Fort of Santa Cruz de Itamaracá

Ilha de Itamaracá, Pernambuco - Brazil

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O “Forte de Santa Cruz de Itamaracá”, popularmente referido como “Forte Orange”, localiza-se na ilha de Itamaracá, no litoral norte do estado de Pernambuco, no Brasil.

No contexto da segunda das invasões neerlandesas do Brasil (1630-1654) situava-se numa pequena ilhota (hoje desaparecida) em frente à ponta sudeste da ilha de Itamaracá, de onde dominava a barra sul do canal de Santa Cruz.

História

Antecedentes: o forte neerlandês

Foi iniciado a partir de maio de 1631, como uma fortificação de campanha, por forças neerlandesas, (BARRETTO, 1958:133) sob o comando de Steyn Callenfels, tendo recebido a denominação de "Forte Orange", em homenagem à Casa de Orange-Nassau, que então governava os Países Baixos. O objetivo era a conquista da vila da Conceição, atual Vila Velha, então defendida pelas forças de Salvador Pinheiro.

Em faxina e taipa, ficou guarnecido por um destacamento de 366 homens sob o comando do capitão polonês Crestofle d'Artischau Arciszewski. Este efetivo resistiu ao ataque das forças portuguesas sob o comando de Giovanni Vincenzo Sanfelice, conde de Bagnoli que, afinal derrotado (1632), retirou-se abandonando a sua artilharia: 4 peças de bronze trazidas do Arraial Velho do Bom Jesus. Após essa conquista (1633), o forte foi reparado e ampliado, sob o comando de Sigismund van Schoppe. (ALBUQUERQUE, 2010:37)

Sobre esta fortificação, Maurício de Nassau reportou:

"(...) Dentro da barra [da ilha de Itamaracá] apresenta-se em primeiro lugar o forte Orange, situado sobre um baixo de areia separado de terra firme por uma angra, que é vadeável de baixa-mar. Este forte domina a entrada do porto, visto que como os navios que entram têm que passar por diante dele a tiro de arcabuz. É quadrado, com quatro baluartes [nos vértices], e ultimamente foi elevado e reparado, mas quase não tem fossos, nem estacada ou paliçada, o que é necessário que se faça, bem como convém aprofundar o fosso e cercar o lado exterior com uma contraescarpa. Diante deste forte, do lado do Norte, por onde o inimigo pode se aproximar, há um hornaveque." (NASSAU, Maurício de. Breve Discurso. 14 de janeiro de 1638.)

Essa descrição é complementada pela de van der Dussen, que lhe atribui duas companhias, com um efetivo de 182 homens:

"(...) o forte Orange, na entrada sul do canal, que é o principal porto da Ilha [de Itamaracá]. É um forte quadrangular com 4 baluartes, elevado, tendo em certo trecho um fosso, mas pouco profundo e seco; está cercado por uma forte estacada. Aí estão 12 peças, a saber: 6 de bronze e 6 de ferro. As de bronze são: 1 de 26 libras, 1 de 18 lb, 3 de 12 lb e 1 de 6 lb; as de ferro são: 2 de 5 lb e 4 de 4 lb." (DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil. 4 de abril de 1640.)

BARLÉU (1974) transcreve a informação:

"(...) o [forte] de Orange, na boca meridional do porto. Tem quatro bastiões e é cercado de uma estacada, por falta de água nos fossos. Está armado de 12 canhões, 6 de bronze e 6 de ferro.” (Op. cit, p. 143)

E atribui-lhe o mesmo efetivo de 182 homens. ( Op. cit., p. 146) Com relação à estacada, foi determinada por Nassau na iminência do ataque de uma frota espanhola ao nordeste neerlandês (c. 1639): "(...) Protegeu Maurício também o forte de Orange, na ilha de Itamaracá, cingindo-o de estacada (...)." (Op. cit., p. 159)

Esta posição integrava o sistema defensivo da ilha composto, a sul pela vila Schoppe, diversos redutos e por um grande alojamento, e a norte pelo Fortim da Ponta de Catuama. (ALBUQUERQUE, 2010:37)

Mesmo diante da Restauração da Independência portuguesa (1640) e da assinatura de Tratado de Paz entre Portugal e os Países Baixos (junho de 1641), à época as instalações do forte foram utilizadas como prisão para religiosos beneditinos, carmelitas e franciscanos, contrários ao calvinismo neerlandês.

