Fortress of Isabel II

Mahón, Balearic Islands - Spain

A “Fortaleza de Isabel II”, popularmente referida como “Fortaleza de la Mola”, ou simplesmente “La Mola”, localiza-se na península de la Mola, no município de Mahón, ilha de Minorca, Comunidade Autónoma das Ilhas Baleares, na Espanha.

Constitui-se num complexo militar fronteiro ao primitivo “Castillo de San Felipe” (hoje desaparecido), que protege a entrada do porto de Mahón, no lado oposto da baía. É considerada como um dos maiores complexos fortificados europeus erguidos no século XIX, e a fortificação mais oriental do território espanhol.

Não deve ser confundida com o “Fort Marlborough”, uma fortificação anterior, construída durante o domínio britânico, também localizada no porto de Mahón.

História

Antecedentes

A importância estratégica do porto de Mahón foi patente ao longo dos séculos, particularmente a partir do século XVI, quando a conjuntura política europeia o tornou numa escala marítima entre a Espanha e as suas possessões italianas.

As suas dimensões, calado e a proteção que oferecia diante dos ventos dominantes no período da navegação à vela tornavam-no um dos melhores no Mediterrâneo Ocidental, a ponto do almirante genovês Andrea Doria (1466-1560) ter declarado: “Julio, Agosto, y puerto Mahón, los mejores puertos de Mediterráneo son!

O "Castillo de San Felipe"

No século XVI o então governador Moncayo havia aconselhado a construção de uma “fuerza” para defesa do porto (1541) recomendação que, entretanto, não foi atendida. Data de 1555 o projeto do arquiteto militar italiano Giovanni Battista Calvi (em castelhano, Juan Bautista Calvi), que escolheu a margem oposta (sul) do porto para erguer o forte, sob a invocação de San Felipe.

No contexto da Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1713/1715), Minorca foi ocupada por forças britânicas em 1708, tendo passado para o domínio do Reino Unido pelos termos do Tratado de Utrech (1713). Neste período, por determinação do então governador Richard Kane, Mahón foi proclamada capital da ilha (1722), e o seu porto foi utilizado como apoio para a esquadra britânica do Mediterrâneo.

Os britânicos procederam a obras de reforço no antigo Forte de San Felipe a partir de sua chegada (1708), tendo recebido obras que duplicaram o recinto defensivo. Esta defesa foi complementada pela construção do Forte Marlborough, na margem sul da Cala San Esteban, e pelo Forte de Santa Ana, este último com traça do engenheiro militar Durand, que consistia numa linha quebrada, formando um hornaveque coberto por um revelim, que fechava o passo de la Mola desde os Freus. Embora o Forte de Santa Ana de la Mola jamais tenha sido concluído, ao logo de anos ali estiveram estacionados oficiais britânicos, aguardando a conclusão da fortificação.

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), tropas francesas sob o comando do Marechal de França, Louis François Armand de Vignerot du Plessis (1696-1788), III duque de Richelieu, conquistaram a ilha. A ilha e seu porto representavam uma encruzilhada na rota francesa entre Toulon e Argel, e britânica, entre Gibraltar e Malta. Com a assinatura do Tratado de Paris (1763) a ilha retornou à posse britânica.

Em 1782 o duque de Crillón recuperou a ilha para a Coroa de Espanha, em cujas mãos se conservou até 1798, quando foi uma vez tomada pelo Reino Unido, para retornar às mãos espanholas, definitivamente, pelos termos do Tratado de Amiens (1802). Neste último período, em 1799 os britânicos ergueram em la Mola duas torres defensivas: Saint Clair (Cala Teulera) e Erskine (Princesa).

A Fortaleza de Isabel II

A década de 1840 assistiu a uma escalada das tensões internacionais no Mediterrâneo, principalmente entre a França e o Reino Unido, tendo os primeiros procedido à conquista da Argélia entre 1830 e 1847. Nesse contexto, e tendo o “Castillo de San Felipe” sido demolido na primeira metade do século XIX, na Câmara dos Lordes britânica chegou-se a afirmar que, se a Espanha não defendia a ilha de Minorca, o Reino Unido tomaria as medidas oportunas para evitar a sua ocupação por outra potência.

Nesse contexto, em 1848 a Espanha ergueu uma bateria de campanha em la Mola, visando impedir a entrada de navios franceses no porto de Mahón.

