Fortress of São Sebastião do Castelo

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brazil

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A “Fortaleza de São Sebastião do Castelo” localizava-se no antigo morro do Descanso, também referido como morro de São Januário, Alto da Sé, Alto de São Sebastião, ou morro do Castelo – hoje desaparecido -, no centro histórico da cidade e estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Situava-se a sudoeste, no alto do morro, em um ponto correspondente aproximadamente ao cruzamento das atuais avenidas Nilo Peçanha e Graça Aranha.

História

Antecedentes

A sua primitiva estrutura remonta à transferência da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, do sopé do morro Cara de Cão para o alto do morro do Descanso (1567), quando o governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Mem de Sá (1567-1569), iniciou a construção de uma muralha para a defesa do recém-fundado núcleo urbano, e de um Reduto sob a invocação de São Januário (Reduto de São Januário, 1572) para a sua defesa, dominando a praia de Santa Luzia e o ancoradouro dos Padres da Companhia [de Jesus], depois largo do Paço, atual praça XV de Novembro, no centro histórico do Rio de Janeiro.

No início do século XX, VIEIRA FAZENDA (1919) registou: “O reducto ou forte de S. Januario teve principio, naturalmente, nas fortificações fundadas por Mem de Sá, e das quais nos falla, vagamente, Gabriel Soares de Sousa.” (Op. cit., p. 95)

Mais tarde, a seu tempo, COARACY (1955) registou:

"Derrubada a mata espessa que o vestia, aí contruiu Mem de Sá os edifícios do Forte de São Sebastião, origem do nome que tomou o monte, (...). Cercou a cidade de muros e fosso, localizando-lhe as portas no local onde mais tarde foi o Beco da Música" (op. cit., pp. 540-541)

Essas primitivas fortificações - trincheiras e muralhas em taipa de pilão, pedra e cal, estacada e entulho -, foram reforçadas ao tempo do governador Cristóvão de Barros (1573-1575), dando ao morro do Descanso a denominação popular de morro do Castelo. Esse conjunto defensivo encontra-se identificado no mapa de Jacques de Vau de Claye (“Le vrai pourtraict de Geneure et du cap de Frie par Jqz de vau de Clay”, 1579. Bibliothèque nationale de France, Paris), que regista a baía de Guanabara e as suas defesas, tendo como estruturas principais "le fort de hault" (o forte do alto), artilhado com duas peças, defendendo a enseada da Glória, uma bateria com uma peça, cobrindo o lado oposto (atual praça XV de Novembro), e "le fort de la [ilegível]", depois Forte de São Tiago da Misericórdia, artilhado com duas peças.

A fortaleza no século XVII

As obras entretanto, só estariam concluídas (ou reconstruídas) ao tempo do primeiro governo de Martim Correia de Sá (1602-1608), (SOUZA, 1885:110) que mandou erguer na fortaleza uma ampla praça de armas com frente em semicírculo e tendo no fundo uma alta torre para depósito de pólvora.

No início do século XIX, PIZARRO E ARAÚJO (1820) a esse respeito registou:

O monte de S. Sebastião he o mais elevado dos tres cabeços altos , que se divisam no principio da Cidade , o qual se coroou com a Fortaleza dedicada ao Santo Padroeiro: domina sobre o mar da enseiada , sobre a Cidade , e por toda sua circumferençia: o fogo despedido dos canhoens por qualquer dos sitios ali eminentes, sam temerosíssimos.” (Op. cit., vol. 1, p. 133)

E complementou:

(...) fundou Martim Correa de Sá (primeiro desse nome) uma Fortaleza na eminência do altíssimo monte , que chamam do Castello. Se á sua custa, como referiu Moreri no seu Diccionario, não consta hoje: despresada porém essa obra antigua (cujas paredes subsistem ainda no fundo da Casa que foi da Pólvora, onde em nossos dias próximos, se collocou o Telegrafo, ou Postigrafo) se construiu outra Praça mais ampla, e regular, dentro da qual e no meio de um espaçoso pateo, todo lageado, foi edificada por Ordem positiva uma sistema famosíssima, e mui alta, que a C. R. de 25 de Setembro de 1711 approvou, e a sua despeza, mandando ao mesmo tempo ir a planta da obra.” (Op. cit., vol. 7, pp. 124-125)

