Ega's Castle

Condeixa-a-Nova, Coimbra - Portugal

O “Castelo da Ega” localizava-se no Casal da Vila, freguesia de Ega, concelho de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, em Portugal.

História

Remonta a uma fortificação do período islâmico, por volta do século X em diante, de acordo com os testemunhos arqueológicos que remontam ao período Omíada.

Com a reconquista de Coimbra (1064) e a reorganização do território sob o governo do conde Sesnando Davides, Ega foi integrada na Linha Defensiva do Mondego, fato comprovado pelos relatos das investidas Almorávidas, com destaque para a que, em 1116, fustigou Ega e Soure.

O primeiro documento histórico que refere a povoação é a carta de doação de D. Teresa de Leão à Ordem do Templo dos territórios que compreendiam a vila de Soure e as terras entre Coimbra e Leiria em 1128, doação confirmada por Afonso I de Portugal (1143-1185). Uma Inquirição de 1184-1185 refere que Ega teria sido povoada pelos Templários em meados do século XII, iniciando-se a respetiva igreja matriz na década de 1140, que estaria concluída em 1162. Afirma-se que uma antiga fortificação islâmica terá sido reedificada – uma torre ou um castelo -, em finais do século XII ou inícios do XIII, pelos cavaleiros da Ordem, cujo mestre, em 1231, outorgou carta de foral a Ega.

No início do século XIV, face aos crescentes conflitos senhoriais e acusações de usurpação de direitos pelos Templários, por sentença de 27 de novembro de 1309 Dinis I de Portugal (1279-1325) determinou a recuperação, para a sua posse, do senhorio das vilas de Soure, Pombal, Ega e Redinha. Mais tarde, em 1319, diante da extinção da Ordem do Templo (1312) pelo papa Clemente V no Concílio de Vienne (1311-1312), D. Dinis conseguiu que todos os bens da Ordem passassem a pertencer à nova Ordem de Cristo, fundada pelo soberano, que lhe doava, entre outros bens, “as vilas, castelos e lugares de Soure, Pombal, Ega e Redinha”. Nesses bens foi integrada como “comenda velha” a comenda da Ega, uma das mais importantes (a mais importante, segundo alguns historiadores) das comendas da Ordem, tendo custeado a maior parte da despesa da armada de Vasco da Gama, na descoberta do caminho marítimo para a Índia (1497-1499).

Em fevereiro de 1508, os visitadores da Ordem de Cristo, encontrando o edifício muito degradado, ordenaram ao comendador D. Fernando de Sousa que nele realizasse, no prazo de dois anos, grandes trabalhos de recuperação. A sala do lado Oeste seria a mais importante do Paço, tendo aí sido mandado construir um fogão de sala, que ainda hoje se mantém de pé. As salas foram mandadas soalhar de novo e colocar tetos de madeira. Todo o edifício sofreu benfeitorias nas paredes e pisos, tendo também sido mandadas colocar novas portadas de madeira nas portas e janelas.

As obras dessa ampla intervenção de recuperação - a mais significativa da história do Paço -, ficaram a cargo do arquiteto e mestre empreiteiro das obras régias de Coimbra, Marcos Pires, responsável pela edificação do Claustro de Silêncio da Igreja de Santa Cruz de Coimbra, e que, na mesma época, dirigiu a primeira fase das obras de reconstrução da matriz da vila.

Manuel I de Portugal (1595-1521) outorgou o Foral Novo â vila em 25 de fevereiro de 1514.

Por morte do infante D. Francisco, em 1750, a comenda da Ega foi concedida por José I de Portugal (1750-1777) a seu irmão D. Pedro. Por morte de D. Pedro, os bens desta comenda foram incorporados na Casa do Infantado.

O edifício ficou então ao abandono como confirmam as Memórias Paroquiais de 1758, referindo o pároco que “(…) não he terra murada, nem praça d’armas e só no simo da vila se conservam huas paredes antigas, que ha tradiçam foram de habitaçam do Comendador (...) e tem o nome de Paço.” (Op. cit.)

Em 1793, o Paço e a sua quinta (com cerca de 1420000 m2) foram adquiridos pelo desembargador Dr. João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho (irmão do bispo-conde D. Francisco de Lemos Coutinho). Com a morte dos irmãos, o Paço passou por herança para a família Lemos, de Condeixa, vindo a ser adquirido, em 1895, pelo conde Correia Bettencourt. Com a perspetiva da revolução republicana, o Paço foi vendido e a quinta dividida. O Paço foi adquirido pelo professor  Falcão, que aí instalou duas salas de aulas para o ensino primário, que funcionaram até aos finais da década de 1930, vindo o educador a ser aí assassinado na noite de Santo António de 1933.

Em 1951 foi construído, junto ao edifício, o depósito para distribuição domiciliária de água à povoação.

Após a Revolução dos Cravos (1974), nas dependências do antigo Paço foram instalados a Casa do Povo, os Serviços Médico-Sociais, a Farmácia e uma Associação Cultural e Recreativa, que para o efeito recebeu obras de adaptação sem critério.

O Paço dos Comendadores da Ega, Paço da Ordem de Cristo, Palácio dos Comendadores ou Paço da Ega, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 5/2002, publicado no Diário da República, 1.ª Série-B, nº 42, de 19 de fevereiro.

Em nossos dias sofreu extensa intervenção e restauro, que lhe devolveram a feição quinhentista, e o requalificaram para Turismo de Habitação, com projeto do Arquiteto Miguel Brito Correia.

Características

Exemplar de arquitetura civil, erguido sobre outro, mais antigo, militar, constituindo-se em exemplo do modelo de arquitetura senhorial rural de gosto manuelino. Situado no ponto mais elevado da povoação, apresenta planta quadrada de grandes dimensões, estruturado em três alas laterais que se fecham através de um muro onde se rasga o portão principal, definindo um pátio central no interior do paço.

Nas diversas fachadas do paço foram rasgadas janelas e portais de acesso ao interior, que ao contrário do que era habitual na época, em que este tipo de elementos estruturais eram decorados com relevos de motivos naturalistas, apresentam moldura simples. Para além disso, estas aberturas apresentam dimensões distintas entre si e foram dispostas em número desigual em cada um dos frontispícios, o que, no entanto, não compromete a harmonia do conjunto. Destaca-se uma janela de mainel, suportada ao centro por coluna torsa.

O estado de ruína vivido pelo imóvel originou que muitos elementos que integravam o primitivo conjunto do edifício, tanto no espaço que o rodeia como na sua estrutura interior, se perdessem. Um desses elementos é a capela privada do palácio, que teria sido edificada à direita do edifício, anexa ao corpo deste.

Está rodeado por uma propriedade com cerca de 20.000 m², com destaque para uma mata secular de carvalhos, sobreiros, azinheiras, pinheiros e oliveiras, entre outras espécies.

Contribution

Updated at 09/09/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O Paço dos Comendadores da Ega, Paço da Ordem de Cristo, Palácio dos Comendadores ou Paço da Ega, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 5/2002, publicado no Diário da República, 1.ª Série-B, nº 42, de 19 de fevereiro.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Condeixa-a-Nova

    Paço da Ega, Condeixa-a-Nova, Ega
    3150-256 Condeixa-a-Nova, Portugal


  • Lat: 40 -6' 16''N | Lon: 8 32' 15''W







  • Castelo Templário



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