Sistema abaluartado de Badajoz

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O “Sistema abaluartado de Badajoz” (em castelhano: “Sistema abaluartado de Badajoz”) localiza-se na cidade, municipio e provincia de Badajoz, Comunidade Autónoma da Estremadura, na Espanha.

Após os confrontos entre Castela e Portugal durante o século XIV, as relações entre ambos os reinos foram normalizadas em uma atmosfera de paz que durou quase dois séculos e meio. No contexto da Guerra da Restauração Portuguesa (1640-1668), Badajoz tornou-se uma cidade fronteiriça, oposta à Praça-forte de Elvas, e graças a essa localização geoestratégica, a Coroa de Espanha compreendeu a necessidade de modernizar as suas defesas, transformando-a em uma praça-forte. Entre os diversos projetos apresentados pelos engenheiros militares, decidiu-se realizar as obras de acordo com o sistema idealizado por Vauban. No entanto, esses trabalhos não foram realizados de forma ordenada, tendo a improvisação, em meio a uma situação económica precária do reino, que prevaleceu, de tal modo que as reformas e melhorias se sucederam sobre as defesas existentes.

O sistema é formado por um conjunto de elementos defensivos — muralhas, baluartes, fortes, revelins, hornaveques, portas, fossos, galerias, glacis e outros —, construídos entre os séculos XVII e XVIII.

Badajoz constitui-se no maior recinto murado e fortificado da Espanha e possui a maior alcáçova da Europa, a maior do mundo de seu tipo à época.

O “Conjunto Histórico amurallado y fortificado de la ciudad de Badajoz” encontra-se clasificado como “Bien de Interés Cultural” pelo Patrimonio histórico de España, pela Declarações de 22 de abril de 1931 e de 1962.

História

A primitiva ocupação humana da área remonta à pré-história. A pesquisa arqueológica trouxe ainda à luz testemunhos de um importante centro visigótico.

Durante o período de dominação muçulmana na Península Ibérica, Ibn Marwan al-Yil'liqui ("o filho do galego" ou "o galego"), líder militar e religioso sufista do al-Andalus, rebelando-se contra o emir omíada de Córdova, Maomé I, estabeleceu uma espécie de reino independente com sede em Badajoz, que durou poucos anos (c. 874-890), até à fundação do Califado de Córdova (929 – 1031).

Ibn Marwan fundou Badajoz no cerro de San Cristóbal, situado em frente à povoação de Bataliaus, na margem esquerda do rio Guadiana, onde se havia estabelecido anteriormente. O local era estratégica e naturalmente defendido pelo rio, especialmente devido à sua grande largura nesse trecho. Para a construção e ampliação da nova cidade, bem como a consolidação da sua fortificação, Ibn Marwan não só teve a autorização do emir de Córdova, como recebeu dele parte dos recursos e dos pedreiros necessários para as obras.

Acerca do episódio da fundação, o cronista muçulmano al-Razi regista “(…) que [Ibn Marwán] saia de Alange com a sua gente e vá para o castelo de Bataliaus que nesses dias estava abandonado”; Ibn Hayyan regista “(…) que [Ibn Marwán] baixasse a Bataliaus que então estava desabitada e a construísse para ele e para a sua gente”. E complementa: Abderramão, filho de Maruane, conhecido como o Galego, foi quem fez nascer esta cidade, e foi o primeiro que construiu nela na Hégira 261, herdando-a o seu filho Ibne Zaide.” O ano 261 da Hégira corresponde ao ano 874 do calendário gregoriano.

Posteriormente, Ibn Idari relata que “(…) e o emir [de Cordoba] permitiu-lhe [a Ibn Marwán] que fosse para Bataliaus, que então era uma aldeia, e ali se estabelecesse”. E complementa: “(…) Ibne Maruane tinha edificado uma fortaleza em Bataliaus, onde tinha fixado residência, atraindo gentes de Mérida e outras metediças de mau viver (…).

Por sua implantação estratégica, numa encruzilhada de duas importantes vias de comunicação — a de Castela com a Andaluzia e a da meseta com Lisboa —, e, posteriormente, por sua posição na raia com Portugal, a cidade sempre teve o caráter de praça-forte, que manteve até ao século XX.