MACEDO (1863), a seu tempo, registou:

(...) o governador Martim de Sá fez construir uma fortaleza na eminencia do monte, com grande circumferencia, diz Rocha Pita, e feita em um semicírculo pela parte da cidade, e pela outra fechada com a torre da polvora. Esta obra de defesa foi cerca de cem annos depois despresada, e ahi se collocou em tempos muito mais proximos o telegrapho, tendo sido antes de 1711 construída outra praça mais ampla e mais regular, dentro da qual, e no meio do um espaçoso palco, se abrio uma profunda e famosa cisterna.” (Op. cit., vol.2, pp. 214-215)

E complementou, referindo a origem dos recursos:

Com despeza da sua fazenda construiu mais regularmente ou de novo os Fortes de Santa Cruz [no local onde posteriormente foi ereta a Igreja de Santa Cruz dos Militares], e de S. Tiago; e o de S. Sebastião deveu-lhe o seu primeiro fundamento.” (Op. cit., vol. 2, p. 214)

Informação que anteriormente havia sido adiantada por LISBOA (1834):

O seu Successor Martim Corrêa de Sá, herdando todas as virtudes heroicas de seus progenitores, creadores deste vasto Imperio, levantou as Fortalezas de Santa Cruz, S. Tiago, e S. Sebastião, feitas unicamente de barro e madeira, para constituir defensavel e segura a sua Capital.” (Op. cit., vol. 1, p. 348)

A primitiva muralha da cidade, com um perímetro de 640 braças (1.408 metros), e o Forte de São Tiago, encontram-se cartografados por João Teixeira Albernaz, o velho ("Capitania do Rio de Janeiro", 1631. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro).

Durante o segundo governo de Duarte Correia Vasques (1645-1648), foi levantada uma cortina, ligando a Fortaleza de São Sebastião ao Forte de Santiago, na ponta de São Tiago, depois Calabouço. Nessa cortina é que foram rasgadas as Portas da Cidade do Rio de Janeiro, na altura da rua da Misericórdia. Em 1662 o então governador Pedro de Melo (1662-1666) procedeu-lhe reparos.

A fortaleza encontra-se representada, sem legenda, por João Teixeira Albernaz, o moço ("Aparencia do Rio de Janeiro", 1666. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro).

A fortaleza no século XVIII

No início do século XVIII esta fortaleza passou a servir como armazém da provisão de pólvora da cidade, conforme registado por VIEIRA FAZENDA (1919):

Poucos annos antes era a polvora depositada em varios pontos da cidade. principalmente no trapiche de Francisco da Motta, hoje da Ordem: mas em 1705 o governador chamou a attenção da metropole para o perigo a evitar, visto como o bairro da Prainha já apresentava grande número de habitações. Pela determinação de 7 de Novembro de 1707, havia sido o forte de São Januario escolhido para o competente deposito. Nesse ponto permaneceu a guarda desse material de guerra até que o conde da Cunha [(1763-1767)] o removeu para a ilha de Sancta Barbara. A polvora vinha do Reino. Só em tempos posteriores foi ella fabricado no Brasil.” (Op. cit., p. 96)

Quando da invasão do corsário francês Jean-François Duclerc (1671-1711), a Fortaleza de São Sebastião recebeu-o no antigo largo da Ajuda (atual Praça Marechal Floriano, Cinelândia) com uma carga de tiros de artilharia de pequeno calibre (agosto de 1710):

“Acossado o Exercito [de Duclerc] com choques repetidos, mais se apressava por entrar a Cidade, na esperança de conseguir ahi o remate da sua feliz campanha pelo bom effeito das armas, cujos echos atroavam o âmbito da povoação, sem que as descargas inutilmente disparadas da Fortaleza de S. Sebastião, quando se aproximava à Igreja de N. Senhora da Ajuda [atual praça Marechal Floriano], lhe embaraçasse a marcha pela rua do Parto [atual rua Miguel Couto] à Praça do Carmo [atual Praça XV de Novembro], onde fizeram alto.” (PIZARRO E ARAÚJO, 1820 (vol. 1), p. 31)

