Frangocastelo

Sfakia, Chania - Greece

Search for fortification's images

Date 1 Date 2

Medias (1)

Images (1)

Frangocastelo” (em grego: “Φραγκοκάστελλο”; transliterado: “Phrankokástello”), também grafado “Frangokástello” e “Fragokastelo”, com o significado de "castelo dos francos", localiza-se na povoação de mesmo nome, próxima à cidade de Sfakiá, prefeitura de Chania, na costa sul da ilha de Creta, na Grécia.

História

Há abundantes vestígios de atividade humana na região de Sfakiá desde a pré-história, inclusive nas áreas montanhosas, de difícil acesso. Também existem diversos sítios arqueológicos minoicos, que datam de 1800–1450 a.C., onde foram encontradas peças de cerâmica.

A partir de meados do século VII, as razias de piratas muçulmanos levaram ao abandono gradual das localidades costeiras, que se transferiram para o interior em busca de segurança, o que também ocorreu em Frangocastelo.

A Sereníssima República de Veneza estabeleceu-se em Creta a partir de 1204, constituindo-se o Ducado de Candia. Durante esse período, sabe-se que poderosas famílias de ascendência bizantina possuíram extensas feudos na região, tendo exercido grande influência sobre a população cristã ortodoxa, a quem a administração veneziana concedeu alguns poderes administrativos, implementando um sistema feudal de caraterísticas peculiares, adaptado às condições de Creta. A área de Sfakiá era governada pela família Skordilis, da qual descenderam dois ramos rivais, os Pateras e os Papadopoulos. Fontes venezianas coevas relatam que, nas lutas para impor o seu poder, cometiam crimes e oprimiam os habitantes.

As arbitrariedades dos senhores feudais provocaram rebeliões populares, o que levou a que os senhores pleiteassem a construção de uma fortificação, não apenas para o controlo da população, mas também como defesa contra os ataques de piratas. O senado veneziano acabou por satisfazer esse anseio em 10 de fevereiro de 1371.

As obras do castelo decorreram entre 1371 e 1374, denominado como Castelo de São Nikitas, patrono da igreja vizinha. A população, que nunca viu a fortificação com bons olhos, chamava-o desdenhosamente como “Frangokastello”, “Castelfranco” ou “Franco Castello”, com o significado de "castelo dos francos”, dado que “franco" era a designação genérica, à época, para os europeus ocidentais ou católicos no Império Bizantino. A designação acabaria, com o tempo, a ser adotada até mesmo pelos venezianos.

Na construção foram reutilizadas pedras da antiga cidade de Nikita, da qual apenas subsiste a igreja de Agios Nikita, onde todos os anos é celebrada uma festa no dia do padroeiro, 15 de setembro, célebre em toda a ilha, durante a qual se realizavam torneios desportivos.

Segundo a tradição local, quando os soldados e construtores chegaram ao local para iniciar as obras, a população, liderada pelos seis irmãos Patsos ou Patsia, da aldeia vizinha de Patsianos, saía todas as noites a destruir o que os venezianos haviam construído durante o dia. Os venezianos acabaram por se ver forçados a trazer mais tropas, e os irmãos Patsos foram presos e enforcados exemplarmente, após terem sido traídos.

Apesar da sua importância estratégica e das intervenções de reforço a que foi sujeita, por exemplo de 1593 a 1597, por determinação do intendente-geral Nicolò Donà, a fortificação parece não ter atendido o objetivo com que foi erguida, uma vez que a região de Sfakiá continuou sem lei, tendo havido mesmo períodos em que sequer houve guarnição em Frangocastelo. Este, entretanto, só foi abandonado por completo, quando findou o domínio veneziano (1669).

Durante o período otomano, Frangocastelo continuou a declinar. Durante a última fase da Revolta de Orlov (1770), os rebeldes de Sfakiá estabeleceram a sua base no castelo e, de acordo com algumas fontes, foi ali que que o líder da revolta fracassada, Ioannis Vlachos, mais conhecido como Daskalogiannis - um dos heróis de Creta -, se rendeu, sendo a seguir levado para a capital da ilha, Heraclião. De acordo com outras fontes, Daskalogiannis teria ido por sua iniciativa a Heraclião para negociar uma rendição em termos aceitáveis com os otomanos, mas foi detido, vindo a ser esfolado vivo junto à catedral, para servir de exemplo a outros potenciais rebeldes. Graças a esse sucesso, pela primeira vez os otomanos conseguiram dominar por completo a região de Sfakiá, embora por pouco tempo, uma vez que ali se continuaram a registar sangrentas revoltas.

