Forte de Santo Inácio do Cabo Frio

Cabo Frio, Rio de Janeiro - Brazil

O Forte de Santo Inácio do Cabo Frio, hoje desaparecido, estava localizado numa ilhota rochosa (hoje aterrada) na barra do canal da lagoa de Araruama (hoje canal do Itajuru), na cidade de Cabo Frio, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro.

Fortificação citada por Garrido (1940) e Barretto (1958). A presença francesa no litoral do Rio de Janeiro, em especial na região da chamada Baía Formosa - interior da barra do Canal da Lagoa de Araruama -, intensifica-se a partir de 1540 pela facilidade de extração de pau-brasil então abundante na mata atlântica, e pelas boas relações mantidas com os índios tupinambá da região. Em 1548 registravam-se oito viagens, por ano, de embarcações francesas, carregando naquele ancoradouro, descrito como capaz de abrigar cinco navios de 200 tonéis cada. Em 1556, um ano depois que os colonos de Villegaignon se estabeleceram na Baía da Guanabara, armadores do porto francês de Ruen fazem erguer uma feitoria fortificada numa ilhota rochosa da barra, dominando o ancoradouro na Baía Formosa, utilizada anteriormente pelos portugueses com o mesmo fim entre 1504 e 1516 - a Feitoria de Cabo Frio. O estabelecimento francês, cartografado como "Maison de Pierre" (Casa da Pedra), funcionou durante quase duas décadas. Esse estabelecimento foi combatido por forças oriundas de Santos e da Baía da Guanabara (1572-73) sob o comando de Salvador Correia de Sá, e finalmente arrasado por forças da Guanabara, sob o comando do governador da Repartição Sul do Brasil, Dr. Antônio Salema (1573-78), que na ocasião matam ou escravizam mais de 20 mil índios Tupinambá (27/ago/1575).

Durante a União Ibérica (1580-1640), recrudesceu a presença de embarcações francesas, inglesas ou holandesas, carregando pau-brasil no local. Expedições portuguesas se sucedem em 1572-73 e em 1575 reprimindo o contrabando e arrasando as feitorias (vide feitoria "Maison de Pierre"). Em 1614, armadores britânicos articulam-se com judeus portugueses, mamelucos paulistas e pilotos franceses, montando uma expedição para o contrabando de pau-brasil na região de Cabo Frio. No início de 1615, Gondomar, embaixador espanhol em Londres, denuncia essa operação à Coroa, que instrui ao Governador Geral do Brasil, D. Gaspar de Souza (1613-17), as providências para reforçar as defesas da Capitania de São Tomé e da região do Cabo Frio. A tarefa é confiada ao Governador e Capitão-mór da Capitania do Rio de Janeiro, Constantino de Menelau (1615-17), que se dirigiu à barra da lagoa de Araruama (set/1615). Ali encontrou cinco naus inglesas (holandesas cf. PIZARRO, 1945:111-112) carregando pau-brasil (Caesalpinia echinata), um fortim de faxina (pedra e cal, cf. PIZARRO, 1945:111-112) com peças montadas, e na ponta da barra, uma casa de abóbada de pedra e cal edificada por franceses anteriormente à expedição inglesa, e que dava ao lugar o nome de "Casa de Pedra". De acordo com o relato de Menelau, os ingleses, avisados da chegada das forças portuguesas, fugiram sem que pudessem ser acometidos, limitado-se os portugueses a incendiar-lhes a fortificação e algumas casas de madeira. Na ocasião foi encontrado muito pau-brasil cortado, na mata (HANSSEN, 1988:7115-116).

