiel) foram incumbidos da operação, por ordens de Branca de Castela e Luís IX. Desse modo, em maio de 1243, os cruzados, em número que ascendia a seis mil homens, cercaram Montségur.

O equilíbrio de forças durou até ao Natal de 1243, quando um punhado de homens logrou, após uma audaciosa escalada noturna, assenhorear-se da torre de vigia. A partir deste momento, um "trébuchet" foi içado e instalado no alto da torre, passando a atirar, sem descanso, sobre a posição cercada, conforme o testemunham as inúmeras bolas talhadas em pedra cortada encontradas no sítio. Cerca de um mês mais tarde, talvez após uma traição local, a barbacã caiu nas mãos dos assaltantes. Um último assalto, lançado em fevereiro foi rechaçado, mas deixando os defensores extremamente enfraquecidos.

A capitulação da praça

A 1 de março de 1244, Raymond de Péreille e Pierre-Roger de Mirepoix viram-se forçados a negociar a rendição da praça. Os vencedores concederam 15 dias de prazo aos vencidos para que abandonassem o castelo, nos seguintes termos:

- a vida dos nobres, soldados e mercenários da guarnição seria poupada;

- os "perfeitos" (elementos cátaros) que abjurassem a sua fé seriam poupados;

- os demais seriam sentenciados à morte na fogueira.

A 16 de março, a fortificação abriu as suas portas. No mesmo dia, todos os cátaros que não abjuraram da sua fé – 220 elementos –, pereceram na fogueira, entre eles a esposa, a filha e a sogra de Raymond de Péreille. Desses 220 indivíduos, podemos identificar alguns nomes:

- Arnaud de Bensa, sargento

- Arnaud des Casses, cavaleiro co-senhor de Casses (Aude)

- Arnaud Domergue, sargento

- Arnaud d'Orliac

- Arnaud Teuly de Limoux

- Arnaud-Raymond Gaut, cavaleiro de Sorèze

- Arsende e Pons Narbonna

- Azalaïs Raseire (ela foi conduzida a Bram, sua vila de origem, onde foi queimada)

- Bernard d'Auvezines

- Bernard de Saint Martin, cavaleiro

- Bernard Guilhem

- Bertrand Marti

- Braida de Montserver

- Brezilhac de Cailhavel, cavaleiro faidita

- Bruna de Lahille

- Bruna, esposa de Arnaud Domergue

- Clamens

- Ermengarde d'Ussat

- Esclarmonde de Péreille, filha de Raymond de Péreille

- Étienne Boutarra, sargento

- Étienne e Raymond’Isarn, irmãos oriundos de Casses

- Guillaume de Lahille, cavaleiro, irmão de Bruna

- Guillaume Dejean, diácono cátaro

- Guillaume Delpech de Fanjeau

-Guillaume d'Issus, cavaleiro de Montgaillard

- Guillaume Garnier, vaqueiro, depois sargento

- Guillaume Narbonna

- Guillaume Raseire, “perfeito” cátaro

- Guillaume Razoul, “perfeito” cátaro

- Guillelme Aicard

- Guillelme d'En-Marty, padeiro

- Guiraude de Caraman, castelão de Caraman

- India de Fanjeaux

- Jean de Combel

- Jean de Lagarde

- Jean Rey

- Limoux

- Marquesia Hunaud de Lanta, nobre do Lauragais (Corba Hunaud de Lantar, mãe de Esclarmonde de Péreille?)

