Fort of São José da Amura

Bissau, Bissau - Guinea-Bissau

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O “Forte de São José da Amura”, também referido como "Fortaleza da Amura", localiza-se na cidade e região de Bissau, capital da Guiné-Bissau.

História

Antecedentes


No século XIII, na sequência do declínio do Império do Ghana, chegaram a esta região da costa ocidental de África os povos Naulu e Landurna. No século XIV a região passou a integrar o Império do Mali.

À época da expansão marítima europeia, os primeiros navegadores portugueses estabelecem contato em 1446-1447. Teve início então um longo processo de implantação do monopólio comercial na região, sobretudo de ouro e de escravos, o qual viria a ser disputado, ao longo dos séculos, por corsários e traficantes Franceses, Neerlandeses e Ingleses.

Em 1588 os portugueses fundaram, junto à costa, em Cacheu, a primeira povoação criada de raiz, a qual foi sede dos capitães-mores, nomeados pela Coroa, embora sob jurisdição de Cabo Verde. Seguiu-se a criação da localidade de Geba, no interior do continente.

No contexto da conquista de Angola por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) em 1641, no ano seguinte (1642), os portugueses fundaram Farim e Ziguinchor, a partir da deslocação de habitantes de Geba, dando início a uma ocupação das margens dos rios Casamança, Cacheu, Geba e Buba, a qual se tornou efetiva em 1700, passando então a zona a ser designada por "Rios da Guiné".

No último quartel do século XVII, a presença francesa na região intensificou-se com as atividades da Companhia do Senegal, empresa monopolista constituída para explorar o fornecimento escravos para as Antilhas. Nesse contexto, o capitão-mor de Cacheu, António de Barros Bezerra, por carta ao soberano português de 4 de março de 1687, deu conta das pretensões francesas em construir uma fortificação em Bissau, para o que haviam enviado navios com materiais, o que o referido capitão-mor teria conseguido evitar com o auxílio do gentio. O feitor de Cacheu, na mesma data, por sua vez também deu conta a el-rei do desejo francês em erguer uma fortificação no ilhéu junto a Bissau, possivelmente o ilhéu de Bandim. (Arquivo Histórico Ultramarino. Papéis avulsos, Guiné, n.ºs. 183 e 184.)

O novo governador de Cabo Verde, Veríssimo Carvalho da Costa, em visita à Guiné, também informou ao soberano sobre o assunto, por carta datada de Cacheu em 2 de abril de 1687, referindo as medidas acertadas em conjunto com capitão-mor para evitar o estabelecimento dos Franceses:

"Uniformemente ajustamos se faça a fortaleza de Bissau, que com ela divertimos aos Franceses a não façam, porque a não ser o rei [de Bissau, Bacampolo-Có] tão amante de V. Majestade o teriam conseguido, para o que lhe pediram licença, e ele lhe não quis dar, dizendo tinha V. Majestade na sua terra uma igreja que era a sua fortaleza."

E acrescenta:

"Dou conta a V. Majestade de como tenho mandado a Bissau que dista desta praça 30 léguas a falar com el-rei, e hoje, que se contam 2 de abril, chegou a resposta dele, a qual com esta remeto a V. Majestade como também o que lhe escrevi, e me consta pela sua carta, e pelas pessoas que lá mandei os alvoroços com que ele e os seus fidalgos e povo receberam a lembrança que V. Majestade tem dele, e a alegria com que também receberão ao padre Fr. Francisco de Pinhel, e mais religiosos missionários, e o vestido e mais coisas que V. Majestade foi servido se lhe mandasse; ele me deu logo o melhor sítio que aquela ilha tem para se fazer a fortaleza... El-rei me enviou o seu general, e seu filho e alguns fidalgos e lhe fiz aquele agasalho que entendi era necessário para os contentar, e agora os remeto que assim mo pede o rei, como também as pessoas que vão dar princípio àquela obra, e duas peças de artilharia e seis soldados, enquanto não vão outras que são as que bastam para tomar posse do lugar determinado para a tal fortificação para a qual nomeamos Manuel Teles de Avelar (...)."

