Fort of São Pedro da Barra

Luanda, Luanda - Angola

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O "Forte de São Pedro da Barra", também referido como "Forte de São Pedro do morro da Cassandama" e “Fortaleza da Barra”, localiza-se no antigo morro de Cassandama, comuna de Ngola Kiluange, município de Sambizanga, cidade e província de Luanda, em Angola.

História

De acordo com o relatório de inspeção dos fortes de Luanda e Angola, de autoria do engenheiro militar, então major (depois general), Francisco Xavier Lopes em 1846, este forte foi erguido por forças Neerlandesas.

Era então constituído apenas pela bateria inferior, escavada na falésia por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) entre 1641 e 1648, com o recurso à mão-de-obra de prisioneiros.

Após a reconquista de Luanda por forças portuguesas oriundas do Brasil, a posição foi abandonada.

Em 1663, Afonso VI de Portugal (1656-1667) determinou o reforço da defesa da barra do porto de Luanda, o que conduziu à reedificação desta estrutura. Por morte do Governador e Capitão-General Bernardino de Távora de Sousa Tavares (1702), o Nobre Senado da Câmara de Luanda, que lhe assumiu as funções, em 1703 decidiu criar-lhe uma bateria superior, “a olhar para terra” e mandou fazer as atuais muralhas, em alvenaria de pedra e cal. Os trabalhos demoraram três anos e foram custeados exclusivamente por aquela Câmara. Documentos da época assinalam que o forte “fica a uma légua da cidade de Loanda” e do lado de terra há duas colinas, então recobertas de cajueiros e com excelentes pastagens.

Ao lado do forte os religiosos da Companhia de Jesus ergueram um hospício que acolhia os indigentes que vagueavam pelas ruas da cidade. Muitos eram criminosos condenados ao degredo e que, devido à carência, ao alcoolismo e às doenças acabavam por vir a falecer. O hospício e a prisão do Forte de São Pedro da Barra também serviram como centros de detenção dos hereges, sobretudo daqueles que atentavam contra os “bons costumes” promovendo a feitiçaria, os chamados "xinguilas".

O portão de armas da fortificação foi rasgado na parede interior do reparo. Sobre ele uma placa epigráfica com as armas reais reza:

D. Pedro II rei de Portugal e da Etiópia mandou fazer este forte, e o fundou o Nobre Senado da Câmara, governador e capitão general destes reinos. Ano de 1703

Em meados do século XVIII o forte apresentava sinais de ruína. O governador e capitão general, D. António Álvares da Cunha (1753-1758), determinou-lhe obras de restauração “quase desde o seu pé”. O major Xavier Lopes regista que este governante tinha o hábito de acompanhar-lhe as obras diariamente e comenta de forma pitoresca: “(…) ele saía do Palácio depois da meia-noite para evitar o sol.

Em 1772, o governador e capitão general D. António de Lencastre (1772-1779) decidiu dar melhor forma à bateria inferior, voltada ao mar. Esta foi então rebaixada para permitir melhorar os tiros da artilharia sobre as embarcações. Uma vez que esta bateria é escavada na rocha da falésia, os trabalhos foram penosos e demorados, tendo sido concluídos apenas no governo de D. José Gonçalo da Câmara (1779-1782).

Neste período, São Pedro da Barra passou a ser o principal elemento defensivo da barra, cruzando fogos com o Forte de Nossa Senhora da Flor da Rosa, erguido na ponta da ilha do Cabo durante o governo do capitão general Henriques Jaques de Magalhães (1694-1697), e hoje desaparecida pela erosão marinha que consumiu aproximadamente a metade da superfície daquela ilha.

