Fort of Casa da Salga

Angra do Heroísmo, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte da Casa da Salga”, comumente referido apenas como “Forte da Salga”, oficialmente "Prédio Militar n.º 8/149", localizava-se na baía da Salga, freguesia de Vila de São Sebastião, concelho de Angra do Heroísmo, costa sudeste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cruzava fogos com o Reduto da Salga.

História

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, (...)." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, pp. 16)

E complementou:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor [Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1578-1582)], e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) e na casa da Salga se fizeram dois fortes , e muita muralha; (...)." (Op. cit., p. 19)

A mesma informação foi utilizada por DRUMMOND no século XIX:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E complementou:

"(...) concluíram-se a boa fortaleza da Salga e o reduto que lhe fica fronteiro e encruza a baía, estendendo-se-lhe um bom lanço de muralha. (...)." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 232)

Considera-se assim, que ambos já existiam à data da batalha da Salga (25 de julho de 1581). FARIA, entretanto, considera ser mais exato que possam ter sido iniciados ainda na década de 1570, só tendo ficado operacionais em 1582, após, portanto, aquela batalha (FARIA, s/d.).

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"No forte chamado o Porto da Casa da Salga, onde se perdeu Dom Pedro de Baldez: Uma peça de bronze oitavada, com as mais (sic) de França, de dezoito quintais e oitenta e três arráteis; um falcão com as armas de Portugal, de sete quintais; duas peças de ferro coado, de a quinze quintais; outras duas peças de ferro coado, de dez quintais e meio; duzentas e trinta balas pera todas, uma coronha, sem peça." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 86)

Ao descrever a costa sul da ilha, o mesmo autor indica a reconstrução do forte:

"(...) e, logo adiante [da Ponta Ruiva], faz uma enseada pequena, correndo pouco espaço com alta rocha até uma calheta, onde se chama a Casa da Salga, em que novamente se fez um forte, com sua corredice (sic) pera a banda de oeste e de leste, (...)." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 2, p. 9)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo Marechal Castelo Branco como "A Fortaleza da Caza da Salga." na relação Fortificações nos Açores existentes em 1710 (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178).

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado:

"5º - Forte da Salga. Precisa a sua porta ser feita de novo e as muralhas encascadas e rebuçadas; tem seis peças de ferro boas com os seus reparos capazes. Precisa para se guarnecer seis artilheiros e vinte e quatro auxiliares." (JÚDICE, 1767)

Encontra-se referido como "Forte da Casa da Salga" no relatório Revista dos fortes e redutos da ilha Terceira, de Francisco Xavier Machado (1772), ilustrado com sete canhoneiras e edificações de serviço.

Encontra-se referido como "4. Forte da Caza da Salga" no relatório Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira, do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe relata o estado:

"Achase retificado de novo, e sóm.e a caza do of.al da guarda; preciza rachada, goarnecida, e rebucada; os seus tetos compostos; hua tarimba; hua porta e hua janella." (Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira, 1776)

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi novamente guarnecido e artilhado. Desse período dele existe alçado e planta, com o título "Forte da Salga", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (c. 1830) (Forte da Salga e Forte de Santo António, José Rodrigo de Almeida, 1830 (c.), Baía da Salga, ilha Terceira, Açores). Data do mesmo período a carta Circuito da Ilha Terceira (...) de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que regista: "2.º DISTRICTO – PORTO JUDEO Comprehende 2 Freguesias: S. Pedro da Ribeirinha, e S. Antonio. Está defendido por 4 Fortes: 1.º Porto Judeo p. 3 c. 18, 2 c. 24 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 2.º Salga p. 3 c. 18, 24 1 [3 peças calibre 18, ? do 24, 1?]; 3.º Salga p. 3 c. 18 [3 peças calibre 18]; 4.º S. Catharina das Mooz p. 3 c. 18, 2 c. 24 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24]."

A Relação do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que "As muralhas e alojamentos carecem de pequenos consertos." (BASTO, 1997:273)

Quando do Tombo de 1881 encontrava-se em condições razoáveis, agora com apenas cinco canhoneiras e dependências de serviço também pelo exterior (Damião Pego. Tombos dos Fortes da Ilha Terceira).

Ao longo dos séculos, o abandono, a erosão marinha e a falta de conservação por parte dos poderes públicos, conduziram à ruína da estrutura. Assim nos relata SAMPAIO (1904):

"(...) Neste lugar, que se tornou notável na célebre Batalha da Salga, quando os espanhóis tentaram a conquista da Ilha em 1581, existem ainda, como relíquias, as ruínas do Forte da Salga e do Reduto, acabados de construir pelo célebre governador Cyprião de Figueiredo, defensor leal de D. António Prior do Crato." (Op. cit., 274-279)

No contexto das comemorações do 4.° Centenário da Batalha da Salga, cogitou-se, em 1980, o restauro do forte, que entretanto não aconteceu.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que informa que dele "restam as últimas ruínas".

No início da década de 1990, os seus remanescentes foram arrasados para ampliação do parque de campismo, nada mais restando em nossos dias.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo, de enquadramento rural, isolado.

Apresentava planta quadrangular irregular, em cantaria, com muralhas muito aprumadas. Entretanto, por estar construído junto à beira-mar, a rebentação muitas vezes se dava nas muralhas do forte.

As suas muralhas eram rasgadas primitivamente por 7 canhoneiras. À época do Tombo de 1881 conservava apenas 5, nas suas 3 faces voltadas para o mar.

Na entrada do forte, do lado esquerdo, erguia-se o paiol da pólvora, ao abrigo do terrapleno; do lado direito, erguiam-se 2 casas pegadas, utilizadas como casa da guarnição, que tinham comunicação interior.

No exterior do forte existia outra casa, dividida em 2 compartimentos independentes, servindo um de cozinha e outro de armazém ou quartel.

A área ocupada pelo forte, casas, rampa de acesso e uma faixa de terreno anexa em frente ao muro de gola era de 512 m².

O forte era acedido por uma rampa com 20 m de comprimento, ao fim de um caminho público e irregular que, margeando o litoral, era destinado a dar servidão aos diferentes pontos da costa Sul e Lste da ilha.



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Contribution

Updated at 14/02/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5).


  • Fort of Casa da Salga

  • Prédio Militar n.º 8/149, Forte da Salga

  • Fort

  • 1571 (AC)

  • Between 1581 and 1582 (AC)



  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • 512,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo



  • Lat: 38 -39' 12''N | Lon: 27 5' 58''W




  • 1583; "Uma peça de bronze oitavada, com as mais (sic) de França, de dezoito quintais e oitenta e três arráteis; um falcão com as armas de Portugal, de sete quintais; duas peças de ferro coado, de a quinze quintais; outras duas peças de ferro coado, de dez quintais e meio; (...)" (FRUTUOSO)
    1767: 6 peças antecarga, de alma lisa, montadas.
    1831: Peças antecarga, de alma lisa: 3 do calibre 18, ? do 24.






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