As primeiras fortificações foram erguidas pelo próprio Ibn Marwán, sob a forma de muralhas, reparadas por Abd Allah Ibn Muhammad Ibn Abd al-Rahman, neto do fundador, em 913. Posteriormente, em 1030, seriam reconstruídas por Adballah Ibn el-Aftas, primeiro governante aftácida da Taifa de Badajoz. Pouco depois, em 1169, construiu-se a Alcáçova, muito semelhante à atual, onde algumas partes procedem da primeira época da dominação Almóada. A última campanha muçulmana de restauro foi empreendida por Abu Yahya ibn Abi Sinan, governador da cidade no início do século XIII.

Nos séculos IX a XIII, a área mais antiga de Badajoz, localizada na parte mais alta do promontório chamado Cerro de la Muela, foi defendida pela alcáçova, cercada por uma muralha que a protegia. Essa cidadela tinha funções administrativas e servia como residência aos governantes do Reino de Badajoz, o maior reino taifa da península Ibérica. Aí se situavam a mesquita e uma das maiores bibliotecas de seu tempo. A muralha conheceu sucessivas extensões até atingir uma extensão semelhante à chamada "Cerca Vieja". Nos séculos XIII-XVI, nesse espaço foram erguidos o castelo cristão e a primeira catedral de Badajoz, esta sobre a antiga mesquita palaciana. Posteriormente, nos século XVII-XIX, o recinto abaluartado foi erguido.

A cidade continuou a crescer extramuros, especialmente a oeste e a sul, áreas mais planas, defendidas por uma cerca de taipa, de provável origem Almóada, com extensões subsequentes, seguidas por uma cerca pentagonal, na baixa Idade Média, contemporânea dos Reis Católicos, em fins do século XV, que se conecta com a Porta de Palmas na altura da Ponte de Palmas e a Porta de Pajaritos, ambas do século XVI, em cujo interior ficaram inscritos os bairros que formam a cidade antiga e cujas defesas tornaram-se insuficientes diante do desenvolvimento progressivo da artilharia durante o século seguinte.

1580: a invasão de Portugal

No contexto da Crise de Sucessão de 1580, no mês de junho, Filipe II de Espanha (1554-1598) invadiu Portugal pela fronteira de Badajoz-Elvas com um exército estimado em 40 mil homens – o melhor do mundo à época -, sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, 3.º duque de Alba de Tormes - apodado de o “carniceiro da Flandres” pela repressão que ali exerceu -, vindo a estacionar em Setúbal. Ao mesmo tempo, uma armada capitaneada por Don Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz, partiu de Cádis, dirigindo-se também a Setúbal.

De acordo com o relato coevo de António de Escobar, fidalgo que acompanhou a invasão, o duque de Alba entrou em Portugal com os 100 “continos” da guarda pessoal do soberano, 11 companhias de homens de armas, 3 companhias de cavalos ligeiros, 5 companhias de arcabuzeiros a cavalo, 4 companhias de ginetes, os “tercios” (corpos militares autónomos que podiam chegar a contar com 3 000 homens) de Nápoles, da Lombardia, dos Italianos, dos Alemães e outros 7 “tercios” recém-formados para o efeito. As tropas faziam-se acompanhar de mais de 12 mil carros de mulas e 100 peças de artilharia, bem como de 3 000 sapadores.

A Guerra da Restauração

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) constatou-se a necessidade de se defender a praça-forte de Badajoz, sede do quartel-general da Capitanía General del Real Ejército de Extremadura. A partir de então, Badajoz consolidou-se como capital da Província da Extremadura e praça-forte mais importante entre as que se encontravam na raia, pelo que se revestiu uma vez mais num um local de grande interesse estratégico para espanhóis e portugueses.

