Fortifications on Fernando de Noronha Island

Fernando de Noronha, Pernambuco - Brazil

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As “Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha” localizam-se na ilha e arquipélago de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, no Brasil.

O arquipélago situa-se abaixo da linha do Equador, a cerca de 345 quilómetros da costa brasileira na altura do atual estado do Ceará, embora sob a jurisdição do de Pernambuco. Composto por diversas ilhas de origem vulcânica, a maior delas, e que dá nome ao arquipélago, possui uma área de cerca de 17 quilómetros quadrados.

História

Descoberta e primeiros anos

Descoberta provavelmente em 1502 por Fernão de Noronha, quando foi denominada como ilha de São João (ilha da Quaresma no Planisfério de Cantino, de fins de 1502) (TINÉ, 1969:34), foi redescoberta pela segunda expedição de Gonçalo Coelho (1503-1504), quando passou a ser denominada como ilha de São Lourenço (BUENO, 1998:73). Nos recifes que a circundam, naufragou, a 10 de agosto de 1503, a nau capitânia, onde viajava Gonçalo Coelho (BUENO, 1998:55). Foi a primeira das capitanias do Brasil, doada (com o seu primeiro nome, de São João, cf. PEREIRA, 1984:39) a 24 de janeiro de 1504 por Manuel I de Portugal (1495-1521), e confirmada a 3 de março de 1522 por João III (1521-1557), a Fernando de Noronha (AVELLAR, 1976:67), como passou a ser conhecida, permanecendo na posse dos descendentes deste até meados do século XVII. Recorde-se que foi este comerciante quem liderou o consórcio privado que arrendou, por contrato, à Coroa Portuguesa, a exploração comercial do Brasil. Documento semelhante aos instituídos no século anterior por Afonso V de Portugal (1438-1481) para a exploração da costa africana, nele está prevista a primeira disposição para fortificação do Brasil: "(…) e fazer uma fortaleza no [território] descoberto e mantê-la nos ditos três anos [do contrato] (…)." (Cf. carta de Pietro Rondinelli, Sevilha, 3 de outubro de 1502. In: AVELLAR, 1976:52)

Os séculos XVI e XVII

Durante a Dinastia Filipina (1580-1640), a ilha foi utilizada como escala pelos franceses da expedição de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, que aqui se detiveram 15 dias a caminho da capitania do Maranhão em 1612, onde estabeleceriam a França Equinocial (DONATO, 1996:93).

No mesmo contexto, foi ocupada pelas forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) em dezembro de 1629 quando, a caminho para a invasão da capitania de Pernambuco, aí ergueram uma pequena bateria de campanha, atribuída ao capitão Cornelie Corneliszoon Jol, o “Perna de Pau”, (1630 cf. GARRIDO, 1940:56; Capitão Miranda Cornelle cf. BARRETTO, 1958:124, 127), artilhada com 8 peças, dominando a baía de Santo António, o seu principal ancoradouro a norte. Por determinação do Superintendente da Guerra da capitania de Pernambuco, Matias de Albuquerque (c. 1590-1647), essa guarnição foi expulsa, em janeiro de 1630. Com a queda do Arraial Velho do Bom Jesus e do cabo de Santo Agostinho, os neerlandeses retornaram em 1635, reforçando posteriormente a artilharia do antigo reduto (1646), e retirando-se somente após a capitulação em Recife (1654). Em ambos os períodos de ocupação, os neerlandeses erigiram outras pequenas estruturas de fortificação na ilha, mas tanto estas, como o Reduto da baía de Santo António permaneceram abandonados após 1654, arruinando-se naturalmente (BARRETTO, 1958:124). Durante o segundo período de ocupação, a ilha esteve arrendada pela WIC a Michel de Pavw.

O século XVIII

Considerada como uma possessão ultramarina insular portuguesa no Atlântico Sul (não pertencia à Colónia brasileira), pela Carta-régia de 24 de setembro de 1700, o arquipélago foi incorporado à capitania de Pernambuco (7 de setembro de 1696 cf. CARNEIRO, 1922:42). Nesse período intensificou-se o esforço de povoamento da ilha, embora com pouco sucesso.

Ocupada por forças da Companhia Francesa das Índias Orientais sob o comando do Capitão Lesquelin (6 de setembro de 1736), foi denominada "île Dauphine", cf. "Carte de la Partie de l'Ocean vers l'Equateur (…)" de autoria de Philippe Buache, datada de 1737, atualmente na Bibliothèque nationale de France. Na ilha assinala-se no lugar da atual Vila dos Remédios, o "Ancient fort, ruiné". A iconografia mostra dois baluartes ligados por uma cortina, ambos pelo lado de terra, sobre uma ribeira, onde as embarcações faziam a aguada.

