Fortaleza de São José da Ilha das Cobras

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brazil

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A Fortaleza de São José da Ilha das Cobras está localizada na antiga ilha de Paranapecu ou das Madeiras, que pertenceu aos monges beneditinos, hoje ilha das Cobras, no interior da baía da Guanabara, na cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.

A primeira estrutura defensiva no local remonta a 1624, por iniciativa do governador do Rio de Janeiro, Martim de Sá (1623-32), em posição dominante, sob a invocação de Santa Margarida (Forte Margarida).

A partir de 1639, o governador Salvador Correia de Sá e Benevides (1637-42) inicia-lhe uma segunda estrutura, sob a invocação de Santo Antônio (Forte de Santo Antônio), destinada à defesa da parte baixa da ilha, na direção da barra da baía da Guanabara. Finalmente, em 1703, no governo de D. Álvaro da Silveira e Albuquerque (1702-04), inicia-se uma terceira estrutura, de faxina, ao longo da praia, fechando-lhe a defesa. Está assinalado por Andreas Antonius Horaty (Rio di Gennaro, c. século XVIII. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro) apenas como Forte na ilha das Cobras.

Ocupada pelo corsário francês René Duguay-Trouin (13/set/1711), este informa nas suas "Memoires" ter encontrado na ilha duas fortificações. BARRETTO (1958) registra que estava artilhada na ocasião com doze peças distribuídas em quatro baluartes, não concluídos (op. cit., p. 243).

Dela existe planta assinada por Pedro Gomes Chaves (Planta da ilha das Cobras, c. 1712. AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:73). Encontra-se identificada sob a legenda "V. A ilha das Cobras com suas fortificações desenhadas e sua ponte de comunicação [com o continente]" na Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro com suas fortificações, 1713 (Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.), e no Plano de Defesa do porto e cidade do Rio de Janeiro, 1713 (Serviço Geográfico do Exército, Rio de Janeiro), de autoria do Capitão de Engenheiros francês Jean Massé, que após as invasões de corsários franceses em 1710 e em 1711, por determinação do rei D. João V (1705-50), "em 1712 passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado." (SOUZA VITERBO, 1988:154).

A "Conta sobre Fortificação, Castelaria e Fortalezas da praça do Rio de Janeiro", dada em 02/mar/1718 pelo governador do Rio de Janeiro, Antônio de Brito Freire de Menezes (1717-19), informa que a ilha contava com vinte e seis peças e 716 balas. Foi reformada sob o governo de Luiz Vahia Monteiro (1725-32), o "Onça".

Sob o governo de Gomes Freire de Andrade (1733-63), o Engenheiro Militar, Brigadeiro José da Silva Paes, traça novos planos para a modernização das defesas da ilha (1735), cujos trabalhos se desenvolveram a partir de 1738. Figura como "Fortaleza de S. Jozé na Ilha das Cobras" na carta de André Vaz Figueira (Carta Topografica da Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, 1750. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), encomendada por Gomes Freire para mostrar as obras de seu governo, ao final do qual esta fortaleza foi concluída (1763).

SOUZA (1885) cita Monsenhor Pizarro a propósito do conflito suscitado entre Gomes Freire de Andrada e José da Silva Paes: tendo o primeiro viajado a serviço a Minas Gerais, Silva Paes mandou colocar sobre o portão da fortaleza uma inscrição referindo o seu próprio nome como fundador da mesma. Ao retornar, Gomes Freire mandou-a arrancar, substituindo-a por uma segunda, referindo o seu nome. Tão logo Gomes Freire viajou novamente, a sua inscrição também foi arrancada, sendo substituída por uma terceira, que rezava: "Reinando El-Rei D. João V Nosso Senhor e sendo Governador o Capitão General desta Capitania e Minas Gerais Gomes Freire de Andrade, governando em sua ausência o Brigadeiro José da Silva Paes, mandou fazer esta fortaleza de S. José no ano de 1736". Não satisfeito, Gomes Freire teria, por esta razão, incumbido a Silva Paes de ir reforçar a Colônia do Sacramento e as praças do Continente do Rio Grande de São Pedro (1737-38) e de fortificar a ilha de Santa Catarina (1739) (PIZARRO. Memórias Históricas, vol. IX, cap. 4. apud op. cit., p. 108).

