Fort San Cristóbal

San Juan, Estado associado aos Estados Unidos da América - Porto Rico

O “Forte São Cristóvão” (em castelhano “Castillo San Cristóbal”) localiza-se na cidade de San Juan, na costa norte da ilha de Porto Rico, no arquipélago das Grandes Antilhas, no Estado Livre Associado de Porto Rico, uma dependência dos Estados Unidos da América.

Integrava a defesa da Praça-forte de Porto Rico, com a função de protegê-la de eventuais ataques por terra, complementando a defesa proporcionada pelo Forte de San Felipe del Morro, que lhe protegia o acesso por mar.

História

Carlos I de Espanha (1516-1556) determinou a construção das primeiras defesas de San Juan, iniciadas na década de 1530 – as estruturas de “El Morro” e “La Fortaleza” – com recursos oriundos das minas do México.

Em 1595 uma esquadra inglesa, sob o comando de Sir Francis Drake, foi rechaçada pela defesa constituída pelo Forte de “El Morro”. Em represália, em junho de 1598, Sir George Clifford, 3.º duque de Cumberland, atacou a cidade pelo lado de terra, onde as defesas eram mais vulneráveis, logrando conquistar “El Morro”, onde as forças britânicas se instalaram. Entretanto, uma epidemia de disenteria, que fez 400 baixas entre os britânicos, obrigou-o a abandonar a cidade em novembro do mesmo ano.

No contexto da Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), na chamada “Batalha de San Juan” (29 de setembro de 1625) uma frota neerlandesa sob o comando do capitão Boudewijn Hendricksz atacou a cidade, no que é considerado por historiadores como o maior ataque a San Juan. Tendo aprendido com a experiência de Drake, Hendricksz contornou o fogo da artilharia de “El Morro”, e trouxe rapidamente os seus 17 navios para a baía de San Juan, realizando o desembarque de suas forças em La Puntilla. Em seguida ocupou o porto e atacou a cidade, enquanto a população buscava refúgio ao abrigo das muralhas de “El Morro”.

Embora os neerlandeses tenham saqueado e incendiado a cidade, não conseguiram conquistar “El Morro”, cujo fogo de suas baterias fustigou as suas tropas e navios até Hendricksz ordenar a retirada. Este assalto evidenciou os pontos fracos da defesa, e desse modo determinou-se a construção de baterias no Cerro de la Horca ou Cerro del Quemadero (posteriormente mudado para Cerro de San Cristóbal em homenagem ao sucesso espanhol em expulsar ingleses e neerlandeses das Pequenas Antilhas, a partir de então integrantes do território de Porto Rico), a fim de impedir o desembarque de invasores além do alcance da artilharia de “El Morro”.

Em 1630 o então Governador, Enrique Enríquez de Sotomayor, deu início à construção das muralhas da cidade, sob a direção do engenheiro militar Juan Bautista Antonelli. Principiou-se pelo lado sul, até à baía, prosseguindo-se os trabalhos até 1678, quando a cidade ficou totalmente envolvida.

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), após a conquista britânica de Havana e Manila (1762), Carlos III de Espanha (1758-1788) comissionou os irlandeses Marechal de Campo Alexander O'Reilly e o Chefe de Engenheiros Thomas O'Daly para fazer uma visita de reconhecimento e elaborar recomendações acerca das defesas e guarnição, para transformar a cidade de São João em “Defesa de Primeira Ordem”. Iniciam-se assim, em 1765, os trabalhos que transformarão San Juan em uma das mais poderosas praças-fortes das Américas.

Naquele ano (1765) o Forte San Cristóbal constituía-se num simples hornaveque envolvido por um fosso seco, que dava continuidade às muralhas da cidade e, no seu ponto mais elevado, possuía uma plataforma para artilharia.

O terramoto de 1787 causou danos tanto à fortificação de San Felipe del Morro quanto à vizinha San Cristóbal. Entretanto, a eficácia dessa defesa seria demonstrada quando dez anos mais tarde (1797) o general Ralph Abercromby e o almirante Henry Harvey da Royal Navy, invadiram a ilha com uma força combinada estimada entre 7.000 a 13.000 homens, transportados por uma frota de 67 embarcações. As forças espanholas sob o comando do então Governador e Capitão-general da ilha, D. Ramón de Castro y Gutiérrez, lograram repelir o ataque e derrotar os invasores.

No contexto das guerras pela independência da América Espanhola (1808-1833), em outubro de 1824 aqui esteve detida a primeira ativista política a favor da independência de Porto Rico, María de las Mercedes Barbudo (1773–1849), por ordem do então governador e capitão-general, Miguel de la Torre y Pando (1823-1837).