Ao tomar conhecimento da ocupação, a Coroa portuguesa determinou a sua retomada, colonização e fortificação, ao governador da capitania de Pernambuco, Henrique Luiz Pereira Freire Tibau, que o fez executar por uma força de 200 homens (250 cf. DONATO, 1996:94) sob o comando do Tenente-coronel João Lobo de Lacerda, no ano seguinte (6 de outubro de 1737), sem encontrar resistência, iniciando-se a construção do Forte de Nossa Senhora dos Remédios, do Reduto de Santo António e do Reduto de Nossa Senhora da Conceição, obras ampliadas a partir de 1741 (SOUZA, 1885:81; GARRIDO, 1940:54-55; BARRETTO, 1958:124-125). O projeto e a construção do sistema de defesa ficaram a cargo dos engenheiros militares Diogo da Silveira Veloso, António de Brito Gramacho e João Lobo de Lacerda, ficando composto pelas seguintes estruturas:

- Forte de Nossa Senhora dos Remédios

- Fortim da Praia da Atalaia

- Reduto de Nossa Senhora da Conceição

- Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico

- Reduto de Santana

- Reduto de Santo Antônio

- Reduto de São João Batista

- Reduto de São Joaquim

- Reduto de São José do Morro

- Reduto de São Pedro da Praia do Boldró

- Reduto do Bom Jesus

O século XIX

No contexto da Revolução Pernambucana (1817), os revoltosos enviaram o Capitão José de Barros Falcão de Lacerda à ilha, com a missão de arrasar os fortes que a defendiam, e de trazer a guarnição que a ocupava, e o arquivo militar, de volta a Pernambuco. Com a missão cumprida, ao retornar, aquele oficial foi detido como rebelde na baía da Traição, e desde então desconhece-se o paradeiro do arquivo militar da ilha (CARNEIRO, 1922:46).

Posteriormente, terminada a Guerra da independência do Brasil (1822-1824), a administração da ilha passou a subordinar-se ao Ministério da Guerra (1824), que a utilizou como Presídio Militar (BARRETTO, 1958:125).

Durante a Insurreição Praieira (1848), serviu como prisão política, conforme a "Relação dos Cidadãos desterrados no Presídio de Fernando de Noronha (…) mandados voltar para Pernanbuco em data de 19 de julho [de 1849?]" (MELLO, 1978:238-239). O Aviso Ministerial de 14 de fevereiro de 1857 classificou o conjunto de fortificações da ilha como de 1.ª Classe (SOUZA, 1885:81).

Passou à disposição do Ministério da Justiça pelo Decreto de 3 de novembro de 1877 (SOUZA, 1885:81), que designou Diretores de Presídio civis para governá-la.

No início da Primeira República Brasileira (1889-1930) foi devolvida à jurisdição de Pernambuco, por insistência de Henrique Pereira de Lucena, barão de Lucena (Decreto n.° 1.371 de 14 de fevereiro de 1891) (CARNEIRO, 1922:46).

O século XX

A repressão à Intentona Comunista (1935) conduziu para a ilha 600 prisioneiros políticos, mantendo o presídio em atividade até à criação do Território de Fernando de Noronha (Decreto-lei de 9 de julho de 1942) quando aquele presídio foi transferido para a Ilha Grande, no litoral do estado do Rio de Janeiro. Nesse ano, no auge da batalha pelo Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o arquipélago voltou ao mapa, pela sua importância estratégica em termos de:

- Suporte logístico para as patrulhas antissubmarinos da FAB e da USAF;

- Suporte logístico para as embarcações de apoio aéreo da US Navy quando da invasão da Normandia (junho de 1944);

- Apoio técnico aos sistemas de cabos submarinos que ligavam o subcontinente sul-americano (Recife) ao continente africano (Dakar), operados pela Western Telegraph Company, inglesa, e pela Italcable, italiana, esta última sob intervenção brasileira após a declaração de guerra do país ao Eixo;

- Defesa desse território insular brasileiro contra uma possível agressão.

