Praça-forte de Arzila

Arzila, Tanger - Marocco

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A “Praça-forte de Arzila” localizava-se na atual Arzila, na prefeitura de Tânger-Arzila, região de Tânger-Tetuão, no noroeste do Marrocos, no norte de África.

Foi uma possessão Portuguesa entre 1471 e 1550 e, novamente, entre 1577 e 1589.

História

Na Antiguidade a zona costeira de Arzila foi visitada por gregos e fenícios. Os vestígios deixados por estes últimos indicam que ali mantiveram um entreposto comercial que terá dado origem à colónia cartaginesa de "Zéli", "Zilil", "Zilis", "Zília" ou "Zeles". O cronista português João de Barros relata: "Arzila - cidade de África, chamava-se Zelis. Segundo Antonino e segundo Ptolomeu Zelia, e segundo Estrabão chamavam-lhe Abila. Parece boa conjectura que Zelis seria Cilee e Zelia seria Arzila." (BARROS, João de. "Libro das antiguidades e cousas notaueis de antre Douro e Minho, e de outras muitas de España e Portugal". [S.l.: s.n.], 1549. Capítulo: II.)

A cidade chegou a rebelar-se contra Cartago e a cunhar moeda própria, mas veio a perder importância com o ressurgimento de Lixo, outra colónia cartaginesa localizada a cerca de 35 quilómetros ao sul.

No século I a.C. foi dominada pelos romanos, que a denominaram Colônia Augusta Júlia Constância Zilil (em latim: "Colonia Augusti Iulia Constantia Zilil") ou somente Augusta Zilil, depois incorporada à província romana da Mauritânia Tingitana. De acordo com Estrabão, parte dos seus habitantes fundaram Júlia Traducta (outras fontes mencionam Júlia Ioza), que se acredita corresponder à atual Algeciras, na costa norte do estreito de Gibraltar, para onde os seus habitantes terão sido transladados - entre 33 e 27 a.C. - como punição por se terem rebelado contra as autoridades romanas.

Foi conquistada pelos muçulmanos em 712, tendo readquirido alguma importância já com o nome de Arzila, constituindo-se num centro de comércio onde acorriam mercadores do sul da Península Ibérica e de outras regiões vizinhas e onde floresceram atividades científicas e culturais durante o Califado Idríssida (788-974). As referências à cidade tornam-se mais frequentes neste período, como por exemplo nas obras de ibn Hauqal e de al-Bakri. Este último refere que Arzila foi atacada duas vezes pelos normandos durante o século IX, mas não diz em que datas. No século XII al-Idrisi descreveu-a como uma cidade em decadência, mas acredita-se tenha recuperado entre os séculos XIII e XIV uma vez que, em 1437, quando do desastre português em Tânger, encontravam-se em Arzila negociantes judeus, genoveses e castelhanos. Para os sultões de Fez, a cidade era uma das suas principais posições.

Como parte da política de expansão ultramarina portuguesa, foi conquistada por Afonso V de Portugal (1438-1481), com uma poderosa armada (477 navios e 30 mil homens), a 24 de agosto de 1471. Este episódio está ilustrado em três das chamadas Tapeçarias de Pastrana.

Como as demais praças portuguesas na região, sofreu constantes ataques por parte das forças muçulmanas. O mais sério ocorreu em 1508, tendo os defensores perdido a vila, recolhendo-se à Cidadela como última defesa. Foram salvos pela intervenção de uma esquadra vinda do Reino, a que se juntou, pouco depois, uma frota espanhola sob o comando de D. Pedro Navarro, conde de Oliveto.

A partir de 1509 a sua fortificação foi ampliada e reforçada, com traça de Diogo Boitaca, que reconstruiu a alcáçova e a cerca amuralhada do seu porto, combinando elementos arquitetónicos tradicionais como a torre de menagem e a couraçada, com outros mais evoluídos, como os baluartes com canhoneiras da "Porta da Vila" e o da "Pata da Aranha".

Tal como a Tânger, Arzila recebeu famílias judias espanholas após 1490, para ali direcionadas pela Coroa Portuguesa, com o fim de colonização.