E complementa:

Finalmente foi o primeiro encontro taõ valerosamente disputado, que soffrendo hum grande fogo de huma, e outra parte, se augmentou este com os tiros de artilharia de bala miúda do Forte de S. Sebastião, que estava ao cargo de José Correa de Castro (...).” (Op. cit., vol. 1, p. 41)

A fortaleza foi reconstruída a partir de 1710 por determinação do então governador da capitania, Francisco de Castro Morais (1710-1711), tendo a sua artilharia sido reforçada com peças oriundas da Fortaleza de São João. Desse modo, ao tempo da invasão do corsário francês René Duguay-Trouin (setembro de 1711), encontrava-se artilhada com apenas cinco peças (BARRETTO, 1958:228) de ferro e bronze de diferentes calibres, ao passo que o Reduto de São Januário contava com onze peças e o Forte de São Tiago com outras cinco.

O francês LAGRANGE (1967), à época registou acerca da fortaleza:

(…) o de São Sebastião ou o Castelo, que cognominamos o Forte Vermelho ou dos Jesuítas, fica no alto de uma colina que denomina a cidade, a várzea, o ancoradouro e a barra. É quadrado em sua configuração, possuindo um fosso e dez peças de poderosos canhões de ferro fundido, de sorte que passa por ser um dos elementos de maior eficácia na defesa local”. (Op. cit., p. 57)

Outra fonte francesa coeva confirma que esta fortificação se encontrava artilhada com dez peças: "C. Le fort St. Sebastien: 10 canons." (OZANNE, Nicolas Marie. "Plan de la baye et de la ville de Rio de Janeiro", c. 1745. Gravação: Dronet. Acervo: Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.)

A fortaleza trocou tiros com os franceses mas sem grandes danos de parte a parte, conforme narrado por Monsenhor Pizarro:

(...) e en trese do dito [mês de setembro de 1711 os franceses] puseraõ todos os navios en hum cordão da Ponta das Baleas até San Chriatovaõ, e logo fizeraõ huma bateria na mesma fortaleza da ilha [das Cobras] (que nos a fizemos para nosso mal) e fizeraõ outras, huma junto da Ponta de San Bento, e outra para o meio da ilha com seus morteiros para as bombas, e en quatorze comesaraõ atirar para a fortaleza de San Sebastião com balas, e bombas da qual se retirou a pólvora para o Collegio, e Sé por amor das bombas (...)” (PIZARRO E ARAÚJO, vol. 1, p. 54)

E sobre as operações, prossegue:

Na Ilha das Cobras trabalhava o inimigo de noite, e de dia, fazendo ataques, e assentando artilharia, e morteiros para bombas. Em Saõ Bento, onde era Cabo o Bocaje, se pozeraõ algumas peças de contrabataria; e da mesma sorte na Fortaleza da Sé de S. Sebastião, que governava José Correa, Governador que foi de S. Thomé. Foraõ passando os dias, que vaõ até sexta feira, sem mais operação, que peças vão, e peças vem, e de mistura algumas bombas; porém sem morte de gente.” (Op. cit., vol. 1, p. 62)

E revisando os acontecimentos de 12 e 13 de janeiro:

(...) achando os inimigos [franceses] a ilha [das Cobras], e seo Forte sem guarnição, na manhan do dia seguinte treze de Setembro [Duguay-Trouin] a occupou, montando-lhe logo trinta e duas peças de artilharia, que havia tirado da náo Barroquinha, que o mesmo inimigo havia livrado do incêndio, e quatro morteiros, com que começou a bater, naõ só a Fortaleza de S. Sebastião, que serve de Castello à Cidade, e onde está o Armazém da pólvora (...)” (Op. cit., vol. 1, p. 78)

E uma vez mais sobre as operações:

