Forte Madame Bruyne (Buraco)

Olinda, Pernambuco - Brazil

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O Forte Madame Bruyne, ou de Santo Antônio do Buraco, hoje ruínas abandonadas, estava localizado no istmo de areia, cordão arenoso, que liga Recife a Olinda, ao sul desta última, no litoral do Estado de Pernambuco.

SOUZA (1885) identifica esta estrutura como Santo Antônio do Buraco, referindo que antes da invasão holandesa (1630), denominava-se Guarita de João Albuquerque. Localiza-o no istmo, meia milha ao norte do Forte do Brum, cuja defesa coadjuvou na ocasião (op. cit., p. 82). BARRETTO (1958) denomina-o de Forte Madame Bruyne e Forte do Buraco, afirmando ter sido erguido no local onde anteriormente existira o Fortim do Bom Jesus ou Forte de São Jorge Velho (op. cit., p. 140).

Esta estrutura remonta ao contexto da Guerra Holandesa (1630-54), tendo sido erguida entre 1630 e 1632 por forças holandesas como um reduto de campanha para a defesa avançada do norte do Recife de Olinda. Foi denominado Forte Madame Bruyne em homenagem à esposa de Johan Bruyne, integrante do Conselho de comissários que governou o Brasil holandês. Sua planta apresentava o formato de um polígono quadrangular regular, com quatro meio-baluartes nos vértices (BARRETTO, 1940:140).

Outros nomes alternativos para essa construção são: Fortaleza de Santo Antônio do Buraco; segundo Albuquerque, Lucena & Walmsley (1999:77-83), ainda: Forte Madame Bruyne, Domina Brunonis, Fortaleza de Santo António do Buraco, Fortaleza de Santo Antonio do Buraco, Fortaleza de Santo Antonio dos Coqueiros do Buraco, Fortaleza de Santo António dos Coqueiros do Buraco, Fortaleza de Santo Antônio dos Coqueiros.

Sobre esta estrutura, Nassau, no "Breve Discurso" de 14/jan/1638, sob o tópico "Fortificações", informa: "A tiro de mosquete deste hornaveque [do forte de Bruyne] fica um reduto que serve de guarda-avançada."

O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, datado de 04/abr/1640, complementa:

"(...) a um tiro longo de mosquete daí [do forte de Bruyne], está situado um reduto chamado de Madame de Bruyn, com uma boa paliçada em volta e no qual estão 2 peçazinhas forjadas, de bronze, de 6 libras. O fortezinho, que fica ao sul da cidade de Olinda está sendo reparado, de modo a comportar 15 a 20 homens de guarnição, com 4 a 5 canhões de ferro, de modo a que sirva de refúgio para a burguesia de Olinda no caso de ataque de campanhistas.

BARLÉU (1974) transcreve a informação: "(...) A distância igual deste [não longe do Forte do Brum], acha-se a Torre ou Reduto, que se orgulha com o nome de Madama Bruyne. Essa torre é também circundada por sua cerca e protegida por dois canhões de bronze. Está-se atualmente trabalhando em restaurar o forte arruinado do sul para receber uma guarnição de 15 ou 20 homens, de modo que sirva de refúgio aos olindenses contra a soldadesca vagabunda e devastadora." (op. cit., p. 143)

Figura nos mapas de Franz Post (1612-80) da Ilha de Antônio Vaz (1637), e de Mauritiopolis (1645. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro), e no mapa "A Cidade Maurícia em 1644", de C. B. Golijath (in: BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados no Brasil. Amsterdã, 1647).

Quando do assalto final ao Recife (jan/1654), esta estrutura é abandonada pelas forças holandesas (17/jan) (SOUZA, 1885:82).

No século XVIII, a partir de 1705 foi reconstruído pelos portugueses em alvenaria de pedra, com três faces retas e uma abaluartada (SOUZA, 1885:82). Figura na coleção de Mapas de vários regimentos da Capitania de Pernambuco (cerca de 1763) sob o título Forte de Santo Antônio dos Coqueiros do Buraco (Arquivo Ultramarino, Lisboa) (IRIA, 1966:60).

No século XIX, sofreu reparos em 1863, no contexto da Questão Christie (1862-65), quando estava guarnecido por um Capitão, um Sargento, um Condestável (chefe de artilheiros), infantes destacados dos Terços do Recife, dez fuzileiros e dois artilheiros, estando artilhado com vinte e três peças de calibres 24 a 12 (GARRIDO, 1940:65; vinte e duas peças, três de bronze e dezenove de ferro cf. BARRETTO, 1958:140). Encontrava-se em precário estado de conservação em 1885, classificado como de 2ª Classe (SOUZA, 1885:82). GARRIDO (1940) complementa que, em 1883, foram-lhe efetuados reparos, no montante de 2:066$666 réis. À época (1940), encontrava-se abandonada e em ruínas (op. cit., p. 65).

