Reduto do Pontal de Nazaré

Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco - Brazil

O Forte Nazaré localizava-se numa garganta no pontal de Nazaré, ao sul do Cabo de Santo Agostinho, no litoral do Estado de Pernambuco.

No contexto da Guerra Holandesa (1630-54), esta fortificação defendia o ancoradouro na garganta, entre o cabo e o recife, entrada da barra do rio Suape e do rio Ipojuca, considerada como uma das mais importantes da costa pernambucana (SOUZA, 1885:84-85).

No contexto da Guerra Holandesa (1630-54), a "Memória" de 20/mai/1630, oferecida ao governo holandês de Pernambuco por Adriaen Verdonck, descreve esse ancoradouro e sua defesa:

"(...) junto à foz do rio [Ipojuca] há 2 ou 3 canhões a fim de impedir a entrada ao inimigo (...); aí vão as barcas carregar de 100 a 110 caixas de açúcar para transportá-las ao Recife, como o fazem em todos os outros lugares."

É ampliada e reforçada com a pedra granítica abundante no local, na contra-ofensiva portuguesa de 1631, pelas forças de defesa comandadas por Bento Maciel Parente, ficando guarnecida por 14 homens e artilhada com cinco peças de bronze. GARRIDO (1940:73) informa que sua planta, em alvenaria de pedra "em forma de cauda de andorinha" (sic), compreendia três baterias artilhadas com cinco peças de bronze e dois pedreiros.

Reforçada pelo terço napolitano de Giovani Sanfelice, Conde de Bagnuolo, esta estrutura sustenta o assalto combinado das forças holandesas (1.500 homens do Almirante Johan Lichthart e de Sigismund van Schkoppe em fev/1634), ante as quais virá a capitular com honras militares a 02/jul/1635, sendo rebatizada como Forte van der Dussen (BARRETTO, 1958:151-152). A rendição do Arraial Velho do Bom Jesus (08/jun/1635) e a desta praça, abriram aos holandeses, em meados de 1635, a ocupação da Zona da Mata nordestina.

O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria do próprio Adriaen van der Dussen, datado de 04/abr/1640, complementa, atribuindo-lhe um efetivo de duas companhias com 196 homens:

"O Cabo de Santo Agostinho tem, (...) no Pontal, o Forte Van der Dussen, que é uma bateria murada, com um hornaveque do lado do morro, em forma de tenalha e circundada de uma forte paliçada; serve para manter sob nosso domínio todo o porto, porque os seus tiros atingem a barra, dominando assim o porto. Nessa fortificação estão 6 peças de bronze, a saber: 2 de 24 lb, 2 de 12 lb e 2 de 6 lb."

BARLÉU (1974) transcreve a informação: "(...) o [forte] de Van der Dussen, no Cabo de Santo Agostinho, o qual defende o porto com seis bocas de fogo." (op. cit., p. 144) Atribui-lhe, entretanto, guarnição de apenas 170 homens (op. cit., p. 146). Com relação à paliçada, foi esta determinada por Nassau na iminência do ataque de uma frota espanhola ao nordeste holandês (c. 1639): "(...) Igual tarefa executou Herckmann [proteção cingindo-o de estacada] no Cabo de Santo Agostinho, onde está o forte de Van der Dussen (...)" (op. cit., p. 159).

Uma década mais tarde (10/set/1645), quando sob o comando do holandês Hoogstraten, este a entrega aos portugueses mediante a soma de 18 mil escudos [cruzados?] e o comando de um Regimento (SOUZA, 1885:84-85). Foi guarnecida por um Tenente, um Condestável, dez fuzileiros, dois artilheiros e praças de Infantaria dos Terços do Recife (GARRIDO, 1940:73).

O levantamento histórico realizado pelo Laboratório de Arqueologia da UFPE, indica que esta estrutura sofreu reparos em 1763, ocasião em que se informava que a face voltada para a enseada "fora de novo principiada mas não fora concluída", continuando aberta no lado voltado para o continente. A estrutura apresentava então duas baterias, uma das quais caída à época. Internamente cinco cômodos serviam como Corpo da Guarda, Armazém, Casa da Palamenta, Casa da Pólvora, e um pequeno vestíbulo que dava acesso à Casa da Pólvora. As acomodações dos Quartéis da Tropa e da Casa do Comando ficavam numa estrutura em separado, a montante: o Quartel do Forte. Figura na coleção de Mapas de vários regimentos da Capitania de Pernambuco (cerca de 1763) como um Reduto na barra (Planta do Reduto que se acha na barra de N. S. de Nazaré. Arquivo Ultramarino, Lisboa) (IRIA, 1966:61).

SOUZA (1885:85) reporta que à época, esta estrutura se encontrava desarmada e desguarnecida.

Atualmente em ruínas, o sítio sofreu pesquisa arqueológica pela Fundarpe, bem como uma intervenções de consolidação das muralhas pelo IPHAN. Foi avaliado pelo Laboratório de Arqueologia da UFPE em out-nov/1997, carecendo de pesquisa sistemática e de obras de consolidação das estruturas.

Com o formato de um polígono heptagonal aberto, além do terrapleno e das muralhas, podem ser vistos, à entrada, as ruínas da Casa da Pólvora e do Quartel da Tropa. O acesso à estrutura, na extremidade sul do cabo de Santo Agostinho, é feito pela atual vila de Nazaré, a partir da bifurcação da rodovia PE-28 com a estrada do Hotel Blue Tree Park.

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Forte do Pontal de Nazaré
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte do Pontal de Nazaré, que se localizava no pontal de Nazaré, no cabo de Santo Agostinho, no litoral sul do atual Estado de Pernambuco, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_do_Pontal_de_Nazar%C3%A9

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Contribution

Updated at 28/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Reduto do Pontal de Nazaré

  • Forte Nazaré

  • Redoubt

  • 1630 (AC)




  • Portugal


  • Abandoned Ruins






  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Pernambuco
    City: Cabo de Santo Agostinho

    Localizado numa garganta no pontal de Nazaré, ao sul Cabo de Santo Agostinho, no litoral do Estado de Pernambuco.


  • Lat: 8 17' 38''S | Lon: 35 1' 49''W




  • No contexto da Guerra Holandesa (1630-54), a "Memória" de 20/mai/1630, oferecida ao governo holandês de Pernambuco por Adriaen Verdonck, descreve esse ancoradouro e sua defesa:
    "(...) junto à foz do rio [Ipojuca] há 2 ou 3 canhões a fim de impedir a entrada ao inimigo (...)".
    É ampliada e reforçada com a pedra granítica abundante no local, na contra-ofensiva portuguesa de 1631, pelas forças de defesa comandadas por Bento Maciel Parente, ficando guarnecida por 14 homens e artilhada com cinco peças de bronze.
    GARRIDO (1940:73) informa que havia três baterias artilhadas com cinco peças de bronze e dois pedreiros.
    Nessa fortificação estão 6 peças de bronze, a saber: 2 de 24 lb, 2 de 12 lb e 2 de 6 lb.
    BARLÉU (1974) transcreve a informação: "(...) o [forte] de Van der Dussen, no Cabo de Santo Agostinho, o qual defende o porto com seis bocas de fogo." (op. cit., p. 144)
    Foi guarnecida por um Tenente, um Condestável, dez fuzileiros, dois artilheiros e praças de Infantaria dos Terços do Recife (GARRIDO, 1940:73).

  • GARRIDO (1940:73) informa que sua planta, em alvenaria de pedra "em forma de cauda de andorinha" (sic).





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