Em carta de 4 de abril, o capitão-mor relatou ao soberano os mesmos acontecimentos. (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.ºs. 187 e 189.)

A fortificação de Bissau possivelmente não foi concluída, uma vez que, pelo Alvará Régio de 15 de março de 1692 que constituiu a Capitania-mor de Bissau estipulava-se-lhe uma guarnição de quarenta praças, e ordenava-se a construção da fortaleza, custos que deveriam ser suportados pela Companhia do Cacheu e Cabo Verde, instituída em 3 de janeiro de 1690.

O Forte de Nossa Senhora da Conceição de Bissau

Em 21 de janeiro de 1696, o Conselho Ultramarino propôs o nome de José Pinheiro para o cargo de Capitão-Mor de Bissau, com o que soberano concordou em 23 de janeiro. (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.º 234.) Na sequência do despacho régio lançado no parecer do Conselho Ultramarino, em 23 de fevereiro de 1696 foi nomeado para o cargo de Capitão de Engenharia de Cabo Verde e Guiné, José Coutinho, com o encargo de construir a fortaleza de Bissau.

Conflitos entre o Capitão-mor e o Bispo levaram a dificuldades com as obras da fortificação. A 9 de março de 1697, José Pinheiro escreveu ao soberano relatando o estado das obras: as obras haviam-se iniciado a 16 de outubro de 1696, tendo o bispo a colocado sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Apresentava planta quadrada, com 140 pés de lado, e baluartes nos vértices. Dela existe um desenho francês, datado de 1700. Entretanto, o engenheiro falecera. Em dezembro haviam entrado no porto dois navios ingleses, a quem o capitão-mor afirma ter proibido o comércio, atitude que gerou a hostilidade do rei de Bissau, impedindo o fornecimento de água para as obras da fortificação e de mantimentos para o pessoal. José Pinheiro viu-se forçado a pedir socorro ao capitão-mor de Cacheu, Santos Vidigal Castanho, o qual acorreu com rapidez e atendeu a pendência. (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.º 245.) O capitão-mor de Cacheu foi bem recebido pelo rei de Bissau (Izinhá), com quem fez o contrato (4 de janeiro de 1697) para compra do chão da fortificação (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.º 243.) Poucos dias após o capitão-mor de Cacheu ter regressado à sua povoação (fevereiro de 1697), apareceu em Bissau um navio neerlandês, e, querendo José Pinheiro impedir os Papéis de negociarem com ele, o chefe lzinhá cercou o forte, pelo que aquele teve de ceder. (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.º 245.)

Em 18 de janeiro de 1698 o soberano enviou cartas ao Governador de Cabo Verde para que averiguasse os acontecimentos relativos ao ataque ao bispo, ao incêndio do hospício, e à má construção da fortificação e descaminhos da Fazenda Real nessa obra. (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, códice 489, fls. 139 e 139 v.) Em 28 de fevereiro seguinte foi dada ordem ao mesmo para destituir José Pinheiro do seu cargo "(...) assim pelas queixas que dele se me têm feito, como pelo rei da terra, e mais principais se descontentarem do seu procedimento") e para que fosse a Bissau com um engenheiro, para pôr em ordem a construção da fortificação e para que as despesas feitas até então fossem pagas por José Pinheiro, se se provasse que era culpado na alteração do traçado (Idem, códice 489, fls. 142 v.-143 v.). O Conselho Ultramarino, examinadas a carta de 9 de março de José Pinheiro e a de 24 do mesmo mês de Santos Vidigal Castanho, emitiu parecer, em 22 de fevereiro de 1698, no sentido de ir a Bissau examinar as obras da fortificação o novo engenheiro nomeado para Cabo Verde e insistiu em que se averiguasse o delito do incêndio do hospício, propondo que fosse mandado recolher José Pinheiro (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, n.º 258.) Em maio de 1698 já se encontrava em Bissau novo capitão-mor, tendo entretanto falecido José Pinheiro, ao que tudo indica executado em um levante da população nativa. O Conselho Ultramarino, em consulta de 3 de outubro de 1698, a respeito desses acontecimentos, propôs a el-Rei que se desistisse de concluir a fortaleza de Bissau, "(...) porque sobre se achar hoje tão pouco adiantada, se reconhece estarmos com pouca aceitação dos Negros, chegando a experimentar-se o excesso de que o rei prende-se ao capitão-mor José Pinheiro, e o tratasse tão ignominiosamente como em outra consulta se dá conta a Vossa Majestade", concluindo que "sobre o procedimento do capitão-mor José Pinheiro, como ele é falecido, se não pode interpor parecer nesta matéria, que se ele vivera se fazia digno de um exemplar castigo pelas grandes inquietações que ocasionou com as suas ações." (Arquivo Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Cabo Verde, caixa 6. Em carta de el-rei para o governador de Cabo Verde, de 3 de outubro de 1698, fala-se do "excesso com que se houve o rei de Bissau com o capitão-mor José Pinheiro", e em 28 de novembro pede-se que informe como poderá esse rei ser castigado por tal fato (Ibidem, códice 489, fls. 146-146 v., 156)

