Forte de São Tiago da Misericórdia

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brazil

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O Forte de São Tiago da Misericórdia localizava-se no pontal de São Tiago (depois Calabouço) aos pés do morro do Descanso (depois Castelo), no centro histórico da cidade (e Estado) do Rio de Janeiro. Uma estrutura neste local já se encontra identificada no mapa de Jacques de Vau de Claye ("Le vrai pourtrait de Geneure et der cap de Frie par Jqz de vau de Claye", 1579. Bibliothèque Nationale de France, Paris), como "le fort de la [ilegível]", artilhado com duas peças, defendendo o ancoradouro da cidade, então na praia de Santa Luzia (atual rua de Santa Luzia).

Souza se refere esta estrutura como Arsenal de Guerra, atribuindo-a ao governador do Rio de Janeiro, Martim de Sá (1602-1608), que fez levantar uma Bateria na base do morro do Castelo para a defesa da praia de Santa Luzia (1603), sob a invocação de São Tiago (Bateria de Santiago, Bateria da praia de Santa Luzia), cruzando fogos com o Forte de Villegaignon (SOUZA, 1885: 109). Encontra-se cartografado como Forte de São Tiago por João Teixeira Albernaz, "o velho" (Capitania do Rio de Janeiro, 1631. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), e por João Teixeira Albernaz, "o moço" (Aparência do Rio de Janeiro, 1666. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro). Durante o governo de Duarte Correia Vasques (1645-48), foi construída uma cortina ligando-o ao Forte de São Sebastião, no alto do morro do Castelo (BARRETTO, 1958:229). A partir de 1696 foi reconstruído pelo governador Sebastião de Castro Caldas (1695-97) (Op. cit, 1885:109).

Quando da invasão do corsário francês René Duguay-Trouin (set/1711), estava artilhado com uma peça (Op. cit, 1958:228). Está identificado pelo Brigadeiro Engenheiro Jean Massé sob a legenda "E. Fortaleza antiga de São Thiago" (Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro com suas fortificações, 1713. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa) (Plano de Defesa do porto e cidade do Rio de Janeiro, 1713. Serviço Geográfico do Exército, Rio de Janeiro). Este Capitão de Engenheiros francês, após as invasões de corsários franceses em 1710 e em 1711, por determinação do rei D. João V (1705-50), "em 1712 passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado." (SOUZA VITERBO, 1988:154). Por volta de 1720, contava com 20 canhões, sendo 4 de calibre médio, 2 de calibre 18 e 2 de calibre de 10 libras. Em 1738, segundo consta no plano de negociação das defesas do Brigadeiro Silva Paes, o armamento da fortificação foi reduzido para 15 peças, duas de grosso calibre e as restantes de pequenos calibres (CASTRO, 2009: p. 180-181). Figura como "Forte de S. Thiago", distinto da Bateria na praia de Santa Luzia, na carta de André Vaz Figueira (Carta Topografica da Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, 1750. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), encomendada por Gomes Freire de Andrada para mostrar as obras de seu governo (1733-63).

Ao final do século XVIII (c. 1768/69), foi ligado por uma cortina ao Arsenal do Trem, segundo risco do Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck. Na mesma época, encontra-se representado em projeto anônimo, atribuído a José Custódio de Sá e Faria (Plano da Cidade do Rio de Janeiro Capital do Estado do Brazil, 1769. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro) como Forte do Calabouço, com planta no formato de duas meias luas, ligadas por cortinas. Desse modo, não procede a informação, comumente aceite, de que essa denominação data do governo do Vice-rei D. Luis de Vasconcelos e Souza (1779-90), que ali teria instituído uma prisão onde eram recolhidos os escravos que oficialmente sofriam castigos corporais, evitando essa exposição em locais públicos. O Vice-rei D. José Luís de Castro (1790-1801), procedeu-lhe reparos e reforço na estrutura.

Suas características e dimensões permaneceram praticamente as mesmas do século XVII ao XVIII: com 8 lados e uma planta alongada, 35 metros de comprimento e 18 de largura (Op. cit., 2009: p. 180).