De acordo com BENTO (1971), quando da contraofensiva portuguesa à ilha da Itamaracá, em junho de 1646, pelas forças combinadas do Mestre-de-Campo André Vidal de Negreiros (1606-1680) e do Mestre-de-Campo João Fernandes Vieira (1602-1681), o Sargento-mor Antônio Dias Cardoso foi o encarregado de atacar e arrasar as fortificações neerlandesas, o que foi cumprido, apresando 18 peças de artilharia, e organizando redutos fronteiros à ilha com algumas dessas peças.

Embora não esteja claro se este forte em particular foi conquistado ou não, na ocasião sofreu pesados estragos, tendo sido reconstruído a partir de 1649.

O forte português

Após a capitulação neerlandesa em Recife (1654), o forte foi abandonado e subsequentemente ocupado pelas forças portuguesas sob o comando do Coronel Francisco de Figueiroa. (GARRIDO, 1940:62) Sobre a sua estrutura, a engenharia militar portuguesa ergueu o atual forte, sob a invocação da Santa Cruz: o "Forte de Santa Cruz de Itamaracá".

Apesar de sofrer reparos nos anos de 1696 - quando sua guarnição se compunha de um Sargento-mor, um Capitão, um Tenente, um Sargento, um Condestável e 2 companhias dos Terços do Recife, estando artilhado com 25 peças dos calibres de 20 a 12 (GARRIDO, 1940:62) -, e de 1777, em 1800, abandonado, encontrava-se em ruínas. Nova restauração foi providenciada em 1817, ano em que foi ocupado pelas forças do padre Pedro de Souza Tenório, no contexto da Revolução Pernambucana (1817). SOUZA (1885), à época (1885), atribuiu-lhe 23 peças, apontando-lhe a ruína. (Op. cit., p. 81)

Do século XX aos nossos dias

Tombado em 1938 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), pequenas intervenções de consolidação foram efetuadas em 1966 e em 1973, época em que a ilha começou a se projetar enquanto balneário turístico. Em 1971, o Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco procedeu-lhe prospecção parcial, identificando os espaços da cozinha, da capela, dos quartéis e dos paióis, e recuperando diversos objetos de uso pessoal, munições e canhões de vários calibres. O Ministério do Exército iniciou-lhe reformas no início da década de 1980, passando a sua administração para a Prefeitura Municipal de Itamaracá (1984). É deste período que data o envolvimento do ex-presidiário e artesão José Amaro de Souza Filho com a guarda e manutenção autônomas do monumento, mediante a receita gerada pela venda de artesanato local, situação que perdurou até 1992. A partir de 1991, com a criação, por José Amaro, da Fundação Forte Orange, esta entidade passou a encarregar-se da administração do forte. Em 1998 o imóvel foi retomado da Prefeitura sendo passado para o Ministério da Cultura (1998), que por sua vez o repassou para a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco - FADE/UFPE.

A FADE, empresa privada sem fins lucrativos, a partir de 2000 coordenou o projeto de pesquisa arqueológica da UFPE (Projeto Forte Orange), com recursos da MOWIC Foundation, do Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos, do Ministério da Cultura do Brasil - através do IPHAN -, e do Governo do Estado de Pernambuco.

De janeiro a março de 2002, e de outubro de 2002 a junho de 2003 duas novas campanhas de prospecção arqueológica tiveram lugar. Os trabalhos compreenderam ainda a construção de defesas contra o mar, com recursos da Prefeitura Municipal, bem como intervenções de restauro e a instalação de um museu com os testemunhos arqueológicos encontrados nas escavações, com recursos do Governo do Estado de Pernambuco e do IPHAN. Em 2003 teve lugar a visita de Sua Majestade, a Rainha Beatrix dos Países Baixos, e Suas Altezas, o Príncipe de Orange e a Princesa Máxima, às escavações do forte.

Em 2010, uma nova campanha, também sob a responsabilidade do Laboratório de Arqueologia da UFPE, investigou o espaço da praça de armas, identificando o primitivo portão de armas e a casa de pólvora. (FARIA, Júlia. "Nome holandês, origem portuguesa". In: Ciência Hoje, vol. 45, n.º 268, mar. 2010, p. 56-57.)

