Tower of Ladeia

Ansião, Leiria - Portugal

A “Torre da Ladeia”, também referida como “Casa da Quinta da Ladeia”, localiza-se na freguesia de Alvorge, concelho de Ansião, distrito de Leiria, em Portugal.

História

A torre remontará à época da romanização, quer pelo tipo de construção, quer por uma inscrição alusiva ao Imperador Trajano, que se afirmava ali ter existido.

O topónimo "Alvorge", com o significado de "pequena torre", remete para a ocupação muçulmana da região.

O topónimo "Ladeia" surge no contexto da Reconquista cristã da região, por volta do século XII, por referir uma região fronteiriça em guerra, com a ladeia a mover-se constantemente, consoante os avanços e recuos das forças em batalha. Entre 1136 e 1137, Fernão Peres Cativo, alferes-mor de D. Afonso Henriques, recebe em presúria as terras da Ladeia.

Remonta a uma primitiva torre senhorial, edificada (ou reedificada) por determinação de Afonso I de Portugal (1139-1185), juntamente com outras nas redondezas - Ansiães, Torre de Vale Todos, Ateanha, Soucide, Façalamin -, que complementavam a defesa proporcionada pelos castelos de Arouce (Lousã), Penela, Germanelo, Pombal, Leiria, Soure e Montemor-o-Velho, entre outros.

A primeira referência conhecida a Alvorge data de 1141 num documento em que Afonso I de Portugal (1139-1185), doa, em testamento, a herdade de Alvorge e a sua torre de origem romana, situada na Terra da Ladeia, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Posteriormente, com a estabilização das fronteiras do reino, a torre perdeu a sua função estratégica, vindo a sua estrutura a ser adaptada para funções habitacionais. Desse modo, em 1438 a torre está já associada à Quinta da Ladeia.

No reinado de Afonso V de Portugal (1438-1477; 1477-1481) é Senhor da Torre e Quinta de Alvorge, Pedro Guerra, filho de Fernão da Guerra e neto de Dom Pedro da Guerra, filho do Infante Dom João, neto de Pedro I de Portugal e de Dona Inês de Castro.

Em 1630 Dona Luísa da Guerra foi desposada por João Rodrigues de Figueiredo, de Condeixa-a-Nova, fidalgo do duque de Bragança. O vínculo dos Guerra na torre e Quinta da Ladeia foi instituído em 20 de junho de 1658.

A 20 de janeiro de 1670 o primogénito do casal desposa Dona Filipa Carneiro de Sottomayor; a 11 de janeiro de 1672 o primogénito do casal foi batizado como Belchior Carneiro Sottomayor de Figueiredo da Guerra.

Em 1683 Dona Filipa e o seu marido erguem, junto à Torre de Ladeia, uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar, quando da reedificação do antigo solar. Na ocasião fazem demolir o terceiro pavimento da torre, assim reduzida a dois, com teto em cúpula piramidal, ficando toda a área habitacional com pavimento único.

Em maio de 1698, Belchior Carneiro Sottomayor de Figueiredo da Guerra desposa Dona Francisca Luísa Pereira de Sampaio. É colocado, no frontispício da capela, por este concluída, bem como no portal da quinta o brasão de armas dos Carneiro de Figueiredo.

Dona Filipa dispõe em testamento a vontade de ser sepultada na sua capela (18 de abril de 1703), vindo a falecer em 1707.

Em 1748 a Quinta de Alvorge passou para o genro de Belchior Carneiro, Pedro José de Salazar Jordão da Cunha de Eça.

Acerca da torre, nas “Memórias Paroquiais” de 1758, uma nota de Pedro de Azevedo informa: “Talvez difícil de provar a origem romana daquela torre, havendo todavia, algumas analogias e factos histórico-arqueológicos que permitiriam supor a existência de estruturas romanas, sendo notório nos terrenos vizinhos dispersão tegular”.

Pelo falecimento de Dona Maria Josefa de Salazar Jordão (maio de 1795), extinto este ramo, o solar caiu em abandono, voltando os bens para José de Figueiredo da Guerra.

Em 1857 a propriedade foi vendida ao Dr. Adriano Augusto Lopes Vieira, e a outros dois proprietários de Alvorge, transação que marca a origem do declínio da quinta.

A capela ainda estava em boas condições no início do século XX. Anos mais tarde a imagem de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da capela, foi recolhida à Quinta de São Tomé em Condeixa-a-Nova.

Nas ruínas que chegaram aos nossos dias, destacam-se as do solar que remonta ao século XV, e a capela do século XVII, mais bem preservada.

Características

Exemplar de arquitetura residencial, quatrocentista, de enquadramento rural, isolado.

O solar apresentava planta retangular, com a fachada orientada para Oeste, de que subsistem apenas os vestígios das fundações e de algumas divisões da casa.

A capela apresenta uma só nave e capela-mor. Esta última era recoberta por uma cúpula. É acedida por uma escadaria de dois lanços opostos, que convergiam para um patamar de acesso, que se fazia por uma larga porta retangular. O frontispício é encimado pelo brasão, sobrepujado por um óculo redondo. São evidentes ainda ligações diretas do corpo da capela a alguns espaços reservados à habitação.

Voltado a nascente, encontram-se os restos da Torre de Ladeia, uma estrutura alta com piso poligonal irregular, a paredes meias com a capela. Aquando da reedificação de todo o conjunto, em 1683, demoliu-se o terceiro pavimento da torre, que ficou reduzida a dois, com teto em cúpula piramidal, ficando toda a área habitacional com um pavimento único.



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Contribution

Updated at 11/10/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Tower of Ladeia

  • Casa da Quinta da Ladeia

  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Leiria
    City: Ansião



  • Lat: 39 -59' 6''N | Lon: 8 27' 10''W










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