Amanheceo o dia desanove do mesmo mez [setembro de 1711], locando o inimigo a arvorada com toda a artilharia, tanto das baterias que tinha em terra, como de huma Náo de linha, que avisinhou ao Mosteiro de S. Bento, desparando quantidade de balas, e bombas; naõ só contra a Fortaleza de S. Sebastião, mas avulsas, e sem ponto fixo para toda a Cidade sem cessar, até as tres horas do dia seguinte vinte de Setembro, sem fazerem mais algum damno (...).” (Op. cit., vol. 1, p. 83)

Visão que é contraposta pelas fontes francesas coevas:

No domingo 20 de setembro, desde a alvorada, recomeçaram nossos canhões, com o ‘Le Mars’ amarrado a atirar contra a cidade e suas fortificações, seriamente danificando o Mosteiro de S. Bento e sua bateria (...). Destruiu o bombardeio grande número de casas na cidade, atingindo, também, o Castelo; o que compeliu, então, ao restante da população a, açodadamente, abandoná-la (...)” (LAGRANGE, 1967:69)

Na ocasião, por ordens do governador Castro Morais,  a fortaleza não ofereceu resistência ao invasor, sendo evacuada, juntamente com a cidade:

(...) mandou o dito Governador [Castro Morais] pelo Ajudante Manoel de Macedo Pereira hum recado a José Correa de Castro, Governador que foi de S. Thomé, e nesta occasiaõ tinha a seo Cargo a Fortaleza de S. Sebastião, que largasse a dita Fortaleza (...).” (PIZARRO E ARAÚJO, vol. 1, p. 86)

O morro do Castelo foi assim ocupado pelas forças de Duguay-Trouin:

Escalamos, em seguida o morro, até ao Colégio da Companhia, um dos mais grandiosos edifícios existentes nesta parte das Índias, composto de duas soberbas igrejas. Aí estabelecemos um alojamento.” (LAGRANGE, 1967:71)

Como consequência destas invasões de corsários franceses em 1710 e em 1711, por determinação de João V de Portugal (1705-1750), o Capitão de Engenheiros francês Jean Massé, "(…) em 1712 passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado". (SOUZA VITERBO, 1988:154). Desse modo, a fortaleza está identificada sob a legenda "A. Fortaleza de São Sebastião do Rio de Janeiro com suas obras feitas de novo", propondo este oficial a construção de um "B. Baluarte desenhado no sítio em que está a Sé". ("Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro com suas fortificações", 1713. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa. "Plano de Defesa do porto e cidade do Rio de Janeiro", 1713. Serviço Geográfico do Exército, Rio de Janeiro)

Está representada nas "Plantas dos fortes de N. Sra. da Conceição e São Sebastião do Rio de Janeiro", c. 1714 (AHU, Lisboa), e na "Planta da Fortaleza de S. Sebastião na cidade do Rio de Janeiro", 1730 (AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:74). Em 1718, contava com 24 canhões, sendo 4 de bronze.

Figura como "Castello de S. Sebastião" na carta de André Vaz Figueira ("Carta Topografica da Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro", 1750. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), encomendada por Gomes Freire de Andrade para mostrar as obras de seu governo (1733-1763), e em projeto, anónimo, atribuído a José Custódio de Sá e Faria ("Plano da Cidade do Rio de Janeiro Capital do Estado do Brazil", 1769. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro).

Sob os governos do Vice-rei D. Luís de Almeida Portugal (1769-1778) e do Vice-rei D. José Luís de Castro (1790-1801), a fortificação foi melhorada e ampliada.

Sob o governo do primeiro foram erradicadas do entorno da fortaleza as moradias ilegais:

(…) o marquez de Lavradio (vulgo o Gravata). que em comêço tambem de govêrno fez o mesmo, no morro do Castello, onde perto das fortificações arruinadas haviam da noite para o dia, espertalhões sem titulo de dominio levantado moradias. Era tal o estado de abandono da antiga e primitiva sede da cidade, que desertores, negros fugidos e quilombolas alli se acoutavam, graças aos densos e curados capoeirões.” (VIEIRA FAZENDA, 1919:95)

