Maruoka Castle

Maruoka, Fukui - Japan

O “Castelo de Maruoka” (em kanji: 丸岡城; transliterado: “Maruoka-jō”) localiza-se na cidade de Maruoka, distrito de Sakai, prefeitura de Fukui, região de Chubu, na ilha de Honshu, no Japão.

O castelo também é conhecido como "Kasumi ga jō" ("Castelo da bruma"), devido a uma lenda que afirma que sempre que um inimigo se aproxima do castelo, uma espessa bruma se levanta e esconde o castelo.

Maruoka é um dos 12 castelos no Japão que conseguiu manter a sua torre principal (“tenshu”). É  considerada a mais antiga do país, uma reivindicação que é contestada tanto pelo Castelo de Inuyama quanto pelo Castelo de Matsumoto.

Foi construído no final do período Sengoku (1467-1615), e ocupado por uma sucessão de daimyō do Domínio de Maruoka no período Edo (1603-1868).

História

Acredita-se que o castelo tenha sido construído em 1576 por Shibata Katsutoyo, sobrinho e filho adotivo de Shibata Katsuie, um dos principais generais de Oda Nobunaga.

De acordo com a lenda de "O-shizu, Hitobashira" o castelo foi construído com um pilar humano. Durante a construção, a base de pedra da torre principal (“tenshu”) colapsava, não importasse quantas vezes fosse reconstruída. Um vassalo sugeriu então que se fizesse um sacrifício humano (“hitobashira”) para apaziguar os deuses. O-shizu, uma mulher cega de um olho, que teve dois filhos e viveu uma vida pobre, foi selecionada para ser sacrificada. Ela aceitou a escolha com a condição de que um de seus filhos acolhido por Katsutoyo e feito um samurai. Uma vez em posição, as pedras da fundação foram colocadas ao seu redor, até que eventualmente a esmagaram até à morte. O seu sacrifício permitiu que a construção fosse concluída com sucesso.

Entretanto, Katsutoyo foi incapaz de cumprir a sua promessa a O-shizu antes de se mudar para outra província. O seu espírito, ressentido que seu filho não tivesse sido feito um samurai, ainda de acordo com a lenda, passou a fazer o fosso transbordar com a chuva da Primavera, quando a estação de corte das algas chegava, em abril de cada ano. As pessoas passaram a chamar o fenómeno de "a chuva causada pelas lágrimas da tristeza de O-shizu" e ergueram uma pequena tumba para aplacar o seu espírito, e havia um poema proferido: "A chuva que cai quando a estação de corte de algas vem é a chuva que lembra as lágrimas da pobre tristeza da pobre O-shizu".

Embora construído no período Azuchi-Momoyama (1573-1603), o projeto do castelo é mais conforme o das fortificações anteriores, do Período Sengoku ou de guerras internas (1467-1573). Como se situava no topo de uma colina baixa, decidiu-se erguer a torre principal (“tenshu”) sobre uma base alta de pedra, a fim de ganhar altura adicional. No entanto, à época, técnicas bem-sucedidas de construção de uma base tão íngreme ainda estavam em sua infância, especialmente quando se usava pedra não aparelhada (“nozurazumi”) em uma base inclinada como a adotada em Maruoka. Este empilhamento aleatório de pedras é apontado como a fonte da instabilidade na base durante o período de construção.

Depois de Shibata Katsutoyo ter falecido de doença durante a Batalha de Shizugatake em 1583, o castelo foi entregue ao clã Aoyama. No entanto, este clã ficou do lado do Exército Ocidental, sob o comando de Ishida Mitsunari, derrotado na Batalha de Sekigahara (1603). Vitorioso, Tokugawa Ieyasu concedeu a província de Echizen a seu filho, Yūki Hideyasu, que por sua vez criou um domínio feudal (“han”) de 26.000 “koku” (unidade de medida equivalente a cerca de 180 litros de arroz) centrado em Maruoka para o seu vassalo, Imamura Moritsugu. Em 1613, devido a uma disputa entre famílias (“O-Ie Sōdō”) no Domínio de Fukui, o Xogunato Tokugawa elevou o Domínio de Maruoka para 40.000 “koku” e atribuiu-o a Honda Narishige, filho de Honda Shigetsugu, um dos principais generais de Ieyasu. Devido aos esforços de Honda Narishige no Cerco de Osaka em 1624, o valor do domínio (“kokudaka”) foi elevado para 46.300 “koku”. O seu filho e o seu neto completaram o castelo e a cidade vizinha (“jōkamachi”). No entanto, o seu bisneto, Honda Shigemasu, era alcoólatra e incompetente, e o domínio foi-lhe retirado pelo xogunato em 1695, e doado a Arima Kiyosumi, descendente do "daimyō" Kirishitan, Arima Harunobu. O clã Arima continuou a governar Maruoka por oito gerações até a abolição do sistema “han” em julho de 1871 durante a Restauração Meiji.