Em 1826 o forte possuía apenas uma pequena guarnição, sob o comando de um sargento de Artilharia. Visando reforçar a defesa do porto, naquele ano foi objeto de uma extensa campanha de obras: ao lado direito da entrada foi erguida uma Casa da Guarda, do lado oposto erguida a pequena Ermida de São Pedro, que Xavier Lopes refere tratar-se apenas de um "oratório". Foi restaurada a Casa do Governador, construído um amplo quartel para a tropa e um armazém para as munições e a pólvora. Foi ainda aberta uma grande cisterna “com 27 pés e meio de comprimento, 14 pés e meio de largura e 16 pés de altura. A sua capacidade era de 760 almudes de água”. (XAVIER LOPES, 1846)

De acordo com o relatório de inspeção de 1846, entretanto, o forte encontrava-se uma vez mais em ruínas. Naquele momento tinha ao seu serviço, para as tarefas civis, quatro prisioneiros com grilhetas e dois monangambas (serviçais) que “Limpavam o caminho, forneciam água à guarnição, quartel do governador e à prisão, cortavam e carregavam a lenha e iam à cidade de Loanda buscar comestíveis.” (Op. cit.)

Na década de 1920 o forte conheceu obras de consolidação.

As ruínas do forte foram classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto Provincial n.º 1.057, de 9 de setembro de 1932.

Com a eclosão da Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974) as dependências deste forte serviram como centro de detenção e de tortura de suspeitos por parte das forças governistas, nomeadamente após os ataques em Luanda à Casa de Reclusão Militar, à cadeia da 7.ª Esquadra da Polícia, à sede dos CTT e à Emissora Nacional de Angola (4 de fevereiro de 1961) por forças do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Neste período sofreu obras de conservação e restauro em 1964-1965 por iniciativa da Guarda Fiscal (GF) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), sob a orientação do major César Rodrigues, sendo Governador-Geral de Angola o coronel Silvino Silvério Marques (1962-1966), conforme inscrição epigráfica.

Entre 1974 e 1975, durante um curto período, as dependências do forte voltaram a ser utilizadas como centro de detenção e tortura por forças estrangeiras ligadas à Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). (“Jornal de Angola”, 28 de fevereiro de 2012.)

Atualmente encontra-se em precárias condições de conservação. De propriedade do Estado encontra-se afetada ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Cultura, estudando-se a possibilidade de sua reqalificação como museu histórico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

A seu respeito XAVIER LOPES (1846) dá conta de que tem planta na forma de um quadrado (bateria superior) com quatro meios baluartes, que constituem quatro frentes ligadas por cortinas, e esclarece: “A frente que olha para o mar tem três baterias”. Prossegue esclarecendo que a bateria inferior, escavada na rocha, foi guarnecida pelos neerlandeses com sete peças de artilharia, que “(...) permitem ricochetear os navios que passarem a 600 pés de distância della”. No século XIX estava artilhado com seis canhões Paixhans e artilharia do calibre 24 com balas incendiárias.

A casa da guarda e o paiol de munições também foram escavados na rocha da falésia.

O pórtico apresentava apenas sete pés de altura. Na fachada existiam duas canhoneiras, nos flancos, uma, e na cortina, quatro. Ao todo eram dez bocas-de-fogo na bateria superior, que “olha para terra”. (Op. cit.)



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Fortress of S. Pedro da Barra
Website da UNESCO versando sobre o Forte de São Pedro da Barra, localizado no Bengo, Província de Luanda, em Angola. Página em inglês.

http://whc.unesco.org/en/tentativelists/922/
Fortaleza de São Pedro da Barra
Página sobre a Fortaleza de São Pedro da Barra, em Angola, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1973

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Contribution

Updated at 11/03/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort of São Pedro da Barra

  • Forte de São Pedro do morro da Cassandama, Fortaleza da Barra

  • Fort





  • Portugal


  • Featureless and Badly Conserved






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  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Angola
    State/Province: Luanda
    City: Luanda



  • Lat: 8 46' 25''S | Lon: 13 -18' 50''E




  • Século XVII: 7 peças antecarga, de alma lisa, na bateria inferior (lado do mar).
    Século XIX: 6 canhões Paixhans e peças antegarga, de alma lisa, do calibre 24 com balas incendiárias, na bateria inferior; 10 peças antecarga, de alma lisa, na bateria superior (lado de terra).






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