Em 1850 foram iniciadas obras para uma ampla fortificação em la Mola, cujo projeto incorporava as mais modernas técnicas de arquitetura militar da época. Foi concebida com uma tripla função: defender o acesso ao porto, constituir a base de operações de todas as forças do Exército na ilha e servir de último reduto de segurança para as referidas forças, em caso de necessidade.

Ainda em obras, a fortaleza foi inaugurada em 1852, com nome em homenagem à então soberana, Isabel II de Espanha (1833-1868).

Em 1860 a soberana visitou as obras, ainda em progresso, após o que os trabalhos terão se intensificado. Quando ficou concluída, em 1875, já havia se tornado obsoleta diante da evolução tecnológica da artilharia, razão pela qual, em 1896 deu-se início à construção de uma série de modernas baterias de costa na península de la Mola.

A ditadura militar de Primo de Rivera (1923-1930) promulgou, em 1926, o “Plan de Artillado y Defensa de las Bases Navales de Ferrol, Cartagena y Mahón”, em virtude do qual a Espanha adquiriu à empresa britânica Vickers Ltd. peças de 381 mm (Costa, que no país passaram a denominar-se “Cañones Vickers 381/45”), 152 mm (Costa) e 105 mm (Antiaéreas), com alcance, respectivamente de 35 mil e 21 mil metros para as duas primeiras, e teto de 7 mil metros para as antiaéreas, similares às que equipavam as unidades navais mais modernas à época. Essa defesa era complementada com obuses de 24 mm, e outras peças de modelos mais antigos.

Estas armas foram montadas em bateria, sempre aos pares, e, considerando a ordem em que foram instaladas, a sua distribuição foi a seguinte:

- Baterias do Golfo Ártabro (a proteger o Base Naval de Ferrol):

-- Bateria de Campelo Alto (zona de Meirás, Valdoviño). Foi desartilhada entre 1940 e 1941.

-- Bateria de Prior Sul (zona de Doniños, Ferrol). Foi desartilhada em 1997.

-- Bateria de Lobateiras (zona de Doniños, Ferrol). Foi desartilhada em 1997.

-- Bateria de San Pedro (zona de San Pedro, La Coruña). Conservada, fora de serviço.

- Base Naval de Cartagena:

-- Bateria de Cenizas. Conservada, fora de serviço.

-- Bateria de Castillitos. Conservada, fora de serviço.

- Base Naval de Mahón:

-- Fortaleza de la Mola. Conservada, fora de serviço.

-- Bateria de Favarich. Desartilhada entre 1942 e 1943.

-- Bateria de Llucalary-Alayor. Conservada, fora de serviço.

Ao longo de sua história, a fortaleza nunca entrou em combate, tendo sido utilizada como aquartelamento e prisão militar e política. A sua construção fez com que a capital de Minorca se convertesse em um dos mais importantes enclaves militares do Mediterrâneo ocidental.

A fortaleza encontra-se classificada como património histórico-militar de Minorca, inscrita em área declarada como “Zona d'especial protecció per a les aus” (ZEPA), pela sua importância para as aves migratórias, e “Lloc d'Interès Comunitari” (LOC).

Em nossos dias as suas dependências são utilizadas para sediar apresentações, eventos e exposições.

Características

Exemplar de arquitetura militar, marítimo, acasamatado.

A fortaleza apresenta frentes de traçado poligonal irregular, distribuídas em três cotas: a superior, para a defesa a grande distância; a intermediária, para a defesa a média distância; e a inferior, para a defesa a curta distância e a fuzilaria.

A área fortificada incorpora a “Torre de la Princesa”, uma das duas torres construídas na península de la Mola por forças inglesas em 1799, durante a sua terceira ocupação da ilha.

Um fosso divide a península de la Mola de norte a sul, com mais de 2 quilómetros de comprimento. Inicia-se no penhasco e acompanha o perfil da fortaleza. A fortificação começa no chamado ponto "zero" no qual podemos ver uma rachadura devido a um sismo que atingiu o penhasco.

Contribution

Updated at 22/06/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Fortress of Isabel II

  • Fortaleza de la Mola, La Mola

  • Fortress

  • 1850 (AC)

  • 1875 (AC)



  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como património histórico-militar de Minorca, inscrita em área declarada como “Zona d'especial protecció per a les aus” (ZEPA), pela sua importância para as aves migratórias, e “Lloc d'Interès Comunitari” (LOC).





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Balearic Islands
    City: Mahón



  • Lat: 39 -53' 34''N | Lon: 4 -19' 13''E










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