Forte de São João Batista do Brum

Recife, Pernambuco - Brazil

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O Forte do Brum está localizado ao norte de Recife, no istmo de areia que a liga a Olinda, no atual Estado de Pernambuco.

Souza (1889) denomina-o simplesmente de Forte de São Jorge (vide Forte de São Jorge Velho), localizando-o meia milha ao sul do Forte de Santo Antônio do Buraco (vide Forte Madame Bruyne), no lugar chamado Fora de Portas.

De acordo com o autor, sobre os alicerces da trincheira que gerou o Forte de São Jorge Velho, os holandeses teriam edificado o Forte de São João Batista do Brum, o que parece incorreto, atribuindo ainda errôneamente o sobrenome Brum ao General holandês Vanderbourg. Esclarece ainda que essa estrutura era denominada pelos pernambucanos de Forte Perrexil. Barretto (1958), atribuindo-lhe as designações Forte Diogo Paes, Forte do Brum, Forte de São João Batista do Brum e Forte Perrexil, remonta-o a 1629.

Efetivamente essa praça foi iniciada a partir de out/1629, com risco do Engenheiro Diogo Paes, e as obras a cargo do Sargento-mór Engenheiro Pedro Correia da Gama, por determinação do governador da Capitania de Pernambuco, o Capitão-mór Matias de Albuquerque (1590-1647), na iminência da invasão holandesa que se concretiza no início do ano seguinte.

O mesmo autor computa-lhe quatorze peças, tendo sido conquistado, ainda em obras, em fev/1630). Reconstruído a partir de abr-mai/1630 com projeto do Engenheiro holandês Commersteijn, é rebatizado como Forte Bruyne (por corruptela, Brum), em homenagem a Johan Bruyne, integrante do Conselho de Comissários que governou o Brasil holandês.

A sua estrutura era uma forte estacada dupla de madeira preenchida com areia, contratada por empreitada com o Alferes do Capitão Ellert, Ludolf Nieuwenhuysen e com o Sargento do Capitão Craey, Joris Bos. Sobre esta estrutura, Nassau, no "Breve Discurso" de 14/jan/1638, sob o tópico ";Fortificações", reporta: "Adiante do Castelo de São Jorge, sobre a praia de areia que vai ter à cidade de Olinda, está o Forte de Bruyne. É quadrangular, tem do lado do mar somente meios baluartes pequenos, e do lado do rio [Beberibe] baluartes inteiros e acabados. Acha-se em boa ordem e em perfeito estado, mas não tem fosso e nem as necessárias paliçadas. Há diante dele um hornaveque que está um tanto estragado. A tiro de mosquete deste hornaveque fica um reduto que serve de guarda-avançada.

" O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, datado de 04/abr/1640, complementa, atribuindo-lhe a Companhia do Sr. Ghijselin com um efetivo de 125 homens:

"Adiante do Castelo de São Jorge, sobre a praia de areia que vai ter à cidade de Olinda, está o forte de Bruyne. É quadrangular, tem do lado do mar somente meios baluartes pequenos, e do lado do rio [Beberibe] baluartes inteiros e acabados. Acha-se em boa ordem e em perfeito estado, mas não tem fosso e nem as necessárias paliçadas. Há diante dele um hornaveque que está um tanto estragado. A tiro de mosquete deste hornaveque fica um reduto que serve de guarda-avançada."

O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, datado de 4 de abril de 1640, complementa, atribuindo-lhe a Companhia do Sr. Ghijselin com um efetivo de 125 homens:

"À distância de um tiro longo de mosquete do Castelo de São Jorge em direção à cidade de Olinda, fica o forte de Bruyn, que é um forte de quatro baluartes, se bem que, do lado do mar, em consequência do descaimento da praia, os baluartes e os flancos não puderam ser completados; possui um hornaveque, não tem fosso mas uma sólida paliçada em torno, sendo o forte de uma altura regular. Nele há 7 canhões de bronze a saber: 2 de 24 libras, 1 de 18 [lb], 1 de 16 [lb] (sendo uma peça espanhola), 1 de 10 lb, também [peça] espanhola, e 2 bombardas de 6 lb, todos montados."