Posteriormente, a brigada de artilharia do forte revoltou-se contra a Coroa espanhola, tendo controlado San Cristóbal por 24 horas, causando pânico na cidade quando as peças de artilharia foram assentadas contra ela (1855).

No contexto da Guerra Hispano-Americana (1898), o primeiro tiro que assinalou a entrada de Porto Rico no conflito foi disparado, sob o comando do capitão Ángel Rivero Méndez, das baterias do Forte San Cristóbal contra o USS Yale (10 de maio). O combate com as embarcações da U.S. Navy prolongou-se por todo o dia. Seis meses mais tarde, derrotada, a Espanha cedeu Porto Rico, junto com as Filipinas e Guam, aos Estados Unidos, pelos termos do Tratado de Paris (1898), que pôs termo ao conflito.

No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o forte ainda se encontrava guarnecido, sendo-lhe acrescentados em 1942 casamatas de betão e um "bunker" subterrâneo com a função de posto de comando.

A fortificação integra o Sítio Histórico Nacional de San Juan, estabelecido em 1949, e que compreende ainda o Forte de San Felipe del Morro, o Fortim de San Juan de la Cruz (conhecido localmente como “El Cañuelo”), e três outras fortificações nas muralhas da cidade.

Em 1983 o Sítio Histórico Nacional de San Juan foi classificado como Património da Humanidade pela UNESCO.

A visitação inclui:

• Pequeno documentário sobre San Juan e as suas fortificações, exibido ao longo do dia;

• Demostrações de disparo de armas antigas (a cada terceiro domingo do mês);

• Reencenação por voluntários (uma vez por mês) do “Regimiento Fijo de Puerto Rico” de 1797;

• Visita guiada:

- ao sistema de túneis que liga as diversas partes do forte;

- à casa da guarda, aos quartéis e à praça de armas;

- a uma posição de artilharia erguida pelo U.S. Army durante a Segunda Guerra Mundial;

- a bombas de morteiro de 200 libras;

- ao Cavaleiro de San Miguel, ponto mais alto do forte, de onde se descortina uma vista panorâmica da cidade;

- cinco cisternas sob a praça de armas, com capacidade para armazenar até 716.000 galões de água de chuva, capazes de abastecer a guarnição por um ano;

• Exposição de uniformes militares;

• Maquete mostrando o complexo antes da demolição do Revelim e da Porta de Santiago em 1897;

• Loja de venda de recordações e livros.

Três bandeiras flutuam sobre o Forte San Cristóbal: a dos Estados Unidos, a de Porto Rico e a antiga bandeira militar da Espanha, a Cruz de Borgonha.

O forte foi utilizado como locação para a cena da batalha dos magos, entre os personagens Justin e Alex (David Henrie e Selena Gomez), em “Wizards of Waverly Place: The Movie” (2009). O director e a equipa filmaram aqui durante três dias e necessitaram do apoio de arqueólogos enquanto escavaram para os efeitos especiais, tendo recuperado alguns fragmentos de cerâmica do século XVI.

O forte foi utilizado ainda para simular um forte espanhol em Cadiz para a produção do filme “Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides” (2011).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

A Praça-forte de Porto Rico é considerada a maior fortificação erguida pelos espanhóis no Novo Mundo. Quando foi concluída, em 1783, cobria uma superfície de 27 acres. A sua entrada era defendida por um sistema de duas portas: uma no Baluarte de Santiago, defendida por outra, no Revelim de Santiago. Após quase um século de relativa paz, parte do conjunto (cerca de 1/3) foi demolido em 1897 para permitir atender o crescente aumento de tráfego para a capital.

A lenda da Guarita do Diabo

A maioria das fortificações de San Juan conserva as antigas guaritas. No Forte São Cristóvão, uma das mais antigas, remontando a 1634, é conhecida como “La Garita del Diablo”, uma vez que, de acordo com a lenda local, os soldados que ali faziam guarda, desapareciam com frequência.



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Contribution

Updated at 23/04/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    UNESCO World Heritage
    A fortificação integra o Sítio Histórico Nacional de San Juan, estabelecido em 1949, e que compreende ainda o Forte de San Felipe del Morro, o Fortim de San Juan de la Cruz (conhecido localmente como “El Cañuelo”), e três outras fortificações nas muralhas da cidade.
    Em 1983 o Sítio Histórico Nacional de San Juan foi classificado como Património da Humanidade pela UNESCO.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Central America
    Country : Porto Rico
    State/Province: Estado associado aos Estados Unidos da América
    City: San Juan



  • Lat: 18 -29' 58''N | Lon: 66 6' 39''W










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