Após a Restauração Meiji, quase todos os castelos no país foram demolidos. No caso de Maruoka, enquanto muitos dos edifícios do castelo foram demolidos e diversos portões, muralhas de pedra e árvores foram vendidos, o terreno da torre principal (“tenshu”) e do castelo foi adquirido em 1901 pela cidade de Maruoka, vindo a tornar-se um parque. O fosso pentagonal em torno do castelo foi gradualmente preenchido e parcialmente reconstruído entre o final do período Taishō (1912–1926) até ao início do período Showa (1926–1989).

A torre principal (“tenshu”) foi classificada como um Tesouro Nacional em 30 de janeiro de 1934, vindo a colapsar pela destruição de sua base de pedra durante o terremoto de Fukui em 1948. Em 1955 foi reconstruída, utilizando 70% dos pilares originais e cerca de 60% dos feixes originais instalando-se uma estrutura de betão armado e empilhando-se as pedras originais ao seu redor antes de reerguer a “tenshu” sobre essa base. À época, a estrutura das janelas no andar superior foi alterada de portas deslizantes para portas de abrir.

O castelo foi nomeado como uma Importante Propriedade Cultural em 1950. Alguns dos portões do castelo também sobrevivem em mãos privadas, incluindo um no templo de Kōzen-ji em Komatsu, Ishikawa, e outro no templo de Renshō-ji, na cidade de Awara, em Fukui.

O Comitê de Pesquisa de Maruoka e o Comité de Pesquisa liderados por Junichi Yoshida, da Universidade de Tecnologia de Fukui, foram comissionados pelo Conselho de Educação da Cidade de Sakai para examinar o castelo. Através da datação da madeira usada na construção da “tenshu” (contagem dos anéis, concentração de radiocarbono e razão de isótopos de oxigênio), após quatro anos de investigação, relataram, em março de 2019, que a maioria dos pilares, que desempenham um papel estruturalmente importante, foram cortados após 1626. É confuso, entretanto, que a “tenshu” seja um tipo de torre de vigia que, na década de 1620, estava desatualizado devido a uma mudança nos estilos arquitetónicos. Isso indicaria que, se a mesma tivesse sido construída em 1576 por Katsutoyo Shibata, então terá sido profundamente reconstruída na segunda metade da década de 1620 (provavelmente em 1628) pelo clã Honda após Honda Narishige ter sido nomeado senhor do castelo em 1613.

Em outubro de 2019, a muralha exterior nordeste da “tenshu” foi danificada por um tufão e posteriormente foi reparada pela Tanaka Shrine Co.

Os remanescentes do antigo castelo – alguns troços de muralhas e fossos - estão hoje incorporados no Parque Kasumigajo, que conta ainda com um pequeno museu que exibe algumas armas, armaduras e utensílios domésticos relacionados com seus antigos senhores. A área é famosa por suas aproximadamente 400 cerejeiras. Um festival anual de flores de cerejeira (“sakura”) é realizado durante as três primeiras semanas de abril, durante os quais as árvores são iluminadas à noite por mais de 300 lanternas de papel.

Características

Exemplar de arquitetura militar, no topo de uma pequena colina, nas planícies ao norte de Fukui.

Assente no topo de uma plataforma de pedra de 6,2 metros de altura situada entre pinheiros negros japoneses e cerejeiras, o acesso à “tenshu” é feito por uma longa escadaria que leva diretamente ao seu interior de madeira preta. Internamente a torre divide-se em três pavimentos, e, durante a maior parte de sua história, foi utilizada como torre de vigia. Notabiliza-se por uma série de recursos exclusivos: enquanto o telhado primitivamente era de telhas de madeira, em algum momento elas foram substituídas por telhas feitas de uma pedra local chamada “shakudani”. O telhado, por essa razão é extraordinariamente pesado – algumas fontes referem 60 toneladas, outras 120 - mais do que o dobro do peso de um telhado normal de telhas ou telhas de madeira. Acredita-se que a razão para o uso de telhas de pedra tenha sido porque fornecem isolamento térmico superior durante o inverno. O telhado também possui ornamentos de pedra na forma de uma cabeça de tigre com corpo de carpa (“shachihoko”).

O lado direito da “tenshu” tem uma série de mata-cães (“ishiotoshimado”) que permitiam não apenas que os defensores atirassem em atacantes através de ripas de madeira, mas também, por um alçapão, que soltassem pedras ou vertessem óleo ou água fervente em atacantes embaixo. A “tenshu” também possuiu um piso oculto, não aparente do exterior. De maneira geral, tanto as dimensões da “tenshu” quanto o seu interior são muito semelhantes às do Castelo de Inuyama, seu contemporâneo.

A área ao redor do sopé da colina foi nivelada e protegida por muralhas e um fosso de planta pentágono.



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Contribution

Updated at 19/03/2021 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Maruoka Castle

  • Maruoka-jō, Kasumi ga jō

  • Castle

  • 1576 (AC)




  • Japan


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    A torre principal (“tenshu”) foi classificada como um Tesouro Nacional em 30 de janeiro de 1934. O castelo foi nomeado como uma Importante Propriedade Cultural em 1950.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : Japan
    State/Province: Fukui
    City: Maruoka

    Japão, 〒910-0231 Fukui, Sakai, Maruokacho Kasumicho, 1−59


  • Lat: 36 -10' 52''N | Lon: 136 -17' 41''E










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