Servian Wall

Rome, Rome - Italy

A “Muralha Serviana” (em latim, “Murus Servii Tullii”) localizava-se ao redor da antiga cidade de Roma, atual comuna de Roma Capitale, província de Roma, na Itália.

Erguida no início do século IV a.C., tinha a função de defesa da cidade. Em fins do século III, essas funções foram assumidas pela Muralha Aureliana.

História

A primeira defesa de Roma consistia essencialmente em um “agger” (tipo de circunvalação que podia assumir a forma de um dique, um fosso, ou de uma elevação do terreno com areia, terra, material de entulho, etc.), erguido em torno da cidade no início do século VI a.C. e atribuído a Sérvio Túlio (578-539 a.C.), 6.º rei romano.

Entretanto, a muralha da qual hoje subsistem vestígios remonta ao período republicano, tendo substituído o antigo “agger” após o saque de Roma, na sequência da Batalha do Ália, pelos gauleses sob o comando de Breno, em 390 a.C.. De acordo com o historiador romano Tito Lívio foi erguida em 378 a.C. pelos censores Espúrio Servílio Prisco e Públio Clélio Sículo. Para acelerar a sua construção foram abertos diversos canteiros de obra em simultâneo.

No contexto da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), após atravessar os Alpes com o seu exército, que incluía elefantes, tendo vencido diversos exércitos romanos nos primeiros anos do conflito, Aníbal foi dissuadido de um ataque direto a Roma, para o que terá contribuído a defesa constituída por esta muralha. Desse modo, em 211 a.C. quando ameaçou marchar sobre a capital romana, manobra que consistiu em um ardil para afastar os romanos da cidade aliada de Cápua, não foi além de três quilômetros de Roma, pois um exército romano deixou a cidade e acampou próximo ao exército cartaginês.

Durante as guerras civis do final do período republicana, a Muralha Serviana foi capturada diversas vezes.

Essa defesa ainda era mantida no final do período republicano e no início do imperial. Nesta época, Roma já havia começado a crescer além dos limites da muralha. Quando Augusto reorganizou a cidade em suas quatorze regiões, apenas as regiões II, III, IV, VI, VIII, X e XI se encontravam no interior da muralha.

No período imperial a muralha tornou-se desnecessária por causa do incontestável poderio romano à época. Conforme a cidade continuava a prosperar e a crescer, impôs-se eliminar o impedimento por ela causado.

Em fins do século III, quando as tribos germânicas passaram a atacar as fronteiras romanas, o imperador Aureliano ordenou a construção da Muralha Aureliana, mais forte e mais extensa.

Troços da Muralha Serviana ainda são visíveis em vários locais em torno do centro de Roma. O mais extenso encontra-se preservado à saída da Estação Roma Termini, a principal estação ferroviária da capital, incluindo uma pequena peça no salão de refeições do McDonald's na estação. Outro trecho notável localiza-se no Aventino, e incorpora um arco para uma catapulta defensiva, datado do final do período do período republicano.

Características

Exemplar de arquitetura militar, romana, de enquadramento urbano.

Apresentava planta poligonal orgânica (adaptada ao terreno em que se inscrevia), com traçado idêntico ao da primitiva muralha, da qual restam pouquíssimos elementos, em alvenaria de tufo – um tipo material vulcânico composto por cinzas e pedaços de rocha ejetados durante uma erupção – extraído da “Grotta Oscura”, uma pedreira perto da cidade de Veios.

As suas dimensões eram de 3,6 metros de espessura na base, elevando-se até 10 metros de altura em alguns troços, estendendo-se por cerca de 11 quilómetros. Como reforço defensivo, alguns troços eram precedidos por profundos fossos.

A defesa de parte do perímetro norte, estrategicamente mais débil pelas características do terreno, contava com um “agger”, uma rampa defensiva de terra apoiada na muralha pelo interior. Além de tornar a base do muro mais espessa, adicionalmente esse elemento provia uma plataforma elevada, utilizada pelos defensores para repelir um ataque. Ao longo da muralha encontravam-se dispostos, em pontos estratégicos, diversos tipos de armas de cerco, como catapultas.

Acredita-se que a muralha era rasgada por 16 portas, muitas das quais conhecidas apenas por fontes literárias, e de que se desconhece a localização precisa. Algumas foram posteriormente restauradas pelo imperador Augusto (27 a.C.-14 d.C.). Outras foram transformadas em arcos de vários significados. Desse modo, relacionam-se:

Sobreviventes

- Porta Esquilina – esta porta, no Esquilino, transformada primeiramente em Arco de Augusto e posteriormente em Arco de Galieno, ainda é visível. Dava acesso à Via Labicana, à Via Prenestina e à Via Tiburtina.

- Porta Querquetulana – provavelmente preservada no Arco de Dolabela, uma reconstrução de uma porta, já existente em 10 d.C., pelos cônsules Públio Cornélio Dolabela e Caio Júnio Silano.

Demolidas

- Porta Colina – a porta mais ao norte, no Quirinal, levava à Via Salária. Aníbal acampou seu exército próximo dali quando ele considerou cercar Roma em 211 a.C.. Esta seção foi reforçada com um "agger".

- Porta Viminal – no Viminal. Perto da maior seção da muralha ainda visível fora da Estação Roma Termini.

Porta Celimontana – levava à Via Tusculana.

Porta Capena – entre o Circo Máximo e a Passeggiata archeologica. A Via Ápia deixava Roma por aqui, em direção ao sul da Itália depois de se separar da Via Latina.

Porta Névia – no Aventino, entre a Igreja de San Saba e a de Santa Balbina, conduzia à Via Ardeatina.

Porta Raudusculana (ou Raudúscula) – levava à Via Ostiense, que seguia para o sul ao longo do Tibre. Perto dali, na moderna Viale Aventino, está uma seção da muralha incorporando o arco de suporte a uma catapulta.

Porta Lavernal – também levava à Via Ostiense.

Porta Trigemina – uma porta tripla perto do Fórum Boário que também levava à Via Ostiense.

Porta Flumentana – entre o Templo de Portuno e o Tibre, por ela a Via Aurélia entrava em Roma depois de atravessar o Tibre.

Porta Carmental ("Porta Triunfal") – ficava na extremidade oeste do monte Capitolino.

Porta Fontinal – levava à extremidade norte do Capitolino e para o Campo de Marte ao longo da Via Lata.

Porta Sanqual – no Quirinal.

Porta Salutar – no Quirinal.

Porta Quirinal – no Quirinal.

Porta Ratumena – de existência incerta.

Contribution

Updated at 13/02/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Servian Wall


  • Battlement

  • -378 (BC)




  • Italy


  • Conserved Ruins






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Italy
    State/Province: Rome
    City: Rome



  • Lat: 41 -55' 53''N | Lon: 12 -31' 55''E





  • Cantaria de tufo vulcânico.





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