Melbourne Castle

Melbourne, England - United Kingdom

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O “Castelo de Melbourne” (em inglês, “Melbourne Castle”) localizava-se na atual cidade de Melbourne, em South Derbyshire, no Reino Unido.

Ao sul do rio Trent, Melbourne pode ter-se originado como uma povoação relacionada à casa senhorial ao sul da vizinha King’s Newton.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação do seu sítio remonta a uma casa senhorial erguida em data desconhecida. Uma antiga tradição local pretende que foi construída por volta do ano 900, sob o reinado de Alfredo, o Grande, mas não há nenhuma evidência – documental ou arqueológica - que o corrobore. De acordo com o “Domesday Book”, antes da Conquista Normanda (1066-1075) a casa senhorial de Melbourne e os seus domínios pertenciam a Eduardo, o Confessor, passando a partir de então para as mãos de Guilherme I de Inglaterra (1066-1087). Com a criação da Diocese de Carlisle (1133), Henrique I de Inglaterra (1100-1135) doou a casa vitaliciamente para Æthelwold, o seu primeiro bispo. Após algum tempo, a diocese construiu um paço episcopal nas proximidades do local do atual Melbourne Hall. Quando o bispo Æthelwold faleceu, por volta 1156, a casa reverteu para a Coroa.

Um parque de caça real próximo a Melbourne foi possivelmente estabelecido por João de Inglaterra (1199-1216) por volta de 1200, e sabe-se que o próprio monarca esteve na casa senhorial em pelo menos cinco ocasiões. João doou-a e aos seus domínios a Hugh Beauchamp, embora pareçam ter revertido em pouco tempo para a Coroa, vindo a ser doados por Henrique III de Inglaterra (1216-1272) ao então bispo da Diocese de Carlisle, Walter Mauclerk, por volta de 1230. Diante da morte do bispo (1248) esses domínios reverteram para a Coroa, tendo Henrique III feito a doação dos mesmos, em 1265, a seu filho, Edmund Crouchback, 1.º conde de Lancaster. Em data posterior, a casa senhorial parece ter sido doada a um Philip Marc, antes de passar para Thomas, 2.º conde de Lancaster, filho do rei, em 1298. Embora as primeiras referências a essa casa sejam escassas, existem registos de reparos nas suas calhas em 1246, e no teto da chamada Câmara do Rei em 1248.

O castelo medieval

Thomas doou a casa senhorial ao seu mordomo, Robert de Holland, em fevereiro de 1308. Em 1311, Robert obteve uma autorização de Eduardo II de Inglaterra (1307-1327) para fortificar a casa senhorial, tendo os trabalhos se desenvolvido entre 1311 e 1322, quando foram interrompidos, pouco antes de se encontrarem totalmente concluídos.

A tradição local afirma que a pedra foi extraída de uma pedreira no local onde hoje se situa Melbourne Pool. Os registos mostram que £ 1,313 foram gastas no projeto em 1313-1314, das quais £ 548 foram pagas aos canteiros para o revestimento de pedra das muralhas.

Thomas, com outros barões, capturou Piers Gaveston, o favorito de Eduardo II, e executou-o em 1312. Ainda assim, o soberano esteve em Melbourne em 1314. Durante algum tempo, após a derrota de Eduardo na batalha de Bannockburn (1314), Thomas, aliado dos escoceses, controlou grande parte da Inglaterra. Em 1321 Eduardo levantou um novo exército e expulsou Thomas das Midlands. Os castelos dos Lancaster, de Melbourne e de Tutbury, ficaram desertos e foram saqueados pela população local. Thomas foi finalmente derrotado na batalha de Boroughbridge (1322), vindo a ser sumariamente executado, e Robert de Holland veio a ser decapitado em 1328. O soberano postou uma guarnição em Melbourne e nomeou um representante, Ralph Basset, para substituir o titular, John de Hardedeshull. Em março, aqueles que haviam saqueado o castelo foram presos e, até abril, Eduardo havia retirado as suas tropas. Nomeou Robert Tocher e Roger de Beler em 1323 para ajudá-lo a administrar os seus bens em Melbourne, utilizando o dinheiro obtido de confiscos de propriedades rebeladas em Staffordshire. Eduardo retornou a Melbourne em 1325 e, enquanto ali permaneceu, instituiu uma cobrança de portagens aos homens das proximidades de Swarkestone para reparar a ponte sobre o rio Trent.

O castelo, ainda inacabado à época da execução de Thomas, e os seus domínios, mantiveram-se como propriedade da Coroa até que foram concedidos a Henry, 3.º conde de Lancaster, irmão do conde Thomas, em 1327. A seu turno, passaram para o seu filho, o 4.º conde, que se tornou o 1.º duque de Lancaster. À época da morte do duque, em 1361, o seu condestável era Ingram Fauconer, que recebeu uma pensão anual vitalícia de £ 10, e mais £ 5 adicionais para a sua esposa. A herdeira de Henry era Blanche, esposa de João de Gaunt. O duque João confirmou a pensão de Fauconer quando entrou na posse dos domínios dos Lancaster.

