Château d'Eu

Eu, Seine-Maritime - France

O “Castelo d'Eu” (em francês: “Château d'Eu”) localiza-se na comuna d’Eu, departamento do Sena Marítimo, na região da Alta Normandia, em França.

História

Antecedentes

O Condado d'Eu foi criado em 996 por Ricardo, neto de Rolando, visando a proteção da Normandia.

A primeira referência histórica ao castelo data de 1050, quando Guilherme, duque da Normandia (posteriormente Guilherme I de Inglaterra) nele desposou Matilda de Flandres, filha de Balduíno V, conde de Flandres. Os estudiosos admitem, por esse motivo, a existência de uma primitiva fortificação com a função de defesa daquela fronteira setentrional da Normandia.

Em 1180, Laurent O'Toole, arcebispo de Dublin e legado do Papa, tentou encontrar-se com Henrique II da Inglaterra (1154-1189), duque da Normandia, em Ruão. O religioso veio a cair doente em Eu, onde veio a falecer, vindo a ser beatificado em 1186 e canonizado em 1225. A Colegiada, nos trabalhos iniciados em 1186, recebeu o nome de Notre-Dame et Saint Laurent. Saint Laurent é o padroeiro da vila d'Eu, e parte de suas relíquias ainda se conserva na Colegiada. Ricardo I de Inglaterra (1189-1199), duque da Normandia ordenou a construção da cerca da vila (1188).

Em 1430, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), Joana d'Arc, aprisionada em Compiègne pelos ingleses e conduzida a Ruão, passou por Eu, onde passou a noite.

A vila foi incendiada em 1475 por ordem de Luís XI de França (1461-1483), que supôs que o conde de Saint-Pol não conseguiria mantê-la a salvo dos ingleses. O conde d'Eu à época, João de Borgonha, mandou erguer uma mansão com uma pequena torre acedida por uma escada exterior.

Os séculos XVI e XVII

No final do século XVI, Catarina de Clèves, condessa d'Eu, e seu marido, o duque Henrique I de Guise, iniciaram a construção de um amplo castelo com planta em "U", da qual, entretanto, apenas uma ala e metade dos aposentos foram executados.

Em 1660 o castelo foi adquirido e utilizado como residência por Ana, duquesa de Montpensier, a “Grande Mademoiselle”, prima de Luís XIV da França (1643-1715). Em mãos da duquesa, esta fê-lo decorar com a sua valiosa coleção de retratos e fez alongar um pavilhão flanqueado por um toilete que se conserva até hoje. Dirigiu ainda a construção de um jardim em estilo inglês, sacrificando o baluarte fronteiro à fachada Oeste; fez plantar diversas espécies de plantas ornamentais e árvores frutíferas; e ergueu um pequeno castelo para o seu repouso, assim como um pavilhão que lhe permitia admirar o mar. Em 1663 o soberano condenou-a ao exílio em seu domínio Normando, para puni-la por sua participação na Fronda.

A duquesa vendeu o castelo ao duque de Maine em 1681,

O século XVIII transcorreu sem fatos dignos de menção.

Do século XIX ao XX

No século XIX, com a morte da mãe em 1821, o duque de Orleans herdou os domínios d'Eu.

Em 1828, o arquiteto Pierre François Léonard Fontaine começou a restaurar o castelo. Cozinhas, partes comuns, estufas e uma cerca foram construídas para o conforto dos príncipes. Caves foram escavadas, grandes vidros foram encomendados às vidraçarias do vale de Bresle para guarnecer as 24 portas-janelas, janelas, lucernas e tabaqueiras, assim como instalados suntuosos pisos de marchetaria, pelo artesão inglês Packham, em todos os aposentos do rés-do-chão e do primeiro pavimento do castelo. Neste período, o castelo foi objeto das visitas regulares de Luís Filipe I da França (1830-1848) e sua família.

Aqui foi o local simbólico da formação da Primeira Entente Cordiale com as visitas de Vitória do Reino Unido (1837-1901) em 1843 e em 1845.

Em 1874, o conde de Paris, neto do soberano francês, admirador dos princípios da agronomia inglesa, ali implantou uma fazenda-modelo. Confiou a modernização e decoração do castelo ao arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, que nelas trabalhou até à sua morte, em 1879. Foi a um aluno de Viollet-le-Duc, Morice, que confiou, antes de sua partida para o exílio em 1886, a restauração da Capela da Santa Cruz, até então abandonada.

Com a proclamação da República no Brasil (1889), o castelo veio a tornar-se residência da Família Imperial Brasileira no exílio. Gastão de Orleans, conde d'Eu, recebeu permissão de seus familiares para residir no castelo junto com sua esposa, a princesa Isabel do Brasil, e três filhos. Os descendentes do casal residiram no castelo até 1945.

Um violento incêndio destruiu toda a parte Sul do castelo em 1902, poupando apenas a capela e o toilete. Os trabalhos de restauração foram empreendidos pelo conde d'Eu e pelo príncipe Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, seu filho mais velho.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Hospital temporário n.° 20 foi instalado nas dependências do castelo. Graças aos esforços do major Denis Sauzéat (falecido em 1915) para obter recursos, ao auxílio de Marie Curie e à utilização da viatura do príncipe Pedro de Alcântara, ele estabeleceu um posto de radiologia em uma das salas do castelo.

Na década de 1940 os Orleans e Bragança venderam o castelo ao magnata brasileiro Assis Chateaubriand, que pretendia fazer da construção a sede da "Fundação Dom Pedro II", um instituto de auxílio a estudantes brasileiros na Europa, que jamais saiu do papel.

Adquirido pelo governo municipal de Sena Marítimo em 1961, o Castelo d'Eu reabriu em 1973, passando a abrigar a Casa da Câmara e o chamado Musée Louis-Philippe, este último destinado a preservar a memória dos príncipes e da monarquia. Em seu acervo encontram-se peças pertencentes à Família Imperial Brasileira.

Encontra-se inscrito como "Monument Historique" desde 6 de junho de 1983 e classificado sob o mesmo título desde 30 de outubro de 1985. É um sítio classificado desde 1987.

Uma campanha de restauração do seu interior teve início em 2001, tendo o Museu estado encerrado ao público por cerca de 2 anos. Foi reaberto, parcialmente, a 1 de setembro de 2003.

Contribution

Updated at 07/11/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Château d'Eu


  • Castle





  • France


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se inscrito como "Monument Historique" desde 6 de junho de 1983 e classificado sob o mesmo título desde 30 de outubro de 1985. É um sítio classificado desde 1987.





  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : France
    State/Province: Seine-Maritime
    City: Eu



  • Lat: 50 -3' 3''N | Lon: 1 -26' 57''E










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