Fortress of San Carlos de la Barra

Maracaibo, Zulia - Venezuela

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A “Fortaleza de San Carlos de la Barra” (em castelhano: “Castillo de San Carlos de la Barra”) localiza-se em Maracaibo, no estado de Zulia, na Venezuela.

Situa-se à margem esquerda do canal de acesso entre o golfo da Venezuela e o lago de Maracaibo, com a função de defesa do acesso a Maracaibo de ataques de corsários e piratas – ingleses, franceses e neerlandeses -, para o que contava com o apoio de uma linha de fortificações de menor porte.

História

Antecedentes

Um primeiro assentamento europeu na área foi tentado em 24 de agosto de 1499 por Alonso de Ojeda, descobridor do lago de Maracaibo juntamente com Juan de la Cosa e Américo Vespúcio. É a estes personagens que se atribui o nome “Venezuela”, numa referência a Veneza, ao observarem que os indígenas viviam em palafitas no lago, deslocando-se por meio de pequenas pontes de madeira e em canoas do mesmo material.

A primeira tentativa da fundação de Maracaibo registou-se a 8 de setembro de 1529 por iniciativa do alemão Ambrosio Ehinger (ou Alfinger), conquistador da família Welser de Augsburgo e primeiro governador da Província da Venezuela, que partiu em expedição de Coro, então capital da província.

Esse assentamento recebeu o nome de Maracaibo, e uma vez que não se constituía em um cabildo, revestia-se do caráter de cidade. Nos documentos da casa alemã dos Welser, figura com o nome de “Neu Nürenberg”. Acredita-se que a sua fundação possa ter sido nas imediações ou sobre os restos de um primitivo povoado indígena (uma “ranchería”). A sua população era de apenas 30 vizinhos, com uma atividade económica quase nula, razão pela qual, em 1535, o conquistador alemão Nicolás Federmann deu ordem para transladar a povoação para o cabo da Vela (hoje em território da Colômbia), na península da Guajira.

Mais tarde, no contexto da submissão dos indígenas da zona lacustre (1569-1571), em 1569 o conquistador espanhol Alonso Pacheco fundou a povoação de Ciudad Rodrigo (eventualmente conhecida como Maracaibo), às margens do lago de Maracaibo. Em 1571 a população indígena voltou a levantar-se e o assentamento espanhol teve que ser abandonado.

Em 1573 o Governador Diego de Mazariegos decidiu restabelecer a povoação, confiando a sua “encomienda” ao capitão Pedro Maldonado. Desse modo, em 1574 a mesma foi refundada com o nome de Nueva Zamora de la Laguna de Maracaibo, em homenagem ao governador Mazariegos, natural da cidade de Zamora, na Espanha.

Os ataques de corsários e piratas

Graças à sua localização, Maracaibo era o porto de escoamento de mercadorias oriundas dos Andes e do Ocidente Venezuelano tanto para a Europa como para o restante da América o que fazia da cidade e seu porto um elemento dinamizador da economia de uma ampla região.

Entre 1614 e 1678 registaram-se diversos ataques de piratas a Maracaibo e outros assentamentos espanhóis no lago de Maracaibo. Estes constantes assaltos não apenas entravaram o desenvolvimento económico da região, mas principalmente consumiram importantes recursos com a construção de numerosos recursos defensivos entre os quais fortificações, atalaias e quartéis, que nem sempre foram suficientes. Entre esses elementos defensivos destacam-se a Fortaleza de San Carlos de la Barra, o Forte de Nuestra Señora del Carmen e o Torreão de Santa Rosa de Zapara.

O corsário neerlandês Enrique de Gerard realizou um ataque em 1614, o que conduziu à construção de um primitivo forte na barra a partir de 1623. Em pedra calcária oriunda da vizinha ilha de Toas, foi artilhado com 16 peças.

Em 1642 teve lugar o ataque do pirata inglês William Jackson.

