Forte de São Joaquim do Rio Branco

Boa Vista, Roraima - Brazil

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O Forte de São Joaquim do Rio Branco localizava-se na margem esquerda da confluência do alto rio Branco (atual rio Uraricuera) com o rio Tacutu, onde se forma o rio Branco, ao norte de Boa Vista, no interior do Estado de Roraima.

No contexto da ameaça das entradas holandesas oriundas do Suriname, via fluvial, para comércio e apresamento de índios na região, que se estenderão de 1750 a 1780, a Provisão Régia de 14/nov/1752 determina ao governador e Capitão-general do Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1751-59), "(...) que sem dilação alguma se edifique uma fortaleza nas margens do dito Rio Branco, na paragem que considerareis ser mais própria, ouvidos primeiro os Engenheiros que nomeardes para este exame, e que esta fortaleza esteja sempre guarnecida com uma companhia do regimento de Macapá, a qual se mude anualmente." (RIHGB. Tomo IV, 1842. p. 501-503).

Em que pesem os alertas regulares das autoridades locais sobre a necessidade de uma fortificação, face às ameaças representadas por aquele comércio na região (os índios Paraviana, por exemplo, foram encontrados com "armas, pólvora e balla", conforme relato do Ouvidor-mor da Capitania do Rio Negro, Lourenço Pereira da Costa, ao governador da Capitania em 1762), por mais de vinte anos nada foi concretizado.

Uma ação efetiva só foi adotada pela Coroa portuguesa a partir de 1775, quando Nikolas Hartsman, desertor holandês oriundo de Essequibo, atinge Barcelos, sede da Capitania de São José do Rio Negro, com notícias de um estabelecimento espanhol no Rio Branco. Esse estabelecimento remontava a expedições efetuadas nos anos de 1771-73, em busca da lendária Serra Dourada do Lago Parime, que expedições portuguesas anteriores já haviam descartado. O dado mais importante era o de que os espanhóis, enviados oficialmente pelo governo da Guiana espanhola (Venezuela) com o fim declarado de anexação da região, estavam aquartelados no Rio Uraricuera, tendo já formado no curso do mesmo, dois aldeamentos indígenas, o de Santa Rosa e o de São João Batista de Caya-Caya.

Frente a essa ameaça concreta no alto rio Branco, que desarticulava toda a estratégia tático-defensiva portuguesa na bacia amazônica, no mesmo ano, uma tropa de guerra foi formada e enviada para dar combate aos espanhóis, sob o comando do Capitão de Engenheiros Phillip Sturm, com ordens de expulsá-los e de iniciar a construção de uma fortaleza, bem como de promover o aldeamento de índios na região. Dessa forma, entre os anos de 1775 (SOUZA, 1885:58) e 1776 inicia-se finalmente a construção do Forte de São Joaquim dominando estratégicamente, do ponto de formação do rio Branco, o acesso ao rio Tacutu e ao rio Uraricuera, afastando definitivamente as ameaças de invasão espanhola ou holandesa por aquela via.

Empregando a mão de obra de indígenas tomados aos espanhóis como presa de guerra, e de outros, aldeados para o serviço da fortaleza (eram cinco as aldeias computadas em 1777), ela foi concluída em 1778.

Foi visitada pela expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-92), dela existindo iconografia (Prospecto da Fortaleza de S. Joachim; Planta da Fortaleza de S. Joachim; Planta da Capela e Residência do Capelão do Forte de São Joachim. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro). Na primeira estão retratados a estrutura do forte - onde sobressaem os telhados do Quartel de Comando e do Quartel de Tropa ao abrigo do terrapleno -, e o aldeamento anexo (FERREIRA, 1971. Pranchas 67, 68 e 69).

À época do Império,a informação mais completa sobre a estrutura, é a de BAENA (1839):

"Sua figura é um paralelogramo, do qual um dos lados maiores está ao longo da margem, e tem quase no meio um reentrante, que não consente mais de uma peça de artilharia para flanquear o resto do mesmo lado; debaixo de idêntica disposição se acha o lado oposto. No pequeno lado, em que está a porta, ela apresenta uma cortina tendo no extremo dois meios baluartes, e o mesmo no lado oposto. O pavimento contém 16 canhoneiras, das quais só 10 cavalgadas de canhões dos calibres de 6 libras até 1. Entre eles existem três pedreiros tomados aos espanhóis com o posto militar de São João Batista, e duas peças de bronze de 1 fundidas na cidade do Pará em 1763.