(...) a indifferença dos antecessores de Lavradio fez, do antigo morro do Descanço, morro de S . Sebastião, alto da cidade, monte da Sé Velha, um logar temeroso e desprezado, e foi esse vicerei, além de muitos serviços prestados ao Rio de Janeiro, quem levantou os derrocados muros do forte de S. Januario, no morro do Castello, que tambem por isso tomou o nome desse sancto, principalmente na parte comprehendida entre os fundos da igreja de S. Sebastião (hoje Cova da Onça), ladeira do Poço do Porteiro [Ladeira do Seminário] e toda a aba que cai para a Ajuda e Sancta Luzia.” (Op. cit., p. 95)

Foi ainda no governo de Almeida Portugal, em 1775 que foi instalado nas dependências da fortaleza o Telégrafo Semafórico, que operou até à demolição do morro no início do século XX. Embora SOUZA (1885) refira essa data como “1895”, (Op. cit., p. 110) a data correta será a anterior. A Estação Semafórica destinava-se à comunicação, por bandeirolas, com a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, informando o movimento de embarcações na barra da baía de Guanabara.

O Vice-rei D. Luís de Vasconcelos (1778-1790) transferiu para a fortaleza a oficina de fogos artificiais de guerra e, em seguida permitiu ali a construção de habitações para famílias de militares:

Luiz de Vasconcellos (...) Foi este ultimo vice-rei quem passou da praia de Sancta Luzia a officina de fogos artificiaes de guerra para o antigo reducto, oficina que por algum tempo ahi permaneceu até ser transferida para o Campinho.” (VIEIRA FAZENDA, 1919:97)

Removido o laboratorio, foram concedidos para habitação de familias de militares os predios ahi existentes. Nos relatorios dos ministros da Guerra figuram, ainda hoje, essas casas como proprios nacionaes a cargo desse ministerio.” (Op. cit., p. 98)

E o mesmo autor complementa:

Mais tarde, foi o calabouço [prisão onde eram castigados os escravos] transferido para o Morro do Castello dentro da fortaleza de S. Sebastião, ao lado esquerdo do portão, em cuja parte superior está a data 1713.” (Op. cit., p. 99)

No contexto da Devassa sobre a Inconfidência Mineira (1789-1792), à Fortaleza do Castelo foi recolhido Vicente Vieira da Mota (Contador de João Rodrigues de Macedo), posteriormente degredado para o interior de Moçambique (JARDIM, 1989:183).

Do século XIX ao século XX

Um forte temporal que se abateu sobre a cidade dos dias 10 a 17 de fevereiro de 1811, causou o deslizamento de grande massa de terreno no morro do Castelo, soterrando quase todas as casas da ladeira do Cotovelo. Com isso, as muralhas da fortaleza ficaram praticamente sem apoio, ameaçando desabar sobre o bairro da Misericórdia, razão pela qual o Príncipe-Regente D. João mandou demoli-las, inclusive com o uso de explosivos.

Foi possivelmente desarmada ao tempo do Período Regencial em 1831.

No contexto da Questão Christie (1862-1865) foram procedidas novas reformas na fortificação, e para complemento da sua defesa foram instaladas duas baterias no morro. As baterias eram a do Hospital (da Santa Casa de Misericórdia), armada com um canhão francês De Bange, e a do Pau de Bandeira, armada com dois canhões ingleses Whitworth, um de 70 libras e outro de 32. Este conjunto ficou conhecido como Forte do Castelo, à época sob o comando do Capitão Borges Fortes.

MACEDO (1863) sobre as fortificações no morro do Castelo registou:

(...) dessas fortalezas restão pois unicamente vestígios, e no leito da primeira que se construira no Castello, vê-se hoje um jardim modesto que em letras de verde relva se annuncia dedicado ao bello sexo pelo director do telegrapho alli levantado (...). Com effeito, o telegrapho do Castello com seu jardinzinho e seu pateo, suas ruas e sua fonte, e sobretudo com a sua feliz situação avassallando a cidado do Rio do Janeiro e a magnifica bahia de Nictheroy, é um dos mais frequentados e estimados passeios da capital, e principalmente aos domingos e dias feriados não ha tarde em que uma multidão festiva, ruidosa de contentamento, o attrahida pelo mais formoso panorama, não vá aproveitar-se das innocentes c suavíssimas delicias que lhe facilita o sempre obsequiador coronel Gabizo, alli no throno dos seus estados telegráficos.” (Op. cit., vol. 2, p. 215)

