Fort Tigné

Sliema, Malta - Malta

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O "Forte Tigné" (em maltês: "Il-Forti Tigné" ou "Il-Fortizza ta' Tigné") localiza-se na ponta Tigné, na cidade de Sliema, em Malta.

Foi erguido entre 1793 e 1795 pelos Cavaleiros da Ordem de Malta, com a função de defesa do acesso ao porto de Marsamxett.

Sofreu extensas alterações no século XIX durante o domínio britânico, e conservou-se em serviço até 1979.

Encontra-se listado no Inventário Nacional da Propriedade Cultural das Ilhas Maltês sob o n.º 01345. Está incluído na lista provisória de Malta ao Património Mundial da UNESCO desde 1998, como parte das “Fortificações dos Cavaleiros ao redor dos Portos de Malta”.

História

Antecedentes

Remonta a uma atalaia na Punta di Santa Maria (hoje Ponta Tigné), existente em 1417, guarnecida por três homens. A península desempenhou um importante papel durante o Grande Cerco de Malta (1565), quando as forças otomanas ali instalaram uma bateria com a função de bombardear o Forte de Sant’Elmo. Após o cerco, a península ficou conhecida como Ponta de Dragut, numa referência ao almirante Turgut Reis (Dragut), um dos mais qualificados comandantes Otomanos, que ali pereceu em combate.

A primeira proposta para construir uma fortificação na Ponta de Dragut foi de autoria do engenheiro militar italiano Antonio Maurizio Valperga em 1670. Ele concebeu uma cidade fortificada conhecida como “Borgo della Città Piccola”, com um traçado semelhante ao Forte Ricasoli. A proposta jamais se concretizou, possivelmente por falta de recursos.

Em 1715, Philippe de Bourbon, duque de Vendôme, Grão-Prior de França na Ordem de Malta, fez uma segunda proposta para o local, desta vez para construir um reduto acasamatado. Um ano depois, René Jacob de Tigné propôs a construção de uma grande bateria de artilharia, semelhante a outras baterias costeiras que estavam a ser construídas ao redor do litoral de Malta à época.

Em 1757, a Bateria Lembi, uma obra exterior ao Forte Manoel, foi erguida na costa norte da península. Um entrincheiramento abaluartado foi proposto no início da década de 1760, mas nunca foi construído.

O Forte Tigné

O projeto do Forte Tigné foi elaborado eventualmente em 1792, possivelmente devido à ameaça de uma invasão francesa. Foi encomendado pelo penúltimo Grão-Mestre da Ordem de Malta, Emmanuel de Rohan-Polduc (1775-1797), ao recém-nomeado engenheiro da Ordem, Antoine Étienne de Tousard, para proteger a entrada do porto de Marsamxett, cruzando fogos com o Forte de Sant’Elmo. A construção começou em 1793 sob a supervisão do capomastro Antonio Cachia, e foi concluída em julho de 1795. O forte foi nomeado em homenagem ao cavaleiro François René Jacob de Tigné, sobrinho do engenheiro militar René Jacob de Tigné, em reconhecimento aos seus longos anos de serviço prestados à Ordem. Tigné também pagou 1000 scudi pela construção do novo forte, enquanto Rohan pagou cerca de 6000 scudi. Outros 500 scudi foram doados pelo Bailio de Tillet, enquanto os restantes fundos foram custeados pela Fondazione Manoel.

O novo forte era bastante pequeno para os padrões do século XVIII, e era mais semelhante a um grande reduto do que um forte. Apesar disso, o seu projeto foi considerado revolucionário, uma vez que foi um dos primeiros fortes poligonais a ser construído em todo o mundo. O forte foi a última grande fortificação construída pela Ordem de Malta, bem como o último projeto da Ordem a ter oferecido trabalho em massa localmente.

Após a conclusão do Forte Tigné, a vizinha Bateria Lembi foi desativada e convertida em uma residência privada.