Em 1520 Manuel I de Portugal (1495-1521) criou a feitoria de Arzila, e

"(...) mandou para ela muitas mercadorias, como panos, lenços, sedas, barretes, que era o que consumia a nossa gente e de que se pagavam os servidores dos lugares do norte do Algarve de além-mar. Mandou também outra espécie de mercadorias, que as cáfilas de mouros e judeus vinham comprar à vila, tais como lácar, alaquecas, bordates e especiarias. Desta feitoria fez el-rei feitor Francisco Ribeiro, almoxarife dos mantimentos em Arzila neste tempo. Para escrivão nomeou Tomé Rodrigues, moço da sua câmara, e para provedor João Queimado, irmão de Vasco Queimado, feitor da Casa da Índia. A esta feitoria deu uma filial em Fez e fez seu feitor (...) Francisco Gonçalves, e escrivão dela Sancho Rebêlo, seu moço da câmara. Ele podia levar da feitoria de Arzila as mercadorias que lhe parecesse que se venderiam naquela cidade, como lácar, alaquecas, bordates etc., e da sua venda tirasse três por cento para si." (David Lopes. História de Arzila. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924-1925. p. 204-211.)

No mesmo ano, para defesa das praças portuguesas no Marrocos, o soberano criou a chamada Esquadra do Estreito.

A praça foi abandonada pelas forças portuguesas em agosto de 1550, após a conquista de Fez pelo Xarife saadiano Mohammed ech-Cheikh, em 31 de janeiro de 1549. O Marrocos ficava agora unificado debaixo do domínio de um só soberano, e a Praça-forte não poderia lutar muito tempo contra ele, segundo João III de Portugal (1521-1557), que preferiu manter apenas as de Ceuta e Tânger.

Foi novamente ocupada por forças portuguesas a partir de 1577. Aqui desembarcou Sebastião I de Portugal (1557-1578) para intentar a conquista do Marrocos, que redundou na Batalha de Alcácer-Quibir (1578).

Em 1589, Filipe II de Espanha (1556-1598) devolveu Arzila ao sultão saadiano Amade Almançor Saadi (1578-1603). Posteriormente a Espanha conquistou a cidade, que retornou ao domínio de monarcas marroquinos com Moulay Ismail em 1691.

Em 1829 a cidade foi bombardeada pela marinha da Áustria, numa tentativa frustrada de coibir a ação de piratas, situação que se manteria até 1912, quando foi instituído o Protetorado Espanhol de Marrocos, que compreendia Arzila. Em 1860, no contexto da primeira guerra de Marrocos, Arzila foi novamente bombardeada, desta vez pela armada espanhola.

Em 1906 tornou-se a base do caudilho el-Raisuni, que se autonomeou paxá e instaurou um regime de terror.

Património edificado

Em termos de património edificado, a cidade conserva diversos vestígios da ocupação portuguesa, nomeadamente da sua fortificação como as muralhas, baluartes, a Torre de Menagem e o fosso. Sobre a chamada "Porta da Terra", encontra-se ainda o brasão de armas de Portugal.

A torre de menagem de Arzila sofreu recente intervenção de restauro com a interveniência da Fundação Calouste Gulbenkian.

Bibliografia

MOREIRA, Rafael. Le Donjon d'Asilah.

Bernardo Rodrigues: Anais de Arzila, crónica inédita do século XVI, publicada por ordem da academia das sciências de Lisboa, e sob a direcção de David Lopes, sócio efectivo da mesma academia. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1919.



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Related links 

Arzila
Artigo de Apoio na Infopédia, da Porto Editora, sobre a fortificação.

https://www.infopedia.pt/$arzila
Muralha e Castelo [de Arzila]
Página sobre a Muralha e Castelo de Arzila, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1613
Torre de Menagem [de Arzila]
Página sobre a Torre de Menagem de Arzila, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1612

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Contribution

Updated at 18/10/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Praça-forte de Arzila


  • Fortified City

  • 1471 (AC)




  • Portugal


  • Featureless and Semiconserved






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Marocco
    State/Province: Tanger
    City: Arzila



  • Lat: 35 -28' 5''N | Lon: 6 2' 23''W










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