Fort of San Felipe de Lara

Frontera, Izabal - Guatemala

O “Forte de San Felipe de Lara”, também referido como “Castillo de San Felipe de Lara”, localiza-se na cidade de Frontera, município de Livingston, departamento de Izabal, na Guatemala.

Tinha a função de defesa do acesso ao lago de Izabal pelo rio Dulce contra as incursões de piratas e corsários que fustigavam a Capitania-Geral da Guatemala. De acordo com a lenda local, ao cair da noite era atravessada uma grossa corrente de ferro diante da fortificação, para evitar a passagem clandestina de embarcações.

História

Antecedentes

No início do século XVI o intercâmbio comercial entre a Guatemala e a sua metrópole, a Espanha, era feito através do então chamado Golfo Dulce.

Entretanto, os constantes ataques de piratas (a maioria ingleses) no Golfo do México e as incursões à Guatemala pelo rio Dulce, tornaram necessária a defesa da passagem até ao lago de Izabal, onde na margem sul se localizava San Antonio de las Bodegas (atual Mariscos), local de transbordo e armazenamento das mercadorias que chegavam de e saíam para a Espanha.

Os séculos XVI e XVII

Em 1595 o governador informou a Filipe II de Espanha (1556-1598) sobre os ataques sofridos, ordenando a construção de uma torre, guarnecida por 12 soldados e artilhada com 12 peças, denominada “Torre de Sande”.

Esta primitiva defesa foi destruída por piratas em 1604, vindo a ser reconstruída por iniciativa do capitão Pedro de Bustamante, passando a ser conhecida como “Torre de Bustamante”. Este oficial construiu ainda o Porto de Santo Tomás de Castilla, localizado na atual cidade de Puerto Barrios.

Em 1640 intensificaram-se os ataques de piratas à região, entre os quais destacaram-se os nomes de:

- Diego el "Mulato", lugar-tenente de "Pata de Palo";

- Anthony Schirley, pirata de origem aristocrática, conhecido como o "Caballero Aventurero", salteador da Jamaica e de Porto Rico;

- Gareful e William Jackson, que tinham a sua base de operações nas ilhas de Guanaja e Roatán.

- William Parker, conhecido pelo saque de São Domingos e Portobelo.

O forte foi reconstruído entre 1644 e 1651 por determinação do então Governador e Capitão-general da Guatemala, Diego de Avendaño (1642-1649). Era então conhecido como “Torreón de Defensa”. Em 1651 o Ouvidor Antonio Lara y Mangravo (Mogrovejo) alterou-lhe o desenho das muralhas, passando a obra a ser conhecida como "Castillo de San Felipe de Lara" em homenagem a Filipe IV de Espanha (1621-1665) e à própria pessoa do Ouvidor.

Em 1655 tendo os ataques ao forte diminuído, as dependências do mesmo foram utilizadas como prisão.

De 1660 a 1666 "Los Hermanos de la Costa", grupo de piratas estabelecidos na ilha de Tortuga, retomaram os ataques e saques, razão pela qual o forte reassumiu a sua função defensiva.

Em 1669 o relatório da inspeção efetuada pelo engenheiro militar Martín de Andujar expôs: "El Castillo está muy dañado y no es funcional, pues solo cuenta con un cubo de 12 varas de diámetro cubiertos de paja y parapetos de tabla muy maltratada".

Pouco mais tarde, em 1672 ordenou-se ao General de Artilharia Francisco de Escobedo, a realização de melhorias, como fechar a porta com uma tranca de madeira, e elevar as muralhas.

Em 1679 um novo ataque de piratas surpreendeu a guarnição e apoderou-se do forte, atacando em seguida Bodegas, onde se localizavam os armazéns. Em função desse ataque, o Sargento-mor Diego Gómez de Ocampo, foi enviado para fazer uma investigação, determinando as fraquezas da fortificação e levantando-lhe a planta.

Em 1683 o pirata neerlandês Juan Zaques e o corsário chamado de Lorenzo mantiveram em constante sobressalto o rio Dulce e as costas de Campeche. Zaques tomou o forte no ano seguinte (1684), apoderando-se das peças de artilharia e munições e incendiando-o. Em função desse incidente, em 1685 reuniu-se uma junta de capitães para determinar a conveniência de se conservar o forte. Ao final acordou-se a sua reconstrução devido à sua localização estratégica e por ser a única defesa no interior da Capitania-Geral da Guatemala.

Em 1687 elaborou-se uma nova planta, assinada por Ocampo, em estilo Vauban. Os trabalhos iniciaram-se entre 1688 e 1689, estando operacionais três baluartes em 1697: o de Nuestra Señora de Concepción, o de Nuestra Señora de Regla e o do Portão de San Felipe. A sua capacidade defensiva oferecia agora quartéis para uma centena de homens. As obras foram dirigidas pelo engenheiro militar Andrés Ortiz de Urbina. A partir de então cessaram os ataques.