A partir de 1642 deu-se início à construção de uma série de construções defensivas isoladas e improvisadas, como por exemplo o Forte de San Cristóbal, na margem direita do rio Guadiana, ao norte da cidade, num importante promontório chamado Cerro de Orinaza, com a função de defesa da cabeceira da Ponte, na mesma margem do rio. Esta posição revestia-se de importância estratégica, uma vez que essa ponte era a entrada natural de Badajoz à época. Para proteger a ponte, uma série de obras defensivas foram empreendidas, como a demolição de vários arcos para dar lugar a uma ponte com três seções, e a execução de parapeitos onde a guarnição deste posto avançado poderia se defender.

Pouco tempo depois, na extremidade oposta, ao sul da cidade, era construído o Forte de Pardaleras.

Em 1643, o conde de Santiesteban, em carta ao secretário Pedro Coloma, referindo o estado das defesas de Badajoz, comentou que, na Extremadura espanhola, à época, não havia lugar seguro em defesas, comida, artilharia e outras armas. Apenas Badajoz possuía condições defensivas mínimas, embora a antiga cerca medieval ("cerca vieja"), em estado de abandono secular, se encontrasse obsoleta diante da artilharia em uso pelo exército português. Somente a parte superior da cidade, onde se situava a cidadela era capaz de apresentar certas condições adequadas e, portanto, as obras das novas muralhas deveriam ser iniciadas naquela área. Por outro lado, o marquês de Torralbo escreveu ao soberano nos seguintes termos: “El recinto habitado de La Alcazaba ceñido por la muralla almohade estaba con los parapetos caídos y destruida la falsabraga, así como las puertas, sin cierre ni rastrillo.“ E concluía informando que estava ao alcance da artilharia, e para a qual as paredes de taipa eram absolutamente ineficazes: “(...) pues está a tiro de mosquete desde el fuerte de San Cristóbal.”

Aos poucos esta muralha foi substituída por uma nova, que partia da antiga alcáçova muçulmana, seguia o curso do rio Guadiana na sua margem esquerda, e fazia uma curva a oeste e a sul onde foram construídos os baluartes de São Vicente e da “Puerta de Palma”. A construção continuou a oeste, sul e leste, áreas onde foram construídos os baluartes de San José, Santiago, San Roque, Santa María e Trinidad, sucessivamente, até que foi novamente ligada ao nordeste com a alcáçova, através do baluarte de São Pedro. O recinto abaluartado assentou, portanto, nas fundações do recinto muralhado medieval (séculos IX a XV), preservando alguns troços, como os próximos aos baluartes de la Trinidad e de Santiago.

Os novos elementos defensivos construídos seguiam as novas correntes da engenharia militar: muralhas mais baixas e largas, para resistir aos tiros de artilharia, e a introdução de baluartes com grande superfície, flancos dos lances de muralha em talude, el lugar de verticais para se obter o ricochete, para cima, das balas de canhão, semi-baluartes que defendiam as portas de acesso, guaritas nos vértices dos baluartes, fossos, lunetas, revelins, etc., para impedir a ação do inimigo. Apesar da estrutura defensiva sóbria e robusta, as muralhas foram decoradas com um revestimento de tijolo de secção semicircular cuja parte curva se oferecia para o exterior.

 Outros elementos defensivos, como fossos, muralhas, etc., também foram adicionados, mas sem seguir uma ordem determinada, pelo que se mostraram pouco efetivos. Também não foram utilizados materiais adequados para enfrentar a artilharia moderna, o que levou a perdas significativas de terras, edificações, etc...

No final do século XVII, entre os anos de 1690 e 1700, iniciaram-se as obras de fortificação abaluartada. Esta nova muralha iniciou-se a partir da muralha medieval, segue a margem esquerda do rio Guadiana até aos baluartes de São Vicente e a Porta de Palmas, infletia para oeste e depois para o sul através dos baluartes de San José, Santiago, Santa Maria e a Porta de Trinidad, para finalmente se conectar com a muralha que protegia a Alcáçova. Através da cartografia militar da época, sabemos que as antigas atalaias muçulmanas estiveram em uso até à Guerra Peninsular (1808-1814), complementando o sistema defensivo (das numerosas atalaias com que Badajoz contava no passado, nomeadamente as datadas do século XII, apenas traços de cinco deles estão preservados, destacando a Torre dos Espantalhos e a Torre dos Rostos).



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Updated at 04/10/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    State/Province: Badajos
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