Fortress of Los Tres Reyes del Morro

Havana, Havana - Cuba

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A “Fortaleza de Los Tres Reyes del Morro”, referida como “Castillo de los Tres Reyes del Morro”, localiza-se na cidade de La Habana, na província Ciudad de La Habana, em Cuba.

Integra o conjunto fortificado que, na Praça-forte de Havana, defendia o acesso à sua baía e porto: o Castillo de la Real Fuerza, o Castillo de San Salvador de la Punta, e a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Como elas, encontra-se classificado desde 1982 na Lista do Património da Humanidade pela UNESCO no conjunto da "Ciudad vieja de La Habana y su sistema de fortificaciones".

Foi projetada nas últimas décadas do século XVI pelo engenheiro militar Bautista Antonelli com a função de defesa da cidade de San Cristóbal de La Habana. A sua posição estratégica, à entrada do canal que dá acesso ao porto, permitia-lhe vigiar o oceano e a cidade, comunicando com as demais fortificações. Constituiu-se, assim, na sua principal defesa até à construção da fortaleza em La Cabaña, no último terço do século XVIII.

O seu nome - Castillo de los Tres Reyes del Morro de La Habana - evocativo tanto daqueles personagens bíblicos, como do terreno onde se implanta - uma elevação rochosa, escarpada, isolada à beira-mar – encontra-se em uma Real Cédula, datada de 10 de dezembro de 1588, onde Filipe II de Espanha (1556-1598) esclareceu como este forte devia chamar-se, assim como o de San Salvador de la Punta.

Na década de 1990 foi objeto de extensa intervenção de conservação e restauro, sendo os seus espaços requalificados como galerias de arte e palco de eventos culturais que a converteram em uma popular atração cultural da cidade.

História

Em março de 1538 uma Real Cédula ordenou ao Governador Hernando de Soto que erguesse uma fortaleza em Havana. A partir de então o local de "El Morro" principiou a ser valorizado, tática e estrategicamente, como sítio de defesa da cidade. Embora não tenha sido fortificado de imediato, as atas capitulares de 1551 e 1552 mostram que os próprios habitantes montavam guardas no local, o que fez com que o local ficasse conhecido como “La Vigía”.

Posteriormente, em 1556, D. Filipe II ordenou ao Governador de Cuba, Diego de Mazariegos, que fortificasse o morro à entrada do canal do porto. Ainda assim foi apenas em 1563 que se ergueu uma primeira construção, uma torre que serviu de atalaia no alto do morro.

Durante o governo do Capitão-General Governador de Cuba, Gabriel de Luján (1581-1588), quando a ameaça de guerra entre a Espanha e a Inglaterra se fazia mais concreta, procedeu-se a um reforço na proteção de Havana. No início de 1582 informou-se ao soberano que companhias de Infantaria e de Cavalaria faziam vigias na costa, além de que se reforçava a vigilância nos poucos pontos fortificados com que a cidade contava. Data desse mesmo ano um documento encaminhado ao monarca, assinado pelo alcaide e capitão do Castillo de la Real Fuerza, Diego Fernández de Quiñones, dando conta de que em "El Morro" a cada noite montavam guarda três soldados, e de dia um.

Em 1586 procedeu-se ao reforço da vigilância da costa desde Pinar del Río a Matanzas e, em Havana, consolidou-se o que pode ser considerado como o primeiro plano defensivo da vila, uma vez que ela já contava com obras de fortificação, sistemas de vigilância e de alarme, artilharia e munições, e um número considerável de soldados e voluntários. A "El Morro" foram destinadas 3 peças de artilharia.

Um documento de 1587 dá conta que a pequena fortificação em "El Morro" contava com 5 peças e a sua guarda, diurna e noturna, de soldados, artilheiros, e um cabo de esquadra, enquanto outro documento, desse mesmo ano, esclarece que o quantitativo era de oito soldados e um oficial.