O "Relatório do Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Rio de Janeiro, entregando o Governo a Luiz de Vasconcellos e Souza, que o sucedeu no vice-reinado", datado do Rio de Janeiro em 19/jun/1779, informa: "Na Ilha das Cobras fiz bastante obra; porém o que lhe é mais útil, como era de bastante custo, não tem podido ter todo aquele adiantamento que eu desejava, pois bem verá V. Exa. que tudo o que tive a honra de representar-lhe é feito ao mesmo tempo com muito pouco dinheiro e pouca gente, e desta sorte impossível adiantar-se quanto se deseja e necessita." (p. 427) (RIHGB, Tomo IV, 1842. p. 409-486). É desta época a terceira pedra armorial, em Lioz, sobre o portão da fortaleza, que reza: "Reinando El-Rei D. João V Nosso Senhor e sendo Governador o Capitão General desta Capitania e Minas Gerais Gomes Freire de Andrade, governando em sua ausência o Brigadeiro José da Silva Paes, mandou fazer esta fortaleza de S. José no ano de 1736. Foi aumentada e melhorada na administração do Vice-Rei D. Luiz d´Almeida Portugal , 2º Marquês do Lavradio e 4º Conde de Avintes (1769-79)" (GARRIDO, 1940:110).

No contexto da Devassa sobre a Inconfidência Mineira (1789-92), à Fortaleza da ilha das Cobras foram recolhidos os seguintes conjurados: Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrada (Regimento de Cavalaria das Minas) - degredado para o interior de Angola; Tenente Coronel Francisco Manoel da Silva e Mello (Regimento de Artilharia do Rio de Janeiro) - faleceu na prisão; Capitão Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes (Regimento de Voluntários Reais de São Paulo) - faleceu na prisão; Alferes Joaquim José da Silva Xavier (Regimento de Cavalaria das Minas, 6ª Companhia) - executado; Tomás Antônio Gonzaga (Ouvidor-Geral de Vila Rica, nomeado Desembargador para a Relação da Bahia) - degredado para Moçambique; Coronel Inácio José de Alvarenga Peixoto (Regimento de Cavalaria Auxiliar de Campanha do Rio Verde) - degredado preso para o interior de Angola; Francisco Antônio de Oliveira Lopes (Regimento de Cavalaria das Minas, ex-Capitão da 8ª Companhia) - degredado para o interior de Angola; Tenente Coronel Domingos de Abreu Vieira (Regimento de Auxiliares) - degredado para o interior de Angola; Sargento-mor Luiz Vaz de Toledo Piza (Regimento de Cavalaria Auxiliar de São João d´El-Rei) - degredado para o interior de Angola; Domingos Vidal de Barbosa Laje (Médico) - degredado em Cabo Verde;

Padre Luís Vieira da Silva (Cônego da Sé de Mariana) - condenado a degredo para a ilha de São Tomé, cumpriu pena de prisão em Portugal. Indultado em 1804, retornou no ao seguinte ao Brasil; Padre Carlos Corrêa de Toledo e Melo (Vigário da Comarca do Rio das Mortes) - condenado à forca, cumpriu pena de prisão em Portugal, onde faleceu em 1803;

Padre José da Silva e Oliveira Rolim - condenado à forca, cumpriu pena de prisão em Portugal. Obteve licença para retornar ao Brasil em 1804, o que realizou no ano seguinte;

Padre José Lopes de Oliveira - condenado à forca, cumpriu pena de prisão em Portugal, onde faleceu em 1796; O Alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-92) - o Tiradentes -, que a 06/mai/1789 havia se ocultado na casa do tanoeiro Domingos Fernandes da Cruz à rua dos Latoeiros (atual rua Gonçalves Dias) no Rio de Janeiro, onde foi detido por soldados do Regimento de Extremoz sob o comando do Alferes Francisco Vidigal Pereira, e conduzido à ilha das Cobras, sob escolta, desde a noite de 10 do mesmo mês.