Barléu (1974) transcreve a informação: "(...) Não longe do Forte de São Jorge, avista-se o do Brum com quatro bastiões e sete peças de bronze, fechado, demais, com a sua estacada." (op. cit., p. 142). Atribui-lhe o mesmo efetivo de 125 homens (op. cit., p. 146). Figura nos mapas de Frans Post (1612-1680) da Ilha de Antônio Vaz (1637), e de Mauritiopolis (1645. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro), e no mapa "A Cidade Maurícia em 1644", de Cornelis Golijath.

Reconquistado por forças portuguesas ao final do conflito (1654), quando estava artilhado com quatorze peças (GARRIDO, 1940:70), foi rebatizado como Forte de São João Batista. O governador da Capitania de Pernambuco, Bernardo de Miranda Henriques, solicitou à Coroa permissão para restaurar o forte (18 de setembro de 1667), tendo em vista a sua importância para a defesa da Capitania. Com a nomeação de Antônio Correia Pinto para o cargo de Engenheiro da Capitania de Pernambuco (15 de dezembro de 1668), foi elaborada planta para a sua reconstrução, cujas obras ficam a cargo da Câmara Municipal de Olinda, empregando-se a pedra retirada das ruínas abandonadas do Forte de São Jorge Novo (arenito retirado dos recifes). A partir de 1671 as obras passam à responsabilidade de João Fernandes Vieira (1602-1681) no cargo de Superintendente das Obras de Fortificação da Capitania de Pernambuco, acrescentando-se-lhe um fosso inundado no exterior, protegido por um pequeno muro, concluindo-se as suas obras em 1690, no governo de Antônio Luiz Gonsalves da Câmara. Obras complementares prosseguiram até 1715.Foi cenário dos diversos conflitos registrados na Província na primeira metade do século XIX:

Durante a Revolução Pernambucana (1817), após o assassinato do Brigadeiro Barbosa de Castro pelo Capitão José de Barros (o "Leão Coroado") no Forte de São Tiago das Cinco Pontas (6 de março), o Governador e Capitão-general da Província de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro (1804-1817), refugiou-se no Forte do Brum. Sem meios de defesa ante o assalto dos rebeldes, o governador foi forçado a capitular (7 de março) e a embarcar para o Rio de Janeiro.

Em 1823 o Comandante das Armas da Província, Coronel Joaquim José de Almeida, foi detido neste forte, pelo povo e pela tropa, amotinados (GARRIDO, 1940:70).

Durante a Confederação do Equador (1824), nele também foi detido o chefe da Junta Governativa nomeado pela Câmara de Olinda, Manuel de Carvalho Pais de Andrade. A sua guarnição se revoltou, libertando-o, iniciando o conflito (TINÉ, 1969:96-97), que se encerrou com a ocupação deste forte (17 de setembro de 1824) (GARRIDO, 1940:70).

Durante a Insurreição Praieira (1848), serviu como prisão política, conforme a "Lista dos Cidadãos que se achavam presos em Pernambuco em 2 de maio de 1849" (MELLO, 1978:237-238).

Souza (1885),relata que seu traçado era o de um polígono irregular, composto de três faces abaulartadas e uma simples, faceando o ancoradouro. Encontrava-se em bom estado de conservação, classificada como de 2ª Classe, e sua artilharia montava a quarenta e oito peças de diferentes calibres, servindo de registro ao porto do Recife, à época (1885) (op. cit., p. 83). Cercado por um fosso, o seu interior é acessado por uma ponte sobre arcos de alvenaria, e um portão monumental. No vértice dos dois baluartes pelo lado de terra, erguem-se guaritas hexagonais. Ao abrigo das muralhas, sobre o terrapleno, em torno da praça de armas (com 300 m²), ergue-se o conjunto das edificações: Quartel de Tropa, Quartel de Comando, Casa da Pólvora, Capela, Calabouço e outras.GARRIDO (1940) reporta que o forte sofreu reparos em 1886, e melhoramentos, no montante de 11:888$000 réis, em 1889. Em 1907 exigia reparos gerais, particularmente no esgoto e na iluminação, tendo se providenciado o mais urgente em 1908, e se destinado uma verba de 14:000$000 réis para o ano de 1909. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi guarnecido, a partir de 1915, pela 2ª Bateria do 4º Batalhão de Posição da Bahia (op. cit., p. 70).