No regresso ao Rio, Menelau encontrou instruções do Governador Geral para que fosse ao Cabo Frio "fazer duas fortalezas e uma povoação para estorvo destes inimigos" (HANSSEN, 1988:116). É do Auto da fundação da povoação de Santa Helena, que extraímos: "Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1615, aos treze dias do mês de novembro da dita era, neste lugar chamado a Casa de Pedra, vinte léguas do Rio de Janeiro, junto a[o] Cabo Frio, tendo [em setembro] o Capitão-mór [da Capitania do Rio de Janeiro] Governador Constantino de Menelau botado desta casa cinco naus inglesas com muita gente e artilharia e queimado casas de faxina e a fortaleza que com ela tinham feito, já em terra para a guarda da carga de pau-brasil, que começavam a carregar, que tudo tinha avisado ao Governador Geral da Bahia, [D.] Gaspar de Souza [1613-17)], por uma carta [régia] que teve de Sua Magestade [Filipe II] em a qual avisava das cinco naus inglesas, e da fortaleza que determinavam fazer na dita costa [do Cabo Frio], pelo que lhe ordenou que fizesse esta povoação, fortaleza com artilharia, e soldados pagos à conta da Fazenda Real, e assim mais tratasse de conquistar por paz ou por guerra, o gentio goitacás, que estava entre a Capitania do Espírito Santo e a do Rio de Janeiro, que se não tinham sido domados com grande prejuízo das embarcações que nesta costa faziam naufrágio, tratando com estrangeiros com prejuízo da Real Fazenda do pau-brasil e sendo os ditos índios vassalos de Sua Majestade e da sua repartição. O que visto logo ele Capitão[-mór] e Governador [da Capitania do Rio de Janeiro] Constantino de Menelau com alguns portugueses e moradores do Rio de Janeiro que voluntariamente [o] quiseram acompanhar, e com 400 índios da aldeia de Sepetiba, que veio à dita costa, vindo ele pessoalmente por mar com muito risco de sua pessoa; e vistos todos os sítios daquela costa, escolheu por melhor para fazer fortaleza o lugar da Casa de Pedra que, já dissemos, fica a vinte léguas do Rio de Janeiro para a parte do nordeste, chamando assim este lugar por terem nele os franceses antigamente feito uma casa de pedra de grande fábrica, para o comércio de pau-brasil, que os índios lhes davam, a qual casa ele Capitão-mór e Governador Constantino de Menelau mandou derrubar por votos de todos que o acompanhavam e escolher para melhor e mais conveniente lugar aquela costa, assim por ter uma barra muito formosa, que podem entrar nela navios de 200 toneladas, como por ser muito defensível na boca da dita barra, aonde os nossos navios se possam recolher, para escapar a muitos corsários que ao cheiro de pau-brasil, e navios do rio da Prata nela acodem por entrar pela dita barra quase 12 léguas pela terra a dentro, e de uma, e outra banda, haverem excelentes terras para mantimentos, canaviais e gado em proveito de Sua Majestade, que, fora os dízimos que dela podem tirar, ficará a sua fazenda acrescentada, principalmente sendo todos aqueles matos de uma, e outra banda, cheios de pau-brasil e não haver junto outra barra onde onde se possa carregar com segurança de mar e inimigos, senão este dito lugar da Casa de Pedra, em que a dita fortaleza com sete peças de bronze ficou posta, chamando-lhe fortaleza de Santo Inácio. (...)" (Auto da fundação da povoação de Santa Helena no lugar denominado de Cabo Frio. apud BERANGER, 1993:34-36; vide ainda HANSSEN, 1988:118-119).

O forte teria ficado guarnecendo-o com 12 soldados. Para sustento do forte, determinou, no mesmo Auto, assentar uma aldeia de índios catequizados na ponta de Búzios. A pedido de Menelau, Estevão Gomes, dono de engenhos de açúcar no Rio de Janeiro, foi nomeado Capitão da Fortaleza de Santo Inácio "e (...) de todos os mais moradores que forem povoar." (CUNHA & LEITE, 1994:13-16). Esta fortificação teve efêmera existência, sendo substituída a partir de 1618, pelo Forte de São Matheus.

 



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Forte de Santo Inácio do Cabo Frio
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santo Inácio do Cabo Frio, que se localizava numa ilhota rochosa (hoje aterrada) na barra do canal da lagoa de Araruama (hoje canal do Itajuru), na cidade de Cabo Frio, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_In%C3%A1cio_do_Cabo_Frio

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Contribution

Updated at 03/10/2013 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Amilton Matos).

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Forte de Santo Inácio do Cabo Frio


  • Fort

  • 1615 (AC)



  • Constantino de Menelau

  • Portugal

  • 1618 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Cabo Frio

    Localizado numa ilhota rochosa (hoje aterrada) na barra do canal da lagoa de Araruama (hoje canal do Itajuru), na cidade de Cabo Frio, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro.


  • Lat: 22 53' 6''S | Lon: 42 0' 16''W




  • Em 1615, o forte contava com sete canhões de bronze.






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