Quéribus Castle

Cucugnan, Aude - France

O "Castelo de Quéribus" (em francês: "Château de Quéribus"; em occitano: "Castèl de Queribús") localiza-se próximo à vila de Maury, na comuna de Cucugnan, no departamento de Aude, na região de Languedoc-Roussillon, em França.

História

Antecedentes

Na época Carolíngia, Cucugnan era parte integrante do Perapertusés, uma subdivisão do condado de Rasés, e também era domínio dos condes de Carcassonne. Em 980, após a guerra de Rasés, uma grande parte do Perapertusés integrava o condado de Cerdaña-Besalù.

O nome do castelo

A toponímia Quéribus significa “rocha dos buxos”, e é mencionado pela primeira vez em 1020, no testamento de Bernard Tallaferro, conde de Besalù. Naquela data, o primitivo “castrum” fazia parte do viscondado de Fenouillèdes.

Em 1111, Ramon Berenguer III, conde de Barcelona, herdou o concelho de Besalù e, portanto, os direitos feudais sobre o viscondado de Fenouillèdes e Quéribus. Ramiro II de Aragão (1134-1137) adquiriu esses domínios pelo casamento em 1137. Em 1162, quando se constituiu o Reino de Aragão, Quéribus constituía-se numa das principais fortificações de Barcelona no norte dos Pirenéus. Do mesmo modo, com a anexação à coroa do condado de Roussillon em 1172, o papel estratégico de Quéribus diminuiu. Ao final do século XII, Pedro II de Aragão (1196-1213) incluiu o viscondado de Fenouillèdes no viscondado de Narbonne.

A Cruzada Albigense

No contexto da Cruzada Albigense (1209-1229), os domínios do castelo pertenciam ao cavaleiro Chabert de Barbaira, um reconhecido herético, feroz opositor dos cruzados. Quéribus constituiu-se assim um refúgio para os cátaros: Benévolo de Termes, diácono e mais tarde bispo cátaro do condado de Rasés nele residia em 1230, e talvez até falecer, antes de 1233. Foi um dos últimos castelos na região, juntamente com o Castelo de Puillorenç, a acolher cátaros após a queda do Castelo de Montségur. O viscondado de Fenouillèdes, por outro lado, gozou ainda da proteção de Nuño Sanz, senhor de Roussillon, que serviu como intermediário ante o soberano francês; desse modo, enquanto a guerra se avultava no condado de Toulouse, o castelo permaneceu a salvo dos ataques dos cruzados. Com a morte de Sanz (1241), o seu primo, Jaime I de Aragão, o Conquistador (1213-1276) herdou o Roussillon e abandonou a anterior política de proteção ao viscondado de Fenouillèdes, cuja possessão ficou tacitamente reconhecida ao monarca francês. Desse modo, Luís IX de França (1226-1270) ordenou ao senescal de Carcassonne, Pierre d'Auteuil, que se apoderasse do castelo. O comando da expedição foi confiado a Olivier de Termes, que conhecia tanto o lugar, quanto o seu defensor, a quem combatera à frente dos cruzados. Após um curto cerco de três semanas, Chabert de Barbaira rendeu-se a Olivier e trocou a sua liberdade pela rendição do castelo, em maio de 1255. Quéribus caiu durante a terceira semana de maio de 1255. Poucos meses depois, o último “castrum”, o Castelo de Niort, na terra de Sault, caiu.

Com a queda desta praça considerou-se a heresia cátara oficialmente extinta: houve um grande interesse em proclamar que o último castelo cátaro se havia sido conquistado pelos franceses. As fontes, entretanto, documentam que um século após a queda de Quéribus, cátaros ainda eram julgados nos tribunais do Santo Ofício. A verdadeira importância do episódio da rendição do castelo reside no fato de que se tratava da última fortificação em mãos occitanas, e, portanto, concluía-se a tarefa de ocupação francesa do Languedoc. Quéribus representava, assim, um ponto final, quer militar, quer político.

A fortificação francesa

O Tratado de Corbeil (1258) fixou a fronteira entre a França e Aragão no sul das Corbières, próximo ao castelo. Desse modo, Quéribus tornou-se uma fortificação importante para o dispositivo defensivo francês com comando em Carcassonne. Tornou-se uma das fortificações reais na região - os chamados "Cinco filhos de Carcassonne" (junto com os de Aguilar, Peyrepertuse, Puilaurens e Termes) - que defendiam a fronteira francesa frente ao reino de Aragão, mais tarde da Espanha, já no século XVII.

O castelo passou a ser confiado a alcaides nomeados pelo senescal de Carcassonne. O primeiro foi Nicolás de Navarra, já em 1259.