O período entre 1665 e 1669 ficou conhecido como o quinquénio dos piratas. Em 1666, o pirata Jean-David Nau (François l'Olonnais), em associação com o basco Mixel Etxegorria (Michel, le Basque), realizou o primeiro grande ataque à América do Sul. No comando de 6 embarcações, transportando uma força de desembarque de 650 homens, partiu de Tortuga, dirigindo-se ao golfo da Venezuela, e alcançando a barra de acesso ao lago de Maracaibo. Após um breve confronto de três horas, os piratas conquistaram o forte da barra e marcharam sobre a povoação de Maracaibo, que saquearam. Em 1669 sucederam-se os assaltos do neerlandês Albert van Eyck e do galês Henry Morgan. Quando do ataque deste último, os sobreviventes do saque de Maracaibo procuraram refúgio no forte (março de 1669). Morgan, ciente da impossibilidade de se evadir do lago ante o fogo do forte, tentou negociar a libertação dos reféns com os espanhóis. Como resultado, obteve uma quantia em ouro e prata, assim como algumas reses, mas o capitão de San Carlos de la Barra, Antonio de Espinosa, recusou-se terminantemente a deixá-los sair. No dia seguinte, Morgan lançou um ataque diversionista por terra, logrando que a artilharia espanhola de deslocasse para cobrir esse lado. Alcançado esse objetivo, protegido pela noite, Morgan evadiu-se a pleno pano, enquanto os espanhóis tentavam, sem sucesso, reposicionar a sua artilharia.

Por fim, em 1678 o francês Michel de Grandmont assaltou a cidade e os povoados do sul do lago, internando-se em terra firme até Trujillo.

A fortaleza de San Carlos

Os primeiros ataques levaram o governador da Província, Mestre de Campo Don Jorge de Madureyra Ferreyra, a solicitar auxílio à Espanha. Uma vez concedida a cédula para a construção, ordenou-se a fortificação da barra de Maracaibo. Os trabalhos iniciaram-se a 23 de fevereiro de 1679, a cargo do engenheiro militar Francisco Ricardo, que veio de Cartagena das Índias, para esse fim. A fortificação, sob a invocação de San Carlos em homenagem a Carlos II de Espanha (1665-1700), foi dada como concluída em 1683. As obras no interior da fortificação e as rampas de acesso às baterias dos baluartes estavam concluídas em 1686; o revestimento exterior das muralhas, em cantaria de pedra, para defesa da estrutura da ação erosiva do mar, em 1780.

Além da função defensiva, a fortaleza também foi utilizada como prisão até ao século XX. Em seus calabouços estiveram encarcerados tanto presos ordinários quanto presos políticos.

A Independência da Venezuela

Esteve em mãos espanholas até 1823, ano em que foi assaltada e conquistada pelos patriotas venezuelanos sob o comando do almirante José Prudencio Padilla, num episódio que ficou conhecido como o “Forzamiento de la Barra de Maracaibo”, que permitiu que a esquadra independentista adentrasse o lago e enfrentasse a esquadra realista no Combate naval do Lago de Maracaibo (24 de julho de 1823).

A esquadra independentista venezuelana nera formada por 3 bergantins, 7 goletas, 3 “flecheras”, 3 lanchas, 3 “bongos” artilhados, vários botes e faluchos que comerciavam no lago e se uniram para o efeito. Juntas contavam com 1073 Infantes da Marinha e 124 homens das tripulações.

A esquadra realista espanhola, sob o comando do capitão de marinha Ángel Laborde, era composta por 3 bergantins, 10 goletas, 2 palhabotes, 2 “flecheras”, 3 faluchos, 3 “guairos” e 8 pirogas. Esta força dividia-se em 3 grupos: um em Zapara, outro em El Moján e o último em Maracaibo. As tropas ascendiam a 1645 homens entre tripulações e Infantes da Marinha.

Como resultado desse recontro, o Capitão General da Venezuela, Francisco Tomás Morales, capitulou, encerrando-se o período colonial espanhol.

