Forte de São José de Marabitanas

São Gabriel da Cachoeira, Amazonas - Brazil

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O “Forte de São José de Marabitanas”, também referido simplesmente como “Forte de Marabitanas” e como “Forte de Cucuí”, localizava-se à margem direita do alto rio Negro, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, cerca de quinze quilómetros abaixo de Cucuí, no atual município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas, no Brasil.

Na região da tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela, ocorre um importante fenómeno natural: a bacia do rio Orinoco comunica-se com a do rio Negro, por meio do Canal do Cassiquiare, permitindo a ligação da primeira ao Oceano Atlântico. Esse fenómeno natural, responsável pela vulnerabilidade naquela fronteira por permitir o acesso naquele divisor de águas à bacia amazónica, foi a razão pela qual foi erguido no século XVIII, próximo a Cucuí, o Forte de Marabitanas, e pelo qual hoje existe um pelotão de fronteiras do Exército Brasileiro naquela localidade.

História

Foi erguido por determinação do Governador e Capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Manuel Bernardo de Melo e Castro (1759-1763), no contexto da construção do Forte de São Gabriel da Cachoeira. Após este ter sido principiado em janeiro de 1763, o seu responsável, capitão Phillip Sturm, engenheiro militar alemão a serviço de Portugal, subiu o rio com o objetivo de escolher o local para a construção de um outro forte. Este teria como funções confrontar o Fortín de San Carlos e o Fortín de San Hernando, erguidos por forças espanholas nas margens do mesmo rio, acima de Cucuí (SOUSA, 1885:59), em território da atual Colômbia, bem como proteger a navegação naquele trecho fluvial, além de reprimir os ataques indígenas (GARRIDO, 1940:15).

O local escolhido para o novo forte foi uma pequena ponta de terra em um estirão (trecho em linha reta) do rio, que oferecia boa visão, tanto a montante quanto a jusante, onde existia um aldeamento de indígenas Marabitanas.

As obras foram iniciadas naquele mesmo ano (1763). O forte construído encontra-se representado em planta aguarelada, de autoria do próprio capitão Sturm ("Planta da nova fortaleza dos Marabitenas", c. 1767. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa) (IRIA, 1966:39).

Marco do extremo Norte dos domínios portugueses na América, Marabitanas foi visitada pela expedição do naturalista português Alexandre Rodrigues Ferreira à Amazónia (1783-1792), que dela deixou iconografia. (Prancha 97 - Prospecto da Fortaleza e Povoação de S. José de Marabitanas, 1785. (ass.: Ferreira).) Acerca do forte, o naturalista registou que ele se encontrava como que inacabado, com apenas dois baluartes e seis peças de artilharia dos calibres 6, 4, 3 e 2, e guarnecido por dois oficiais (sendo um superior), um anspeçada, e 27 soldados, mas destes apenas seis eram permanentes. (OLIVEIRA, 1968:755)

O Brigadeiro Manuel da Gama Lobo D'Almada, posteriormente governador da Capitania do Rio Negro (1786), criticou a guarnição dos dois fortes do rio Negro:

"As suas guarnições [são] fracas em dois sentidos, porque são diminutas e compostas pela maior parte de muito maus soldados do país, uns que são puramente índios, outros extração ou mistura deles, gente naturalmente fugitiva e indolente, [com] falta de honra, de experiência, de capacidade necessária para uma defesa gloriosa." (D’ALMADA, 1785)

Entretanto, reconhecia a importância estratégica de Marabitanas, ao referir que "a parte desta fronteira primeiro atacada deve crer-se seja Marabitanas." (Op. cit.)

Ao redor da fortificação desenvolveu-se uma povoação, que viria a ser reconhecida no Período Regencial (1831-1840) com o nome de São Gabriel (25 de junho de 1833).

No contexto da Cabanagem (1831), o forte serviu como prisão de revoltosos. (OLIVEIRA, 1968:755)

Nesse período, a informação mais completa sobre o forte é a que nos foi deixada por BAENA (1839):

"Este forte, de madeira replenado de terra, tem por figura um quadrado, do qual o lado sobre o rio tem dois baluartes com seu terrapleno e 12 canhoneiras; o resto do perímetro é um muro dividido em seteiras para a espingardaria, e o lado oposto ao dos baluartes faz no centro um redente. Externamente tem quatro baterias: de São Pedro, São Luís, São Simão e São Miguel; destas, a 2.ª e a 3.ª não podem falar no tempo da enchente do rio, porque ficam imersas.