Por volta de 1797, foi feita uma proposta para construir uma cidade fortificada ocupando toda a península, com o Forte Tigné como sua defesa. Do mesmo modo que as propostas anteriores no final do século XVII e início do século XVIII, nada desse plano se materializou. 

A invasão e ocupação francesa

O forte viu entrou pela primeira vez em combate quando, no contexto da Campanha do Mediterrâneo (1798), Napoleão Bonaparte invadiu Malta no mês de junho. À época, era comandado pelo cavaleiro bávaro Joseph Maria von Rechberg, e tinha uma guarnição composta por homens dos Cacciatori, um regimento de Infantaria leve de caçadores voluntários, bem como alguns bombardeiros do navio “San Zaccharia” e alguns homens das milícias maltesas. Estava artilhado como abaixo, embora apenas 15 peças fossem capazes de serviço:

• 12 canhões do calibre 24;

• 6 canhões do calibre 18;

• 6 canhões do calibre 12;

• 4 canhões do calibre 4;

• 6 morteiros;

• 6 morteiros-pedreiros.

O Forte Tigné foi uma das poucas fortificações na ilha que tentou resistir à invasão. Em 10 de junho, os franceses tentaram capturá-lo em uma pequena escaramuça, mas foram repelidos com sucesso. O forte também disparou as suas armas em apoio a um contra-ataque da marinha da Ordem contra os franceses, e impediu que navios franceses entrassem no porto de Marsamxett.

Em 11 de junho, os franceses bombardearam o forte por terra e por mar. A guarnição do forte revidou, e o seu comandante, Rechberg, conseguiu trazer mais munição de Floriana, uma cidade fortificada no Sudeste da ilha. No dia seguinte (12 de junho), o bombardeio prosseguiu, e os franceses já haviam capturado Valletta, Floriana e o Forte Manoel. A milícia maltesa deixou o forte, reduzindo a sua guarnição para 80 homens. No final do dia, a munição tinha acabado, e partes do forte haviam sido danificadas durante o bombardeio. Quando Rechberg e seus soldados tentaram escapar, os franceses capturaram-nos, e o forte estava em mãos francesas a 13 de junho.

Durante a subsequente revolta maltesa e insurreição contra o domínio francês, os insurgentes construíram seis baterias de frente para o Forte Tigné, guarnecido pelos franceses. Em 1799, o seu armamento estava reduzido como abaixo:

• 7 canhões do calibre 24;

• 6 canhões do calibre 18;

• 4 canhões do calibre 10;

• 4 canhões do calibre 4.

O domínio britânico

As forças britânicas ocuparam Malta de 1800 a 1979. O Forte Tigné foi oficialmente assumido pelos militares britânicos em setembro de 1800, e tornou-se permanentemente guarnecido em 1805. As peças danificadas durante a ocupação francesa foram reparadas, mas nenhuma grande mudança foi feita inicialmente. Em 1815, após vários anos de ocupação britânica, o forte estava armado com 30 peças: 

• 14 canhões do calibre 24;

• 12 canhões do calibre 18;

• 4 carronadas do calibre 24.

Na década de 1860, os britânicos viam o Forte Tigné como a "perfeição de um pequeno forte sem flancos (...) capaz de resistência considerável", e foi usado como protótipo para outros fortes poligonais construídos em outros lugares. Até então, estava armado principalmente com canhões do calibre 68. O parapeito na torre de planta circular foi demolido para dar lugar a uma única arma montada em uma plataforma, semelhante às encontradas nas torres Martello. Em 1864, o forte estava armado com 18 canhões do calibre 32, 4 de 10 polegadas, e uma do calibre 32 na torre.