Em 1885, sobre as mesmas fortificações, SOUZA referiu:

Reformadas pelo Marquez de Lavradio, estão ambas desmantelladas, servindo a primeira [São Sebastião] para os signaes telegráficos da barra a para cidade, e a outra [São Januário] de habitação particular.” (Op. cit.,p. 110)

No contexto da Revolta da Armada (1893-1894), os moradores do morro do Castelo foram evacuados, tendo sido erguidas barricadas com sacos de areia e instalada no alto um peça de artilharia de grande calibre.

Após o conflito, o canhão Withworth de 32 libras seguiu em 1897 para o sertão da Bahia, no contexto da Campanha de Canudos (1896-1897). Conhecido pelos sertanejos como “a Matadeira”, (CASTRO, 2009: 244) requereu 12 parelhas de bois para ser transportado, tendo disparado um único tiro.

A fortaleza desapareceu em 1922 com o desmonte do morro do Castelo, obra promovida pelo prefeito do então Distrito Federal, Carlos Sampaio (1920-1922), para dar lugar aos pavilhões da Exposição Internacional, que comemorou no Rio de Janeiro, o Centenário da Proclamação da Independência.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo abaluartado, de enquadramento urbano, em cota superior a 40 metros acima do nível do mar.

Apresentava planta na forma de um polígono retangular com orientação geral leste-oeste, com dois baluartes nos vértices nordeste e sudeste, com as respectivas guaritas, protegendo o portão de armas rasgado ao centro da muralha leste. A porta de entrada tinha a forma de um arco, tendo no alto um frontão, com volutas barrocas e era ladeado em ambos os lados por cunhais. Em frente ao portão, erguia-se um pequeno revelim externo; um outro, de maiores proporções, cobria o lado oeste, também com guaritas nos vértices noroeste e sudoeste, sobre a vertente da antiga praia do Cotovelo (ao final da rua da Misericórdia).

O antigo calabouço, prisão de escravos, foi transferida do Forte São Tiago para o Forte São Sebastião, sendo instalado no lado esquerdo do portão de armas.

Bibliografia

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1886
 
Relatório do Ministro da Marinha, Antônio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, em janeiro de 1845
Antônio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque

Printed Document
1845
 
A representação cartográfica de fortificações ao longo do tempo: o caso do Rio de Janeiro
Francisco José Corrêa-Martins

Article - Proceedings
2016
 
Fortificações e desenho urbano: o caso do Rio de Janeiro
Adler Homero Fonseca de Castro

Chapter
2014
 
Anais do Rio de Janeiro (1835)
Balthazar da Silva Lisboa

Printed Document
1835
 
 

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Fortaleza de São Sebastião do Castelo
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre a Fortaleza de São Sebastião do Castelo, que se localizava em posição dominante no antigo morro do Descanso, também conhecido como morro de São Januário, alto da Sé, alto de São Sebastião, ou simplesmente morro do Castelo, hoje desaparecido, no centro histórico da cidade cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_S%C3%A3o_Sebasti%C3%A3o_do_C...

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  • Fortress of São Sebastião do Castelo

  • Fortaleza de São Sebastião, Castelo de São Sebastião, Forte Vermelho

  • Fortress

  • 1572 (AC)



  • Cristóvão de Barros

  • Portugal

  • 1922 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro



  • Lat: 22 54' 24''S | Lon: 43 10' 21''W




  • 1711 (setembro): 5 peças antecarga, de alma lisa, de ferro e bronze, dos diversos calibres (BARRETTO, 1958:228); fontes francesas dão essa artilharia como dez peças.
    1718: 24 peças, antecarga, de alma lisa, sendo 4 de bronze.
    1862-1865: Bateria do Hospital - canhão francês De Bange); Bateria do Pau de Bandeira - dois canhões ingleses Whitworth, um de 70 libras e outro de 32.






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