Salé

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"Salé" localiza-se na prefeitura homónima, na região Rabat-Salé-Zemmour-Zaer, no litoral noroeste de Marrocos.

Situa-se à margem direita da foz do rio Bu Regregue, fronteira a Rabat, na margem oposta. A toponímia originou-se no primitivo nome do rio - Sala ("rio salgado") - pelo qual foi conhecido até ao século XIII.

A cidade constituiu outrora uma república autónoma, conhecida como uma importante base dos piratas da Barbária, que a governavam, e de onde partiam a maior parte dos ataques contra a costa portuguesa e os arquipélagos das Canárias, da Madeira e dos Açores, além de expedições para locais tão longínquos como o norte da Península Ibérica e as Caraíbas.

História

O primeiro assentamento urbano na foz do rio, e que se constituiu na cidade mais antiga da costa atlântica do Norte de África, foi a colónia fenícia de Sala, fundada cerca do século VII a.C., provavelmente no local da necrópole medieval de Chellah, à margem esquerda da foz do rio, nas proximidades da atual Rabat.

Os vestígios mais antigos da cidade de Sala remontam à época romana, quando foi fundada uma colónia chamada Sala Colonia, integrante da província romana da Mauritânia Tingitana, e mencionada por Plínio, o Velho, como uma cidade do deserto infestada de elefantes. Os Vândalos ocuparam a região no século V e, alegadamente, teriam deixado como herança a existência de berberes louros, de olhos azuis. Os muçulmanos, chegados à região no século VII, mantiveram o nome de Sala (ou Salah), associando-lhe o nome ao filho de Cam, neto de Noé.

A cidade foi refundada no século X, na margem direita do rio, pela tribo berbere dos Ifrenidas, que a proclamaram como sua capital. De acordo com fontes muçulmanas, Salé foi a primeira cidade fundada por berberes. Os Ifrenidas erigiram a Grande Mesquita de Salé entre 1028 e 1029. Esta, e a madraça (centro de estudos islâmicos), fazem de Salé um dos centros religiosos mais importantes de Marrocos.

Salé foi conquistada pelos Almorávidas em 1068. Nesse século, devido à sua posição estratégica no extremo da rota terrestre Fez-Marraquexe e ao seu porto que a tornava um centro de trocas entre a Europa e o Marrocos, a cidade conheceu um grande desenvolvimento, que prosseguiu no século seguinte sob o Califado Almóada, e repetiu-se no século XIV com os Merínidas.

Em 1260 a cidade foi atacada por tropas castelhanas, o que levou à construção de uma muralha envolvente.

No século XVII, particularmente a partir de 1610, Salé e, na margem oposta do Bu Regregue, Rabat, então referida como "Salé, a Nova", acolheram a chegada massiva de mouriscos e judeus expulsos de Espanha. Este contingente demográfico deu um novo alento à cidade ao mesmo tempo que originou uma rivalidade com a vizinha Rabat. Os mouriscos que se estabeleceram em Salé chegaram em duas vagas. Na primeira vieram os habitantes de Hornachos, aos quais havia sido concedida a possibilidade de conservarem alguns dos seus bens se abandonassem voluntariamente a Espanha. A segunda vaga foi constituída por mouriscos que foram despojados de todos os seus bens aquando da expulsão. Estes últimos procuraram vingar-se através da pirataria.

Salé tornou-se então célebre sobretudo pela sua intensa atividade marítima, e os "andaluzes" fizeram dela uma capital da pirataria. Enquanto os "hornacheros" se ocuparam da construção e reparação das embarcações, os demais constituíram as suas primeiras tripulações. O desenvolvimento económico trazido pelos mouriscos foi de tal ordem que Salé e Rabat decidiram unir-se e constituir instituir uma república independente entre 1627 e 1666, a República de Salé (ou República do Bu Regregue), cuja capital situava-se no que é atualmente a Casbá dos Udaias, em Rabat. A governação era executada por piratas e tinha como atividade principal a pirataria, cuja atividade se estendia até à América. À época, Salé era o único porto importante de Marrocos que não estava nas mãos dos portugueses ou espanhóis.

Em 1666, os Alauitas, ainda hoje no poder, conquistaram as cidades de Rabat e Salé, pondo fim à República do Bu Regregue.

Durante o século XVIII a atividade comercial de Salé estendeu a influência da cidade a regiões distantes do interior. Entretanto, atingida pelo grande terramoto de 1755, cuja distância de Salé do epicentro foi a mesma que a de Lisboa, a sua influência começou a declinar. O tsunami decorrente do terramoto provocou a alteração definitiva do curso do Bu Regregue, inutilizando o porto, até então dentro das muralhas da cidade. Com isso, o principal porto do reino marroquino passou a ser Essaouira, apesar da atividade corsária em Salé se ter prolongado, pelo menos, até 1829.

No início do século XIX o fim do seu papel comercial preponderante levou a cidade a fechar-se sobre si mesma, permanecendo durante esse século e durante os protetorados francês e espanhol como um centro de cultura islâmica e de resistência aos colonizadores.

No século XX, Rabat foi estabelecida como capital em 1912, data do início do protetorado francês, tornando-se um grande centro administrativo ao mesmo tempo em que Salé foi relegada a segundo plano, embora mantendo-se um centro cultural e religioso em contraste com a sua vizinha europeizada. Atualmente, o porto de Salé continua sem importância comercial, mantendo-se, sobretudo, um porto de pesca.

Características

Exemplar de arquitetura militar, urbana.

A cidades era envolvida por uma cintura de muralhas que se estendia por 4,5 quilómetros e delimitava uma área de 90 hectares. Uma das obras defensivas islâmicas mais antigas de Marrocos, era amparada por torres, e nela rasgavam-se as diversas portas que davam acesso à zona urbana. As principais portas eram: Bab Maalaq, Bab Jdid, Bab Sidi Bou Haja, Bab Ferran, Bab Mrisa, Bab Ferth, Bab Fez (também chamada Bab Khmiss), Bab Sebta e Bab Chaafa. Estas duas últimas asseguravam a comunicação da cidade com as zonas rurais adjacentes. A porta Bab Ferran dava acesso ao antigo arsenal (Dar es-Sanaa).

O espaço urbano desenvolveu-se de oeste para leste a partir das principais instituições religiosas. Aqui se destaca o Sour el Aqouass, depósito de água potável e aqueduto para abastecimento da cidade, que se constitui uma das obras públicas históricas mais importantes de Salé. A almedina, iniciada no início do século XII pelos almóadas, é a parte mais antiga de Salé. Destaca-se pelas várias fontes, riads (casas tradicionais completamente fechadas ao exterior, com um pátio interior) e mesquitas. O acesso à almedina é feito pela porta Bab Mrisa, próximo ao centro da cidade.

O conjunto era complementado pelas Skallas (fortalezas) — Skalla al Kadima e Skalla al Jadida — e pelos Borjs (baluartes) — Borj Adoumoue, Borj el Kbir, Borj Elmellah, e Borj Sidi Benacher.

Contribution

Updated at 11/11/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Salé

  • Salah

  • Fortified City





  • Marroco


  • Featureless and Well Conserved






  • Tourist-cultural Center

  • 90.000,00 m2

  • Continent : Africa
    Country :
    State/Province:
    City:



  • Lat: 34 -3' 23''N | Lon: 6 48' 29''W







  • Piratas da Barbária



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