Praça-forte de Ceuta

Ceuta, Ceuta - Spain

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A “Praça-forte de Ceuta” localizava-se na península de Almina, no atual município e cidade autónoma de Ceuta, um exclave de Espanha.

Ceuta, na margem esquerda do estreito de Gibraltar, no norte de África, foi conquistada aos Muçulmanos pelos Portugueses em 1415, tendo a partir de então as suas defesas reforçadas ao longo dos séculos. Com a Restauração da Independência Portuguesa (1640) permaneceu em mãos espanholas. Desde 1995, constitui-se em uma cidade autónoma de Espanha.

História

Pré-história e Antiguidade

A primitiva ocupação humana da área remonta ao Pleistoceno e ao Holoceno, conforme os testemunhos arqueológicos.

No século VII a.C. colonos fenícios fundaram a cidade de Abyla no promontório onde se situa hoje a catedral. Abyla foi posteriormente ocupada por colonos gregos da Fócida, quando foi rebatizada como "Hepta Adelphoi".

Em 319 a.C. a cidade foi conquistada por Cartago, passando a constituir-se num domínio púnico. Ao final da Segunda Guerra Púnica, com a capitulação de Cartago diante dos Romanos (201 a.C.), foi cedida ao reino da Numídia. Em 47 a.C. passou a integrar a Mauritânia, reino anexado ao Império Romano em 40 d.C. pelo imperador Calígula, passando a fazer parte da província romana da Mauritânia. O imperador Cláudio (41–54) dividiu essa província em duas, passando a cidade a integrar a Mauritânia Tingitana.

Idade Média

Septem foi conquistada em 429 pelos Vândalos sob o comando de Genserico.

No contexto das campanhas norte-africanas da "Recuperatio Imperii" empreendidas pelo imperador bizantino Justiniano I (527-565), o general Belisário reconquistou a cidade (534), que passou a servir de base de operações para a conquista das costas de Malaca (Málaga) e do que veio a ser a província bizantina da Spania. Esse domínio revelar-se-ia efêmero, vindo a cidade a cair em mãos dos Visigodos, após a retirada dos Bizantinos.

Em 709 a cidade foi conquistada pelo califado Omíada, devido a conflitos internos entre os Visigodos. De acordo com algumas lendas, a sua queda deveu-se à sublevação do conde Julião, personagem de origem obscura que exercia o cargo de governador da cidade e que terá negociado a rendição aos Omíadas sob o comando de Musa ibn Nusair e Tariq ibn Ziyad.

Em 788 registou-se a invasão pelo emirado Idríssida.

Em 931 foi conquistada pelo Califado de Córdova sob o reinado do califa Omíada Abderramão III. Algumas décadas mais tarde sofreu a divisão do Califado em reinos de taifas e, em 1024, encontrava-se sob o domínio da Taifa de Málaga.

Em 1061, Suqut al-Bargawati, um líder dos Barghawata, proclamou o estado independente da Taifa de Ceuta, que foi conquistada em 1084 pelos Almorávidas sob o comando de Yusuf ben Tasufin.

Em 1147 passou para as mãos dos Almóadas.

Em 1232 foi conquistada pela Taifa de Múrcia, vindo a tornar-se independente no ano seguinte (1233). Essa independência terminou em 1236, com a ocupação pelos Merínidas. Em 1242 foi tomada pelos Haféssidas. Em 1249 passou a ser governada pela dinastia Azafi.

Segundo o Tratado de Monteagudo, assinado em 1291 entre os reinos de Castela e Aragão, a cidade ficou na zona de influência de Castela. Em 1305, fazendo então parte do reino Nasrida de Granada, Ceuta entrou no jogo da política mediterrânica de Castela. Em 1309 foi conquistada novamente pelos Merínidas com apoio do reino de Aragão. Nos anos seguintes, os Merínidas enfrentaram vários ataques à cidade desfechados pelo reino de Granada. Em 1310, os Azafi voltaram a tomar o controlo, que viriam a perder novamente em 1314 para os Merínidas. Os Azafi voltaram a recapturá-la em 1315. Em 1327 ocorreu nova reconquista por parte dos Merínidas. Cerca de 1384 o reino de Granada voltou a tomar a cidade, que foi cercada pelos Merínidas, que lograram retomá-la em 1386.

Ao longo da Idade Média, Ceuta constituiu-se em uma das cidades mais importantes do Ocidente muçulmano, estimando-se que tivesse chegado a ter cerca de 30.000 habitantes, superando cidades como Valência, Málaga, Jerez, Saragoça, Maiorca, Almeria e mesmo Granada antes do período Nasrida, o que se torna mais notável pela sua crónica escassez de água. O autor muçulmano al Ansari relatou, no início do século XV, que existiram 25 fontes públicas em Ceuta e embora algumas fossem naturais, os estudiosos acreditam que a maior parte fosse artificial. O geógrafo andaluz al Bakri, no século XI menciona a existência de um aqueduto, que segundo a tradição local teria sido construído pelo Conde Julião no século VIII.

