Castle of São Cristóvão

Angra do Heroísmo, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O chamado “Castelo de São Cristóvão”, também referido como “Forte de São Luís”, “Castelo de São Luís” ou “Castelo dos Moinhos”, localizava-se no atual Alto da Memória, freguesia da Sé, na cidade e concelho de Angra do Heroísmo, costa sul da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

História

A primeira referência de que dispomos a seu respeito é de FRUTUOSO, em fins do século XVI, ao descrever a cidade de Angra:

"(...) Está esta cidade situada ao modo circular, quase redonda, em um baixo vale e nos outeiros que a cercam, em um dos quais, mais alto da banda do norte, está como amparo dela um forte castelo com munições e artilharia, novamente renovado e provido, sendo dantes mais fraco, edificado somente pera recolhimento e defensão dos moradores dela no tempo das guerras de Portugal com Castela, no qual castelo morava antigamente o capitão da ilha, Manuel Corte Real (…)." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. III, p. 13)

Foi a primeira fortificação iniciada no arquipélago (DRUMMOND, 1990:183), na passagem da década de 1460 para a de 1470, pelo fundador de Angra, João Vaz Corte-Real, e que, posteriormente, passaria aos domínios de Álvaro Martins Homem (MALDONADO, 1989-1997). 

Constituir-se-ia numa fortificação de modestas proporções, em posição dominante sobre o vale, a ribeira e o porto da vila, ainda seguindo as concepções castrenses tardo-medievais: em lugar elevado, no interior da terra, afastado do mar, com as funções de abrigo e de vigia, "(...) deixando-se a costa aberta ao inimigo por falta de gente e de outros meios (...)". (DRUMMOND, 1981:Vol. I) Além das funções de defesa, em sua génese, o castelo terá servido como habitação do capitão, câmara e tribunal, por falta de outras instalações. Pela encosta desta mesma elevação, Martins Homem fez correr artificialmente uma ribeira para, com a força das suas águas, mover as rodas dos moinhos que fez erguer em seu curso, e de que era o explorador exclusivo. Essa circunstância fez com que o local ficasse popularmente conhecido como "Alto dos Moinhos", e a sua fortificação como "Castelo dos Moinhos". (Op. cit.)

Martins Homem esperava receber da Coroa a doação da capitania da Terceira. Entretanto, por Cartas-régias de 1474, administrativamente a ilha foi dividida em duas capitanias: a de Angra, doada a João Vaz Corte-Real, e a da Praia, a Álvaro Martins Homem, estabelecendo-se uma compensação por conta das moinhos que este ali havia feito, com "grandes despesas", e que teria que abandonar.

À época, João Vaz Corte-Real não encontrou razões para prosseguir a obra defensiva em Angra. Poucos anos mais tarde, a ilha foi atacada por espanhóis que desembarcaram inicialmente em Angra e depois na Praia. Por essa razão, em 1482, a infanta Beatriz de Portugal, duquesa de Viseu, que governava as ilhas em nome do donatário, o seu filho D. Diogo, duque de Beja e de Viseu, por carta a Álvaro Martins Homem, capitão do donatário na capitania da Praia (1474-1483), na ilha Terceira, preveniu que embarcações “castelhanas” começavam a infestar os mares dos Açores, e enviou à ilha Pedro Anes Rebelo, na qualidade de provedor das fortificações, para orientá-lo, enquanto capitão do donatário da Praia, no amuralhamento de sua vila (DRUMMOND, 1981:vol. I, cap. 6). Anes Rebelo veio a desposar, na ilha, uma sobrinha da esposa de João Vaz Corte-Real, capitão do donatário de Angra, tendo concluído a construção do Castelo de São Cristóvão em 1493, de que terá sido o primeiro governador.

Por carta de 19 de maio de 1495 do 4.º duque de Viseu e Grão-Mestre da Ordem de Cristo - futuro Manuel I de Portugal (1495-1521) -, a alcaidaria-mor do castelo foi atribuída ao próprio capitão do donatário de Angra, que aqui terá vivido algum tempo, nele colocando posteriormente pessoa de respeito, com soldo e título de tenente (“tenens”), e a obrigação de aí morar. (Traslado de uma carta de mercê da alcaidaria do Castelo de S. Luís e Ilha de S. Jorge a Vasco Annes Corte-Real, de 19 de maio de 1495. In Livro 1.º da Câmara de Angra, fls. 320-328 (BPARLSR/Res.) )

Encontra-se referido como "Castello." pelo cartógrafo Luís Teixeira. ("Descripçam da Ylha do Bom Ihesu chamado Terceira", 1587, mapa, cor, 64 x 89 cm, Portolano 18, Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze)