- Martin Roland

- Maurine, “perfeito” cátaro

- Peronne, “perfeito” cátaro

- Pierre Arrau

- Pierre du Mas

- Pierre Robert, “perfeito” cátaro

- Pierre Robert, mercador de Mirepoix

- Pierre Sirven

- Pons Ais, moleiro oriundo de Moissac

- Pons Capelle

- Raymnond de Belvis, besteiro

- Raymond Agulher, diácono cátaro de Sabarthès depois bispo de Razès

- Raymond de Marceille, cavaleiro de Laurac

- Raymond de Niort

- Raymond de Saint Martin

- Raymond de Tounebouix

- Raymonde Barbe

- Raymonde de Cuq

- Rixende de Telle

- Rixende Donat

- Saissa du Congost

- Taparel, “perfeito” cátaro

- um fabricante de bolsas, citado como presente a 13 de março; deveria ser queimado a 16 de março.

A tradição sustenta que a fogueira foi montada a cerca de duzentos metros da povoação, no chamado "Prat dels Cremats" (campo dos queimados) onde uma estela contemporânea foi erigida pela Société du souvenir et des études cathares. Sobre esta última lê-se a inscrição: "Als cathars, als martirs del pur amor crestian. 16 mars 1244" (Aos cátaros, aos mártires do puro amor cristão. 16 de março de 1244). Entretanto, atualmente acredita-se que o verdadeiro local da fogueira esteja situado sobre a colina acima do moderno estacionamento, à direita do desfiladeiro, voltado sobre Montferrier.

O domínio da família de Lévis

Após a capitulação do castelo, os domínios do "pog" retornaram a Guido II de Lévis, Marechal da Fé, senhor de Mirepoix desde o Tratado de Meaux-Paris (1229). Os restos da aldeia cátara foram arrasados assim como o recinto fortificado externo. O castelo foi reconstruído e redimensionado para abrigar uma guarnição de cerca de 30 homens que ali se conservaram até à assinatura do Tratado dos Pirenéus (1659). Um documento de 1510 refere o estado do castelo como "defensável". Após o século XVII, perdida a sua função estratégica, caiu em abandono, mergulhando em ruínas.

A reabilitação do castelo

O castelo foi classificado pelo governo da França como Monumento Histórico em 1862 e o "pog", sobre o qual se situa, acrescentado a esta classificação em 1883. Os vestígios arqueológicos e as linhas de defesa foram classificadas em 1989.

Desde a segunda metade do século XIX o monumento não parou de inflamar a imaginação popular a tal ponto que muitos não hesitaram em escavar o "pog" a título pessoal, em busca de um tesouro supostamente ali oculto - o mítico “Tesouro dos Cátaros”.

A primeira intervenção de consolidação e restauro do castelo teve lugar em 1947 mas, se por um lado teve o mérito de sustar o processo de degradação do sítio, por outro apagou alguns testemunhos arqueológicos. Esta intervenção motivou uma prospeção espeleológica na montanha, promovida pela Société spéléologique de l'Ariège, que conduziu, em 1964, à exumação de uma sepultura no local denominado "aven du trébuchet".

Em 1968 foi fundado o Groupe de Recherche Archéologique de Montségur et Environs (GRAME), que desde então vem conduzindo várias campanhas de prospecção arqueológica no sítio.

As lendas de Montségur

Deve-se ao pesquisador do Ariège, Napoléon Peyrat, a partir de 1870, a redescoberta entusiástica de Montségur e, à inspiração de sua pena, a atmosfera romântica que desde então cerca o local, a tal ponto que ainda hoje é difícil, para um determinado público, admitir que o templo do Paráclito seja apenas um pequeno castelo francês reconstruído no século XIV.

O fenômeno solar em Montségur

A cada ano, no solstício de Inverno, o primeiro raio de sol no horizonte atravessa o castelo no sentido do seu comprimento, e o solstício de Verão, atravessa com precisão os quatro arcos da torre de menagem a Noroeste.

Certos autores veem neste fenômeno uma ligação entre o culto solar e a religião dos Cátaros.