A 12 julho de 1587 chegam a Havana o Mestre de Campo Juan de Tejeda, e o engenheiro militar Bautista Antonelli com a missão de inspecionar a vila para estabelecer um sistema defensivo, a integrar outro, mais amplo, para as colónias espanholas nas Caraíbas, a fim de garantir-lhe a estabilidade e proteção dos circuitos comerciais.

Em 1588, durante uma junta realizada em Puerto Rico, Antonelli propôs que, no caso de Havana se construísse um forte em "El Morro", e no lado oposto do canal um outro, menor, com uma trincheira, entre outras coisas.

Finalmente, Tejeda e Antonelli retornaram a Havana para iniciar a empresa, em 31 de maio de 1589. Por tratar-se de una obra de primeira ordem, chegaram também trabalhadores especializados como oficiais e artífices de cantaria, pedreiros, carpinteiros e ferreiros.

Os trabalhos de construção do Castillo de los Tres Reyes del Morro foram iniciados nesse mesmo ano, ao mesmo tempo que os do Castillo de San Salvador de La Punta. Devido a impedimentos económicos e a desentendimentos entre os governadores da ilha e Antonelli, os trabalhos de construção prolongaram-se, entrando pelo século XVII. Nos três primeiros anos de construção, a construção da fortificação progrediu lentamente, até que o governo foi assumido por Juan Maldonado Barrionuevo (1593-1602) quando, entre 1593 e 1594, as obras receberam considerável impulso.

Durante o governo de D. Pedro de Valdés (1602-1608) fecharam-se as abóbadas e concluiu-se a plataforma que se encontrava em construção junto ao mar, e na qual se dispuseram 12 peças de artilharia, que ficaram conhecidas como “os doze apóstolos”.

Outras obras complementares, como alojamentos para as tropas, armazéns de munições e viveres, e cisternas, estavam concluídas até 1610. Na praça de armas dispunham-se sete edifícios com diferentes funções, entre os quais se destacavam a casa do governador, os quarteis de tropas, a capela e a casa do capelão.

Uma Real Cédula de 20 de março de 1614 dá conta de que na Primavera desse ano, estava concluída a capela da fortaleza, e que, em seu altar possuía “(...) un retablo de la adoración de los Reyes que era la vocación del castillo¨.

Alguns historiadores apontam como data de conclusão das obras da fortaleza o ano de 1630 e outros, o de 1640.

Do último terço do século XVIII aos nossos dias

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), foi severamente danificada pelo fogo da artilharia inglesa instalada no alto do morro de "La Cabaña" (1762), tendo funcionado, com o Castillo de la Real Fuerza, como um dos principais baluartes da resistência espanhola. O desembarque inglês deu-se em Cojimar, a leste de Havana, com um efetivo que ascendia a 14 mil homens, sob o comando de Lord Albemarle. O assédio a Havana durou 44 dias, e “El Morro”, sob o comando de Luis Vicente de Velasco e Isla caiu quando os ingleses obtiveram sucesso em minar um dos seus baluartes pelo lado de terra.

Quando a Coroa Espanhola retomou o domínio da cidade (1763), os engenheiros militares Silvestre Abarca e Agustín Crame deram início aos trabalhos de remodelação da fortaleza, visando modernizá-la, adequando-a aos avanços da artilharia da época. Assim, de 1763 a 1766, o aspecto morfológico da estrutura principal foi modificado, e de 1766 a 1771, sob o governo do Capitão-General Antonio María Bucarelli, as obras acessórias foram concluídas.

Foram abertos novos acessos voltados ao leste, com caminhos cobertos que comunicavam com “La Cabaña” (então em construção), a bateria da “Pastora” e o hornaveque de “San Diego”. Esta linha defensiva estava disposta na única parte do terreno de onde a fortaleza de “El Morro” podia ser assaltada. O meio-baluarte de Tejeda e a plataforma de Santo Tomás haviam sido das partes mais danificadas quando assalto inglês, vítimas da explosão de uma mina que lograra abrir uma brecha, pela qual os assaltantes penetraram no recinto. Por essa razão, o meio-baluarte foi transformado em um baluarte, ao passo que o baluarte de Austria foi convertido em um meio-baluarte.

