Praça-forte de Alcácer-Ceguer

Alcácer-Ceguer, Tanger - Marroco

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A “Praça-forte de Alcácer-Ceguer” (em árabe, “Al-Qaṣr As-Seghir ", “pequeno alcácer") localiza-se na vila costeira de mesmo nome, província de Fahs-Anjra, região de Tânger-Tetuão, no Marrocos.

Situada na altura do estreito de Gibraltar, entre Tânger e Ceuta, na margem direita da foz do rio Ceguer, o seu nome contrasta com o de Alcácer-Quibir ("Al-Qaṣr Al-Kabīr", "grande alcácer"), 130 km a sul, no interior.

História

Ao longo de sua história esta povoação conheceu diversos povos. Visitada pelos fenícios em suas viagens comerciais, foi dominada pelos romanos desde o século I a.C., como testemunhado pelos restos de uma fábrica de salga, sendo denominada como "Lissa" ou "Exilissa". Posteriormente, diante da expansão do Islão, foi conquistada por volta de 708 quando da ocupação muçulmana do Magrebe. Dificilmente acessível por mar, era dominada pela elevação de Seinal. Durante o período Almóada, foi um importante porto de embarque de tropas para a Península Ibérica.

De acordo com o historiador muçulmano do século XIII, Abdelwahid al-Marrakushi, o seu nome era "Ksar Masmuda" (Alcácer dos Masmuda).

No século XV constituía-se num reduto de corsários.

Como parte da política de expansão ultramarina portuguesa, foi conquistada por uma frota de 220 embarcações, transportando um exército de 25 mil homens sob o comando de Afonso V de Portugal (1438-1481), após dois dias de combate (23 e 24 de outubro de 1458).

Na empresa participaram ainda o infante D. Henrique (no comando da Armada do Algarve), o infante D. Fernando, o marquês de Valença (no comando da Armada do Porto) e o marquês de Vila Viçosa. Os ventos desviaram a nau do monarca para as águas de Tânger cuja conquista chegou a ser cogitada pelo soberano, mas graças à influência do infante D. Henrique, que havia participado no desastre de Tânger em 1437, manteve-se a decisão de atacar Alcácer-Ceguer. A conquista foi possível devido à superioridade da artilharia portuguesa, e à estratégia do rei de Fez, Abd al-Hakk – o mesmo que em 1437 havia capturado o Infante Santo -, e que, informado da presença da frota portuguesa nas águas de Tânger enquanto preparava um ataque a Tlemcen, decidiu deslocar as suas forças para defesa de Tânger.

De imediato foram iniciados trabalhos de recuperação e reforço das defesas da praça. A mesquita da cidade foi transformada em igreja sob a invocação de Santa Maria da Misericórdia, e outorgada à Ordem de Cristo por iniciativa do infante D. Henrique.

A retaliação islâmica não se fez esperar. Afonso V ainda se encontrava em Ceuta, quando foi informado de que as forças de Abd al-Hakk se preparavam para retomar Alcácer-Ceguer. De imediato o soberano desejou acorrer em defesa da praça ameaçada, do que foi dissuadido por seus conselheiros. Deliberou-se então desafiar o rei de Fez para uma batalha campal, à maneira da Idade Média, tendo os emissários portugueses sido recebidos a tiros e forçados a retroceder.

A esquadra portuguesa aportou ao largo de Alcácer-Ceguer mas os seus esforços foram em vão, uma vez que os sitiantes não se amedrontaram, não tendo sido possível fazer chegar qualquer tipo de ajuda aos sitiados. Estes, sob o comando de D. Duarte de Menezes - filho do primeiro capitão de Ceuta, D. Pedro de Meneses -, resistiram por 53 dias, infligindo tantas perdas ao inimigo, que este acabou por retirar, a 2 de janeiro de 1459.

Seis meses mais tarde, a 2 de julho de 1459, Abd al-Hakk voltou a cercar a cidade. Durante este cerco, D. Duarte de Meneses mandou vir do reino a esposa e os filhos que, com alguma dificuldade, conseguiram furar o cerco e ingressar na praça. Esta atitude do capitão deu novo ânimo à guarnição sitiada que não cedeu as defesas, vindo o assédio a ser levantado em 24 de agosto de 1459. Como recompensa pelas defesas de Alcácer-Ceguer, o soberano elevou D. Duarte de Meneses a conde de Viana (abril de 1460).

A população da praça chegou a atingir as 800 pessoas, mas estava totalmente dependente do Reino para a sua manutenção. A presença Portuguesa em Arzila e em Tânger, ocupadas em 1471, a seu turno, veio a diminuir a sua importância estratégica.

Para reforço da sua defesa Manuel I de Portugal (1495-1521), em junho de 1502, passou ao Mestre de Pedraria Pêro Vaz, seis "in-fólios" com instruções acerca das obras a empreender em Alcácer-Ceguer. Nestas descreve-se minuciosamente como levantar a couraça (muralha que protegia o acesso à água), e estão ilustradas com um dos raros desenhos remanescentes da praça, da autoria do Arquiteto régio responsável pela obra, possivelmente o próprio Diogo de Boytac, e que, após um novo projeto em 1509, vistoriou-a pessoalmente em 1514. Neste projeto também foi prevista a construção de um novo baluarte, com dois níveis de canhoneiras, erguido por Francisco Danzilho.