O tesouro dos cátaros

Acredita-se que Montségur tenha abrigado o rico tesouro atribuído aos cátaros. Deste suposto tesouro, entretanto, não dispomos de muitos subsídios. Dois fatos alimentam as especulações em torno do mesmo:

- o primeiro é narrativa da fuga, a cavalo, do "perfeito" Mathieu e do diácono Bonnet, em torno do Natal de 1243, portando "ouro e prata e uma ínfima quantidade de moeda". Acredita-se que este tesouro tenha chegado a Cremona, na Itália, onde uma outra importante comunidade cátara viveu à época. Esta suposição é reforçada pela comprovada correspondência epistolar entre as duas comunidades.

- um segundo tesouro teria sido salvo durante a trégua de março de 1244, uma vez que é referido que quatro indivíduos evadiram-se de Montségur com um carregamento. Os historiadores conjeturam que este tesouro reuniria numerosos textos heréticos até então conservados pelos "perfeitos" na fortificação.

O graal pirenaico

Montségur foi considerado como sendo o castelo depositário do Santo Graal. Este teria se constituído em uma das peças do suposto tesouro dos Cátaros: o cálice no qual José de Arimateia teria recolhido o sangue de Jesus Cristo sobre o monte Gólgota para alguns, ou a esmeralda caída da coroa de Lúcifer quando da queda dos Anjos, para outros. O alemão Otto Rahn foi o artífice deste mito, que lhe foi inspirado por um erudito de Ussat-les-Bains, Antonin Gadal.

Otto Rahn havia estudado a história dos cátaros e apaixonou-se por esta área do Languedoc, rica em lendas. Desse modo, desde 1932, havia se instalado na pequena estação termal de Ussat-les-Bains, no Hotel Marronniers, do qual assumiu a gestão. Graças às teorias poéticas de Antonin Gadal, escreveu a "Croisade contre le Graal" que contribuiu ativamente, após a publicação do primeiro ensaio sobre Montségur de Napoléon Peyrat, para a renovação do interesse pela Occitânia.

Romances históricos

O castelo e a lenda tem inspirado uma série de romances históricos, entre os quais se destacam:

- Gérard Bavoux, Le Porteur de lumière, Pygmalion, 1996.

- Henri Gougaud, L'Expédition, Éditions du Seuil, 1991.

- Michel Peyramaure, La Passion cathare, Robert Laffont, 1999.

- Antoine, Pierre, Marie, duc de Lévis Mirepoix, Montségur, Albin Michel, 1924.

- Hervé Gagnon, Damné, Hurtubise, 2010, France-Loisirs, 2011.

- X.-B. Leprince, La Neuvième croisade (La Quête fantastique 2), Alsatia, 1956 (collection Signe de Piste).

- Arnaud Delalande, L’Église de Satan (le roman des Cathares), France Loisirs, 2002.

Inspiração musical

O cerco de Montségur e a fogueira do “Camp dels Cramats” continuam a inspirar diversos artistas e grupos musicais, incluindo a famosa banda de “heavy metal” “Iron Maiden”, que lhe dedicou uma música no álbum “Dance of Death”. Mas o grande trabalho inspirado no castelo é a canção que lhe é consagrada pelo poeta e cantor occitano Claude Marti na década de 1970. Além disso, o primeiro CD do grupo francês “Era” gira em torno dos cátaros.

Em 2003, Maxime Aulio compôs um poema sinfónico para trombone solo e orquestra, intitulado “Montsegur, a tragédia dos cátaros”.



Related entries 


 Print the Related entries

Contribution

Updated at 01/01/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Montségur Castle

  • Château de Montségur

  • Castle

  • 1204 (AC)




  • France


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo foi classificado pelo governo da França como Monumento Histórico em 1862 e o "pog", sobre o qual se situa, acrescentado a esta classificação em 1883. Os vestígios arqueológicos e as linhas de defesa foram classificadas em 1989.



  • +33 5 61 01 06 94


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : France
    State/Province: Ariège
    City: Montségur

    09300 Montségur, França


  • Lat: 42 -53' 27''N | Lon: 1 -50' 5''E







  • Cathar castle



Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Montségur Castle