A partir de 1934, o General Manoel Rabelo cogitou reformar as suas instalações para aí instalar um Museu Militar. Permanecia abandonado ainda em 1938, abrigando famílias de baixa renda (GARRIDO, 1940:70-71). De propriedade do governo do Estado de Pernambuco, foi tombado pelo IPHAN desde 1938. Em meados do século XX, serviu como depósito da 7ª Região Militar (BARRETTO, 1958:146), e como posto de alistamento.

Sofreu pesquisa arqueológica parcial em 1985, pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, em colaboração com o Comando Militar do Nordeste, a 7ª Região Militar e a Fundação Joaquim Nabuco. Na ocasião foi pesquisada a Praça de Armas, descobrindo-se algumas das primitivas estruturas do forte, inclusive a cacimba de água.

Administrado pelo Exército brasileiro, encontra-se restaurado e aberto ao público, abrigando, desde 5 de janeiro de 1987, o Museu Militar do Forte do Brum (MMFB), que exibe armamento e peças arqueológicas.

Em seu interior destaca-se a Capela de São João Batista, em estilo maneirista (FRANCA,1997).



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Forte de São João Batista do Brum
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de São João Batista do Brum, que se localiza no bairro do Recife, cidade do Recife, Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Batista_do_Br...
Forte de São João Batista do Brum
Website Longo Alcance versando sobre o Forte de São João Batista do Brum, que se localiza na cidade de Recife, Estado de Pernambuco.

http://www.longoalcance.com.br/brecife/h_brum.htm
Forte de São João Batista do Brum
Website Magma Arqueologia, versando sobre o Forte de São João Batista do Brum, que se localiza na cidade de Recife, Estado de Pernambuco.

http://www.magmarqueologia.pro.br/F_Brum.htm
Fortificações de Recife
Website Colonial Voyage, em inglês, versando sobre as seguintes fortificações de Recife, no Estado de Pernambuco: Forte de São João Batista do Brum e Forte das Cinco Pontas.

http://www.colonialvoyage.com/viaggi/brazilrecifeforts.html
Fortificações de Pernambuco
Website Pernambuco.com, apresenta informações acerca das seguintes fortificações localizadas no Estado de Pernambuco, Brasil: Forte das Cinco Pontas, Forte do Brum, Forte de São Francisco, Forte de Pau Amarelo, Forte de Orange, Forte Tamandaré, Forte Castelo do Mar e Forte Nossa Senhora dos Remédios.

http://www.pernambuco.com/turismo/fortes.shtml
Forte do Brum
Website Brasil Arqueológico, da Equipe do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, versando sobre o Forte do Brum, que se localiza na cidade de Recife, Estado de Pernambuco.

http://www.brasilarqueologico.com.br/arqueologia-forte-brum.php

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  • Forte de São João Batista do Brum

  • Fortaleza de São João Batista do Brum; Forte do Brum; Forte Diogo Paes; Forte Perrexil

  • Fort

  • 1629 (AC)


  • Diogo Paes

  • Matias de Albuquerque

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Patrimônio Histórico Nacional.
    Livro de Belas Artes: Inscrição:083, Data:24-5-1938. Livro Histórico: Inscrição:043, Data:24-5-1938.
    Nº Processo:0101-T-38.

  • Governo do Estado de Pernambuco

  • Exército Brasileiro

  • (81) 3224-4620 / 3224-7559

  • fortedobrum@gmail.com

  • Historical military museum
    A fortificação abriga o Museu Militar do Forte do Brum, inaugurado em 5 de janeiro de 1987, administrado pelo Exército Brasileiro.

    O museu aluga alguns espaços do forte para uso eventual: casamentos, exposições, confraternizações, formaturas, reuniões, entre outros.

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Recife

    O Forte do Brum está localizado na Praça da Comunidade Luso-Brasileira, s/nº, no Cais do Apolo, norte da cidade de Recife, Estado de Pernambuco, Brasil. CEP: 50.030-280


  • Lat: 8 3' 11''S | Lon: 34 52' 16''W



  • A fortificação abriga o Museu Militar do Forte do Brum que pode ser visitado de 3ª a 6ª feira, das 09:30h às 16:30h. Aos sábados, domingos e feriados, o horário de visitação é das 14:00h às 17:00h.








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