Durante o governo do Vice-rei D. José Luís de Castro (1790-1801), recebeu reparos (LAYTANO, 1959). Nas suas instalações também esteve detido o ex-Governador e Capitão-general da Capitania de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, em virtude da Revolução de 1817 (SOUZA, 1885:108).

Pelos Avisos de 30/jul/1828 e de 29/abr/1831 esta fortificação foi destinada a prisão civil, tendo aí ocorrido à época uma sublevação do Corpo de Artilharia da Marinha (07/out/1831), prontamente sufocada pelo Major Luís Alves de Lima e Silva (1803-80), futuro Duque de Caxias (SOUZA, 1885:108). Talvez date desta época uma iconografia de Friederich Hagedorn (1814-c. 1889) retratando a ilha das Cobras ("Vista da ilha das Cobras e mosteiro de São Bento", s.d.), na Coleção Hecilda e Sérgio Fadel, no Rio de Janeiro. Em 1838, a fortaleza também abrigava o Hospital da Marinha, mais tarde Hospital Central da Marinha (BARRETTO, 1958). A fortaleza foi remodelada com a Questão Christie (1862-65), estando artilhada com trinta e quatro canhões, e guarnecida pelo Batalhão de Fuzileiros Navais (SOUZA, 1885:108), e subordinando-se ao Ministério da Guerra (1894-95), quando foi classificada como de 1ª Classe (GARRIDO, 1940:112). Durante a Questão Eclesiástica (1872-75), o bispo de Olinda, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, e o bispo do Pará, D. Antônio de Macedo Costa, aí foram detidos (1874), apenas libertados quando o Duque de Caxias (1803-80) exigiu o perdão imperial dos mesmos como condição para aceitar o cargo de Presidente do Conselho de Ministros (1875). Nela serão detidos também os marinheiros implicados na Revolta da Chibata (1910), inclusive o seu líder João Cândido, dos quais dezesseis perecem por calor, sede e sufocamento. Em dezembro desse mesmo ano registrou-se o levante do Batalhão Naval ali sediado, debelado sob o fogo dos navios da esquadra e das tropas do Exército (GARRIDO, 1940:113).

Foi alvejada pela artilharia do Forte de Copacabana durante a revolta tenentista (04 a 06/jul/1922). Posteriormente desarmada, suas instalações foram absorvidas pelo Arsenal da Marinha. A Capela da antiga fortaleza, dedicada a São José e hoje anexa ao Hospital Central da Armada, encontra-se tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1952, destacando-se o seu frontispício em pedra de Lioz, e a portada em granito da antiga fortaleza, ambos também tombados desde 1955.

 



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Fortaleza de São José da Ilha das Cobras
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre a Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, que se localiza na Ilha das Cobras, no interior da baía de Guanabara, no centro histórico da cidade e Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_S%C3%A3o_Jos%C3%A9_da_Ilha_d...
Fortaleza de São José da Ilha das Cobras
Website do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais versando sobre a Ilha das Cobras e a Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, que se localiza na cidade e Estado do Rio de Janeiro.

http://www.mar.mil.br/cgcfn/museu/historiadailhadascobras.htm

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  • Fortaleza de São José da Ilha das Cobras


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    No livro do tombo constam dois livros hisóricos:
    Livro Histórico
    Inscrição:310 Data:10-2-1955
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    Livro Histórico
    Inscrição:297 Data:7-11-1952
    Nº Processo:0466-T


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  • Ruins
    Hospital Central da Marinha

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    Localizada na Ilha das Cobras, no interior da Baía da Guanabara, cidade do Rio de Janeiro


  • Lat: 22 53' 43''S | Lon: 43 10' 19''W










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