O Forte de São Tiago da Misericórdia abrigou, em etapas sucessivas de ocupação, o Quartel da Guarda do Vice-Rei, a Casa do Trem [de Artilharia] (1762), o Arsenal de Guerra (1822) e o Quartel (1835). Souza informa que o forte estava artilhado, à época (1885), com sete peças em bateria (op. cit., 1885: 109).

À época do desmonte do morro do Castelo, durante o governo do prefeito do então Distrito Federal, Carlos Sampaio (1920-22), para as comemorações do Centenário da Independência (1922), o conjunto arquitetônico ao qual o forte pertencia dá lugar ao Palácio das Grandes Indústrias na Exposição Internacional, inaugurado em 11/out/1922. Os remanescentes das suas muralhas foram demolidos em 1939 (GARRIDO, 1940:114-115). Um pequeno trecho delas foi conservado, no final do século XX, na restauração do edifício da Casa do Trem, atual Museu Histórico Nacional, ornado com duas peças de artilharia, desmontadas.



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Forte de São Tiago da Misericórdia
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de São Tiago da Misericórdia, que se localizava no pontal de São Tiago (depois Calabouço) aos pés do morro do Descanso (depois morro do Castelo), entre as praias da Piaçaba e de Santa Luzia (hoje desaparecidas), no centro histórico da cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_S%C3%A3o_Tiago_da_Miseric%C3%B3r...
Forte de São Tiago da Misericórdia
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de São Tiago da Misericórdia, que se localizava no pontal de São Tiago (depois Calabouço) aos pés do morro do Descanso (depois morro do Castelo), entre as praias da Piaçaba e de Santa Luzia (hoje desaparecidas), no centro histórico da cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bateria_de_Santa_Luzia

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  • Forte de São Tiago da Misericórdia

  • Bateria de Santiago, Bateria da praia de Santa Luzia, Bateria de Santa Luzia, Forte do Calabouço

  • Fort

  • 1603 (AC)



  • Martim de Sá

  • Portugal


  • Conserved Ruins






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    Localizava-se no pontal de São Tiago (depois Calabouço) aos pés do morro do Descanso (depois Castelo), no centro histórico da cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.


  • Lat: 22 54' 22''S | Lon: 43 10' 12''W




  • Estava artilhado com uma peça em 1711 (BARRETTO, 1958:228).
    Por volta de 1720, contava com 20 canhões, sendo 4 de calibre médio, 2 de calibre 18 e 2 de calibre de 10 libras. Em 1738, segundo consta no plano de negociação das defesas do Brigadeiro Silva Paes, o armamento da fortificação foi reduzido para 15 peças, duas de grosso calibre e as restantes de pequenos calibres (CASTRO, 2009: p. 180-181).
    SOUZA (1885) informa que o forte estava artilhado, à época (1885), com sete peças em bateria (op. cit., p. 109).

  • O forte encontra-se representado em projeto anônimo, atribuído a José Custódio de Sá e Faria (Plano da Cidade do Rio de Janeiro Capital do Estado do Brazil, 1769. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro) como Forte do Calabouço, com planta no formato de duas meias luas, ligadas por cortinas.

  • Durante o governo de Duarte Correia Vasques (1645-48), foi construida uma cortina ligando-o ao Forte de São Sebastião, no alto do morro do Castelo (BARRETTO, 1958:229). A partir de 1696 foi reconstruído pelo governador Sebastião de Castro Caldas (1695-97) (SOUZA, 1885:109).
    Ao final do século XVIII (c. 1768/69), foi ligado por uma cortina ao Arsenal do Trem, segundo risco do Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck.
    O Vice-rei D. José Luís de Castro (1790-1801), procedeu-lhe reparos e reforço na estrutura.
    À época do desmonte do morro do Castelo, durante o governo do prefeito do então Distrito Federal, Carlos Sampaio (1920-22), para as comemorações do Centenário da Independência (1922), o conjunto arquitetônico ao qual o forte pertencia dá lugar ao Palácio das Grandes Indústrias na Exposição Internacional, inaugurado em 11/out/1922. Os remanescentes das suas muralhas foram demolidos em 1939 (GARRIDO, 1940:114-115). Um pequeno trecho delas foi conservado, no final do século XX, na restauração do edifício da Casa do Trem, atual Museu Histórico Nacional.




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