Segundo BARRETTO (1958), à época (1958) o forte estava sendo demolido pela Marinha para a construção da Base do 3º Distrito Naval, tendo parte de suas pedras sido aproveitadas nas obras do prolongamento do porto do Recife (op. cit., p. 143).

o início da demolição pela Marinha se deu em 1953, à revelia do SPHAN (atual IPHAN, responsável pelo tombamento federal). Este conseguiu a suspensão da demolição, mas despacho do presidente Kubitscheck de 10 janeiro de 1955 ordenou o cancelamento do tombamento. Imediatamente reiniciou-se a dinamitação, que prosseguiu até ser quase totalmente arrasada. Portanto, a demolição iniciou em 1953 (antes do destombamento) e foi retomada em 1958, quando foi dinamitado. As obras que motivaram a destruição do forte (construção dos novos cais e diques da Base Naval do 3º Distrito Naval) foram abandonadas antes mesmo da demolição total da edificação. Parte de suas pedras foi aproveitada no prolongamento do porto do Recife.

FREYRE (1980), comenta: "Infelizmente as ruínas da Fortaleza do Buraco já tiveram sua bem executada sentença de morte. Delas resta apenas uma como lápide melancólica dizendo: 'Aqui foi a Fortaleza do Buraco'. Foram essas ruínas sacrificadas às obras de expansão da Base Naval do Recife. Sacrifício parece que desnecessário. Inútil. Lastimável." (op. cit., p. 128).

Fonte adicional de consulta: (http://www.oocities.org/lagopaiva/destruid.htm#buraco)

 

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Forte de Madame Bruyne
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Madame Bruyne, que se localizava no istmo de areia que liga a cidade do Recife à de Olinda, ao sul desta última, no litoral do atual Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Madame_Bruyne
Patrimônio cultural destruído no Brasil
Website, coordenado por Celso Lago Paiva, com relação e comentários sobre patrimônio cultural brasileiro destruído nos últimos anos.

http://www.oocities.org/lagopaiva/destruid.htm
Forte do Buraco
Website Brasil Arqueológico, da Equipe do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, versando sobre o Forte do Buraco, que se localiza entre Olinda e Recife, Estado de Pernambuco.

http://www.brasilarqueologico.com.br/arqueologia-forte-buraco.php

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Contribution

Updated at 28/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1), Múcio Aguiar Neto (3).


  • Forte Madame Bruyne (Buraco)

  • Forte do Buraco, Forte de Santo Antônio, Fortaleza de Santo Antônio do Buraco, Domina Brunonis, Fortaleza de Santo Antônio dos Coqueiros (do Buraco)

  • Fort

  • 1630 (AC)

  • 1630 (AC)



  • Netherlands


  • Abandoned Ruins

  • Municipal Protection
    National Protection
    Tombamento: 1938, federal, SPHAN (Processo 101-T-38; inscrito a 24 maio 1938, sob n.o 44, f. 9, no livro de tombo Histórico e n.o 85, f. 16, no livro de Belas-Artes).

    Destombamento: cancelada a inscrição a 19 jan. 1955, em cumprimento ao despacho presidencial de 10 jan. 1955, baseado no Decreto-lei 3866, de 29 nov. 1941 (mandato de J. Kubitscheck). O pedido do cancelamento foi feito pelo Ministério da Marinha.

    Houve oposição forte do IPHAN (especialmente através de Rodrigo Melo Franco de Andrade e de Ayrton de Almeida Carvalho, este representante do SPHAN em Pernambuco – Melo, 1998), que foi desconsiderada.

    Retombamento: remanescentes e escombros tombados novamente pelo IPHAN em 2000.

    Outra proteção legal: tombado ex-officio em maio de 1982 pelo município de Olinda. Pela Lei Municipal 4849/92 (Legislação Urbanística dos Sítios Históricos de Olinda), está inserida na Zona Especial de Proteção – ZEPC 3, no Setor de Preservação Rigorosa. Também responsabilidade do IPHAN, pois o sítio encontra-se em zona de entorno da poligonal de tombamento pelo IPHAN, do conjunto arquitetônico e paisagístico de Olinda, no Setor F do Polígono de Preservação do Município de Olinda.

  • União Federal (Brasil)




  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Olinda

    As ruínas da fortificação estão localizadas no cordão arenoso (istmo) entre Olinda e Recife, a norte da última barra do porto do Recife, próximo à atual Escola de Aprendizes Marinheiros, em Olinda, Pernambuco.


  • Lat: 8 2' 21''S | Lon: 34 51' 57''W










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