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), pelo Termo de Posse da Fortaleza de São Sebastião a Antonio Munhos, temos conhecimento de que o alcaide das principais fortificações de Angra era D. Cristóvão de Moura Corte-Real, 1.º conde de Castelo Rodrigo:

"Anno do nassimento de Nosso Senhor Jesus Xristo de mil quinhentos e noventa e oito annos aos vinte e quatro dias do mez de Janero do dito anno, sendo dentro do castello de São Sebastião que esta junto a cidade de Angra contheudo na provição atras ahi perante my tabalião e testemunhas ao diante escritas pareceo Fernão Faleiro lugar tenente do senhor Dom Christovão da Moura Corte Real conde de Castello Rodrigo capitão e governador da Justiça em toda esta Ylha Terceira e alcayde mor do castello São Christovão e da dita fortaleza São Sebastião, (...)." (Livro do Castelo (1642-1720), 2010, p. 18)

Ao final do século XVI a fortificação terá sido reforçada e ampliada, datando também possivelmente dessa data a construção de um quinto baluarte, mais baixo e mais largo que os demais já existentes, conforme podemos observar na gravura "A Cidade de Angra na Ilha Iesu Xpo da Terceira que esta em 30 Graos", de Jan Huygen van Linschoten, publicada em 1595. A respeito dessa campanha construtiva, DRUMMOND (1981) recordou:

"(...) Está esta cidade situada ao modo circular, quase redonda, em um baixo vale e nos outeiros que a cercam, em um dos quais, mais alto da banda do norte, está como amparo dela um forte castelo com munições e artilharia, novamente renovado e provido, sendo dantes mais fraco, edificado somente pera recolhimento e defensão dos moradores dela no tempo das guerras de Portugal com Castela, (...)." (Op. cit., Vol. I)

No contexto da Restauração da Independência (1640), a artilharia do Castelo de São Sebastião alvejou com êxito o Castelo de São Filipe, cercado pelas forças terceirenses (1641-1643). Perdida a sua função estratégica, as suas dependências foram utilizadas como Casa da Pólvora de Angra, que para ali foi transferida da Praça Velha, por razões de segurança.

O imóvel foi doado à Câmara Municipal de Angra em 1839, para dar lugar a um Passeio Público. Desse modo, em 20 de maio de 1844, iniciou-se a demolição dos antigos muros, para a construção de um monumento em memória de D. Pedro IV, cuja pedra fundamental foi assentada em 3 de março de 1845, declaradamente a mesma pedra em que o monarca primeiramente pisou, em igual dia e mês em 1832, ao desembarcar no cais de Angra. O evento foi assim visto por um contemporâneo:

"(...) O tempo foi veloz passando sua mão destruidora sobre estas pedras historicas, e o castello com vida de seculos decahio da sua primitiva construcção, assim como a sua caza de abobada, no cimo da qual estava uma pedra em forma de celindro, de sessenta polegadas de altura, que continha uma inscripção. Ainda assim já pouco fortificado elle servio na epoca da restauração de D. João IV. O cavalheiro Francisco de Carvalhal Borges aqui fez ponto de guarnição, e defeza contra os hespanhoes. Pelo terceiro quartel do seculo 17 chamava-se castello de S. Christovão, (...). Talvez se derivasse este nome do de D. Christovão de Moura, marquez de castello-Rodrigo, successor do 1.° donatario, e cujas armas foram insculpidas em uma columna na mesma fortaleza, quando'se ratificaram os seus muros. É certo porem que depois outros documentos, e entre'estes a carta regia d'EI-Rel D. João VI de 8 de Janeiro de 1819 lhe chamou o forte de S. Luiz, titulo com que este velho castello cessou de existir, quando no dia 3 de março de 1845 o secretario da camara d'Angra disse em alta voz perante o inumeravel concurso que ali se reunio: 'O sitio do antigo Castello de S. Luiz será d'ora em diante denominado — PRAÇA DE D. PEDRO iv.'" (COSTA, Felix José. Angra do Heroísmo - Ilha Terceira (Açores) - Os seus Titulos, Edificios e Estabelecimentos Publicos, 1867)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982).

Características

Exemplar de arquitetura militar tardo-medieval, de enquadramento periurbano, no alto de uma elevação, em posição dominante sobre a cidade.

A planta de Linschoten, datada de 1595, representa uma fortificação de regulares proporções, de planta quadrada, com torreões nos vértices, e um baluarte em cota inferior.

  • Castle of São Cristóvão

  • Forte de São Luís, Castelo de São Luís, Castelo dos Moinhos

  • Castle

  • Between 1460 and 1470 (AC)

  • 1493 (AC)



  • Portugal

  • 1845 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo



  • Lat: 38 -40' 29''N | Lon: 27 13' 7''W










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