No contexto da Guerra de Independência da Grécia (1821-1829), entre 1821 e 1824 os sfaquiotas nunca chegaram a depor completamente as armas. Em janeiro de 1828, Hadzi Michalis Dalianis desembarcou em Creta com 600 soldados de infantaria e cerca de 100 cavaleiros. Dalianis era um patriota grego do Epiro, empenhado em difundir em Creta a guerra de independência onde, pelo Tratado de Londres (6 julho de 1827) entre o Reino Unido, a França e a Rússia, onde essas potências se comprometiam a intervir a favor dos independentistas gregos, mas previam deixar Creta sob o domínio otomano.

Apesar da difícil situação económica em que se encontravam, os sfaquiotas responderam ao apelo, juntando-se às tropas de Dalianis, oferecendo uma parte substancial das colheitas de Frangocastelo para sustento dos soldados e montarias, e reunindo uma considerável soma de dinheiro.

Dalianis ocupou Frangocastelo com as suas tropas no início de março de 1828 e, entusiasmado com o sucesso obtido num ataque a Retimno contra as tropas otomanas, no qual fez muitos prisioneiros e apresou numerosos animais e mantimentos, decidiu enfrentar os turcos em campo aberto em Frangocastelo, contra os conselhos dos sfaquiotas, que preferiam continuar as táticas de guerrilha a que estavam habituados. A superioridade numérica das tropas regulares turcas favoreceu as forças do governador otomano de Creta, Mustafá Naili Paxá, ao serviço de Mehmet Ali, quediva do Egito que, entretanto, tinha cercado a área e estabelecido acampamento junto à importante nascente de Apokronos, cortando os abastecimentos aos rebeldes.

As forças otomanas, compostas possivelmente por cerca de 300 cavaleiros e 5000 soldados gregos de infantaria (outras fontes estimam essa cifra em 8 000 soldados) atacaram os rebeldes em Frangocastelo ao alvorecer de 17 de maio de 1828, e chacinaram praticamente todos os que saíram do forte para combater, incluindo Dalianis. As baixas otomanas teriam ascendido a 800 mortos e feridos. Os 400 gregos do Epiro e de Creta (incluindo mulheres e crianças), muitos deles feridos, que permaneceram no interior da fortificação viram-se numa situação desesperada, mas apenas vieram a render-se a 24 de maio, entregando a praça em troca da própria liberdade. Após esse evento, muitos otomanos viriam a ser mortos em emboscadas lançadas dos desfiladeiros vizinhos pelos rebeldes.

De posse do castelo, Mustafá Naili Paxá mandou demolir o que dele restava a fim de que ele não voltasse a ser usado por rebeldes.

Durante a Revolta de Creta (1866-1869), o castelo foi reconstruído pelos otomanos para controlar aquela parte da ilha, vindo a ser abandonado com o fim do domínio otomano.

Em nossos dias subsistem apenas as muralhas exteriores, arruinadas.

Características

Exemplar de arquitetura militar, situado junto à praia.

Apresenta planta retangular, com torres de planta quadrada nos vértices. No alto dessas torres, podem ser observados vestígios de antigas ameias. A torre sul é mais alta do que as demais. Era a mais importante uma vez que tinha a função de defesa do Portão de Armas e de ser o último reduto de defesa caso o castelo fosse assaltado.

O portão de armas rasga-se na muralha sul, decorado com brasões de famílias nobres; acima dele há um brasão com o Leão de São Marcos, símbolo da Sereníssima República de Veneza. Na muralha leste, rasga-se uma pequena porta com arco.

Ao longo do lado interior das muralhas identificam-se ruínas de edifícios de planta retangular, que tinham a função de quartéis, armazéns, estábulos e outras

Os Drosoulites

De acordo com uma lenta cretense, todos os anos, ao amanhecer dos últimos dias de maio e particularmente em 1 de junho ou, segundo outras fontes, precisamente no dia 17 de maio, o aniversário da batalha de 1828, são avistados os fantasmas dos cretenses e epirotas que perderam as suas vidas no combate junto ao castelo. São os chamados “Drosoulites” ou “Dhroussulítes”(em grego: “Δροσουλίτες”, com o sentido de "sombras no orvalho").



 Related character


 Print the Related character



Related links 

Kastrologos
Kastrologos (www.kastra.eu) is a bilingual website about the Greek Medieval Castles, Fortresses and Towers.

https://www.kastra.eu/

 Print the Related links

Contribution

Updated at 24/05/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Frangocastelo

  • Phrankokástello, Frangokástello, Fragokastelo, Castelfranco, Franco Castello, Castelo de São Nikitas

  • Fort

  • 1371 (AC)

  • 1374 (AC)



  • Greece


  • Conserved Ruins






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Greece
    State/Province: Chania
    City: Sfakia



  • Lat: 35 -11' 5''N | Lon: 24 -15' 58''E







  • Castelo Veneziano



Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Frangocastelo