A partir de 1533, João III de Portugal (1521-1557) cogitou em abandoná-la, como Azamor e Safim. A evacuação tinha a oposição da Santa Sé.

O projeto do Forte do Seinal

Em 29 ou 31 de janeiro de 1549 Mohammed ech-Cheikh, o "Xerife", tomou Fez, e reunificou o Marrocos. Diz-se que o seu primeiro objetivo era o de tomar Alcácer-Ceguer. Por isso João III "mandou que em Alcácer, no monte do Seinal, sobranceiro à vila, se fizesse um forte, porque quem fôsse senhor dêle dominaria a vila e o porto: foi dirigir esta obra o capitão de Ceuta, D. Afonso de Noronha.” (LOPES, David. “História de Arzila”, p. 412.)

Em 25 de julho de 1549, o capitão de Tânger, Pedro de Meneses, tinha-se encontrado com D. Pedro Mascarenhas, enviado pelo rei para fortificar a cidade e ver o Seinal em construção, e acompanhar as resoluções que se deviam tomar. Ambos chegaram ao Seinal em 7 de agosto, sendo recebidos por D. Afonso de Noronha. E juntos, com D. Bernardino de Mendonça, foram em galés visitar alguns portos para edificação de uma fortaleza: o de Santa Cruz, e o do Pé da Rocha, onde desembarcaram para subir ao "forte do Seinal & reconhecendo-o por dentro & por fora, & as baterias que poderia ter, (...) etc. concordarão todos que em qualquer parte que se fizesse era obra assaz custosa, & de mais perigo que proveito, por muitas razões de que huma de muita força era que se não podia fazer fundamento de outra agua para serviço da fortaleza senão da que se recolhese da chuva em cisternas, ou da que se pudesse ter em pipas.” (Chronica do muyto alto e muyto poderoso rey destes reynos de Portugal Dom João o III deste nome, etc. Composta por Francisco d'Andrada do seu Conselho, e seu Chronista mor. Lisboa: Jorge Rodriguez, 1613) Por essa razão o projeto foi abandonado, e Alcácer-Ceguer foi evacuada pouco depois, ao final da Primavera de 1550.

A partir de então tornou-se um pequeno burgo insignificante.

No século XX, escavações empreendidas pelos arqueólogos estadunidenses Charles Redman e James Boone entre 1974 e 1978, trouxeram à luz o como a povoação portuguesa se impôs à islâmica. Foram identificados os exemplos do "hamam " (os banhos islâmicos) transformado em prisão, da mesquita transformada em igreja, e da alcáçova, que fechou a antiga Porta do Mar ("Bab al Bahar"), usada como paço para o capitão, e que teve que ser adaptada ao uso da artilharia.

Em nossos dias a cidade conserva diversos vestígios da ocupação portuguesa. Além de restos das fortificações, inclusive a couraça e o chamado "Portão do Mar", conservam-se restos do casario interior e de igrejas.

Características

Após a conquista portuguesa, a filosofia defensiva alterou-se, passando a ligação com o mar a ser o fator mais importante, ditando a construção da couraça, que ainda hoje se distingue na paisagem. Vieram ainda à luz os elementos de um completo sistema defensivo, com fosso, baluartes curvos e portas duplamente fortificadas.

A vila antiga tem forma circular, o que é pouco usual no urbanismo medieval em Marrocos. Era construída em tijolo e silhar e cercada por uma muralha, flanqueada por torres de alvenaria semicirculares. A muralha tem três portas monumentais, cada uma delas flanqueada por torres quadradas. A "Bab al-Bahr" (Porta do Mar) tem a entrada em cotovelo, à maneira muçulmana, para reforçar a defesa. As portas tinham a função não apenas de comunicação, mas também de cobrança de tributos.

Bibliografia

BRAGA, Paulo Drumond. A Expansão no Norte de África. In: Nova História da Expansão Portuguesa (dir. de Joel Serrão e A. H. de Oliveira Marques). Lisboa: Editorial Estampa, 1998. Vol. II, A Expansão Quatrocentista. p. 237-360.

DUARTE, Luís Miguel. África. In: Nova História Militar de Portugal (dir. de Themudo Barata e Nuno Severiano Teixeira). Lisboa: Circulo de Leitores, 2003. vol. I, p. 392-441.

REDMAN, Charles L.. Qsar es-Seghir: an archaelogical view of medieval life. London, Academic Press, 1986.



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Fortaleza Afonsina [de Alcácer Ceguer]
Página sobre a Fortaleza Afonsina em Alcácer-Ceguer, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1631
Fortaleza Manuelina [de Alcácer-Ceguer]
Página sobre a Fortaleza Manuelina em Alcácer-Ceguer, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1632

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Contribution

Updated at 13/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Praça-forte de Alcácer-Ceguer


  • Fortified City

  • 1457 (AC)




  • Saudi Arabia











  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Marroco
    State/Province: Tanger
    City: Alcácer-Ceguer

    Foz do rio Ceguer, Ksar es-Seghir, província de Fahs-Anjra, região de Tânger-Tetuão, Marrocos.


  • Lat: 35 -51' 26''N | Lon: 5 33' 33''W










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