Portas do Recife de Olinda

Recife, Pernambuco - Brazil

As Portas do Recife de Olinda estavam localizadas, nas cidades com os mesmos nomes, no Estado de Pernambuco.

No contexto da Guerra Holandesa (1630-54) o Recife de Olinda, que se constituía no porto exportador mais importante de Pernambuco, passou a ser o local de residência dos Altos e Secretos Conselheiros, e dos Conselheiros Políticos, que compunham a administração do Brasil holandês. Aí se sediava o Quartel-General de Campanha holandês, bem como os armazéns gerais de munições de boca e de guerra, artilharia e mercadorias.

Sobre a defesa da povoação do Recife de Olinda, Nassau, no "Breve Discurso" de 14/jan/1638, sob o tópico "Fortificações", descreve:

"Trabalha-se em cercar e fechar este lugar [do Recife] com uma forte e bem flanqueante paliçada, já que a escassez de terreno não permite que, quer contra o lado do mar, quer contra o do rio interior [o rio Biberibe], seja cercado por uma muralha. Esta paliçada há-de custar seguramente de 8 a 10.000 florins, que esperamos obter das casas, terrenos, armazéns existentes aqui no Recife, tanto dos particulares quanto da Companhia.

Na frente, sobre o caminho para a cidade de Olinda e contra o mar, há uma bateria murada de pedra, e contra o rio interior um reduto de terra, cujo sopé sai do rio e é formado de pedras soltas sem cal. Estas duas obras estão ligadas uma à outra por uma forte paliçada de madeira, e aí é a saída [da povoação]."

O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, datado de 04/abr/1640, complementa, atribuindo-lhe um efetivo de duas companhias totalizando 277 homens:

"O Recife (...), tem, em primeiro lugar, do lado do istmo que vem de Olinda, duas baterias, sendo que a que está do lado do porto ou do mar é uma bateria construída com pedras e a que está do lado do rio é construída com areia, sendo essas duas baterias ligadas uma à outra por meio de um fortim, no meio do qual fica a porta pela qual se entra e sai do Recife, de modo que o conjunto é uma espécie de hornaveque; nos seus flancos, fora das baterias ou hornaveque, há uma forte paliçada. Na bateria de pedra há 7 canhões de bronze, 1 de 16 libras (que é uma peça espanhola), 1 de 12 lb, 4 de 10 lb (dos quais 2 são espanhóis) e 1 de 6 lb bombarda, também espanhol, todos montados em suas carretas. Na bateria de terra estão 5 canhões de bronze, 1 de 22 lb, 1 de 18 lb, bombarda, 1 de 16 lb (peça espanhola comum), o quarto de 6 lb, bombarda, o quinto uma peça forjada de 6 lb, todos montados nas suas carretas e 2 peças de ferro de 5 lb. Este hornaveque domina toda a praia, tanto dela para fora como para dentro e alcança com suas balas a entrada da barra e o porto."

BARLÉU (1974) transcreve o Relatório de Dussen, complementando:

"(...) Da banda que entesta com Olinda, [Recife] tem diante de si dois baluartes em forma de obras cornutas, um de pedra, olhando para o mar e para o porto, o outro de terra, pondo para o rio. Une-os uma cortina que corre entre os dois, defendida por uma paliçada. No meio dela abre-se uma porta para dar passagem aos que saem do Recife ou nele entram. O baluarte de pedra protege-se com sete peças de bronze; o de terra, provido de cinco peças de bronze e duas de ferro, serve para segurança do interior da costa e do exterior do porto." (op. cit., p.142)

Note-se a semelhança destas "portas" com as portas de Macau, cidade com topografia e funções semelhantes, no Extremo Oriente português.

Com relação à paliçada projetada à época de Nassau, o "Relatório (...)" de 1640, esclarece:

"Todo o Recife está também cercado por uma forte paliçada, com flancos bem guarnecidos, sendo que nos dois primeiros flancos ao longo do porto, partindo da bateria de pedra, fizeram-se duas baterias, a primeira próxima à casa da pólvora, com 1 peça de bronze de 12 lb, 1 de ferro de 5 lb e 1 de ferro de 3lb, estendendo-se a linha do lado de dentro da bateria de pedra e comandando o porto; um pouco adiante, próximo ao desembarcadouro, está a segunda bateria, com 1 peça de bronze de 12 lb e 1 de ferro de 8 lb."