Da conquista portuguesa ao século XIX

A 21 de agosto de 1415 um exército de 20 mil homens, transportado em uma frota de 200 navios, sob o comando de João I de Portugal (1385-1433), acompanhado pelos seus filhos Duarte, Pedro e Henrique, desembarcou na atualmente denominada praia de Santo Amaro e conquistou a cidade. Diante das disputas de vários capitães para assumirem o governo da cidade após a conquista, Pedro de Meneses apresentou-se ao rei com um bastão chamado "aleo", usado num popular jogo da época, e quando o soberano lhe perguntou se era suficientemente forte para tomar a seu cargo a responsabilidade do governo da cidade terá respondido: “Senhor, este pau basta-me para defender Ceuta de todos os seus inimigos”. Foi então nomeado como primeiro governador e capitão-geral de Ceuta. Aquele “aleo” encontra-se em nossos dias no santuário de Nossa Senhora de África, tendo passado de mão em mão por todos os generais que estiveram no comando da praça jurando defender a cidade tal como o fez Pedro de Meneses.

Em 1418 o sultão de Fez impôs cerco a Ceuta durante cinco dias, sendo repelido pela artilharia e pelos besteiros portugueses. No ano seguinte deu-se um novo cerco, desta vez com o apoio de tropas do Reino de Granada. D. Pedro de Menezes conseguiu avisar atempadamente D. João I, que enviou uma força de auxílio. Após duas semanas de combates os sitiantes retiraram com pesadas baixas.

Num tratado assinado com o sultão de Fez, este reconheceu Ceuta como portuguesa. No mundo cristão, a cidade foi reconhecida como possessão portuguesa nos tratados das Alcáçovas (1479) e de Tordesilhas (1494).

No início do século XVI al-Hasan ibn Muhammad al-Wazzan al-Fasi (c. 1494 - c.1554), conhecido como Leão “o Africano”, afirma na sua obra “Della descrittione dell’Africa et delle cose notabili cheiui sono, per Giovan Lioni Africano” que Ceuta tinha 1.000 mesquitas, 360 casas de viajantes, 22 casas de banhos públicos e 103 moinhos.

No contexto da Dinastia Filipina Ceuta manteve a administração portuguesa, tal como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa (1640) não aclamou o duque de Bragança como rei de Portugal, ficando sob domínio espanhol. A situação foi oficializada em 1668 com o Tratado de Lisboa, assinado entre os dois países e que pôs fim à guerra da Restauração.

A cidade esteve cercada entre 1694 e 1724 pelo sultão Alauita Moulay Ismail. Em 1704, apesar de cercada por terra, resistiu com sucesso aos ataques da armada inglesa que conquistou Gibraltar. Em 1721, Moulay Ismail aproveitou a instabilidade que se vivia em Espanha para desalojar os espanhóis da costa marroquina, tomando San Miguel de Ultramar (Mamora), Larache, mas não logrou apoderar-se de Ceuta. Após a morte de Moulay Ismail ainda se registaram cercos marroquinos à cidade entre 1725 e 1728, em 1732, 1757 e 1790-1791.

Em 1812 a Junta da Cidade foi convertida num ayuntamiento constitucional. Em 1859–1860 assistiu-se à chamada Guerra de África, durante a qual os limites da cidade foram expandidos.

Do século XX à atualidade

Em 1912 foi instaurado o Protetorado Espanhol de Marrocos. Em 1925 Ceuta tornou-se independente da província de Cádis.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) chegou a Ceuta logo no seu primeiro dia. A sublevação foi levada a cabo na cidade na madrugada de 17 para 18 de julho de 1936 por tropas do tenente-coronel Juan Yagüe e não encontrou grande resistência. Militares leais ao governo e personalidades da Frente Popular, como Antonio López Sánchez-Prado, foram posteriormente fuzilados depois de terem sido submetidos a simulacros de julgamentos. Ceuta teve grande importância durante os primeiros meses do conflito como ponto de passagem do Exército do Norte de África na ocupação da Espanha peninsular.

Em 1956 teve lugar a independência do Marrocos e, consequentemente, o fim do protetorado. Ceuta serviu de base para a retirada das tropas dos territórios emancipados.

Em 1978 a nova constituição espanhola, como outras anteriores, reconheceu Ceuta como território integrante da nação espanhola, integrando-a no novo modelo de organização territorial, com a previsão da possibilidade de constituir-se em comunidade autónoma. Em 1995 foi promulgado o Estatuto de Autonomia da cidade, que juntamente com Melilla passou a ter o estatuto de cidade autónoma.

Características

Atualmente apresenta-se bastante descaracterizada, restando apenas parte do fosso amuralhado e um baluarte sobre a praia.

Muralhas Reais — As partes mais antigas, mais interiores, datam do século X e as mais recentes do século XVIII. A parte mais importante foi construída pelos portugueses e reconstruida pelos espanhóis em 1674 e 1705. Atualmente acolhem o Museu da Cidade, instalado no Revelim de Santo Inácio. Há também galerias subterrâneas escavadas para a defesa da cidade.

Muralhas do Passeio das Palmeiras — Troço norte das antiga muralhas da cidade.



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Related links 

Arquitetura Militar Ceuta/Sebta
Página sobre a fortificação em Ceuta/Sebta, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1894

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Contribution

Updated at 11/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jéssica Pedrini) (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Praça-forte de Ceuta


  • Fortified City





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  • Featureless and Badly Conserved






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Spain
    State/Province: Ceuta
    City: Ceuta



  • Lat: 35 -54' 41''N | Lon: 5 19' 8''W







  • Exclave de Espanha (*Plaza de Soberania")



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