Vindo a Companhia a apresentar prejuízos, a Coroa deixou de lhe renovar o contrato de exploração (1703), o que conduziu ao abandono da Capitania-mor de Bissau (dezembro de 1707), sendo a sua fortificação arrasada na ocasião. (Veríssimo Serrão. História de Portugal, v. V, p. 284 e segs.)

O atual forte

Foi reconstruído a partir de novembro de 1753, conforme planta do Frei Manuel de Vinhais Sarmento. A partir de 1766 foram-lhe introduzidos alterações no traçado, de autoria do Coronel Manuel Germano da Mota. Os trabalhos estariam concluídos em 1775. Foi utilizada mão-de-obra trazida das ilhas de Cabo Verde para o efeito.

Foi reconstruído de 1858 a 1860, com projeto e direção do capitão Januário Correia de Almeida, "engenheiro civil e militar desta província". (FERNANDES, 1996).

Foi objeto de intervenção de conservação e restauro no início da década de 1970, sob a orientação do arquiteto Luís Benavente.

Com a proclamação da independência (1974), as suas dependências passaram a ser ocupadas pelas Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP), nelas tendo passado a funcionar o Ministério da Defesa Nacional e o gabinete do Estado-Maior.

Em 1975 a instalação recebeu os restos mortais de Amílcar Lopes Cabral, e, mais tarde, de outras personalidades do país, como por exemplo Francisco Mendes, Osvaldo Vieira, Titina Silá, e Pansau Na Isna.

Encontra-se aberto à visitação pública.

Características

Exempar de arquitetura militar, abaluartado.

Apresenta planta quadrangular em estilo Vauban, com baluartes pentagonais nos vértices. Em seus muros de cantaria de pedra rasgavam-se 38 canhoneiras. No terrapleno dispõem-se as edificações de serviço (Casa de Comando, Quartel de Tropa e Armazéns). Originalmente envolvidopor um fosso, a sua defesa era complementada por uma paliçada que o unia a um fortim à beira-mar, de planta quadrada, com duas canhoneiras pelo lado de terra.

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Forte de São José de Amura
Página sobre o Forte de São José de Amura, na Guiné-Bissau, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1735

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Contribution

Updated at 31/01/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort of São José da Amura

  • Forte de Nossa Senhora da Conceição de Bissau, Fortaleza de Bissau

  • Fort

  • 1696 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved






  • Tourist-cultural Center
    Aberta à visitação pública, atualmente abriga o mausoléu de Amílcar Cabral.

  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Guinea-Bissau
    State/Province: Bissau
    City: Bissau



  • Lat: 11 -52' 23''N | Lon: 15 34' 44''W






  • 1970 (década de): Intervenção de conservação e restauro com projeto do arquiteto Luís Benavente.




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