As primeiras grandes modificações foram feitas entre 1870 e 1875, quando alguns dos parapeitos com canhoneiras foram demolidos para dar lugar à colocações de armas RML de 9 polegadas e 12 toneladas. O restante do forte sofreu mais mudanças significativas nos anos seguintes. Na década de 1880, os britânicos consideraram demolir o forte e substituí-lo por uma fortificação maior, mas em 1888 foi proposto que, em vez da demolição, a altura das muralhas deveria ser reduzida ao nível dos glacis. Na década de 1890, foram construídas baterias de armas de carregamento pela culatra (BL) sobre os glacis, enquanto outras modificações implicaram na conversão de partes da estrutura em quarteis e paois.

A defesa da Ponta Tigné foi reforçada com a construção da Bateria Cambridge entre 1878 e 1886. A Bateia Garden foi construída entre 1889 e 1894, cobrindo a área entre a Bateria Cambridge e o Forte Tigné. Blocos de quarteis foram construídos no resto da península no início do século XX.

O forte foi incluído na “Antiquities List” de 1925. 

No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi danificado pelos bombardeios aéreos sobre a ilha.

Quando as forças britânicas deixaram Malta em 1979, o forte foi abandonado e caiu em um estado de abandono, tendo partes dele sido vandalizadas. Em algum momento também foi usado como uma planta de dessalinização.

Desde o início dos anos 2000, a península da Ponta de Tigné está sendo redesenvolvida pela MIDI plc. Os quartéis britânicos foram demolidos, e apartamentos foram construídos. Em 2008, a MIDI plc também restaurou o forte como parte do projeto. As alterações feitas pelos britânicos, como as colocações de armas BL, também foram reparadas, enquanto jardins paisagísticos e passarelas foram construídas sobre os glacis.

Foram elaboradas uma série de propostas sobre como usar o edifício, tais como a instalações de um buffet, um museu militar, um espaço expositivo ou uma galeria de arte. A chave da capela do Forte Tigné encontra-se depositada na Igreja Stella Maris.

Encontra-se classificado no Grau 1. O forte está incluído na lista provisória de Malta ao Património Mundial da UNESCO desde 1998, como parte das “Fortificações dos Cavaleiros ao redor dos Portos de Malta”.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

O projeto do Forte Tigné foi baseado principalmente na Lunette d'Arçon, bem como na obra de Marc René, marquês de Montalembert. O projeto final de Antoine Étienne de Tousard resultou em uma fortificação revolucionária, que a tornou um dos mais antigos fortes poligonais do mundo.

A característica mais notável do forte é a torre circular, com semelhanças com as “tour-reduits” construídas em Malta no início do século XVIII, de cujo único exemplo sobrevivente é a Torre Vendôme. Tinha duas fileiras de banquetas de mosquetaria, e seu telhado continha um parapeito com 4 canhoneiras. Este último foi substituído por um parapeito inclinado para montar uma única arma na década de 1860. A torre também contém o portão principal, acima do qual existe uma placa comemorativa.

O corpo principal do forte consistia em uma estrutura em forma de diamante composta por dois flancos e duas faces. As duas faces e o flanco direito originalmente tinham canhoneiras, mas foram desmantelados no final do século XIX pelos britânicos. Uma casamata, com pátios de ambos os lados, localiza-se no centro do forte.

A estrutura principal e a torre foram cercadas por um fosso, que tinha três parapeitos de mosquetaria na contraescarpa. Estes também foram significativamente alterados pelos britânicos.

Os britânicos também construíram três posições para armas de carregamento pela culatra (BL) no glacis do forte.



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Contribution

Updated at 16/12/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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  • 1795 (AC)



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    Encontra-se listado no Inventário Nacional da Propriedade Cultural das Ilhas Maltês sob o n.º 01345. Está incluído na lista provisória de Malta ao Património Mundial da UNESCO desde 1998, como parte das “Fortificações dos Cavaleiros ao redor dos Portos de Malta”.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Malta
    State/Province: Malta
    City: Sliema

    Tigne Point, Censu Xerri, Sliema, Malta


  • Lat: 35 -55' 37''N | Lon: 14 -31' 13''E










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