Os prisioneiros políticos deram lugar ao Destacamento Misto de Fernando de Noronha, com um efetivo de 3.000 homens sob o comando de um General de Brigada (BARRETTO, 1958:125). O apoio logístico (suprimentos quinzenais de gêneros e munições, rendição de tropa) foi efetuado pelo “N/M Tupyara”, do Lloyd Brasileiro, e posteriormente pelo “SS Itapuhy”, da Companhia Nacional Costeira.

Nesse período, diversas baterias de artilharia foram construídas, destacando-se:

- Bateria Antiaérea no Morro do Curral, de que a maior parte estava por ser identificada (2012)

- Base estadunidense no Sueste

- Baterias Antiaéreas na vila da Quixaba

- Peças diversas

Ao término do conflito essas posições foram desativadas, bem como o Destacamento dissolvido, permanecendo o arquipélago aos cuidados de uma pequena guarnição, cujo comandante acumulou as funções de governador do Território.

No contexto da Guerra Fria, um acordo assinado entre os EUA e o Brasil permitiu que fosse instalada em Fernando de Noronha uma estação de rastreamento de mísseis (21 de janeiro de 1957). Para esse fim foram instalados Quosen Huts no Boldró com a função de abrigo e operação dos equipamentos e instalações de pessoal.

Administrado pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), no início de 1986 iniciou-se a exploração turística do arquipélago. O projeto previa o desenvolvimento de uma infraestrutura de sustentação de um complexo turístico, ampliando-se o aeroporto local, implantando-se rede de saneamento básico, ampliando-se a rede de apenas 4 quilómetros de estradas, modernizando-se a rede de distribuição de energia elétrica e construindo-se uma usina de dessalinização de água do mar. Pensava-se ainda na construção de um hotel de luxo, na possível implantação de um cassino, ou mesmo de uma zona de livre comércio, onde produtos importados pudessem ser comercializados isentos do imposto de importação. Concretamente, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho de 1986), o arquipélago foi declarado como Área de Proteção Ambiental (APA), permitindo-se a exploração turística racional do local, de forma a preservar o seu ecossistema, cujo foco é a vida marinha.

Bibliografia

AVELLAR, Hélio de Alcântara. História administrativa e econômica do Brasil (2.ª ed.). Rio de Janeiro: FENAME, 1976. 432p. il.

CARNEIRO, Carlos. "Ilhas Oceânicas do Brasil (Fernando de Noronha)". In: Diccionario Historico Geographico e Etnographico do Brasil (Vol. I, Parte I). Rio de Janeiro: IHGB, 1922. p. 42-46.

DONATO, Hernâni. Dicionário das batalhas brasileiras. Rio de Janeiro: IBRASA, 1996. 593p. ISBN 8534800340

SECCHIN, Carlos. Arquipélago de Fernando de Noronha (2.ª ed.). Rio de Janeiro: Cor/Ação Editora, 1991. 160p. il. mapa.

TINÉ, José Sales. História do Brasil (4.ª ed.). Rio de Janeiro: Gráfica Muniz S/A, 1969. 140p. mapas.



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Related links 

Fortificações na Ilha de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as fortificações da Ilha de Fernando de Noronha, que se localizam na ilha homônima no oceano Atlântico, em àguas territoriais brasileiras.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_na_Ilha_de_Fernan...
Fortim da Praia da Atalaia de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Fortim da Praia da Atalaia de Fernando de Noronha, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortim_da_Praia_da_Atalaia_de_Fernando_de...
Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha, também referido simplesmente como Fortim do Pico, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reduto_de_Santa_Cruz_do_Morro_do_Pico_de_...
Reduto de Santana de Fernando de Noronha
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Reduto de Santana de Fernando de Noronha, também referido como Parque de Santana ou Reduto do Armazém, que se localizava na ilha de Fernando de Noronha, no arquipélago de mesmo nome, no Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reduto_de_Santana_de_Fernando_de_Noronha
Fortificações de Fernando de Noronha
Website versando sobre as fortificações de Fernando de Noronha, que pertence ao Estado de Pernambuco.

http://www.historiadomar.com.br/fortalezas_01_01.htm

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Contribution

Updated at 29/08/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz, Ion Cibotari.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fortifications on Fernando de Noronha Island


  • Fortifications Group

  • 1629 (AC)

  • 1945 (AC)



  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Fernando de Noronha

    O arquipélago de Fernando de Noronha está localizado ao sul da linha do Equador, a cerca de 345 km da costa brasileira, na altura do atual estado de Pernambuco.


  • Lat: 3 51' 26''S | Lon: 32 25' 41''W




  • 1629: 8 peças antecarga, de alma lisa, dos diversos calibres.






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