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

Embora historiograficamente se considere que a engenharia militar portuguesa apenas realizou trabalhos de reforma e ampliação da praça neerlandesa, como por exemplo revestindo com alvenaria de pedra a primitiva muralha de terra, a pesquisa arqueológica constatou que efetivamente se trata de duas estruturas diferentes. Embora com estrutura similar, o atual forte apresenta maiores dimensões, com as dependências internas justapostas à contramuralha (a parede interna da fortificação), ao contrário da primitiva estrutura, onde se encontravam separadas. O portão de armas neerlandês, erguido em alvenaria de tijolos trazidos dos Países Baixos, era voltado para o canal de Santa Cruz, sendo entaipado por um muro de pedra pelos portugueses que, entretanto, rasgaram o atual, voltado para terra. (FARIA, Júlia. "Nome holandês, origem portuguesa". In: Ciência Hoje, vol. 45, n.º 268, mar. 2010, p. 56-57) Em alvenaria de pedra de calcário e cal, o atual forte apresenta planta na forma de um polígono quadrangular regular com baluartes pentagonais nos vértices no sistema Vauban, guaritas de cantaria, portão armoriado, além de quartéis para a tropa, Casa de Comando e paióis ao abrigo das muralhas, envolvendo o terrapleno.



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Forte de Santa Cruz de Itamaracá
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santa Cruz de Itamaracá, popularmente conhecido como Forte Orange, que se localiza na ilha de Itamaracá, no litoral norte do Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santa_Cruz_de_Itamarac%C3%A1
Forte Orange
Site da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - FUNDARPE, versando sobre o Forte Orange, que se localiza na entrada sul do canal de Santa Cruz, na ilha de Itamaracá, Estado de Pernambuco, Brasil.

http://www.cultura.pe.gov.br/forte_orange.html
Forte Orange
Website Colonial Voyage, em inglês, versando sobre o Forte Orange, que se localiza na Ilha de Itamaracá, Estado de Pernambuco.

http://www.colonialvoyage.com/viaggi/brazilfortorange.html
Forte Orange
Website do Projeto Forte Orange, versando sobre o Forte Orange, que se localiza na Ilha de Itamaracá, Estado de Pernambuco.

http://www.euapoiooforteorange.com.br/oforte.htm#
Fortificações de Pernambuco
Website Pernambuco.com, apresenta informações acerca das seguintes fortificações localizadas no Estado de Pernambuco, Brasil: Forte das Cinco Pontas, Forte do Brum, Forte de São Francisco, Forte de Pau Amarelo, Forte de Orange, Forte Tamandaré, Forte Castelo do Mar e Forte Nossa Senhora dos Remédios.

http://www.pernambuco.com/turismo/fortes.shtml
Icofort Brazil in Facebook
Page in the Facebook about the ICOFORT BRAZIL: The International Scientific Committee on Fortifications and Military Heritage in Brazil (http://www.brasil.icofort.org/) that began its activities in 2013 and will intend to reproduce in this country all the aims of the international ICOFORT (http://www.icofort.org/).

http://www.facebook.com/pages/Icofort-Brasil/290376381092560
Forte Orange
Website Brasil Arqueológico, da Equipe do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, versando sobre o Forte Orange, que se localiza na barra sul do Canal de Santa Cruz, Itamaracá, Estado de Pernambuco.

http://www.brasilarqueologico.com.br/arqueologia-forte-orange.php
10 fortes militares históricos viram ponto turísticos, no Brasil
Matéria da edição virtual da revista Casa Vogue de 22/12/2015, que versa sobre dez fortificações no Brasil que hoje são pontos turísticos importantes.

http://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2015/12/10-fortes-milit...

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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Patrimônio Histórico Nacional.
    Livro Histórico: Inscrição:041, Data:24-5-1938.
    Livro de Belas Artes: Inscrição:086, Data:24-5-1938.
    Nº Processo:0101-T-38.





  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Ilha de Itamaracá

    Acesso ao Forte Orange, s/n.º
    Ilha de Itamaracá, PE
    Brasil


  • Lat: 7 48' 38''S | Lon: 34 50' 22''W



  • De terça a domingo, das 09h30 às 17h00.

    Encerra às segundas.





  • Invasões neerlandesas no Brasil



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