Peyrepertuse Castle

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O “Castelo de Peyrepertuse” (em francês: “Château de Peyrepertuse”; em occitano "Castèl de Pèirapertusa") localiza-se na comuna de Duilhac-sous-Peyrepertuse, no Departamento de Aude, na região de Languedoc-Roussillon, na França.

Situado no maciço das Corbières, em posição dominante no alto de uma crista rochosa que separa Duilhac da vila de Rouffiac-des-Corbières, a sua função era a de vigiar os vales circundantes, controlar os desfiladeiros na montanha e comunicar-se por sinais com o Castelo de Quéribus, um pouco mais ao Sul.

História

Antecedentes

O local foi ocupado no período romano desde o início do século I a.C., como o comprovam recentes escavações arqueológicas.

Em 806 surgem as primeiras menções históricas ao castelo. O Perapertusès, nome da área dependente de Peyrepertuse, pertenceu ao condado carolíngio de Razès até 874, quando se autonomizou, até que, com o viscondado de Fenouillèdes, foi submetido e anexado ao condado da Cerdagne em 988. Posteriormente passou para o condado de Besalú, uma pequena cidade na Catalunha, entre Figueres e Olot, de acordo com um documento de 1020. O seu suserano à época era o conde Bernard Taillefer de Besalú. A primeira menção documental ao castelo data de 1070.

Em 1111 transitou para o condado de Barcelona, e depois para o viscondado de Narbonne. A partir de 1180, Afonso II, conde de Barcelona, subiu ao trono de Aragão, e emancipou-se da vassalagem ao monarca de França. A partir de então, a área tornou-se, de fato, uma fronteira.

No contexto da Cruzada Albigense (1209-1244), constituiu-se em feudo de Guillaume de Peyrepertuse que, sem que se submetesse, foi excomungado pela Igreja Católica em 1224.

Em novembro de 1240 tornou-se possessão da coroa francesa. Luís IX de França (1226-1270) decidiu reforçá-lo em 1242, acrescentando um novo recinto, em cota mais elevada na mesma crista - o "Torreão de Sant Jordi" (Torreão de São Jorge). O calabouço de Sant Jordi foi construído em 1250-51, momento em que a antiga torre de menagem e igreja foram também intervencionadas. Data ainda deste reinado a escadaria de acesso que leva o nome do soberano: “escadaria de São Luís”.

A situação política manteve-se indefinida na região até à assinatura do Tratado de Corbeil em (1258), deixando livres a Catalunha e o Languedoc. O diploma também fixou a fronteira ao sul do Castelo de Peyrepertuse. O conjunto tornou-se uma das fortificações reais na região - os chamados "Cinco filhos de Carcassonne" (junto com os de Aguilar, Puilaurens, Quéribus e Termes) - que defendiam a fronteira francesa frente ao reino de Aragão, mais tarde da Espanha, já no século XVII.

Em 1355, o castelo foi restaurado ao estado de defesa e, posteriormente, Carlos V de França (1364-1380) autorizou Henrique de Transtámara, pretendente ao trono de Castela, derrotado na Batalha de Nájera, também referida como de Navarrete (1367), a refugiar-se ali.

Em 1542, Jean de Graves, senhor de Sérignan, conquistou o castelo em nome da Reforma Protestante, mas foi capturado e executado.

O castelo perdeu importância estratégica na fronteira com a anexação do Rossilhão (1658) e a assinatura do Tratado dos Pirenéus (1659). Ainda assim, conservou uma pequena guarnição sob o comando de um oficial subalterno até à época da Revolução Francesa (1789), quando foi abandonado.

Foi vendido como propriedade nacional em 1820.

O conjunto encontra-se classificado como monumento histórico pelo Ministério francês de Cultura desde 1908.

Em ruínas, a primeira campanha de consolidação do monumento teve lugar em 1950. A maioria das muralhas ainda se encontra de pé, e algumas partes ainda estão bem preservadas, como por exemplo a capela fortificada no Castelo Inferior. Considerado como um dos chamados "castelos cátaros", o conjunto atrai cerca de cem mil visitantes por ano.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento rural, isolado, numa crista calcária com cerca de 800 metros de comprimento, na cota de 800 metros acima do nível do mar.

Apresenta as dimensões gerais de 300 metros de comprimento por 50 de largura na sua parte mais larga, conservando atualmente um perímetro de 2,5 quilómetros de muralhas naturalmente defendido pelos penhascos que o cercam. Uma vez dentro do recinto, constata-se que, mais do que uma simples fortificação, está-se na presença de uma vila medieval.

A qualidade dos seus edifícios e a espessura das suas muralhas, fazem do Castelo de Peyrepertuse o conjunto mais importante e o exemplo mais notável da arquitetura militar da Idade Média no Languedoc. Distribui-se em três partes:

O castelo baixo ou antigo

Corresponde ao primitivo castelo do conde de Besalù. Situa-se na parte Leste, em conta inferior na cordilheira, tendo como acesso apenas uma pequena porta defendida por uma barbacã. Apresenta planta triangular, definida por uma muralha de 102 metros de perímetro, ladeada por duas torres de planta semicircular. No pátio assim definido erguem-se diversas construções: à esquerda, a torre de menagem; à direita, a Capela de Santa María Bastida (1115) com uma pequena habitação adossada, com a função de lugar de oração e de refúgio. Aqui podemos observar uma combinação entre a simplicidade do românico em sua abside coberta por abóbada de canhão, os elementos arquitetónicos da fortificação e outra muralha na qual se rasga uma porta em arco de meio ponto. Esta porta acede a uma pequena sala fechada por um segundo muro.

Pátio intermédio

Mais amplo que o anterior, estende-se até aos limites da escarpa. Nele subsistem apenas os vestígios de uma estrutura pentagonal com aberturas, e a muralha com o seu caminho de ronda.

O castelo novo ou Torreão de Sant Jordi

A Norte, na cota mais elevada da escarpa, foi erguido o recinto novo, uma fortificação dentro da fortificação. É acedido por uma escadaria - Escadaria de São Luís – com cerca de 60 degraus abertos no paredão rochoso. Entre as salas do torreão destaca-se a Capela de Sant Jordi, de nave única e abside semicircular.

Como curiosidade, refira-se que, embora a principal entrada do castelo se dê pela face norte, à época dos Cátaros, ao final de um caminho estreito, uma passagem oculta por trás de um grande espigão rochoso permitia o acesso ao castelo com o recurso a uma escada amovível. Essa poterna encontra-se atualmente vedada, embora o caminho ainda exista.

Contribution

Updated at 14/03/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Peyrepertuse Castle


  • Castle





  • France


  • Conserved Ruins

  • National Protection
    Encontra-se classificado como monumento histórico pelo Ministério francês de Cultura desde 1908



  • +33 4 30 37 00 77


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country :
    State/Province:
    City:

    11350 Duilhac-sous-Peyrepertuse, França


  • Lat: 42 -53' 46''N | Lon: 2 -34' 40''E







  • Castelo cátaro



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