No interior da fortaleza, onde o fogo da artilharia inglesa havia destruído as edificações (quarteis de comando e da tropa, armazéns, paióis e capela), foi edificado um edifício monolítico de grandes dimensões, de cantaria, à prova de bombas, cercado por estreitos caminhos de ronda, de piso pedrado e com canalizações para as águas pluviais. Ao sul, diante do Portão de Armas, foi aberto um espaço a ser utilizado como Praça de Armas.

Foi construída uma rampa que parte da praça de armas e sobe até à cortina de terra; foram reedificados os parapeitos, com maior altura e espessura, e respectivas canhoneiras, merlões e banquetas a fim de garantir melhor proteção para os soldados; foram repostas as guaritas nos ângulos dos baluartes; alargou-se e aprofundou-se o fosso, proporcionando maior altura à cortina de terra, melhorou-se a contraescarpa, levantou-se o parapeito do caminho coberto, e, na praça de armas levantaram-se dois travezes paralelos um ao outro para os tiros de enfiada e um pequeno alojamento para o Corpo de Guarda. A torre de vigia foi reconstruída, para ser definitivamente demolida e dar lugar ao farol.

Na década de 1990 teve lugar uma ampla campanha de recuperação do sistema de fortificações de Havana, que foram requalificadas. Desde então, a fortaleza integra o Parque Histórico-Militar Morro-Cabaña, mantendo uma intensa vida cultural.

Ultrapassados o fosso pela ponte levadiça, e o Portão de Armas, em seu interior podem ser visitados os estábulos, a capela, as masmorras e uma adega. Nos edifícios à prova de bombas localizam-se o Museo del Morro, com uma exposição histórico-temática acerca da fortaleza, o Museo de la Navegación, abordando a navegação e artefactos marítimos, e o Museo de Piratas, voltado para aspectos do folclore pirata. O arsenal exibe armas de todo o mundo.

Adicionalmente o conjunto conta dois restaurantes (“Los Doce Apóstoles” e “La Divina Pastora”), e um bar em suas antigas baterias, onde além da gastronomia se desfrutam amplos panoramas do litoral da cidade.

Características

Situado em um rochedo elevado, a fortaleza é um exemplo clássico de fortificação permanente abaluartada do século XVI. As condições do terreno não permitiram, entretanto, a simetria regular das plantas renascentistas. Desse modo, a sua planta desenvolve-se como um polígono irregular orgânico, adaptado à língua de terra que se debruça sobre o mar, na margem direita da entrada do canal de acesso ao porto.

Pelo lado de terra apresenta uma larga cortina e dois meio-baluartes assimétricos desenvolvendo-se numa extensão de 213,28 metros: a nordeste o meio-baluarte de Tejeda, e a sudeste o baluarte de Austria, este último assim nomeado em homenagem à dinastia a que o soberano pertencia. Pelo lado do canal de acesso uma outra cortina une dois meio-baluartes, também assimétricos e une as muralhas quebradas que ascendem a 227,96 metros. Pelo lado da costa, uma plataforma e outra série de muralhas irregulares numa extensão de 223,25 metros fecham a edificação. Pelos seus três lados o conjunto possui um perímetro de 664,50 metros.

A partir do nível do mar o conjunto desenvolve-se de forma escalonada, em cortinas sucessivas, até ao lado de terra, este último protegido pelos dois meio-baluartes referidos, por um profundo fosso seco, uma contra-escarpa, um caminho coberto e um glacis.

Os seus espaços internos comunicavam entre si por um sistema de interconexões, que se completava por diferentes vias de acesso.