Pedro Melbourne foi feito guardião das propriedades em Melbourne em 1377, com uma renda anual de £10. A ele foram concedidos mais 66s e 8d em 1386, e 10 marcos (£6 13s 4d) em 1395. O último prémio foi condicionado a que não exercesse os cargos de condestável e guarda do parque, que haviam passado para o seu filho, também chamado Pedro. O jovem Pedro Melbourne esteve envolvido na educação do futuro Henrique IV de Inglaterra, durante o reinado de Ricardo II de Inglaterra. Foi novamente nomeado condestável e mordomo da casa senhorial em Derbyshire em março de 1399, embora tenha renunciado aos seus cargos em abril, em troca de uma anuidade de Ricardo II, que havia confiscado as propriedades dos Lancaster quando João de Gaunt faleceu no início daquele ano. Após Henrique ter apreendido o trono, Pedro foi confirmado como condestável e, em outubro de 1399, a sua anuidade aumentou de £10 para 100 marcos (£66 8s); no ano seguinte, foi recompensado com as terras confiscadas em Derbyshire a Thomas Merke, bispo de Carlisle, co-líder de uma conspiração contra o soberano.

O ducado de Lancaster continuara a melhorar e expandir a propriedade durante os séculos XIV e XV. João de Gaunt fizera instalar vitrais no hall Communal e na Grande Câmara em 1392-1393, juntamente com outras obras. Procedeu a reparos na ponte levadiça em 1393-1394 e a melhorias na canalização em 1399-1400, empregando chumbo adquirido por confisco nos dois anos anteriores.

Por 19 anos, o castelo serviu como prisão para João I, duque de Bourbon, que fora capturado na Batalha de Agincourt (1415). A sua custódia esteve a cargo de um Nicholas Montgomery, o Jovem. O historiador local novecentista John Joseph Briggs pretendeu que durante a Guerra das Rosas (1455-1485), o castelo foi parcialmente demolido pelas forças de Lancaster de Margarida de Anjou, mas desde que a campanha dela se desenvolveu ao longo da linha da Great North Road, foi a localidade de Melbourn, em Cambridgeshire que ela saqueou, e não a sua homónima em Derbyshire.

Em 1545, o antiquário John Leland relatou a Henrique VIII de Inglaterra (1509-1547) que o castelo se encontrava em suficiente bom estado, que ele descreveu como “praty and yn meately good reparation” possivelmente após reparos efetuados no reinado de Eduardo IV de Inglaterra (1461-1470), quando Sir Ralph Shirley, um comandante em Agincourt, foi governador do castelo.

Decadência e desaparecimento

Quando Isabel Ide Inglaterra (1558-1603) subiu ao trono, ordenou que se fizesse um levantamento dos seus castelos. Um relatório de 1562 informou-a que, no norte do reino, apenas dez castelos valiam a pena ser mantidos: o de Melbourne não era um deles. Um outro levantamento, em 1576, informou que, embora a pedraria do Castelo de Melbourne se encontrasse em boas condições, exceto uma chaminé e uma janela, as madeiras encontravam-se consumidas, o telhado de chumbo estava cheio de buracos, uma cozinha estava à beira de ruir, e outra necessitava de reconstrução do piso. No mesmo ano, George Talbot, 6.º conde de Shrewsbury escreveu à rainha para assegurar-lhe que o castelo se encontrava em bom estado, que tinha o valor de £ 1.000, e podia ser reparado por £ 100. Uma vez que era ele o responsável pela custódia de Maria da Escócia (1542-1567), esperava que fosse transferida para Melbourne. Em 1583 o castelo foi novamente inspecionado para ver se era adequado para abrigar a rainha cativa. Embora os quartos fossem suficientes em número e qualidade, a construção inacabada foi considerada "imperfeita em cada canto". Seria necessário subdividir os grandes quartos, os pisos eram de terra e gesso, e a praça de armas não era pavimentada. Em 1584 Isabel I finalmente decidiu transferir Maria para Melbourne, plano abandonado na sequência da Conspiração de Babington (1586) para assassinar a rainha de Inglaterra e colocar o seu primo escocês no trono.

O castelo encontrava-se em decadência ao final do reinado de Isabel Ide Inglaterra (1558-1603). Embora a estrutura em pedra se mantivesse em boas condições, a falta de manutenção traduzia-se numa significativa deterioração de outras partes. Em 1597 era usado como estábulo para gado, embora um relatório em 1602, garantisse a Isabel que era um "faire and anciente castle", a cargo de Gilbert, conde de Shaftsbury. A remuneração então paga ao condestável era de £10, a mesma paga a Ingram Fauconer 140 anos antes.