BARLÉU (1974), também a descreve: "Uma bastida solidíssima mune o recife inteiro, em disposição conveniente para se jogar a artilharia. Erguem-se aí, junto da costa, duas baterias, uma próxima da casa da pólvora, debruçando-se sobre o porto; a outra ainda mais vizinha, ambas munidas de canhões de bronze e de ferro." (op. cit, p. 142)

Os seus baluartes e muralhas encontram-se figurados no mapa de Franz Post (1612-80) de Mauritiopolis (1645. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro).

Sobre a praça-forte em que Recife se transformou sob o domínio da Companhia das Índias Ocidentais, o francês MOREAU (1979), acerca do período entre 1646-48, relata: "Pode-se dizer que esta praça é a mais forte do Brasil e uma das mais fortes do mundo; (...) Dependem desta fortaleza várias outras; sua situação é maravilhosa e não poderia ser melhor escolhida."

Este mesmo autor descreve a conquista do Recife e a construção dos baluartes que defendiam o seu acesso pelo lado de Olinda: "Depois dessa proeza [a conquista do Forte de Diogo Paes], foram um quarto de légua mais adiante, ao Recife, construído na ponta deste dique [o istmo de areia], que contava, então duzentas casas. Facilmente o tomaram e tendo-se assegurado, aí construíram bons baluartes de terra sobre as passagens do dique."

De acordo com BENTO (1971), o assédio final à praça-forte do Recife inicia-se a 14/jan/1654, estendendo-se até à Capitulação do Taborda (26/jan/1654).

Dentro do trabalho arqueológico envolvido no Projeto Luz e Tecnologia do Recife Antigo, em parceria entre a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), a Eletrobrás/Procel, o Porto Digital, as Centrais Hidroelétricas do São Francisco (CHESF), o Governo do Estado de Pernambuco, a Prefeitura Municipal do Recife e a Fundação Roberto Marinho, o Laboratório de Arqueologia da UFPE colocou a descoberto trechos da muralha que envolvia Recife no século XVII, e do baluarte leste. O projeto, com duração de mai-dez/2001, teve a finalidade de embutir a fiação aérea no centro histórico do Recife.



 

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Portas do Recife de Olinda
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as Portas do Recife de Olinda, que se localizavam na cidade do Recife, no litoral do atual Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Portas_do_Recife_de_Olinda

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Contribution

Updated at 21/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Portas do Recife de Olinda


  • Fortified Door

  • 1640 (AC)




  • Netherlands


  • Missing








  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Recife

    No Recife de Olinda


  • Lat: 8 2' 11''S | Lon: 34 53' 4''W




  • Segundo o "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, "na bateria de pedra há 7 canhões de bronze, 1 de 16 libras (que é uma peça espanhola), 1 de 12 lb, 4 de 10 lb (dos quais 2 são espanhóis) e 1 de 6 lb bombarda, também espanhol, todos montados em suas carretas. Na bateria de terra estão 5 canhões de bronze, 1 de 22 lb, 1 de 18 lb, bombarda, 1 de 16 lb (peça espanhola comum), o quarto de 6 lb, bombarda, o quinto uma peça forjada de 6 lb, todos montados nas suas carretas e 2 peças de ferro de 5 lb."
    "Todo o Recife está também cercado por uma forte paliçada, com flancos bem guarnecidos, sendo que nos dois primeiros flancos ao longo do porto, partindo da bateria de pedra, fizeram-se duas baterias, a primeira próxima à casa da pólvora, com 1 peça de bronze de 12 lb, 1 de ferro de 5 lb e 1 de ferro de 3lb, estendendo-se a linha do lado de dentro da bateria de pedra e comandando o porto; um pouco adiante, próximo ao desembarcadouro, está a segunda bateria, com 1 peça de bronze de 12 lb e 1 de ferro de 8 lb."






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