Implantada a República no país, a defesa das costas ficou a cargo do Exército. Desse modo, em 1831 estabeleciam-se na barra de Maracaibo as 3.ª e 5.ª Companhias de Artilharia cujos efetivos ascendiam a 90 homens entre oficiais e soldados. Poucos anos mais tarde, em 1835, somente subsistia a 3.ª Companhia de Artilharia com a metade dos efetivos existentes anteriormente devido à grave situação económica em que o país se encontrava devido aos desastres ocasionados pela Guerra de Independência.

Do século XX aos nossos dias

Durante o bloqueio naval imposto pela Grã-Bretanha, a Alemanha e a Itália, países que exigiam o pagamento da dívida externa da Venezuela (1902-1903), a canhoneira "SMS Panther", apoiada pelo cruzador ligeiro “SMS Falke”, ambos de bandeira imperial alemã, em perseguição a uma goleta mercante que havia logrado furar o bloqueio, tentaram forçar a barra do lago de Maracaibo (17 de janeiro de 1903), com a perseguir uma escuna mercante que tinha zombado do bloqueio e tentar passar através da barra do Lago de Maracaibo. O capitão da “Panther”, sem conhecer a batimetria daquelas águas, encalhou a canhoneira ao alcance do fogo da Fortaleza de San Carlos, que abriu fogo com 4 peças, seguindo-se um combate de 30 minutos. Os artilheiros venezuelanos Manuel Quevedo e Carlos José Cárdenas, operando uma peça alemã Krupp de 80 mm, atingiram a “Panther” com vários tiros, causando-lhe sérios danos. No decurso da ação registaram-se 6 feridos na fortaleza, sob o comando do General Jorge Antonio Bello.

A 20 de janeiro de 1903, uma terça-feira, vindo de Puerto Cabello para substituir a “Panther”, o cruzador protegido “SMS Vineta” bombardeou a fortaleza e seu entorno, por mais de 8 horas, causando cerca de 40 mortos, 25 dos quais civis. Pouco depois, a “Panther” conseguiu sair da área.

O ditador Cipriano Castro (1899-1907), após reparações dos danos à fortaleza, converteu-a numa prisão política para os seus adversários, prática que se intensificou com o seu sucessor, Juan Vicente Gómez (1908-1935), quando se tornou numa das prisões temidas do país, aqui tendo estado detido, por exemplo, José Gregorio Monagas, Ramón Guerra, Nicolás Rolando, José Manuel "Mocho" Hernández, Tomás Funes, Gumersindo Torres, Gustavo Machado, Monsenhor Olegario Villalobos, e Eduardo López Bustamante, diretor do periódico “El Fonógrafo” de Maracaibo.

Encontra-se classificada como Monumento Histórico Nacional em 1965.

Em 1990 foi objeto de intervenção de conservação e restauro, visando a promoção turística e o desenvolvimento económico e social da região.

Atualmente abriga um museu histórico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, em estilo Vauban.

Apresenta planta quadrada, com baluartes pentagonais nos vértices - San Carlos (Norte), San Juan (Leste), San Antonio (Sul), e San Jorge (Oeste) – com as respectivas guaritas. Os baluartes são acedidos a partir da Praça de Armas, por 4 rampas. Em torno da Praça de Armas distribuem-se 19 edifícios, com as primitivas funções de capela, cozinha, refeitório, casa do comando e 3 armazéns: de armamento, de palamenta e paiol de pólvora.

Com uma área de 400 m², tem aproximadamente 6.000 m³ de pedra. As suas muralhas medem 6 metros de altura, com espessura de 1 a 3 metros.

Esteve artilhado com 46 peças dos diversos calibres, de que subsistem apenas 13.

Externamente, a defesa era complementada por um fosso seco. Um revelim protege a entrada.



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Contribution

Updated at 20/08/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


  • Fortress of San Carlos de la Barra


  • Fort

  • 1623 (AC)


  • Francisco Ricardo


  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Monumento Histórico Nacional em 1965.





  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Venezuela
    State/Province: Zulia
    City: Maracaibo

    4030, Zulia, Venezuela


  • Lat: 10 -60' 49''N | Lon: 71 36' 28''W




  • 1623: 16 peças antecarga de alma lisa.






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