Feitoria da Ilha de Itamaracá

Ilha de Itamaracá, Pernambuco - Brazil

A Feitoria da Ilha de Itamaracá estava localizada na altura da foz do rio Igarassu e na vizinha ponta sul da ilha de Ascensão (hoje Itamaracá), no litoral do atual Estado de Pernambuco.

A primeira estrutura de defesa fixa portuguesa em Pernambuco foi uma feitoria de pau-brasil (Caesalpinia echinata), erguida à margem direita da foz do rio Igarassu por Cristóvão Jaques no contexto de sua primeira expedição à costa brasileira (1516-19), em substituição à Feitoria do Rio de Janeiro, que fizera desativar entre 1516 e 1517 (AVELLAR, 1976:55; BUENO, 1998:57; BUENO, 1999:197). Ela é mencionada nas Cartas de Doação de D. João III (1521-57) (a) em favor de Pero Lopes de Sousa, ao determinar a colocação de um padrão a 10 passos da casa de feitoria que "de princípio fez Christovão Jaques pelo rio dentro, ao longo da praia", e (b) em favor de Duarte Coelho, em 10/mai/1534: "Cristovão Jaques fez a primeira casa de minha feitoria e a cinqüenta passos da dita casa da feitorya pelo rio a dentro ao longo da praya." (CASTRO, 1940:130). As razões dessa transferência foram, em linhas gerais:

A descoberta por estrangeiros daquela feitoria, com a conseqüente perda de lucratividade;

a melhor qualidade do pau-brasil do litoral nordeste; e

uma economia de dois meses na viagem de transporte (BUENO, 1998:127-128)

Na sua segunda expedição (1521-22), ao retornar do rio de Santa Maria (rio da Prata) rumo a Lisboa, Cristóvão Jaques carrega as suas caravelas com pau-brasil na feitoria de Pernambuco, onde desterra o piloto português Jorge Gomes por desentendimentos (BUENO, 1998:138).

Visitada pela armada de Sebastião Caboto (1526), onde esteve retida pelo mau tempo e pelas correntes (jun-set/1526), alí o piloto Jorge Gomes lhe descreveu as riquezas do rio da Prata, conduzindo-o ao porto dos Patos, ao sul da ilha de Santa Catarina. Escutando a mesma versão naquele porto, desiste da sua expedição original ao arquipélago das Molucas, para se dirigir ao rio da Prata (BUENO, 1998:147-148).

Cristóvão Jaques, quando da sua terceira expedição (1526-28), aporta à feitoria de Pernambuco (mai/1527) onde é informado, pelo náufrago espanhol D. Rodrigo de Acuña (da expedição de Jofre de Loyassa às Molucas, 1525), da presença de quatro navios franceses carregando pau-brasil na baía de Todos os Santos (BUENO, 1998:151). Cristóvão Jaques surpreende-os em fins de junho, matando e aprisionando centenas de franceses.

A feitoria de Pernambuco abrigou os feridos de Pero Lopes de Sousa, que capturara duas naus francesas ao Sul do cabo de Santo Agostinho:

"19/fev/1531 - (...) e mandou [o Capitão irmão, Martim Afonso de Sousa] levar todos os doentes a uma casa de feitoria que aí estava. (...)" (CASTRO, 1940:138-139)

Dali partiu, nesse mesmo mês, uma das naus capturadas aos franceses, carregada com 70 toneladas de pau-brasil e 30 prisioneiros normandos (sob o comando de João de Souza), as duas caravelas que se dirigiram à exploração do rio Maranón ("Rosa" e "Princesa", sob o comando de Diogo Leite), e o restante da expedição para o rio da Prata (BUENO, 1998:169).