Em suma, o forte é imperfeito tanto no material como no sistema do polígono defensivo. Não é assim quanto ao sítio, sobre que está construído: ali o terreno não é sujeito a inundações, e o canal do [rio] Tacutú é mais navegável do que o rio Urariquera, o qual é crespo de cachoeiras, e portanto o forte defende os canais destes rios, pelos quais pode haver comunicação do rio Branco para as nações confinantes. Ele é a fortificação mais bem conservada das fronteiras.

O construtor foi o capitão alemão Filipe Sturm, que tinha vindo para as demarcações dos domínios lusitano e espanhol na América." (BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Ensaio Chorographico do Pará. 1839. apud SOUZA, 1885:58-59).

Irônicamente, a utilização desta mão-de-obra nativa, e as duras condições de uma vida sedentária nos aldeamentos impostos a populações até então nômades, conduz a um ciclo vicioso de revoltas e repressão durante a década de 1780, que dizima os aldeamentos e culmina em uma grande revolta em 1790, violentamente reprimida. Ao se iniciar o século XIX esses aldeamentos estarão praticamente desertos e o serviço do forte mantido com destacamentos de indígenas remetidos mensalmente do rio Negro. Ao mesmo tempo, as colônias espanholas obtendo a sua independência, os ingleses consolidando a sua presença na Guiana, e o processo de Independência no Brasil (1822), pouco a pouco mergulham a região no esquecimento, de onde sairá por um breve período no início do século XX com a Questão do Pirara (1904).

GARRIDO (1940) informa que, ao tempo do Império, foi criada na região a Colônia Militar do Rio Branco (Aviso de 12/ago/1850), distante, entretanto, da antiga fortificação colonial. Ao tempo da República, a antiga Colônia Militar passou a ser denominada de Fazenda Federal, tendo a União alí mantido por longo tempo um destacamento do Exército (op. cit., p. 18).

BARRETTO complementa que, à época (1958), ainda podiam ser observadas as ruínas deste forte, encontrando-se a imagem em madeira do seu padroeiro, São Joaquim, abrigada na Capela da Fazenda São Marcos. Um dos canhões remanescentes da artilharia do forte ornamentava, na mesma época, a Praça da Bandeira, na capital Boa Vista (op. cit., p. 62-68).

 



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Forte de São Joaquim do Rio Branco
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de São Joaquim do Rio Branco, que se localiza no Estado de Roraima, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_S%C3%A3o_Joaquim_do_rio_Branco
Forte de São Joaquim do Rio Branco
Website Roraima Adventures, versando sobre o Forte de São Joaquim do Rio Branco, localizado ao norte da atual cidade de Boa Vista, Estado de Roraima.

http://www.roraima-brasil.com.br/pt/roraima/pontos_turisticos/forte_sa...
Forte de São Joaquim do Rio Branco
Website Portugal Web, versando sobre o Forte de São Joaquim do Rio Branco, localizado ao norte da atual cidade de Boa Vista, Estado de Roraima.

http://www.portugalweb.net/portugalnomundo/america/roraima/fsaojoaquim...
Forte de São Joaquim do Rio Branco
Website do Comando de Fronteira de Roraima/7° BIS do Exército Brasileiro. Apresenta texto e imagens acerca do Forte de São Joaquim do Rio Branco, localizado ao norte da atual cidade de Boa Vista, Estado de Roraima.

http://www.cfrr7bis.eb.mil.br/

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Contribution

Updated at 28/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jaime José S. Silva) (2).


  • Forte de São Joaquim do Rio Branco


  • Fort

  • 1775 (AC)

  • 1778 (AC)

  • Filipe Sturm

  • Francisco Xavier de Mendonça Furtado

  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Roraima
    City: Boa Vista

    Localizado na margem direita da foz do Rio Tacutú, na sua confluência com o Rio Uraricoera, onde se forma o Rio Branco, ao norte da atual cidade de Boa Vista, Estado de Roraima


  • Lat: 3 -2' 26''N | Lon: 60 29' 13''W




  • BAENA (1839) reporta que, à época do Império, haviam duas peças de bronze de artilharia.

  • À época do Império,a informação mais completa sobre a estrutura, é a de BAENA (1839): "Sua figura é um paralelogramo, do qual um dos lados maiores está ao longo da margem, e tem quase no meio um reentrante, que não consente mais de uma peça de artilharia para flanquear o resto do mesmo lado; debaixo de idêntica disposição se acha o lado oposto. No pequeno lado, em que está a porta, ela apresenta uma cortina tendo no extremo dois meios baluartes, e o mesmo no lado oposto. O pavimento contém 16 canhoneiras, das quais só 10 cavalgadas de canhões dos calibres de 6 libras até 1".





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