Fortress of Santa Cruz do Cabo de Gué

Agadir, Agadir - Marocco

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A “Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué”, também referida como “Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué de Agoa de Narba”, localizava-se na atual cidade de Agadir, no litoral do Marrocos.

Toponímia

O cabo de Gué (cabo Guir, Ghit), situado cerca de 40 km a norte da fortaleza, é também referido como "cabo da Guer" e "cavo da Ger". O local onde se encontrava a fortificação é referido pelo cronista Damião de Góis como "Guadanabar do cabo de Guer".

O autor anónimo da "Crónica de Santa Cruz do Cabo de Gué" (século XVI) denomina-o "Guadanabar" ou "Agoa de Narba", que explica por se encontrar aí "(...) huma grande fonte de muito boa agoa (...) donde vinhão a beber muitos gados (...), [que pertenciam a] hum Mouro grão senhor (...) o qual se chamava Ahames Narba, pella qual cauza chamavão a fonte d'agoa de Narba", [Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris: Paul Geuthner, 1934. p. 20-22.]) mas que mais provavelmente se deve ao fato de que, perto do seu sítio, onde as tribos berberes costumavam realizar um mercado à quarta-feira ("Souk l-Arba'"), encontrava-se o armazém coletivo "Agadir", o que deu "Agadir l-Arba' ", forma árabe da toponímia identificada por Pierre de Cenival numa carta dos habitantes da região dirigida a Manuel I de Portugal, aportuguesada como "Agoa de Narba". Este último nome aparece nos mapas a partir de 1480, substituindo o de "Porto Meseguinam" ou "porto Meseguina" constante em mapas anteriores, desde 1325 (Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris: Paul Geuthner, 1934. pp. 20-22.).

História

A fortificação foi erguida a partir de 1505 pelo comerciante português João Lopes de Sequeira, às próprias expensas, para fazer face às investidas dos castelhanos sobre Agadir. Foi por este vendida ao rei Manuel I de Portugal (1495-1521) em janeiro de 1513 pelo montante de 2000$000 rs e 100$000 de tença, válida por duas vidas. (Alvará régio de 25 de janeiro de 1513, in "Les Sources Inédites (...)", t. I, pp. 374-377. LOPES indica o valor da venda como 5.000 cruzados e mais uma tença de 100.000 reais (LOPES, 1989:29). Entre a sua construção e a venda à Coroa portuguesa, Santa Cruz resistiu com sucesso a dois cercos, em 1506 e 1511, levados a cabo pela tribo Haha com o apoio do Xerife Muhammad Al-Qaim.

Quando João Lopes Sequeira vendeu a fortaleza à coroa portuguesa ainda existia o castelo de madeira pré-fabricado, já que fazia parte do rol dos bens vendidos, e também já se encontrava construída a fortificação de pedra e cal que o rodeava. Jorge Correia descreve assim o conjunto do qual a Coroa tomou posse:

Existia um castelo defendido por uma cerca baixa pontuada por torrelas do lado de terra, visto a frente de mar carecer de uma protecção contra as vagas. Ainda assim, do castelo saía um cubelo sobre a água, em jeito de couraça e unido por muro baixo. Em torno da cerca, um esboço de cava, ainda não revestida, reforçava o perímetro amuralhado. No interior, quer as casas adossadas à cerca, quer a igreja não possuíam cobertura.” (CORREIA, 2008:325)

D. Manuel I nomeou D. Francisco de Castro como capitão da fortaleza e encarregou-o de “fazer uma vila junto ao castelo” (CORREIA, 2008:325), construindo trinta casas para moradores e executando alguns melhoramentos na fortificação, como a torre de menagem e baluartes na muralha. Sobre a vila Jorge Correia refere que “no castelo concentravam-se os principais equipamentos religiosos: a igreja paroquial de S. Salvador, o mosteiro franciscano de S. Sebastião e o hospital da Misericórdia. A sua inumeração parece exagerada para tão exíguo espaço.” (CORREIA, 2008:326)

Em 1534 foi nomeado como capitão da praça Luís de Loureiro, que empreende importantes melhoramentos na estrutura defensiva, como “a edificação de um forte baluarte, cheio de terra e munido de artilharia grossa, para além da disposição de outras baterias” (CORREIA, 2008:326). Esse baluarte ainda existia em meados do século XX.

Jorge Correia identifica os principais elementos da estrutura defensiva com base no texto de Cénival, dos quais se destacam o cubelo de Tamaraque, voltado para a direcção de Tamraght, onde fora construída a fortaleza de Ben Mirao sobre o Rochedo do Diabo, e o Facho, “solido baluarte voltado para o Pico, fortemente massacrado em 1541, à sombra do qual foi construído o santuário de Sidi Bou Qnadel”. (CORREIA, 2008:328)

Em 1540 o Xerife Saadiano de Suz, Mohammed ech-Cheikh impôs cerco à praça, que se estendeu por seis meses até à rendição da mesma (março de 1541). As forças do Xerife foram dispostas nas encostas do Pico, de onde bateram a posição portuguesa com fogo de artilharia. As perdas portuguesas ascenderam a 1.000 mortos e 600 prisioneiros, entre os quais o governador, D. Guterre de Monroy e os seus filhos. A sua filha Dna. Mecia, cujo marido havia perecido durante a o cerco, foi desposada por Mohammed ech-Cheikh, vindo a falecer após ter dado à luz um filho do Xerife, supostamente envenenada pelas suas outras mulheres:

D. Mécia fez-se moura, ‘emprenhou e pariu uma filha’, que morreu oito dias depois e a mãe faleceu oito dias depois da filha. Constou que morrera de feitiços que as outras mulheres do xarife lhe fizeram, ‘pelo muito que el Rei lhe queria, e se esquecia delas.” (SANTOS, SILVA, NADIR, 2007:192)

Os prisioneiros seriam posteriormente resgatados por alfaqueques enviados de Portugal. D. Guterre foi libertado devido à sua amizade pessoal com Mohammed Ech-Cheikh.

A queda de Santa Cruz do Cabo Guer determinou o início do recuo estratégico português na região a sul do Marrocos, que se iniciou com o abandono da Fortaleza de Azamor e da Praça-forte de Safim (ambas em 1542), e culminou, após a conquista de Fez também pelo Xerife Mohammed ech-Cheikh (31 de janeiro de 1549), com o abandono português da Praça-forte de Alcácer-Ceguer (1549) e da Praça-forte de Arzila (1550).

Bibliografia

CORREIA, Jorge (2008). Implantação da Cidade Portuguesa no Norte de África. Da tomada de Ceuta a meados do século XVI. Porto, FAUP Publicações.

LOPES, David (1989). A Expansão em Marrocos. Lisboa, Editorial Teorema.

SANTOS, João Marinho dos; SILVA, José Manuel Azevedo; NADIR, Mohammed (2007). "Santa Cruz do Cabo de Gue D’Agoa de Narba”. Estudo e Crónica. Viseu, Palimage Editores e Centro de História da Sociedade e da Cultura.



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Contribution

Updated at 10/10/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fortress of Santa Cruz do Cabo de Gué

  • Fortaleza do Cabo de Gué, Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué de Agoa de Narba

  • Fortified City

  • 1505 (AC)



  • Manuel I of Portugal

  • Portugal


  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Marocco
    State/Province: Agadir
    City: Agadir



  • Lat: 30 -26' 14''N | Lon: 9 37' 28''W










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