Ainda em consequência do incidente de jun/1527 na costa da Bahia, a feitoria no rio Iguarassu foi bombardeada e conquistada pela nau "La Pelèrine" (mar/1531), que zarpara do porto de Marselha para a costa do Brasil em dez/1530. Sob o comando do Capitão Jean Dupéret, transportava 120 homens, 18 canhões, munição e material de construção, em missão "militar, comercial, agrícola e feitorial". A feitoria estava ocupada pelo feitor Diogo Dias e mais cinco portugueses, que junto com algumas dezenas de índios, resistiram durante dois dias ao assédio francês. Em inferioridade numérica, foi assinado o termo de rendição da feitoria. Mediante o pagamento de 400 ducados os portugueses se comprometiam a auxiliar os franceses a erguer uma nova fortaleza para substituir a feitoria arrasada pela artilharia (BUENO, 1998:107-108). A nova feitoria teria sido erguida, não à margem direita da foz do rio Igarassu, mas na ilha de Itamaracá (BUENO, 1999:197). De acordo com CASTRO (1940) o forte teria custado 4.000 ducados, tendo os portugueses nele trabalhado na condição de cativos.

A "La Pèlerine" zarpa de Itamaracá para Marselha (jun/1531), deixando a nova fortificação guarnecida por 70 homens. A nau, entretanto, será aprisionada por uma embarcação portuguesa no mar Mediterrâneo, ao largo de Málaga, na Espanha (set/1531), apreendendo-se em seus porões 15 mil toras de pau-brasil (cerca de 300 toneladas), três mil peles de onça, 600 papagaios, 300 quintais de algodão (cerca de 1,8 tonelada), óleos medicinais, sementes de algodão e amostras minerais (BUENO, 1998:108-109).

O fortim, erguido na ilha de Itamaracá, rebatizada como "île Saint Alexis", sob o comando do Capitão Sr. de La Motte (Carta de D. João III a Martim Afonso de Sousa, em 28/set/1532. apud: CASTRO, 1940:384-385), será atacado e destruído após um cerco de dezoito dias, por Pero Lopes de Sousa, quando de seu retorno de São Vicente a Portugal (ago-nov/1532), fazendo reerguer a antiga feitoria à margem direita da foz do rio Igarassu, mantendo o forte francês na ilha de Itamaracá, guarnecido por alguns homens sob o comando de Francisco de Braga (BUENO, 1998:181; BUENO, 1999:197).

Em 1533 aportou à feitoria de Pernambuco a Caravela Espera, transportando Paulo Nunes, substituto do feitor Vicente Martins Ferreira. Na ocasião, tomou posse do Cargo de Condestável do forte Pêro ou Cristóvão Franco e seria rebaixado ao de bombardeiro, Diogo Vaz (Carta de D. João III, de 10/fev/1533. apud: CASTRO, 1940).

Ambas as feitorias se transformarão em povoações nos meados do próprio século XVI (vide Fortificações de Igarassú e na ilha de Itamaracá). Após a fundação de Olinda, por Duarte Coelho, a povoação junto à foz do rio Igarassú passou a ser conhecida como "Pernambuco, o velho" (CASTRO, 1940).

As pesquisas arqueológicas do provável sítio da feitoria iniciaram-se na década de 1960, após uma forte ressaca ter colocado a descoberto vestígios de antigos muros de pedra. Durante um mês, em 1968, sob a direção do Prof. Marcos de Albuquerque, da Universidade de Pernambuco, foram identificados restos de cerâmica indígena e européia, pregos, facas e balas de arcabuz, bem como alicerces de pedra argamassada (RAJÃO, 1969:94-111) (vide Reduto dos Marcos).



 



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Contribution

Updated at 28/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Feitoria da Ilha de Itamaracá


  • Trading Post

  • 1516 (AC)

  • 1526 (AC)

  • Cristovão Jaques


  • Portugal


  • Abandoned Ruins






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Ilha de Itamaracá

    Localizada em uma pequena ilha da foz do Rio Igaraçú, na altura da ponta sul da Ilha de Itamaracá, no litoral do atual Estado de Pernambuco.


  • Lat: 7 46' 14''S | Lon: 34 51' 7''W










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