O castelo e as suas terras foram adquiridos por £ 4,700 em 1604, por Henry Hastings, 5.º conde de Huntingdon, cuja família estava estabelecida no vizinho Castelo de Ashby-de-la-Zouch. O Castelo de Melbourne foi demolido entre 1610 e 1637, de modo a que os seus materiais pudessem ser reaproveitados em outras construções na área. Por volta de 1629 é provável que toda a pedra trabalhada acima do nível do solo já tivesse sido removida; naquele ano Sir John Coque, de Melbourne Hall, obteve permissão do bispo de Carlisle, para retirar pedra das fundações do castelo. Algumas das cantarias exteriores foram utilizadas para reparar o vertedouro em King's Mill, o que foi interpretado por alguns, à época, como o cumprimento do vaticínio de um profeta local de que "as águas do Trent sobrepujariam as torres do Castelo de Melbourne". As propriedades de Hastings foram gradualmente vendidas, e o sítio do antigo castelo foi vendido por Francis Rawdon-Hastings, 1.º marquês de Hastings, em 1811.

Os vestígios arqueológicos

O sítio encontra-se no lado leste da Castle Street, em um jardim privado, para o qual não há acesso público. As ruínas e a casa de fazenda posteriormente erguida encontram-se classificadas em conjunto como “Grade II Listed” e os restos do castelo como um “Scheduled Monument”. A área ao sul da muralha foi escavada para revelar as fundações em silharia de duas torres de planta poligonal.

Algumas das pedras retiradas do castelo foram utilizadas para construir os edifícios de meados do século XVIII também classificados como “Grade II Listed Buildings” na Castle Street n.ºs. 43 e 45, e outros, que se sabe terem usado a mesma pedra, mas que já não existem, incluindo antigas casas demolidas para construir a fábrica de têxteis Castle Mill. A fábrica, hoje demolida, foi erguida sobre as fundações do castelo. O número 15 da Castle Street também se ergue sobre a antiga fundação da muralha. É provável que a antiga Melbourne Furnace e a Furnace Farm também tenham sido erguidas utilizando material reaproveitado do castelo.

Uma escavação empreendida no início do século XIX encontrou dependências subterrâneas "de considerável extensão e trabalho de mão-de-obra qualificada", e outras escavações, na segunda metade do mesmo século, encontraram consideráveis trechos de fundações nos jardins de Castle Farm. No conjunto habitacional de Castle Mills subsiste um troço de muralha de 2 metros de largura por 15 metros de extensão, hoje recoberto, e trabalhos em 1961, puseram a descoberto fundações de 5 metros de profundidade a leste do antigo moinho e no mesmo alinhamento que a muralha existente. Escavações em 1969-1971 identificaram uma extensa rede de muralhas revestidas com cantaria, uma ombreira de porta, a base de uma escada em espiral e evidências de um pátio exterior. Muitas das pedras apresentam marcas de canteiro. Durante obras em 1988, alvenaria, incluindo os enchimentos de dois grandes muralhas leste–oeste foram encontrados nas trincheiras de sondagem. Além da área dos alicerces das torres junto ao troço de muralha ainda de pé, nenhum dos restos arqueológicos é visível em nossos dias.

Características

Exemplar de arquitetura militar e civil, em estilo gótico e renascentista.

O castelo foi construído a leste da cidade do século XIV sobre uma pequena elevação. A área delimitada pelas suas muralhas era de cerca de 2,8 ha, mas com os anexos, outras construções e terras de cultivo, estima-se que a área total ascendesse a 8 ha. As muralhas eram erguidas em cantaria nas faces, com o interior preenchido por entulho, e possuíam cerca de 3 a 4 m de espessura.

Tudo o que se conhece acerca da aparência do castelo é a partir de antigos desenhos. Embora estas representações possam parecer fantasiosos para um olhar contemporâneo, existem outros locais melhor preservados que compartilham algumas características. Os castelos de Tutbury e de Pontefract possuem casas de guarda e capelas similares, e o mote de Tutbury e as cortinas de muralhas em Pontefract também possuem estilo similar aos das ilustrações. O Castelo Sandal possui uma torre multiangular, como as mostradas nas ilustrações e esta característica é confirmada no sítio do castelo de Melbourne pelas fundações que ainda subsistem.

Uma padaria, uma cozinha e uma capela podem ser observados, assim como o “hall”, a grande câmara e a ponte levadiça, mas os detalhes da disposição interna do castelo são desconhecidos.

Contribution

Updated at 26/06/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Melbourne Castle


  • Castle

  • 1311 (AC)

  • 1322 (AC)



  • United Kingdom

  • 1629 (AC)

  • Missing

  • National Protection
    As ruínas e a casa de fazenda posteriormente erguida encontram-se classificadas em conjunto como “Grade II Listed” e os restos do castelo como um “Scheduled Monument”.





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : United Kingdom
    State/Province: England
    City: Melbourne



  • Lat: 52 -50' 40''N | Lon: 1 25' 26''W










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