Esta fortificação foi mal concebida e está pior conservada, exceto o quartel e a casa da pólvora, o seu mesmo armamento, que consta de 19 peças de ferro dos calibres de 4 a 1/2, só apresenta 4 capazes de laborar.
" (BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Ensaio Chorographico do Pará. 1839. apud SOUZA, 1885:59)

Apesar de ter sofrido reparos em 1843, encontrava-se arruinado já em 1857 (SOUSA, F. Bernardino (Pe.). Comissão do Madeira, 1857. apud SOUSA, 1885:59; GARRIDO, 1940:16).

Foi visitada pelo naturalista Alfred Russel Wallace, líder da expedição amazónica inglesa de maio de 1848 a julho de 1852, que, ao visitá-lo em 1850, a título de curiosidade registou que o seu comandante, o tenente Antônio Felisberto Correa de Araújo, era "solteiro convicto, mas chefe de numerosa família" (WALLACE, 1939).

Quando da Primeira República Brasileira (1889-1930), no contexto da Revolução Federalista (1892), o forte voltou a ser utilizado como prisão política. (OLIVEIRA, 1968:755) GARRIDO (1940) esclarece que o Presidente Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) para ali desterrou Henrique Lowndes, 1.º conde de Leopoldina, o Marechal José de Almeida Barreto, o Dr. José Joaquim Seabra, e José do Patrocínio. Complementa que ainda abrigava um pequeno destacamento militar em 1915, comentando que à época (1940) devia se encontrar em ruínas (Op. cit., p. 16).

Desde 1940, o distrito abriga o 4.º Pelotão Especial de Fronteira da Amazônia do Exército Brasileiro, responsável pelo patrulhamento da tríplice fronteira: Brasil-Colômbia-Venezuela.

A seu turno, BARRETTO (1958) denomina o forte como "Forte de Cucuí", e informa que, à sua época (1958), estava guarnecido pelo 4.º Pelotão de Fronteiras da 8.ª Região Militar, conservando alguns dos canhões coloniais como ornamento do pátio do Quartel (Op. cit., pp. 51-53).

Hoje desaparecido, no local do antigo forte foi erguida uma capela de alvenaria, e uma escola rural administrada pelo pelotão de fronteira.

Bibliografia

MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazônia na era Pombalina (3 v.). São Paulo: Carioca, 1963. Tomo I.

MOURÃO, Luiz Rogério Castelo Branco. A Engenharia luso-brasileira na construção das fortalezas e sua contribuição na defesa e desenvolvimento da região norte do Brasil. Fortaleza: s.e., 1995.

OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.). "Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande Enciclopédia da Amazônia (6 v.). Belém do Pará, Amazônia Editora Ltda, 1968.

WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e rio Negro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1939.



 



 



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Forte de São José de Marabitanas
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de São José de Marabitanas, ou simplesmente Forte de Marabitanas. Localizava-se à margem direita do alto rio Negro, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, cerca de quinze quilômetros abaixo de Cucuí, no atual Estado do Amazonas, no Brasil.

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Updated at 01/02/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Forte de São José de Marabitanas

  • Forte de Marabitanas, Forte de Cucuí

  • Fort

  • 1763 (AC)



  • Manoel Bernardo de Mello e Castro

  • Portugal


  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Amazonas
    City: São Gabriel da Cachoeira

    À margem direita do alto Rio Negro, afluente da margem esquerda do Rio Amazonas, na altura de Marabitanas, cerca de 15 km abaixo de Cucuí, município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas.


  • Lat: 1 -3' 45''N | Lon: 66 49' 26''W




  • 1785: 6 peças antecarga, de alma lisa, dos calibres 6, 4, 3 e 2.
    1839: 19 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, dos calibres de 4 a 1/2, das quais apenas 4 capazes de laborar.






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