Praça-forte de Tânger

Tanger, Tanger - Marroco

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A "Praça-forte de Tânger" foi uma fortificação localizada no litoral do Marrocos, no norte de África.

História

Antecedentes

A cidade remonta a uma primitiva povoação fundada por colonos cartaginenses no início do séc. V a.C..

Moedas antigas referem a cidade como ''Tenga'', ''Tinga'' e ''Titga'', e autores clássicos da Grécia adotaram diferentes variações do nome. De acordo com o historiador romano Plutarco, o seu nome originou-se de "Tinjis" (ou "Tinge") e a cidade foi fundada por Sufax, filho de Tinjis, esposa de Anteu. (Plutarco, ''Vidas Paralelas'', ''Vida de Quinto Sertório'', 9.4) Anteu era um gigante, cuja tumba, em Tânger, foi desenterrada por Quinto Sertório; o seu esqueleto media sessenta côvados de tamanho. (Plutarco, ''Vidas Paralelas'', ''Vida de Quinto Sertório'', 9.3. 60 côvados correspondem a cerca 27 a 40 metros. Adrienne Mayor (''The First Fossil Hunters''), cita este caso como um exemplo de ossos de mamutes ou dinossauros encontrados na Antiguidade. Sufax era filho de Hércules com a viúva de Anteu. (Plutarco, ''Vidas Paralelas'', ''Vida de Quinto Sertório'', 9.4.)

Os romanos chamaram-lhe '''Tingis''', donde advém o adjetivo ''tingitana'' para designar esta região desde a Antiguidade. A cidade passou para o jugo romano no século I a.C., primeiro como uma aliada independente e, posteriormente, sob o imperador Augusto, como uma colônia (''Colonia Julia''), no governo de Cláudio, capital da Mauritânia Tingitana.

No século V, os vândalos conquistaram e ocuparam a Tingitana, e dali partiram para a conquista do norte da África. Um século mais tarde, entre 534 e 682, a região esteve sob o domínio do Império Bizantino, vindo a cair sob o domínio muçulmano em 702.

A presença Portuguesa

Os portugueses tentaram conquistar a cidade pela primeira vez em 1437, durante o período henriquino.

Apesar da oposição inicial de Duarte I de Portugal (1433-1438) e da desaprovação do infante D. Pedro, duque de Coimbra, as Cortes de Évora (abril de 1436) votaram os créditos para a empresa. O cronista Rui de Pina afirma que na armada havia apenas 6000 homens, número insuficiente para atacar aquela já então poderosa praça muçulmana no Magrebe.

Em setembro o infante D. Fernando embarcou em Ceuta com destino a Tânger e o exército, sob o comando do infante D. Henrique tomou, por terra, a mesma direção. As forças muçulmanas estavam organizadas sob o comando de Sala ben Sala, que fora o capitão da praça-forte de Ceuta quando esta foi conquistada pelas forças portuguesas em 1415.

Derrotadas em sua investida, as forças portuguesas deixaram como prisioneiro o infante D. Fernando. Uma vez que o seu resgate passava pela devolução da praça-forte de Ceuta aos muçulmanos, o que não foi aceite pelas Cortes portuguesas, este veio a falecer no cativeiro em Fez em 1443, advindo daí a tradição de se lhe ver o cativeiro como motivo de santidade, razão pela qual passou a ser conhecido como o "Infante Santo".

Em 1458, e antes de atacar a praça-forte de Alcácer-Ceguer, a armada de Afonso V de Portugal (1438-1481) esteve dois dias ancorada na baía de Tânger, tendo o soberano planeado a sua conquista no que foi contrariado pelo seu Conselho. Três vezes acometeu a praça-forte, sempre sem sucesso.

Em 1471, com a tomada da praça-forte de Arzila (24 de agosto), os habitantes de Tânger compreenderam que o objetivo final das forças portuguesas era a tomada da sua cidade, vindo a abandoná-la. Foi assim ocupada, a 29 de agosto do mesmo ano, por D. João, filho do duque de Bragança, por ordem de D. Afonso V. Na ocasião foram recuperadas as relíquias do Infante Santo, solenemente transladadas para o Panteão Régio no Mosteiro da Batalha, onde ainda jazem, na chamada Capela dos Fundadores.

Tal como a praça-forte de Arzila, Tânger também recebeu famílias judias espanholas após 1490, para ali direcionadas pela Coroa portuguesa, com o fim de colonização.

No início do século XVI a praça-forte de Tânger permaneceu em permanente pé de guerra, com apenas alguns breves intervalos de tréguas.

No reino surge nesse período o plano de abandono de algumas das praças-fortes portuguesas no Marrocos, conforme exposto por João III de Portugal (1521-1557) ao Papa em 1532. No entanto, em 1534, num pedido de consulta aos principais conselheiros do Reino, o monarca demonstrou a sua vontade em conservar Tânger como base de ataque ao reino de Fez. As Cortes de Lisboa (1562-1563), reunidas após o cerco de Mazagão, insistiram pela sua defesa e pediram o reforço da guarnição.

Em 1578, por alturas da expedição que sob o comando de Sebastião I de Portugal (1557-1578) viria a partir de Arzila rumo a Alcácer-Quibir, o soberano português encontrou-se em Tânger com Mulei Moamede Almotoaquil, o xerife deposto por Mulei Abde Almélique.

Da presença Inglesa aos nossos dias

A praça-forte permaneceu em mãos portuguesas até 1661, momento em que, ao abrigo do Tratado de Paz e Amizade firmado entre Portugal e a Inglaterra, a mão da princesa Catarina de Bragança, filha de João IV de Portugal (1640-1656), foi dada em casamento a Carlos II de Inglaterra (1660-1685), levando no seu dote as cidades de Tânger e de Bombaim (esta última na Índia). Uma esquadra inglesa desembarcou em Tânger naquele mesmo ano e a guarnição e quase toda a população portuguesa regressaram ao Reino. No entanto o domínio britânico durou pouco tempo. Em 1679 o sultão Moulay Ismail de Marrocos tentou sem êxito ocupar a cidade, mas impôs-lhe um forte bloqueio que conduziu à retirada inglesa em 6 de fevereiro de 1684.

No início do século XX, Tânger esteve na base de uma das crises internacionais que precederam a I Guerra Mundial: o ''kaiser'' Guilherme II da Alemanha (1888-1918) quis estabelecer os interesses germânicos na cidade, chocando-se com os interesses da França, que também tentava controlar o sultanato.

Tendo-se o Marrocos tornado um protetorado francês em 1912, a cidade acabou por ser declarada zona internacional, sob a administração do Reino Unido, Espanha, França e, a partir de 1923 também por Portugal, Itália, Bélgica, Países Baixos, Suécia, Estados Unidos e, desde 1945, também pela União Soviética. Foi depois reunida ao reino do Marrocos, aquando da independência deste último, em 1956.



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Related links 

Castelos e Fortificações [de Tânger]
Página sobre os Castelos e Fortificações de Tânger, no Marrocos, na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=1646

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Contribution

Updated at 06/01/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Praça-forte de Tânger


  • Fortified City





  • Marroco


  • Featureless and Well Conserved








  • ,00 m2

  • Continent : Africa
    Country : Marroco
    State/Province: Tanger
    City: Tanger



  • Lat: 35 -48' 42''N | Lon: 5 48' 32''W










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