O século XVIII

A defesa do forte foi complementada, em 1736 pelo estabelecimento de três postos de vigia - Fronteras, Zapote e Tameja -, em virtude de combates registados à época, na costa e no mar. Em 1743 trabalhou em San Felipe de Lara o engenheiro militar Luis Díez de Navarro.

Ao longo do século XVIII outros portos da América Central adquiriram importância e a queda das exportações do índigo, provocaram a perda de importância económica da região do Golfo Dulce. Nesse período, diante da perda de função estratégica, o forte entrou em decadência. Um censo datado de outubro de 1776 registou apenas 122 habitantes em San Felipe, entre espanhóis e mestiços. Posteriormente, de acordo com relatório do engenheiro militar José Sierra em 1797, a guarnição do forte era de apenas 36 soldados de Infantaria. Sierra adicionou à fortificação mais três baterias - San Carlos, San Felipe e Santiago -, e dois quartéis - Buenavista e Santiago.

Do século XIX aos nossos dias

O forte eventualmente veio a ser abandonado em 1817, três anos antes da independência da Guatemala.

Em 1844 uma colónia belga estabeleceu-se no distrito de Santo Tomás de Castilla durante o primeiro governo do general José Rafael Carrera y Turcios (1844–1848; 1851–1865), que lhes concedeu a área perpetuamente, e os governos liberais do final do século XIX construíram Puerto Barrios, com o que o comércio marítimo deslocou-se para a costa do mar das Caraíbas, vindo o forte a perder completamente a sua importância estratégica, caindo em ruínas.

Em 1955 encomendou-se ao arquiteto Francisco Ferrús Roig um projeto para reconstrução do antigo forte. Para este fim, a pesquisa investigou, entre outros, o Archivo General de Indias, na Espanha, localizando plantas e documentos relacionados com o forte. Em paralelo, pesquisas arqueológicas na área do forte trouxeram à luz vestígios de distintas épocas de ocupação.

Após um cuidadoso estudo viu-se a possibilidade de sobreposição de partes existentes em épocas distintas, sem perder de vista a unidade do conjunto, aumentando o interesse histórico do mesmo. Desse modo, conseguiu conservar-se o aspeto da primitiva Torre de Bustamante, sobre a qual foi erguido o Baluarte de San Felipe.

O conjunto do forte foi severamente danificado pelo terramoto de 11 de julho de 1999, registando-se rachaduras em suas muralhas. Por essa razão, o Instituto de Antropología e Historia participou em um projeto de restauração em 2001. Em 23 de setembro de 2002 o monumento foi inscrito na lista tentativa do Património da Humanidade da UNESCO, na categoria “Cultura”.

O forte está sob a gestão do Instituto Guatemalteco de Turismo (INGUAT), constituindo-se em um dos mais populares destinos turísticos no Parque Nacional Río Dulce.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo abaluartado.

Apresenta planta poligonal orgânica (adaptada ao terreno). É composta por um bastião semicircular fechado atrás de duas muralhas exteriores que convergem para ele, cada uma terminando em uma torre quadrangular. Internamente divide-se em três pavimentos.

Destacam-se a edificação da primitiva Torre de Bustamante, a capela onde existiam primitivamente três imagens; os quartéis para a tropa e, na parte inferior, acedida por um túnel, as masmorras. Podem ser vistas ainda as dependências de cozinha, refeitório e um museu.

Nas canhoneiras exibem-se 19 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, dos diversos calibres, sendo duas de bronze e as demais de ferro. Recuperadas durante os trabalhos de restauração, várias delas foram retiradas das águas do rio ou desenterradas. As peças de bronze foram dispostas em 1760.

Pelo lado de terra, o forte era defendido por um fosso inundado, ultrapassado por uma ponte levadiça.



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Castle of San Felipe de Lara
Página da "Tentative List" da UNESCO com a candidatura do Forte de San Felipe de Lara a Património da Humanidade, na categoria "Cultural".

http://whc.unesco.org/en/tentativelists/1761/

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Contribution

Updated at 01/03/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Fort of San Felipe de Lara

  • Torre de Sande, Torre de Bustamante, Torreón de Defensa, Castillo de San Felipe de Lara

  • Fort

  • 1595 (AC)




  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se compreendido no Parque Nacional Río Dulce.
    Em 23 de setembro de 2002 o forte foi inscrito na lista tentativa do Património da Humanidade da UNESCO, na categoria “Cultura”.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Central America
    Country : Guatemala
    State/Province: Izabal
    City: Frontera



  • Lat: 15 -39' 47''N | Lon: 88 59' 39''W




  • 1595: 12 peças antecarga, de alma lisa.


  • 1955: Intervenção de consolidação e restauro, com projeto do arquiteto Francisco Ferrús Roig;
    2001: Intervenção de restauro com a participação do Instituto de Antropología e Historia.




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