Ao centro, na cortina pelo lado do canal de acesso ao porto, rasga-se o Portão de Armas da fortaleza, flanqueada à direita por uma das faces do baluarte de Austria, e à esquerda pelo baluarte de Santiago. Nesse mesmo lado, em cota inferior, ao nível do mar, desenvolvem-se as baterias da "Estrela" e a dos “Doze Apóstolos”.

O primitivo farol foi erguido no centro do baluarte do “Morrillo”, sendo alimentado com lenha até ao século XVII. No início do século XIX passou a ser alimentado a gás e, mais tarde, com óleo. Posteriormente foi demolido e o Real Cuerpo de Ingenieros ergueu um novo em 1844, que foi denominado como Farol de O’Donnell.

Nas “Memorias de la Real Sociedad Económica de La Habana” descreve-se que, em 1845 foi concluído em sólida cantaria e com espessos muros de 7,5 pés em sua base, com quatro janelas distribuídas ao longo do seu corpo para ventilação e iluminação. A torre, de forma circular, diminui gradualmente de diâmetro desde a base até ao alto, erguendo-se a 108 pés; tem dois corpos, o primeiro de setenta e seis pés de altura, e o restante rematado por uma cornija onde há uma balaustrada de ferro, base onde se apoiam a lanterna e a cúpula. O faro foi eletrificado em 1945, tendo a sua luz um alcance de 18 milhas, com um período de 15 segundos.

Bibliografia

BLANES MARTÍN, Juana Tamara; VALDÉS, Sandra. “Antonelli, un nombre en la piedra”.

BLANES MARTÍN, Juana Tamara. "Castillo de los Tres Reyes del Morro de La Habana". La Habana (Cuba): Ed. Letras Cubanas.

WEISS, Joaquín E.. "La arquitectura colonial cubana". La Habana (Cuba): Instituto Cubano del Libro, 1996.



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Los Antonelli, arquitectos de Gatteo
Site de estudo da familia Antonelli, com textos em espanhol e italiano. Bautista Antonelli e seu filho, Juan Bautista Antonelli, chamado de "El Mozo", entre outros membros dessa família de engenheiros militares, atuaram principalmente no Caribe, legando-nos um patrimônio fortificado enorme, muitos dos quais hoje considerados patrimônios da humanidade pela Unesco.

http://www.provincia.fc.it/cultura/antonelli/ESP/index.html
Icofort
The International Scientific Committee on Fortifications and Military Heritage (ICOFORT) - is the committee of ICOMOS that aims to conduct specialized research, promoting professional exchange in the conservation of the fortifications and military heritage and foster international cooperation for identification, protection and preservation of fortifications, structures, landscapes and military installations. The International Council on Monuments and Sites (ICOMOS) - www.icomos.org - was created in 1965.

http://www.icofort.org/
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Updated at 22/09/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fortress of Los Tres Reyes del Morro

  • Castillo de los Tres Reyes del Morro

  • Fortress

  • 1589 (AC)


  • Battista Antonelli


  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • UNESCO World Heritage
    Integra o conjunto fortificado que, na Praça-forte de Havana, defendia o acesso à sua baía e porto: o Castillo de la Real Fuerza, o Castillo de San Salvador de la Punta, e a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Como elas, encontra-se classificado desde 1982 na Lista do Património da Humanidade pela UNESCO no conjunto da "Ciudad vieja de La Habana y su sistema de fortificaciones".



  • +53 7 8619727


  • Historical museum

  • ,00 m2

  • Continent : Central America
    Country : Cuba
    State/Province: Havana
    City: Havana

    Carretera de la Cabaña,
    Habana del Este, Havana


  • Lat: 23 -10' 59''N | Lon: 82 21' 24''W



  • De Lunes a Viernes de 9:00 a 17:00;

    Sábados y Domingos de 8:00 a 16:00.








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