 Durante os séculos XIII e XIV, os monarcas de França promoveram a reconstrução e o reforço do castelo. Em 1473, a fortificação sofreu assédio, vindo a cair diante das forças do Reino de Aragão.

O castelo perdeu a sua importância estratégica a partir da assinatura do Tratado dos Pirenéus (1659) que fixou definitivamente a fronteira franco-espanhola na região. Ainda assim, conservou uma guarnição por várias décadas.

Durante a segunda metade do século XVIII, o monarca francês passou a nomear capitães-governadores para o castelo em lugar das nomeações até então efetuadas pelos senescais de Carcassonne. Esses capitães embora tivessem a responsabilidade do castelo, não residiam nele. A partir de então, o local foi-se degradando aos poucos, e passou a constituir-se em refúgio de numerosos bandidos.

Abandonada definitivamente a partir da Revolução Francesa (1789), a fortificação continuou a degradar-se.

O castelo encontra-se classificado como “Monument Historique” desde 11 de outubro de 1907. A região que o cerca, sobretudo o Grau de Maury e o povoado de Cucugnan, constituem área protegida desde 1943.

A restauração

A primeira intervenção de consolidação e restauro do monumento teve lugar em 1951, quando se procedeu a limpeza geral e a consolidação da torre. Posteriormente, ao longo da década de 1970, diversas intervenções menores se sucederam para consolidar pontualmente partes do castelo. Finalmente, entre os anos 1998 e 2002 promoveu-se a intervenção de restauro completo do castelo, envidando-se esforços para condicionar e melhorar o acesso do público ao monumento. De acordo com essa diretriz, o telhado da torre deu lugar a um amplo terraço para usufruto dos visitantes.

Características

Exemplar de arquitetura militar, nos estilos românico e gótico, de enquadramento rural, isolado, na cota de 728 metros acima do nível do mar. Domina o maciço das Corbières, o Fenouillèdes e a planície de Roussillon.

O conjunto é constituído por três recintos superpostos coroando o alcantilado. Além do corpo principal, a fortificação conta com um armazém, cisterna e um torreão de planta poligonal situado no terceiro recinto, no ponto mais alto do conjunto.

No conjunto podem observar-se quatro séculos de evolução da arquitetura militar, desde seteiras utilizadas pelos arqueiros, a troneiras ou aberturas para armas de fogo em épocas mais recentes. A porta é defendida pelas muralhas e por um fosso. O alto das muralhas é percorrido por adarves.

Exibindo várias etapas construtivas, as paredes da torre foram reforçadas ao longo dos séculos e a sua espessura é de vários metros. A geometria poligonal da estrutura permite reduzir os efeitos do impacto dos projéteis. No interior, o salão gótico contém dois compartimentos - a cave e a sala principal -, e é iluminado por uma imponente janela. A sala contém os restos de uma chaminé na parede oeste. Um imponente pilar sustenta a abóbada nervurada com cruzamento de ogivas. A base da coluna é do tipo piramidal e sustenta o pavimento que divide a cave da sala. O pilar central da sala gótica apresenta a sua particularidade: é o único caso de uma capela localizada no coração de uma torre de menagem.

O topo da torre de menagem apresenta um terraço acedido por uma escada em caracol localizada em uma torre de planta retangular que a ela assim se liga. A partir deste terraço descortina-se um amplo panorama dos Pirenéus, do mar Mediterrâneo e das vinhas do Corbières.

Uma guarnição de 15 a 20 homens era suficiente para assegurar a defesa, como se constata pela dimensão dos edifícios e capacidade da cisterna.

Bibliografia

LANGLOIS, Gauthier. Olivier de Termes, le cathare et le croisé (vers 1200-1274). Toulouse: Éditions Privat, 2001, 288p. (Collection Domaine Cathare)



Related links 

Ruines du château de Quéribus
Ficha sobre o monumento na base de dados sobre o património histórico e cultural mantida pelo Ministério da Cultura da França.

http://www.culture.gouv.fr/public/mistral/merimee_fr?ACTION=CHERCHER&F...

 Print the Related links

Contribution

Updated at 14/03/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Quéribus Castle

  • Château de Quéribus

  • Castle





  • France


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como “Monument Historique” desde 11 de outubro de 1907. A região que o cerca, sobretudo o Grau de Maury e o povoado de Cucugnan, constituem área protegida desde 1943.



  • +33 4 68 45 03 69


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : France
    State/Province: Aude
    City: Cucugnan

    11350 Cucugnan, França


  • Lat: 42 -51' 48''N | Lon: 2 -38' 44''E






  • 1951: limpeza geral e consolidação da torre.
    1970 (década de): diversas intervenções pontuais no castelo. 1998-2002: intervenção de restauro completo do castelo.

  • Cathar caste



Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Quéribus Castle